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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Mensagem aos deputados federais: Pelo arquivamento do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff.

(Mensagem enviada hoje, por e-mail, aos 513 deputados da Câmara Federal)

Senhor deputado.

Venho por meio desta expressar o meu mais veemente repúdio à tentativa de golpe de Estado iniciada no dia 2 de dezembro, com a aceitação da abertura de processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff.

Na condição de cidadão e eleitor, exijo de Vossa Excelência que vote pelo arquivamento desta absurda e irresponsável iniciativa, que carece de base legal, segundo a maioria dos mais eminentes juristas, e que está sendo movida por razões políticas de natureza claramente antidemocrática e antipopular.

Declaro que junto-me, desde já, aos milhões de brasileiros que se preparam para tomar as ruas em defesa da democracia, e aviso:

Até o fim de 2018, quando houver novas eleições, nós não aceitaremos que o país seja governado por ninguém senão Dilma Rousseff.

Dilma é a presidenta do Brasil, eleita pelo voto de mais de 54 milhões de brasileiros, e deve ter seu mandato respeitado porque não cometeu nenhum crime que justifique a sua cassação.

Um impeachment, nestas circunstâncias, nada mais é do que um golpe de Estado.

E se Dilma for derrubada desta forma, qualquer um que a substitua terá sua autoridade de presidente permanentemente contestada, por lhe faltar legitimidade.

Portanto, senhor deputado, pense muito bem no que vai fazer, porque o povo brasileiro não há de aceitar o golpe e não há de perdoar os golpistas.

Exijo do senhor e seus pares que repeitem a democracia ou terão que encarar a ira santa dos democratas, que pode incendiar, de norte a sul, este país, se provocada.

Vote pelo arquivamento do processo de impeachment sem base jurídica contra a presidenta Dilma.

É o que, como cidadão e eleitor, reivindico de Vossas Excelência.

Contando com o seu compromisso com o Estado de Direito e com a paz social e contando com o zelo que o senhor deve ter com sua própria reputação e biografia política,

Subscrevo-me, atenciosamente,

Silvio Melgarejo

Rio de Janeiro/RJ, 14 de dezembro de 2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Quem fere com ajuste fiscal, com ajuste político será ferido. (1)

Ao votar no Congresso pela aprovação das MPs 664 e 665 e boicotar o Dia Nacional de Luta convocado pela CUT para 29 de maio, o PT está assumindo a inteira responsabilidade pelos efeitos da política econômica de Dilma e Levy sobre a vida dos trabalhadores.

Em 2016 e 2018 os trabalhadores é que farão um ajuste político contra os autores deste ajuste fiscal que hoje os penaliza, enquanto protege a burguesia.

O PT está cavando a própria cova.

Silvio Melgarejo

25/05/2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Só uma rebelião da militância pode salvar o PT do suicídio político.

Contra o ajuste injusto e a terceirização. Todo apoio ao Dia Nacional de Paralisações da CUT, em 29 de maio, como preparação para uma greve geral.


Ao votar nos dias 6 e 7 de maio pela aprovação do ajuste fiscal da presidenta Dilma, a bancada do PT simplesmente botou o partido em rota de colisão direta com a CUT e com as demais centrais sindicais.

A CUT publicou no dia 7 mesmo, no final da tarde, em seu site uma resolução que diz o seguinte:
"A CUT reprova a atual política econômica do governo por ser incoerente com o projeto que os/as trabalhadores apoiaram e que foi vitorioso nas últimas eleições, por levar o país à recessão e por penalizar a classe trabalhadora com o desemprego, a retirada de direitos, a precarização das relações de trabalho e a regressão de políticas públicas. 

Considera inaceitáveis as perdas de direitos contidas nas MPs 664 e 665 e posiciona radicalmente contra sua aprovação no Congresso Nacional. 

No lugar de penalizar os setores menos favorecidos da população, as medidas de ajuste deveriam incidir sobre os setores mais abastados da sociedade que concentraram renda e poder sonegando impostos e se beneficiando de uma política tributária regressiva.

A CUT questiona igualmente a eficácia da elevação da taxa de juros como medida de combate à inflação e seu efeito deletério na economia, ao provocar a elevação da dívida pública, limitar o investimento do Estado em infraestrutura e políticas públicas e inibir o investimento privado na produção. 

Reafirma a posição, explicitada na Plataforma da CUT, a favor de uma política que promova o crescimento econômico com inclusão social, proteja o emprego e a renda, preserve e amplie os direitos dos/as trabalhadores/as." 
Ou seja, a CUT avançou da crítica pontual para a oposição ao conjunto da política econômica do governo Dilma.

E é mais do que evidente que seus argumentos são infinitamente mais convincentes do que os argumentos do governo.

Lula defende o ajuste fiscal.

Mas seu único argumento é que devemos confiar na Dilma pela sua história.

Ora, a história da Dilma é nada perto do fato real, concreto, de que o ajuste penaliza apenas os trabalhadores, enquanto isenta de sacrifícios a burguesia.

Esconder isto dos trabalhadores e tentar convencê-los de que esta política é justa, quando evidentemente não é, é uma traição que mancha a história do PT e o desmoraliza como partido da classe.

A CUT está convocando um dia nacional de paralisações, para 29 de maio, como preparação para uma greve geral contra a terceirização e o ajuste fiscal da Dilma.

Que posição o PT vai ter neste dia 29 e numa eventual greve geral, depois de ter votado a favor do ajuste que estas mobilizações pretendem derrubar?

O PT vai boicotar esta iniciativa da CUT?

Se quiser ser coerente com a votação das MPs 664 e 665, sim, é isto que tem que fazer.

Mas se quiser ser coerente com sua história e com o objetivo de ser um partido socialista dos trabalhadores, não pode de maneira nenhuma deixar de apoiar estas mobilizações, fazendo autocrítica pública pela posição assumida por sua bancada na Câmara.

É bem verdade que a falta de poder de ação do PT nas ruas, decorrente da indisciplina generalizada dos dirigentes do partido, inviabilizaria a materialização de qualquer apoio que se decidisse dar à CUT, como foram inviabilizadas a Onda Vermelha de 2013 e as campanhas de coleta de assinaturas para os abaixo-assinados dos projetos de lei de iniciativa popular da reforma política e da democratização da mídia.

O máximo que o PT conseguiria fazer é orientar seus filiados a participarem individualmente das mobilizações.

Como os dirigentes não fazem trabalho de base nenhum e os diretórios não funcionam para nada, acaba sendo impossível ter uma intervenção do partido, com ações coordenadas envolvendo o conjunto dos seus filiados.

Desorganizado e sem comando como está, o PT só pode dizer "vai" e cada filiado que se vire para encontrar uma frente de luta e parceiros e meios para o engajamento.

Mas acho que nem isso o partido vai fazer.

E sabem por que, companheiros?

Sabem por que o PT não vai apoiar as mobilizações da CUT contra o ajuste antipopular de Dilma, nem verbalmente?

Porque Lula não quer.

Porque a maioria da direção nacional do partido não quer.

Porque a bancada do PT na Câmara não quer.

E porque a base do partido é omissa, não assume o protagonismo que lhe cabe na luta pela conquista da democracia interna do PT, que poderia salvar o partido da política suicida que vem adotando.

Esperam todos, inclusive Lula, por um milagre.

Que o plano Levy, apesar de injusto com os trabalhadores, lhes traga em breve tempo compensações que os façam esquecer que pagaram sozinhos o preço desse ajuste fiscal, que da burguesia nenhum sacrifício exige.

Enquanto o milagre não acontece, há dois caminhos para a militância petista.

Ou fura a greve geral da CUT para apoiar o governo Dilma de maneira irrestrita.

Ou adere à greve geral da CUT para derrubar a política econômica da presidenta, como pretende a central.

Eu opto pela rebelião contra a direção do PT, contra a bancada do partido na Câmara e contra a política econômica antipopular da Dilma.

Fico com os trabalhadores e com a CUT porque acredito que esta deve ser a posição do PT e de todos os petistas.

O PT, infelizmente, está se deixando conduzir por Lula e Dilma a uma aventura que pode levar o partido, a esquerda e a classe trabalhadora à ruína.

Um milagre pode acontecer?

Pode.

Mas, depois de esperar em vão, por meses, que o governo explicasse porque só dos trabalhadores exige que carreguem a cruz de um sacrifício supostamente redentor, chego à conclusão de que razão não há para o ajuste fiscal estar sendo feito desta forma, poupando os ricos e penalizando os pobres.

Dilma está errada.

E o PT, conduzido por Lula, está embarcando nesta canoa furada.

Se a base do partido os acompanhar sem resistir, será responsável, tanto quanto eles pelo desastre político que se anuncia.

Não há como um militante do PT sustentar perante os trabalhadores que é justo esse ajuste fiscal de Dilma, que poupa os ricos e penaliza os pobres.

Se houvesse democracia interna no PT, se a base do partido tivesse efetivamente controle sobre a atuação de seus dirigentes e parlamentares, nós nunca teríamos chegado a uma situação como esta.

Porque sendo trabalhadores, os filiados deste partido jamais permitiriam que seus dirigentes e parlamentares atuassem contra os trabalhadores, como estão atuando.

Infelizmente, o que se vê é que, em verdade, não existe "a base" do partido, porque, dispersos, os filiados do PT não formam um corpo, são como átomos soltos no espaço, incapazes de unir intenções e esforços para realizar qualquer coisa, mesmo as ações mais simples.

Seria necessário uma rebelião destes filiados, uma rebelião não só contra a direção do partido e contra a política econômica do governo.

Mas uma rebelião contra o fatalismo e conformismo dos próprios filiados, contra a apatia e covardia que os tem deixado inertes, sem reação ante as estarrecedoras ações e omissões dos dirigentes e parlamentares deste partido.

Companheiras e companheiros.

O PT está sendo enterrado vivo, junto com os sonhos dos que ajudaram a construí-lo ao longo de 35 anos.

Nós vamos tentar salvá-lo ou vamos apenas contemplar sua agonia?

O que precisa ser discutido e decidido o quanto antes é:
1) os petistas vão ou não vão apoiar e participar do dia nacional de paralisações da CUT, em 29 de maio, como preparação para a realização de uma greve geral? E

2) com que ações os petistas vão ajudar a CUT a construir estas mobilizações?
É isso que precisamos discutir e decidir aqui e agora, companheiros, para iniciarmos imediatamente os encaminhamentos práticos.

É pensar, discutir, decidir e botar mãos à obra, sem demora.

Porque falta apenas uma semana para o primeiro ensaio da greve geral contra o ajuste injusto e a terceirização, convocado pela CUT.

Não há, portanto, tempo a perder.

Saudações petistas.

Silvio Melgarejo

14/05/2015

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Re: Virou zona, tá valendo tudo. (1)

Em resposta à mensagem que enviei ontem à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal, sob o título "Virou zona, tá valendo tudo", uma companheira postou o seguinte:
"Questionei o Luiz Sergio a respeito e colo abaixo a sua resposta:
'Tenho sido questionado por alguns companheiros sobre meu posicionamento em relação ao PL 4.148/2008 que altera o texto da a Lei 11.105/2005. Em relação a essa questão tenho a informa o que segue:
1 – É preciso que fique claro que a modificação no texto da Lei MANTÉM a obrigatoriedade de que o consumidor seja informado no caso de presença de alimentos geneticamente modificados “ou derivados com presença superior a 1% (um por cento) de sua composição final”. Repetindo: os produtores “deverão informar ao consumidor a natureza transgênica do alimento”. Portanto, não é verdade que o projeto veda ao consumidor essa informação.
2 – O texto aprovado determina ainda que tal informação “deverá atender ao tamanho mínimo de letra definida no Regulamento Técnico de Rotulagem Geral de Alimentos Embalados.” Para conferir a íntegra do texto aprovado acesse o link http://goo.gl/xycFzb
3 – Há quem defenda que mesmo valores mínimos, menores que 1%, de alimentos chamados transgênicos, sejam informados aos consumidores. Esse foi o entendimento do Partido dos Trabalhadores, mas não do Governo. Essa é uma discussão que se dará, agora, no Senado federal.
4 – Meu voto seguiu a orientação da Liderança do Governo na Câmara.
Brasília, 5 de maio de de 2015
Luiz Sérgio
Deputado federal
PT_RJ'
O que me preocupa agora é a tentativa de alteração do marco regulatório do pré-sal e o impedimento do Banco Central da entrada do Brasil no banco dos Brics.
Sonia.
7 /5/2015"
MINHA TRÉPLICA:

Parece que a resposta dele te satisfez, Sonia, a ponto até de você querer virar essa página.

Pois a mim não satisfaz nenhum pouco.

Quer dizer que qualquer coisa que o governo mande votar, o deputado Luiz Sérgio vota, mesmo que contrarie a posição do partido?

Vejam bem, companheiras e companheiros o que diz o deputado Luiz Sérgio:
"3 – Há quem defenda que mesmo valores mínimos, menores que 1%, de alimentos chamados transgênicos, sejam informados aos consumidores. Esse foi o entendimento do Partido dos Trabalhadores, mas não do Governo. (...)

4 – Meu voto seguiu a orientação da Liderança do Governo na Câmara."
Agora vejam o que diz o estatuto do PT:
"Art. 227. Constituem infrações éticas e disciplinares:

(...)

II – o desrespeito à orientação política ou a qualquer deliberação regularmente tomada pelas instâncias competentes do Partido, inclusive pela Bancada a que pertencer o ocupante de cargo legislativo;"
Ora, o deputado Luíz Sérgio assume com todas as letras que desrespeitou a orientação política da bancada do PT.

Isto significa que ele incorreu numa infração disciplinar prevista no estatuto do partido, que é passível do tratamento e das sanções no estatuto previstas.

E o que o partido vai fazer?

O mesmo que fez com Vaccarezza, ou seja: NADA?

Reitero o que disse em minha mensagem de anteontem.

Considero que o voto do deputado Luíz Sérgio, neste caso, foi não só uma violação da disciplina partidária, mas um ato de traição a este partido, aos seus eleitores e à classe trabalhadora, com proveito único e exclusivo para os capitalistas do agronegócio.

Os trabalhadores têm o direito de decidir se querem ou não consumir produtos que podem trazer prejuízo às suas saúdes.

E o que o deputado Luíz Sérgio fez foi exatamente ajudar os empresários do agronegócio a cassarem este direito dos trabalhadores.

E ainda por cima, desrespeitando a orientação do partido.

Este fato - que por si só já é de extrema gravidade - aliado a outros, como:
1) o anúncio do presidente regional do PT de que seu diretório apoiará o candidato do PMDB na próxima eleição municipal do Rio de Janeiro;

2) a sabotagem da reforma política liderada por Cândido Vaccarezza e, agora,

3) o apoio da bancada petista na Câmara Federal a um ajuste fiscal cuja justiça não convenceu a ninguém neste partido, por penalizar apenas os trabalhadores;
todos estes fatos mostram, como eu disse ontem, o imenso grau de descontrole da base do PT sobre a atuação dos seus parlamentares e dirigentes.

E onde não há controle da base sobre parlamentares e dirigentes, não há democracia partidária.

O que me preocupa, Sonia, é a falta de preocupação da base deste diretório zonal com isto, com a falta de democracia no partido, que tem permitido que nossos parlamentares e dirigentes atuem como inimigos da classe trabalhadora.

Ao votar ontem e anteontem pela aprovação do ajuste fiscal da Dilma, a bancada do PT simplesmente botou o partido em rota de colisão direta com a CUT e com as demais centrais sindicais.

A CUT publicou ontem, no final da tarde, em seu site uma resolução que diz o seguinte:
"A CUT reprova a atual política econômica do governo por ser incoerente com o projeto que os/as trabalhadores apoiaram e que foi vitorioso nas últimas eleições, por levar o país à recessão e por penalizar a classe trabalhadora com o desemprego, a retirada de direitos, a precarização das relações de trabalho e a regressão de políticas públicas.

Considera inaceitáveis as perdas de direitos contidas nas MPs 664 e 665 e posiciona radicalmente contra sua aprovação no Congresso Nacional.

No lugar de penalizar os setores menos favorecidos da população, as medidas de ajuste deveriam incidir sobre os setores mais abastados da sociedade que concentraram renda e poder sonegando impostos e se beneficiando de uma política tributária regressiva.

A CUT questiona igualmente a eficácia da elevação da taxa de juros como medida de combate à inflação e seu efeito deletério na economia, ao provocar a elevação da dívida pública, limitar o investimento do Estado em infraestrutura e políticas públicas e inibir o investimento privado na produção.

Reafirma a posição, explicitada na Plataforma da CUT, a favor de uma política que promova o crescimento econômico com inclusão social, proteja o emprego e a renda, preserve e amplie os direitos dos/as trabalhadores/as."
Ou seja, a CUT avançou da crítica pontual para a oposição ao conjunto da política econômica do governo Dilma.

E é mais do que evidente que os argumentos da CUT são infinitamente mais convincentes do que os argumentos do governo.

Lula defende o ajuste fiscal.

Mas seu único argumento é que devemos confiar na Dilma pela sua história.

Ora, a história da Dilma é nada perto do fato real, concreto, de que o ajuste penaliza apenas os trabalhadores, enquanto isenta de sacrifícios a burguesia.

Esconder isto dos trabalhadores e tentar convencê-los de que esta política é justa, quando evidentemente não é, é uma traição que mancha a história do PT e o desmoraliza como partido da classe.

A CUT está convocando um dia nacional de paralisações, para 29 de maio, como preparação para uma greve geral contra a terceirização e o ajuste fiscal da Dilma.

Que posição o PT vai ter neste dia 29 e numa eventual greve geral, depois de ter votado a favor do ajuste que estas mobilizações pretendem derrubar?

O PT vai boicotar esta iniciativa da CUT?

Se quiser ser coerente com a votação das MPs 664 e 665, sim, é isto que tem que fazer.

Mas se quiser ser coerente com sua história e com o objetivo de ser um partido socialista dos trabalhadores, não pode de maneira nenhuma deixar de apoiar estas mobilizações, fazendo autocrítica pública pela posição assumida por sua bancada na Câmara.

É bem verdade que um outro efeito da indisciplina partidária, especificamente dos dirigentes, que é a falta de poder de ação do PT nas ruas, inviabilizaria a materialização de qualquer apoio que se decidisse dar à CUT, como foram inviabilizadas a Onda Vermelha de 2013 e as campanhas de coleta de assinaturas para os abaixo-assinados dos projetos de lei de iniciativa popular da reforma política e da democratização da mídia.

O máximo que o PT conseguiria fazer é orientar seus filiados a participarem individualmente das mobilizações.

Como os dirigentes não fazem trabalho de base nenhum e os diretórios não funcionam para nada, acaba sendo impossível ter uma intervenção do partido, com ações coordenadas envolvendo o conjunto dos seus filiados.

Desorganizado e sem comando como está, o PT só pode dizer "vai" e cada filiado que se vire para encontrar uma frente de luta, parceiros e meios para o engajamento.

Mas acho que nem isso o partido vai fazer.

E sabem por que, companheiros?

Sabem por que o PT não vai apoiar as mobilizações da CUT contra o ajuste antipopular de Dilma, nem verbalmente?

Porque Lula não quer.

Porque a maioria da direção nacional do partido não quer.

Porque a bancada do PT na Câmara não quer.

E porque a base do partido é omissa, não assume o protagonismo que lhe cabe na luta pela conquista da democracia interna do PT, que poderia salvar o partido da política suicida que vem adotando.

Esperam todos, inclusive Lula, por um milagre.

Que o plano Levy, apesar de injusto com os trabalhadores, lhes traga em breve tempo compensações que os façam esquecer que pagaram sozinhos o preço desse ajuste fiscal, que da burguesia nenhum sacrifício exige.

Enquanto o milagre não acontece, há dois caminhos para a militância petista.

Ou fura a greve geral da CUT para apoiar o governo Dilma.

Ou adere à greve geral da CUT para derrubar a política econômica da presidenta, como pretende a central.

Eu opto pela rebelião contra a direção do PT, contra a bancada do partido na Câmara e contra a política econômica antipopular da Dilma.

Fico com os trabalhadores e com a CUT porque acredito que esta deve ser a posição do PT e de todos os petistas.

O PT, infelizmente, está se deixando conduzir por Lula e Dilma a uma aventura que pode levar o partido, a esquerda e a classe trabalhadora à ruína.

Um milagre pode acontecer?

Pode.

Mas, depois de esperar em vão, por meses, que o governo explicasse porque só dos trabalhadores exige que carreguem a cruz de um sacrifício supostamente redentor, chego à conclusão de que razão não há para o ajuste fiscal estar sendo feito desta forma, poupando os ricos e penalizando os pobres.

Dilma está errada.

E o PT, conduzido por Lula, está embarcando nesta canoa furada.

Se a base do partido os acompanhar sem resistir, será responsável, tanto quanto eles pelo desastre político que se anuncia.

Não há como um militante do PT sustentar perante os trabalhadores que é justo esse ajuste fiscal de Dilma, que poupa os ricos e penaliza os pobres.

Se houvesse democracia interna no PT, se a base do partido tivesse efetivamente controle sobre a atuação de seus dirigentes e parlamentares, nós nunca teríamos chegado a uma situação como esta.

Porque sendo trabalhadores, os filiados deste partido não permitiriam que seus dirigentes e parlamentares atuassem contra os trabalhadores, como tantas vezes tem atuado.

Infelizmente, o que se vê é que, em verdade, não existe "a base" do partido, porque, dispersos, os filiados do PT não formam um corpo, são como átomos soltos no espaço, incapazes de unir intenções e esforços para realizar qualquer coisa, mesmo as ações mais simples.

Seria necessário uma rebelião destes filiados, uma rebelião não só contra a direção do partido e contra a política econômica do governo.

Mas uma rebelião contra o fatalismo e conformismo dos próprios filiados, contra a apatia e a covardia que os tem deixado inertes, sem reação ante as estarrecedoras ações e omissões dos dirigentes e parlamentares deste partido.

Companheiras e companheiros.

O PT está sendo enterrado vivo, junto com os sonhos dos que ajudaram a construí-lo ao longo de 35 anos.

Nós vamos tentar salvá-lo ou vamos apenas contemplar sua agonia?

Vamos botar a mão na consciência.

Nenhum de nós está isento de responsabilidade pelo que está acontecendo com o PT.

Nenhum de nós está isento de responsabilidade quanto aos atos equivocados deste partido e do dever e direito de tentar corrigi-los.

Vamos refletir, companheiros.

E vamos ver se aqui mesmo nesta lista de e-mails que é, efetivamente, o único fórum de debates desta zonal, conseguimos tirar uma posição e uma estratégia de ação imediata.

O que precisa ser discutido e decidido o quanto antes é:
1) o 1º Diretório Zonal vai ou não vai apoiar e participar do dia nacional de paralisações da CUT, em 29 de maio, como preparação para a realização de uma greve geral?

2) com que ações o 1º Diretório Zonal vai ajudar a CUT a construir estas mobilizações?
É isso que precisamos discutir e decidir aqui e agora, companheiros, para iniciarmos imediatamente os encaminhamentos práticos.

É pensar, discutir, decidir e botar mãos à obra, sem demora.

Porque faltam só 21 dias para o primeiro ensaio da greve geral contra o ajuste injusto e a terceirização, convocado pela CUT.

Saudações petistas.

Silvio Melgarejo

08/05/2015

domingo, 15 de março de 2015

Dia 13 e os próximos passos. A internet é a nossa mídia.

A mobilização do dia 13 de março pode ser considerada um sucesso se tomada como ponto de partida para se chegar a mobilizações maiores.

Os objetivos declarados pelos manifestantes nas ruas exigem, evidentemente, um acúmulo de forças muito maior, em novos e reiterados atos, para serem alcançados.

13 de março tem que ser só o começo, o primeiro passo, o dia da arrancada para a mobilização nacional dos trabalhadores contra o golpe e em defesa das reformas democratizantes, dos direitos sociais e da Petrobras.

A CUT, o MST, a UNE e demais entidades fizeram a sua parte, com este movimento inicial.

É hora agora de o PT organizar os seus mais de 1,5 milhão de filiados e prepará-los para engrossar os próximos atos.

Mas como organizar o partido? Isto é o que precisa, a meu ver, ser discutido e decido, com a maior urgência, pelos petistas.

Porque quanto mais tardia for a reação ao avanço das forças conservadoras, mais difícil será detê-las e impedir que alcancem seus intentos.

Eu defendo a organização dos filiados do PT em comitês de bairro, que sejam criados, mantidos e dirigidos pelos diretórios zonais ou municipais.

Cada diretório deve organizar o seu cadastro, classificando os filiados de sua base por bairro, logradouro, CEP, edificação e unidade habitacional, atualizando dados para contato, como endereço, telefone e e-mail.

Este cadastro deve ser o instrumento principal para a criação dos comitês de filiados por bairro.

Os comitês não devem ser pontos passivos de convergência de filiados e, sim, núcleos irradiadores de informação e de energia mobilizadora.

Para tanto, devem construir, como instrumentos de sua ação, redes que permitam a comunicação permanente entre comitê e filiados e entre cada filiado e os demais residentes no seu bairro.

Estas redes devem usar todas as formas possíveis de comunicação, como a internet, o telefone, o SMS, a carta, a visita domiciliar e os encontros presenciais.

As redes de comunicação dos comitês de bairro interligadas formariam redes de comunicação zonais e municipais, que permitiriam o comando centralizado de ações coordenadas envolvendo o conjunto dos comitês.

Os comitês de filiados por bairro e suas respectivas redes de comunicação seriam como tijolos de uma construção, que é a unidade de objetivos e de ação do partido nas ruas de todo o país.

Forjar os comitês de bairro, como tijolos, para serem usados nesta construção é o primeiro passo que o partido precisa dar para organizar os seus membros.

E a organização pode ser o fator decisivo para o que o partido tenha condições de alcançar a vitória sobre os inimigos de suas causas.

Porque a desorganização que reina hoje no PT dispersa os filiados e pulveriza o partido, enfraquecendo-o, enquanto a organização, ao contrário, quando houver, terá o poder de concentrar os filiados, dando ao partido coesão, capacidade de coordenação e força na ação coletiva.

É hora de o PT começar a fazer a sua parte, na construção da unidade nacional dos trabalhadores para a luta de classes, organizando a sua base de filiados, para botá-la em movimento no trabalho cotidiano de organização e mobilização dos trabalhadores, nos bairros de cada cidade deste país.

É hora de multiplicar, de transformar dezenas em centenas, centenas em milhares e milhares em milhões de cidadãos nas ruas, em defesa da democracia e das reformas necessárias para o seu avanço e para o avanço da justiça social no Brasil.

A organização do partido nos bairros, através da criação de comitês pelos diretórios zonais e municipais, é o melhor caminho para organizar o partido e dar chance a todos os filiados de participarem da sua democracia interna e de contribuírem na luta pela conquista dos seus objetivos.

Quem se filia ao PT o faz porque quer contribuir com algo além do voto.

O filiado do PT quer ser mais do que apenas eleitor.

Quer ser militante, oferecer ao partido o seu tempo, sua energia física e intelectual e algo de seus recursos materiais e financeiros.

O dever dos dirigentes partidários é exatamente corresponder à expectativa destes filiados, dando-lhes a chance que desejam de serem úteis às causas do PT que eles também abraçam.

E os comitês de bairro podem permitir que os dirigentes do PT cumpram esta missão.

Mas para isso é preciso que estes dirigentes tenham disciplina.

Quando o PT conseguir botar os seus dirigentes zonais e municipais prá fazer trabalho político e organizativo permanente junto às suas bases de filiados, o partido vai, finalmente, começar a se preparar para ser uma organização realmente militante, voltada para a ação coletiva nas ruas.

Neste momento, o poder indutor da organização e mobilização das massas, pela ação concentrada dos mais de 1,5 milhão de filiados do partido, poderá ser finalmente demonstrado na prática.

Quanto maior o volume e o peso de um objeto, maior a onda que ele provoca quando se move na água, ou maior o deslocamento de ar, quando se move no espaço.

Só um partido de massas, como o PT, é capaz de mobilizar massas maiores ainda, desde que tenha organização e disciplina.

Organizar e mobilizar o partido para que o partido organize e mobilize os trabalhadores nos bairros, esta deve ser a estratégia do PT para construir a unidade de ação dos trabalhadores em todo o país contra o golpe e em defesa das reformas democratizantes, dos direitos sociais e da Petrobras.

Só desta maneira o partido poderá dar uma contribuição realmente relevante para a continuidade do esforço iniciado no dia 13 de março pela CUT, pelo MST, pela UNE e demais entidades que participaram daqueles atos.

Que os dirigentes do nosso partido tenham consciência do papel decisivo que lhes cabe cumprir e que assumam efetivamente as suas responsabilidades sem hesitações e sem adiamentos.

A guerra já começou.

Falta ao PT preparar-se adequadamente para enfrentá-la e vencê-la.

Não há mais tempo a perder.

Ilude-se quem pensa que a burguesia e a direita vão nos dar trégua.

Não vão.

Este ano todo, o PT e o governo Dilma serão bombardeados incessantemente por forças políticas que têm o claro objetivo de destruí-los.

A militância do PT precisa, por isso mesmo, incorporar, urgentemente, o tema da organização partidária à sua pauta de debates nas redes sociais, como uma questão prioritária, vital para a sobrevivência do partido e do governo Dilma e para o avanço da luta por mais democracia e justiça social.

O debate sobre a organização partidária não pode mais ficar confinado às reuniões dos diretórios, que são isoladas entre si e costumam ter baixíssima frequência.

Este debate tem que envolver todos os petistas e tem que ser amplo, público, aberto, sem censura, como sempre foram os debates do PT sobre suas questões internas.

Não se organiza um partido de massas sem usar uma mídia de massas que permita fluxo intenso e permanente de informação, entre o maior número possível de pessoas e no mais amplo possível espaço geográfico.

Esta mídia hoje é a internet com suas redes sociais.

É nas redes sociais, que ligam filiados de norte a sul e de leste a oeste do país, que a militância do PT deve se encontrar para apresentar propostas, relatar experiências e exercer livremente a reflexão crítica.

Se os diretórios são fóruns locais, as redes sociais são fóruns nacionais de debates entre petistas.

Constituem, além disso, quase sempre, os únicos canais de comunicação existentes entre filiados e simpatizantes residentes em estados diferentes ou até num mesmo bairro, já que mesmo sendo vizinhos, muitos filiados do partido sequer se conhecem.

É hora de pensar na organização do PT e de falar sobre este tema exaustivamente, para que do debate amplo e democrático surja o consenso quanto ao que fazer e como fazer, assim como a decisão de entrar em ação para botar os planos traçados em prática.

Num só lugar pode a multidão de filiados dispersa se encontrar,  discutir e decidir o que fazer para deixar de ser dispersa e agir como um só corpo.

Este lugar é a internet com suas redes sociais.

É nas redes sociais, e só nelas, que se poderá criar um movimento coletivo capaz de influenciar as decisões dos diretórios, que hoje só abrigam minorias, para tornar o partido aquilo que ele deve e precisa ser hoje: uma poderosa máquina de organizar e mobilizar multidões de trabalhadores para a luta de classes.

“A mais importante lição que o trabalhador brasileiro aprendeu em suas lutas”, diz o Manifesto de Fundação do PT, de 1980, “é a de que a democracia é uma conquista que, finalmente, ou se constrói pelas suas mãos ou não virá”.

Pois o PT nasceu, exatamente, para ser uma ferramenta  dos trabalhadores a serviço desta construção, que é a democracia social e política, mais conhecida como socialismo democrático.

Mas à medida que o trabalho avança e as circunstâncias impõem mais graves desafios, esta ferramenta precisa ser aperfeiçoada para ser capaz de ser útil na realização de novas e mais difíceis tarefas.

Pois as tarefas que hoje estão colocadas para os trabalhadores na luta de classes exigem que o PT seja um partido muito mais organizado e disciplinado do que já foi em toda a sua história.

O PT precisa hoje revolucionar-se administrativamente para robustecer e dar vitalidade à sua democracia interna e para se tornar capaz de realizar uma estratégia política que tenha como eixo principal a mobilização das massas trabalhadoras contra a burguesia e a favor da ampliação crescente da democracia social e política do país, no rumo do socialismo democrático.

O dia nacional de luta da última sexta-feira, 13 de março, foi um bom primeiro passo da esquerda democrática numa caminhada que, em verdade, não irá muito longe sem a participação do PT, que é o seu maior partido.

Não deste PT pequeno e frágil, medroso e preguiçoso, apático e hesitante que cochila nos diretórios.

Mas do PT grande e vigoroso, valente e disposto, vibrante e decidido que está pulverizado em 1,5 milhão de fragmentos que são os seus filiados dispersos pelo país, ansiosos por serem convocados para atuarem nas frentes de batalha.

É este PT, que está fora dos diretórios, vagando pelas redes sociais, que precisa ser organizado para ganhar coesão e capacidade de atuar coletivamente nas ruas, de forma coordenada.

A força de um partido está na organização e disciplina dos seus membros e no funcionamento pleno e regular de sua cadeia de comando.

Pois é isto que o PT precisa perseguir para ser um partido forte. Impor disciplina aos seus dirigentes, para que eles realizem o trabalho para o qual foram eleitos, que é fazer funcionar os seus diretórios e organizar a base partidária.

Enquanto o PT não tomar esta decisão, vai continuar sendo uma organização incapaz de atingir os seus fins, com sua direção inoperante e uma base pulverizada, um partido, enfim, cuja força não corresponde, nem de longe, ao seu tamanho.

O PT é grande, é hoje o segundo maior partido em número de filiados.

Mas precisa ser forte para ser capaz de influenciar o processo político do país.

Forte no parlamento, onde ainda tem baixa representação – 13,65% das cadeiras da Câmara Federal e 14,81% das cadeiras do Senado – e força nas ruas, de onde tem estado ausente há mais de uma década, pelo menos.

O fortalecimento do PT no parlamento depende do aumento do seu número de deputados e senadores e isto só poderá acontecer nas próximas eleições, em 2018.

Já o fortalecimento do PT nas ruas depende da organização do partido nos bairros, e isto pode e deve ser feito imediatamente, com a criação dos comitês de filiados pelos diretórios zonais e municipais.

A única possibilidade de o PT evitar a sua própria destruição e a derrota do seu governo, seja por via do golpe de Estado, seja pela sabotagem sistemática de suas iniciativas pela direita, é fazer das ruas o palco principal de suas ações, organizando os seus filiados para que eles organizem a classe trabalhadora nos bairros.

Para deter o avanço do conservadorismo golpista, vencê-lo e conseguir avançar na realização do projeto iniciado por Lula, o PT não pode mais contar apenas com a coalizão parlamentar que tem mantido, em estado de crescente apodrecimento.

É preciso construir uma forte coalizão social que tenha como núcleo a classe trabalhadora organizada nos bairros, nos sindicatos, nas associações camponesas e nas demais entidades do movimento social.

O maior partido de esquerda do país não pode mais ser apenas um partido de ações eleitorais, parlamentares e governamentais, tem que ser antes e sobretudo um partido indutor, organizador e dirigente de grandes manifestações populares.

Porque o caminho para a conquista do socialismo democrático é a radicalização da democracia e a democracia só se radicaliza quando a classe trabalhadora avança no controle do Estado, seja através da conquista de mandatos em governos e parlamentos pelos seus partidos, seja através da influência exercida sobre os eleitos com a realização de comícios, passeatas, greves e outras formas de manifestação legítimas da vontade coletiva.

Vejo agora as notícias e imagens do dia nacional de luta dos golpistas e elas mostram exatamente aquilo que venho dizendo aqui e em outras mensagens recentes que postei nas redes sociais. A guerra já estava declarada, a direita veio agora com tudo e não vai nos dar trégua, vai tentar derrubar o governo Dilma e, se possível até, cassar o registro do Partido dos Trabalhadores.

Petistas, acordem.

A unidade que precisamos não é na acomodação aos erros clamorosos que tem sido cometidos pelo PT e pelo governo Dilma e que permitiram que a situação chegasse até este ponto que chegou.

Os petistas precisam se unir para corrigir seus erros, que não são evidentemente, aqueles erros apontados pela oposição.

Nós erramos porque não vemos e não tratamos o PT como uma organização, ou seja, como uma unidade social deliberadamente constituída para atingir algum objetivo.

O PT é uma organização e toda organização, independentemente  dos fins a que destine, precisa de administração, ou seja, precisa de planejamento, organização, disciplina na ação e monitoramento do desempenho e dos resultados de cada ação para as devidas correções de planos ou da forma de executá-los.

Se continuarmos cometendo este erro, vamos ser dizimados.

Só com administração será possível transformar 1,5 milhão de petistas filiados dispersos numa unidade coletiva forte e coesa capaz de influenciar o processo político do país – influenciar, inclusive, o próprio governo e a bancada petista no parlamento –, deter o golpe e dar sustentação a Dilma para que ela lidere a continuidade do avanço da democracia e da justiça social no país.

O maior partido de esquerda do Brasil, que é o PT, tem que ser tão bem administrado quanto o maior partido de direita, que é a Globo. Porque se não for, vai ser derrotado por ela.

Não basta ter uma boa estratégia de luta, a estratégia correta. Para vencer o inimigo é preciso ser capaz de fazer o melhor uso possível dos próprios recursos na implementação dessa estratégia.

E é este, exatamente, o maior problema do PT. Não administrar corretamente os seus recursos.

Há quem diga que o problema real é a estratégia errada.

Pois eu digo que estratégia nenhuma pode ser bem sucedida se não houver emprego correto dos recursos do partido.

Se a cadeia de comando formada pelos diretórios não funcionar e se a base partidária não estiver organizada, vai acontecer sempre o que aconteceu em 2013. O presidente do PT convocou uma Onda Vermelha e o partido não conseguiu fazer mais que uma marola.

Força política, companheiras e companheiros, é algo que não resulta apenas da quantidade de apoios que se tem. É algo que depende, sobretudo, da organização e da mobilização destes apoios.

A direita golpista se organizou e está conseguindo, neste dia 15 de março, mostrar uma notável capacidade de mobilização dos seus apoios. E o oligopólio da mídia, liderado pelas Organizações Globo, está tendo um papel fundamental na realização destes protestos.

Contra o poder de organização e mobilização do oligopólio da mídia, nenhuma outra força poderá se contrapor senão a do poder de organização e mobilização de um partido de massas.

O PT precisa ser para a esquerda aquilo que a Globo tem sido para a direita: um partido indutor, organizador e dirigente de grandes manifestações de rua.

E se a Globo tem o rádio e a TV como mídias, a mídia principal do PT só pode e deve ser a internet.

Repito, para encerrar, o texto que postei no Facebook no dia 11 de março, em que dizia:

“SE HOUVESSE UM GOLPE HOJE, não haveria reação capaz de detê-lo, porque a esquerda e as massas estão, como em 64, inteiramente desorganizadas.

Jango tinha 70% de aprovação ao seu governo quando foi deposto, muito mais do que tem Dilma hoje.

O povo não queria o golpe, mas não teve força para evitá-lo porque faltava organização que permitisse a implementação de qualquer ação coletiva realmente significativa de resistência.

A esquerda brasileira não aprendeu com seus erros do passado e, graças a isto, caminha a passos largos para mais uma derrota histórica.

Ou o golpe virá ou Dilma sangrará junto com o PT até 2018.

A não ser, é claro, que a direção do PT e sua vanguarda acordem já para a necessidade da organização e da disciplina partidária como condições para que o PT possa assumir definitivamente o papel fundamental de indutor, organizador e dirigente das mobilizações populares contra o avanço dos golpistas. Porque se esta consciência continuar nos faltando como agora, a derrota será praticamente inevitável, como foi inevitável em 64.

Sem comando, organização e disciplina, o PT não conseguirá resistir ao golpe.”


Saudações petistas.

Silvio Melgarejo

15/03/2015

quarta-feira, 11 de março de 2015

Se houvesse um golpe hoje.

Se houvesse um golpe hoje, não haveria reação capaz de detê-lo, porque a esquerda e as massas estão, como em 64, inteiramente desorganizadas.

Jango tinha 70% de aprovação ao seu governo quando foi deposto, muito mais do que tem Dilma hoje.

O povo não queria o golpe, mas não teve força para evitá-lo porque faltava organização que permitisse a implementação de qualquer ação coletiva realmente significativa de resistência.

A esquerda brasileira não aprendeu com seus erros do passado e, graças a isto, caminha a passos largos para mais uma derrota histórica.

Ou o golpe virá ou Dilma sangrará junto com o PT até 2018.

A não ser, é claro, que a direção do PT e sua vanguarda acordem já para a necessidade da organização e da disciplina partidária como condições para que o PT possa assumir definitivamente o papel fundamental de indutor, organizador e dirigente das mobilizações populares contra o avanço dos golpistas. Porque se esta consciência continuar nos faltando como agora, a derrota será praticamente inevitável, como foi inevitável em 64.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Só a governabilidade social pode salvar o projeto petista.

A governabilidade institucional já era. Uma outra governabilidade, no entanto, a social, ainda é possível. Só ela pode agora nos salvar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Uma decisão urgente.

Enquanto o PT não tomar a decisão de organizar e dirigir a sua própria base de filiados, não vai conseguir também organizar e dirigir a classe trabalhadora.

Porque é a base do partido, e não sua direção, quem vai atuar efetivamente junto à classe e com ela interagir, para lhe organizar e liderar suas ações.

A falta de uma política global para a administração dos diretórios partidários e a completa falta de disciplina da imensa maioria dos dirigentes destes diretórios, tem comprometido gravemente há anos o funcionamento da democracia interna do Partido dos Trabalhadores e anulado inteiramente o seu poder de ação na sociedade.

Não faltam recursos para fazer funcionar a democracia partidária, tampouco para realizar ações políticas coletivas nas ruas e praças do país.

Os recursos existem, são abundantes e estão presentes na própria base do partido, de mais de 1,5 milhão de filiados.

O que falta ao PT é planejamento, organização, liderança e controle nos diretórios.

Ou seja, falta ADMINISTRAÇÃO PARTIDÁRIA.

Porque, sem administração, não se realiza a política, nenhuma política, mesmo a mais correta e justa, mesmo a mais necessária e urgente.

A presente conjuntura coloca o PT ante o desafio de se renovar como partido para responder adequadamente às circunstâncias.

E as circunstâncias exigem que ele seja um partido indutor, organizador e dirigente de grandes e permanentes mobilizações populares, porque depende destas mobilizações para sobreviver e para realizar seus objetivos.

Construir este partido é tarefa de todos os filiados.

Mas depende antes de tudo de uma firme decisão e de uma radical mudança de atitude dos dirigentes petistas, hoje acomodados à inércia da paralisia e à falta de cobrança de desempenho e resultados.

Porque sem comando, organização e disciplina, em todos e em cada um dos diretórios do PT, a democracia interna do partido vai continuar sendo uma democracia de poucos e sua capacidade de atuar como unidade coletiva forte e coesa na sociedade vai continuar sendo nula.

Sem organização e disciplina, o PT não será capaz de resistir ao golpe que se vê em gestação e ao massacre continuado de sua imagem perante a opinião pública.

É hora de reagir à modorra e à apatia reinantes no partido, resultantes, em grande medida, do vício de se manter discussões estéreis e sem sentido prático.

Estratégias e táticas precisam de meios para serem realizadas.

Se na guerra o meio é o exército, na política o meio é o partido.

Como venho há tempos dizendo, sem partido organizado e mobilizado, todo ideal político morre no discurso.

Só que no PT, por incrível que pareça, simplesmente aboliu-se a discussão sobre a construção partidária.

A construção partidária virou quase um tema tabu.

E isso precisa mudar.

É hora de se estabelecer um pacto entre todas as tendências petistas para o desenvolvimento de uma cultura administrativa partidária, que permita o uso racional dos recursos presentes na base de filiados do PT, na construção e na manutenção de um partido que seja indutor, organizador e dirigente das mobilizações dos trabalhadores.

Um partido que, antes de tudo, deixe de ser, como é hoje, uma democracia de poucos, raríssimos, para ser uma democracia de todos os filiados, onde todos possam falar e ser ouvidos, ouvir e poder retrucar, decidir e assumir compromissos de participação, de acordo com seus talentos, vocações, disposições e disponibilidades.

Porque este é o único modelo de partido que vai permitir ao PT alcançar seus objetivos.

Nunca é demais lembrar o trecho abaixo da resolução política do 5º Encontro Nacional do PT, de 1987, que diz:
"Se queremos um partido capaz de dirigir a luta pelo socialismo, (...) precisamos de um partido organizado e militante, o que implica a necessidade de quadros organizadores. Um partido que seja de massas porque organizará milhares, centenas de milhares ou até milhões de trabalhadores ativos nos movimentos sociais, e porque será uma referência para os trabalhadores e a maioria do povo."
O PT precisa urgentemente de dirigentes disciplinados, com compromisso, talento e vocação para a realização das tarefas organizativas.

Sem dirigentes assim, com estas características e com este comprometimento com a organização partidária, o PT vai continuar sendo apenas este enorme contingente de filiados dispersos, desconectados e desarticulados que somos, incapazes de realizar qualquer ação coletiva de impacto político significativo na sociedade, seja para defender seu governo, seja para lutar por mais avanços democráticos e sociais.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Não existe mobilização espontânea. A importância do partido militante e dirigente.


Em 18/11/2014 postei a imagem acima como comentário em um status do deputado Alessandro Molon.

No dia seguinte, 19, uma companheira chamada Joseli Lannes disse a respeito da mensagem desta minha imagem:
"Como simpatizante e participante desde 1982, acho que está na hora de re-construir o PT e re-sintoniza-lo às ações de trabalhadores e da sociedade - a sociedade se mobilizará e organizará nova vias, com ou sem PT. Eu gostaria que fosse com, como tenho trabalhado. Mas sem achar que o PT 'fará indução e dirigira as mobilizações de trabalhadores'. Armadilha perigosa."
Em resposta a ela, postei o seguinte texto:
"Joseli Lannes. Não existe mobilização espontânea. Todas são induzidas por alguma organização, que pode ser uma entidade do movimento social, uma rede de televisão ou um partido ou frente de partidos políticos. 

Também não existe mobilização social bem sucedida se não houver uma direção que seja capaz de garantir a unidade de ação e de propósitos. Mobilização sem direção resulta em dispersão e desvirtuamento de objetivos. 

O mais recente exemplo disso foram as manifestações de junho de 2013 que nasceram movidas por bandeiras democráticas e de esquerda e acabaram se esgotando sem alcançar outro resultado significativo além do fortalecimento da direita. 

Os protestos de junho começaram com a demanda de um pequeno movimento em São Paulo, o Movimento Passe Livre, e se agigantaram, ganhando uma dimensão nacional e ampliando e diversificando sua pauta. 

O problema é que não havia nenhuma organização de esquerda capaz de dar direção às massas que foram para as ruas em todo o país. E este vazio de direção acabou sendo ocupado por uma poderosa organização de direita, que foi a Globo. 

A emergência do fascismo, que hoje vemos desfilar, desafiar e ameaçar a democracia, se deu em junho de 2013, induzida e orientada pela Globo para o desgaste - que efetivamente se deu - do governo Dilma e do PT. Alcançado o objetivo pretendido, a própria Globo tratou de esvaziar o movimento com a colaboração dos black blocs.

A lição que se pode tirar destes eventos é que não basta à esquerda botar o povo na rua para alcançar seus objetivos. É preciso fazê-lo de forma organizada para garantir a unidade de ação e de propósitos. E não existe organização sem direção. 

O que eu defendo é que o PT se prepare para ser essa direção que as massas precisam para atuarem de forma coesa e coordenada na defesa do mandato de Dilma e da democracia e na luta pela Reforma Política e pela Democratização da Mídia."

terça-feira, 4 de novembro de 2014

PT deve estar preparado para enfrentar e vencer as agressões fascistas e fazer valer o seu direito à livre manifestação democrática nas ruas. Debate com Mara Rocha.

Em 3/11/2014, a companheira Mara Rocha, de São Paulo, publicou o seguinte texto no Facebook:
"As manifestações violentas da direita fascista, só afastarão cada vez mais o povão das ruas. 

Isso aconteceu no final das jornadas de junho, onde só milícias e ativistas radicais de direita e esquerda se enfrentaram,apoiados pelo submundo do crime. 

Estão lançando a isca, para ver se revidamos nas ruas, entretanto isso seria um erro,pois daria respaldo a tese de país dividido e em convulsão.

Dilma pode usar essa selvageria fascista contra eles mesmos, para convencer os deputados e senadores do perigo de um golpe, afinal o congresso é o representante da vontade popular, juntamente com o executivo.

Dar condições de governabilidade a Dilma, significa defender a democracia e as instituições. 

Com um golpe todos teriam a perder."
No mesmo dia, comentei:
"Fugir das ruas e permitir que as manifestações públicas coletivas se tornem uma exclusividade da direita, quando a direita já tem o controle da mídia, do parlamento e do judiciário seria um suicídio político para o PT e para o conjunto da esquerda.

As ruas tem que ser disputadas, sim. Nós temos que nos preparar e enfrentar essa briga ou estaremos renunciando na prática à democracia.

Porque democracia de verdade tem que ter povo na rua defendendo seus direitos. A democracia nunca foi e nunca será uma concessão da burguesia. Democracia é algo que o povo só conquista se lutar.

O sucesso do próximo governo Dilma dependerá do apoio popular que ela tiver. E o apoio popular só pode se expressar no espaço público das ruas e praças das cidades. Sem esse apoio das massas trabalhadoras o governo Dilma acabará sendo inviabilizado e até interrompido por um golpe.

Nunca, nestes 12 anos de presidência da república, foi tão vital para o PT investir na construção da governabilidade social. E isto só se faz com um partido organizado que seja capaz de atuar de forma disciplinada junto aos trabalhadores no cotidiano das ruas.

A resposta a todos os ataques que a democracia vem sofrendo por parte dos que desejam deter os avanços sociais do governo petista deve ser um investimento ainda maior no fortalecimento da democracia. E não existe nada que dê mais vigor à democracia de um país do que a participação popular no espaço público de suas ruas e praças."


Mara Rocha respondeu:
"acho que temos que ir as ruas pela reforma política, pela regulamentação da mídia, enfim dar apoio a Dilma, entretanto se formos com a intenção de enfrentar a direita, que já está nas ruas, armadas e com apoio da Mídia....creio que isso não será bom....

então ir as ruas organizadamente, para não espantar o povo em geral que está com a gente....pois se a violência comer solta...e isso a direita faz muito bem...não haverá povo, haverá apenas militantes se enfrentando e mais, nesse enfrentamento nós não estaremos armados...."
E seguimos debatendo.

SILVIO MELGAREJO
"Nós temos que ser capazes de garantir o nosso espaço nas ruas. Ou então deixaremos de ser o PT. 

Se a direita vier nos agredir, temos que estar preparados para defender nossas integridades físicas e o nosso direito à livre manifestação democrática. 

Não podemos de maneira nenhuma ceder a essas tentativas de intimidação, porque é isso mesmo que os fascistas querem, que o PT tenha medo de ir prás ruas encontrar com o povo.

Imagine se o PT tivesse se acovardado nos anos 80 ante as agressões das gangues malufistas."
MARA ROCHA
"eles já deram um panorama do que são capazes nas manifestações de junho.....creio que uma vez nas ruas, precisa ser muito organizada e sem infiltrações.....se houver violência e revide de nossa parte, perderemos a razão e seremos massacrados pela mídia.

sou totalmente contra o revide, temos que organizar as manifestações de forma muito racional e responsável, não podemos dar tiro no nosso próprio pé."
SILVIO MELGAREJO
"Perderemos a razão se a violência partir de nós. O que você propõe é que renunciemos à autodefesa."
MARA ROCHA
"vc sabe que para a mídia,,,a verdade não importa."
SILVIO MELGAREJO
"O PT nasceu e cresceu lutando nas ruas tendo a mídia, o judiciário e o parlamento contra si. Isso não é nenhuma novidade.

Nós hoje temos até mais mídia do que lá no começo.

Temos a internet.

Podemos gravar tudo e divulgar.

O que não podemos é deixar que o medo nos paralise."
MARA ROCHA
"santa ingenuidade Silvio Melgarejo, a correlação de forças não é a mesma....temos que ter capacidade de analisar ontem e o agora...."
SILVIO MELGAREJO
"Sim, não é a mesma. É melhor. O PT nasceu durante uma ditadura militar, lembra?"
MARA ROCHA
"NÃO É A MESMA COISA.....nem pior nem melhor....é mais complexa. vamos parar de tolices."
SILVIO MELGAREJO
"O PT tem hoje mais de 1,5 milhão de filiados.

Tolice?

Que é isso?"
MARA ROCHA
"sim. a maioria não vai para o enfrentamento meu caro."
SILVIO MELGAREJO
"Partiu para o adjetivo, é porque faltou argumento."
MARA ROCHA
"nem vai pegar em armas....rsrsrs"
SILVIO MELGAREJO
"Ninguém falou em pegar em armas. Alguém já deu algum tiro?"
MARA ROCHA
"cai na real meu filho...não vivemos numa ditadura, temos que atuar segundo a democracia."
SILVIO MELGAREJO
"MINHA FILHA, CALMINHA."
MARA ROCHA
"com inteligência e racionalidade...não vamos enfrentar fascistas!"
SILVIO MELGAREJO
"É isso que estou propondo. Atuar numa democracia que está sob ameaça."
MARA ROCHA
"não vamos colocar em risco com nossa audácia tola, o governo que lutamos para eleger."
SILVIO MELGAREJO
"Elegemos porque fomos prá rua. Foi uma audácia tola? Mas deu resultado."
MARA ROCHA
"ir para rua para fazer campanha é muito diferente de ir pra rua pra manifestar e apoiar Dilma. Isso exige muita responsabilidade."
SILVIO MELGAREJO
"Sem povo na rua esse governo não será capaz de cumprir os compromissos assumidos durante a campanha.

Qualquer ação política exige responsabilidade.
MARA ROCHA
"Acho que só existe uma saída, para colocar muito povo na rua.....organização...

e tem que ter muita gente...uma gente bem consciente do que fará nas ruas...e sem aceitar provocações e infiltrados. 

Isso é possível... se houver disposição das lideranças. 

Meia dúzia de gatos pingados não surtirá efeito algum...então tem que ter organização da base das lideranças... do contrário é vexame na certa."
SILVIO MELGAREJO
"É exatamente isso que proponho.
RESOLUÇÃO DO 5º ENCONTRO NACIONAL DO PT - 1987
'Precisamos de um partido organizado e militante, o que implica a necessidade de quadros organizadores. 
Um partido que seja de massas porque organizará milhares, centenas de milhares ou até milhões de trabalhadores ativos nos movimentos sociais, e porque será uma referência para os trabalhadores e a maioria do povo.'"

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Governos petistas, protestos de junho e divisão da esquerda. Comentário sobre texto de Rosana Pinheiro-Machado.

(Comentário postado no Facebook em 6-10-2014, sobre o texto de Rosana Pinheiro-Machado que reproduzo ao fim desta mensagem)

Quem já tem o "pé no barro", não como abastado visitante voluntário da pobreza, mas por imposição da própria vida, sabe que o governo do PT não proporcionou à classe trabalhadora desse país apenas programas sociais. Aliás, muita gente bem informada, que nunca botou o "pé no barro", sabe disso. Pleno emprego, recuperação de 70% do poder de compra do salário mínimo, reajustes, com ganhos reais, todos os anos, para quase todas as categorias de trabalhadores; ampliação de direitos sociais, como no caso dos trabalhadores domésticos; não são programas sociais. São efeitos sociais de uma política econômica que tem como objetivo exatamente a proteção do emprego, do salário e dos direitos sociais dos trabalhadores.

A maioria dos que tem os "pés no barro" por imposição da vida, não sabe que o mundo vive, desde 2008, uma crise econômica devastadora que tem massacrado os trabalhadores de boa parte da Europa, com desemprego, arrocho salarial e cortes de direitos sociais e trabalhistas. E isso, graças à opção que os governos desses países fizeram de enfrentar a tal crise com políticas econômicas chamadas "de austeridade", que só foram e estão sendo austeras com os trabalhadores, poupando de maiores prejuízos a burguesia financeira, causadora da crise.

A maioria dos que têm os "pés no barro" e, pelo visto, muitos dos não têm, não sabe ou não lembra que em 2008, Lula, presidente, foi pressionado pela Globo, pelos partidos da oposição de direita e pelos bancos privados a fazer o mesmo que estavam fazendo os governos da Europa. E Lula não fez. O que ele fez foi exatamente o contrário do que se fez por lá. Reduziu juros, aumentou a oferta de crédito através dos bancos públicos, desonerou impostos em setores da economia que tem capacidade de gerar muito emprego, e ainda foi para a televisão explicar, didaticamente, aos trabalhadores que o emprego e o salário deles dependiam da manutenção da demanda por produtos e serviços e que, por isso, eles não deveriam evitar o consumo, como à época começavam a sugerir colunistas da imprensa neoliberal.

Os efeitos sociais das políticas econômicas aplicadas pelos governos petistas de Lula e Dilma, no Brasil, e pelos governos dos países europeus, durante a crise, evidenciaram-se nas manifestações de rua que os trabalhadores fizeram em 2013, lá e aqui. Na Europa os trabalhadores protestaram contra o desemprego, o arrocho salarial e o corte de direitos sociais e trabalhistas. Aqui no Brasil não se viu uma faixa ou cartaz sequer falando desses temas. Sabe por que? Porque a Europa tem esses problemas; o Brasil, não, embora inserido na mesma economia globalizada que tudo conecta, para o bem e para o mal.

Os protestos de junho de 2013 tiveram uma marca que os distingue de todas as demais manifestações de massas já havidas nesse país, como por exemplo, os mega-comícios pelas eleições diretas, em 1984. Essa marca é o repúdio à política, aos políticos e aos partidos indistintamente, que foram inclusive proibidos de participar. Quem não lembra da recorrente palavra de ordem, mil vezes repetida em grandes coros, "sem partido, sem partido". Uma pesquisa de opinião feita na época entre os manifestantes indicava que a maior parte gostaria de ter como presidente da república Joaquim Barbosa ou Marina Silva, dois vocalizadores notórios do discurso anti-política de então.

Os protestos de junho foram despolitizados porque ignoravam as conexões entre suas demandas e a luta de classes realmente existente no país, seja no cotidiano da sociedade, seja no interior das instituições do Estado. Por isso foram facilmente instrumentalizados pela direita e por isso se esgotaram sem ter alcançado outro saldo político relevante senão a derrubada imediata da aprovação popular ao governo Dilma, a eleição agora de um Congresso ultra conservador de direita, a reeleição de Geraldo Alckmin, em São Paulo no 1º turno; a condução ao 2º turno do candidato a governador de Sérgio Cabral, no Rio; e a possibilidade real de retorno dos tucanos à presidência da república.

Este é o legado político daqueles protestos tão admirados por certa intelectualidade de esquerda, encantada com a quantidade de manifestantes e com as performances teatrais e pirotécnicas dos black blocs. Nenhum destes entusiastas e seus seguidores esquece até hoje de perguntar, vez por outra, "onde está o Amarildo". Mas ninguém lembra nem quer lembrar de Santiago Andrade, o cinegrafista da Band, assassinado por aqueles dois jovens irresponsáveis, embriagados pela emoção de se sentirem heróis ante os olhos da gente mais velha, sabida e importante, que elogiava os seus feitos. Os dois estão agora presos. E os velhos sabichões que lhes cobriam de elogios seguem suas vidas tranquilos, sem dramas conscienciais.

Os governos Lula e Dilma, do PT, tiraram o Brasil do mapa da fome da ONU e elevaram o nível de vida de milhões de brasileiros, não apenas com programas sociais, mas sobretudo com uma política econômica que conseguiu garantir a inclusão social através do emprego formal e da elevação dos salários. Para os petistas isso é motivo de muita alegria e orgulho. Para os psolistas, ao contrário, são feitos irrelevantes, sobre os quais até evitam falar. Críticas ao Bolsa Família e ao Prouni, que centenas de vezes ouvi de militantes do PSOL, na internet, jamais seriam vocalizadas por militantes de um partido com base social popular, como o PT. A base social do PSOL é de classe média. É ou não é? E a classe média não tem os "pés no barro". E nem precisaria ter. Bastaria tentar se imaginar no lugar dos mais pobres e pensar nas suas necessidades mais prementes. Mas nem todo mundo, infelizmente, é capaz de exercitar essa empatia. O PT também tem em sua base muita gente de classe média. Só que a classe média do PT se coloca no lugar dos mais pobres, ao contrário da classe média do PSOL.

O PT nunca abandonou suas bandeiras históricas, mas sabe que não tem força política hoje para realizar todas elas, porque tem a consciência de que a esquerda é minoria na sociedade e no parlamento. Por isso, aproveita as contradições da burguesia e faz alianças com alguns de seus setores e com setores da própria direita, para viabilizar os avanços possíveis dentro do seu projeto de melhorar o padrão de vida dos trabalhadores. O PSOL condena essas alianças táticas que o PT fez e não reconhece os avanços alcançados com elas para o país. Elegeu de fato o PT como seu inimigo principal, e luta contra o PT de forma muito mais aguerrida do que contra o PSDB e o DEM. A verdade é que o PSOL é mais anti-petista do que anti-tucano. Isso só não vê quem não quer. Não foi um ponto fora da curva o apoio do falecido Plínio a José Serra, contra Haddad, na última eleição para prefeito de São Paulo. Plínio foi coerente com a linha ferozmente anti-petista de seu partido.

Os psolistas desejam ardentemente derrotar o PT e fazem de tudo para consegui-lo. Até tirar 40 milhões de reais anuais da saúde, como fizeram, quando ajudaram os tucanos a derrubarem a CPMF, em 2007. É esse o nível dos ataques. E tem muito mais exemplos. A militância petista demorou mas começou a reagir. O PSOL escolheu o seu lado. E hoje um petista não tem razão para considerá-lo um inimigo menos perigo desse grandioso processo de inclusão social que está curso no Brasil, do que a Globo, o PSDB e o DEM, com quem o PSOL tem mantido sempre uma relação de colaboração mútua. O PSOL dando crédito à farsa do Mensalão. A Globo abafando o caso Janira Rocha. Uma mão lavando a outra, cada qual escondendo suas verdades indesejáveis.

Dizer que os protestos de junho de 2013 eram despolitizados é uma opinião com a qual pode-se ou não concordar. Eu sustento o que digo com argumentos cujo valor pode perfeitamente ser questionado. Há pessoas, no entanto, muito arrogantes, que se sentem pessoalmente ofendidas por opiniões e argumentos contrários ao que pensam. Normalmente reagem com grande indignação. Às vezes, até chamam o interlocutor de arrogante - prá não dizer, talvez, outra coisa - e o mandam se aposentar - pensando, quem sabe, em mandar praquele lugar. É um arrogante elegante e educado, que mede as palavras, mas nem por isso menos arrogante e autoritário que os arrogantes grosseiros e mal educados que se encontram aos montes na internet.

***

Texto de Rosana Pinheiro-Machado que deu origem a este comentário:
Seis pontos de minha auto-crítica. Completamente desabafo, completamente insano, mas puramente verdadeiro.

1. A esquerda precisa fazer auto-crítica e entender que é minoria neste país. São esquerdas se matando neste país. Mas eu só queria lembrar que somos pequenos.

2. Deleuze não muda o Brasil. Uma visita na periferia muda. Aliás um pé no barro é o precisa muita gente que confunde a eleição do Bolsonaro e Feliciano com as classes médias coxinhas. Erro grave e desconectado. O preconceito e o fanatismo religioso estão em todas as classes, as quais reproduzem o pior de nosso passado: um ideário de modernidade baseado no distinção com raízes bem oligárquicas e escravagistas. E muita coisa mais.

3. Uma parte do PT (veja bem, uma parte) tem que parar de acusar o PSOL e as Jornadas de Junho (coisas bem diferentes, é verdade) de jogar para direita e a aceitar que existem muitas esquerdas - anarquistas, psolistas e até a deleuziana - e isso tende a crescer. É preciso olhar para seus próprios erros de trajetória, o abandono de algumas de suas bandeiras históricas e as alianças indesejadas pelo governo. Além de ser uma acusação desprovida de qualquer auto-crítica, ela é injusta. Afinal, a grande maioria dessas esquerdas plurais irá apoiar a Dilma no segundo turno por razões óbvias. E essa esquerda plural também apoia o programa social do PT, mas entende que ele não é tudo. E isso é um direito que quem está a esquerda.

4. Eu vivo repetindo, em diversos fóruns, que houve uma guinada à direita pós-junho. É bastante natural, na verdade, frente a uma esquerda desunida, que a direita ganhe espaço com seu poderio dos meios de comunicação. Ou todo mundo esqueceu que a Veja tem 5 milhões de likes no Facebook? Todo mundo esqueceu que uma parte imensa da população achou graça do negro menor de idade amarrado do poste?

5. Eu também vivo repetindo que é preciso que a esquerda coloque mais o pé no barro. Eu ando um pouco intolerante com palavras bonitas e delírios desconectados da realidade. Mas o pé no barro não significa falar com a militância: significa falar com quem não está identificado com nenhum partido, nem a esquerda nem à direita. Ampliar nossa base de diálogo. Ocupar os meios de comunicação disponíveis e parar de ter sentimentos desprezíveis por aqueles que fazem isso. Ser menos mesquinho em nossas próprias feridas e parar de odiar a classe média. Afinal, milhões de batalhadores do Brasil provavelmente votaram na Dilma porque estão satisfeitos com os programas socais (estes que eu defendo e admiro tanto e reconheço o grande trabalho do PT) mas também recebem informações da igreja e de grupos sectários, sexistas, racistas e homofóbicos e por aí vai.

6. Eu não pertenço à esquerda que acha que Junho foi a melhor coisa do mundo, mas também não pertenço àquela que despreza as Jornadas que tem a arrogância de dizer que elas foram despolitizadas. Para os que acham que junho foi "tudo" sugiro um dia na periferia, especialmente entre aqueles que não tiveram dinheiro para descer o morro e pegar um ônibus. Para os que acham que Junho e despolitização andam de mãos dadas, sugiro a aposentadoria.

Nós precisamos, eu repito, falar com a população que ainda é dialogável e chamá-la de coxinha não vai ajudar (eu disse, auto-crítica)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Anarquistas que confiam no Estado?

Ontem, 22/9/2014, num debate sobre a atuação dos Black Blocs, disse um participante, chamado Alexandre, o seguinte:
"uma vez diziam que a CUT chamar greve geral era coisa de baderneiro, que estudante fazer protesto contra o aumento de mensalidades e parar as aulas nas universidade era coisa de arruaceiro. Eu me preocupo com os rótulos fáceis."
Respondi-lhe:
"Me preocupam as comparações descabidas. Greve é greve. Depredação e provocação deliberada de confronto com a polícia é outra."
Disse, então, Alexandre:
"Nas greves gerais do final dos anos 1980 teve muito confronto com a polícia, principalmente nos piquetes de porta de fabrica onde eles estavam garantindo o 'direito de ir e vir' dos furas greves. Eu, inclusive, fui alvo de muitos desses conflitos tentando garantir o direito dos trabalhadores fazerem greve.  Ah, nem vou falar do 'vandalismo' de queimar o relógio dos 500 anos da Globo ou do 'vandalismo' cometido pela Via Campesina numa fazendo de transgênicos em 2003"
Eu ponderei:
"São contextos completamente distintos. Nos casos citados a violência é defensiva e a depredação direcionada. Nos casos presentes o confronto violento é deliberadamente provocado e a depredação é generalizada. Não vejo muita diferença entre Black Boc e uma torcida organizada em fúria."
Alexandre retrucou:
"Quem esteve nas ruas no dia 17 percebeu a diferença bem clara entre os dois. Pelo menos em Porto Alegre uma torcida organizada (que estava de máscara mas com vestimentas do clube) foi contratada para espalhar o terror no ato e caçar, essa é a palavra correta, caçar os militantes de movimento social. Até mesmo a FAG (Federação Anarquista Gaúcha) ficou encurralada com essa prática pois, entre essa turba, tinham muitos nazifacistas. Nesse dia os atos de 'depredação' foram generalizados e na maioria eram saques a lojas. É muito fácil saber quem é um e quem é outro. 

Qualquer burguês inteligente é contra a organização de grupos revolucionários pois sabem que os alvos deles são os aparatos da burguesia. Mas eles não são nada contrários a turbas enfurecidas pois na barbárie é a classe trabalhadora que não tem condições de se defender."
Perguntei-lhe, então:
"Você quer dizer que o Black Boc é um grupo revolucionário, Alexandre?"
Ele respondeu:
"Só não enxerga quem não quer. Isso não quer dizer que vc precise concordar com eles. Eu não concordo, mas entendo o que está acontecendo. 

Só para fazer outra correlação e o caso do Césare Battisti que era do Proletários Armados pelo Povo (PAC) que foi um dos numerosos grupos armados oriundos de uma vertente do movimento autônomo denominada Autonomia Operária (em italiano, Autonomia Operaia). Diferentemente das Brigadas Vermelhas, os PAC eram um grupo pouco estruturado, de organização horizontal, com vários núcleos independentes que podiam conduzir ações independentes e reivindicá-las como sendo ações dos PAC."
Retruquei:
"Enxergar o que? O que está acontecendo a seu ver?"
O companheiro Diogo Costa, então, postou o seguinte comentário:
"O Black Bloc é um grupo anarquista. Anarcoprimitivista. Rejeitam todos os partidos de esquerda, bem como rejeitam também todas as experiências socialistas e comunistas tidas e havidas no século XX. Odeiam Karl Marx e pretendem 'destruir o estado', como se isso acabasse, num passe de mágica, com a luta de classes... Com esse povo aí só é possível estabelecer uma ou outra aliança tática. Estratégica, nunca."
Sobre este anarquismo dos Black Blocs, comentei:
"O que eu acho engraçado é que os caras chamam o Estado para o confronto violento contando exatamente com os limites legais que Estado tem que obedecer para o uso da violência. Ou seja, eles demonstram de fato uma tremenda confiança nas instituições que dizem condenar e querer destruir. Que porra de anarquismo é esse?"

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Associações de usuários do SUS: A luta pela saúde pública exige a criação destas entidades.

Em 13/8/2015, o companheiro Carlos Ocké, do 1º Diretório Zonal, compartilhou o link de um artigo intitulado "O direito pleno à saúde será fruto de mobilização popular". Ontem dia 14, publiquei o seguinte comentário:
"Olá, Carlos Ocké. 

Esta é uma certeza que sempre tive. O SUS não funciona, porque não funciona, em sua gestão, a 'participação da comunidade', prevista na Constituição. E essa participação não funciona, porque não há organização e mobilização dos usuários.

A luta pelo direito pleno à saúde, é uma luta que, de fato, interessa a toda a classe trabalhadora. Mas ela não encontra, nem nos sindicatos, nem nas associações de moradores, direções capacitadas e dispostas a conduzi-la. 

Os trabalhadores brasileiros precisam de uma rede nacional de associações de usuários do SUS, que seja liderada por uma entidade nacional, uma Federação Nacional das Associações dos Usuários do SUS. 

Estas associações teriam que contar com corpos técnicos capazes de prestar assessoria não só aos seus dirigentes, mas também aos representantes dos usuários nos conselhos gestores. 

Hoje, os representantes dos usuários, nos conselhos de saúde, enfrentam os representantes de governos e servidores em condições qualitativamente desiguais e absolutamente desfavoráveis. 

Mas além de, a meu ver, serem despreparados, os conselheiros usuários não contam com o menor apoio daqueles que representam. Ao contrário do que ocorre com os conselheiros servidores ou dos governos, eles são ignorados pelos usuários do SUS que, em sua quase totalidade, desconhecem a existência dos conselhos, mesmo quando os conselhos se reúnem em seus próprios bairros. 

O papel de uma associação de usuários do SUS seria exatamente assessorar os conselheiros usuários, dar publicidade aos conselhos e a tudo que neles acontece, e organizar e mobilizar as comunidades dos bairros para o exercício da pressão cidadã sobre eles. 

Sem conselheiros usuários qualificados, bem assessorados, e respaldados por fortes e permanentes mobilizações sociais, a saúde dos trabalhadores vai continuar como está, na UTI, sempre a espera de um improvável milagre. Por isso, defendo há anos, e sigo defendendo, a criação das associações de usuários do SUS. 

O SUS, realmente, precisa muito de dinheiro. Mas precisa, mais ainda, de democracia em sua gestão.

Um abraço, companheiro."

sábado, 26 de julho de 2014

Os drinks de Sininho e seus amigos.

Em 24/7/2014, minha irmã, Glória Melgarejo, compartilhou o link de um artigo do jornalista Paulo Nogueira, do blog Diário do Centro do Mundo, e perguntou minha opinião sobre ele. Reproduzo o texto a seguir:

"Quem tem medo de Sininho?


Quem tem medo de Sininho?

Alguns meses atrás escrevi um artigo com o título acima.

Bem, parece que muita gente, como sugere a prisão de Sininho sábado em Porto Alegre.

Não sei o que foi mais vexatório ontem, o desempenho da seleção ou a ordem da polícia do Rio de prender Sininho e outros ativistas supostamente vinculados ao grupo Black Bloc.

A polícia deu uma inflada assombrosa nas armas, aspas, que teriam sido encontradas entre os detidos.

Para isso contou com a contribuição milionária da imprensa, especialmente o Globo.

O revólver do pai de um ativista virou 'armas de fogo'. O plano era usar 'artefatos explosivos' num protesto hoje no Rio, na final da Copa.

Tanto quanto se sabe, os 'artefatos explosivos' eram fogos de artifício, daqueles que você compra para festas juninas.

Protestar é proibido? Por antecipação, a polícia sabia que haveria vandalismo?

Há, aí, uma brutal inversão. As regras das manifestações foram tornadas claras. Vandalismo, não. Mas você prende as pessoas antes que elas cometam qualquer infração?

Já que estamos no futebol, é como aplicar cartão vermelho antes que o jogador faça falta.

Não é um problema de Dilma. Ela não responde pela polícia do Rio. Mas é claro que sua imagem fica, de alguma forma, ainda que injustamente, associada às prisões, já que ela preside o país.

Isso ajuda também a afastar jovens idealistas do PT. Não estou falando especificamente dos black blocs, mas de todos os garotos e garotas que anseiam por mais justiça social, e mais rapidamente – e identificam nas parcerias políticas em nome da governabilidade um empecilho a avanços.

Trinta anos atrás, jovens com tal perfil se inclinavam naturalmente pelo PT.

E hoje?

O PT tem um desafio: voltar a se tornar atraente para a juventude de esquerda. Casórios com Sarney, Maluf e tantos outros afastaram o partido deste público.

As prisões desta final de semana provocam um afastamento ainda maior.

Ah, mas a realidade política obriga a alianças que fazem você tapar o nariz: é este, sempre, o argumento para justificá-las.

O que foi feito, nestes anos todos, então, para ao menos tentar modificar essa realidade?

Nada, esta é a resposta.

Foi preciso que os jovens fossem às ruas nas chamadas Jornadas de Junho para que o PT acordasse para o distanciamento que se estabelecera entre o partido e a garotada idealista.

A partir de então, você viu duas coisas. A primeira foi o reconhecimento, ainda que discretamente, do problema.

Isso se deu em quase silêncio, e mais na cúpula do partido.

A segunda reação, alastrada entre a militância, se caracterizou pela agressividade extrema contra os jovens manifestantes.

Nisso, curiosamente, a militância petista acabou como que se igualando à direita.  Os adjetivos usados por gente como Reinaldo Azevedo para designar os black blocs são singularmente parecidos com os utilizados pela militância petista.

A verdade é que o PT deveria ser grato aos jovens dos protestos. Me refiro aos genuínos, aqueles que se motivaram por uma pauta de esquerda, os que se indignaram com coisas como a remoção de desvalidos para a Copa.

Foram essas pessoas que acordaram o PT para a realidade como ela é, e não como a liderança petista achava que fosse.

O PT gastou um bom tempo numa autocongratulação promocional em torno dos ganhos sociais de suas administração.

São ganhos reais, e merecem aplausos.

Mas a desigualdade, a despeito disso, é ainda acachapante. E a sociedade não parece disposta a esperar uma eternidade para que o Brasil ultrapasse os extremos de opulência e miséria que ainda hoje nos embaraçam.

O sistema político retarda o avanço? Que se mude.

Prender Sininho e companheiros não resolve nada. Antes, mostra a velha vontade de arrastar os problemas para debaixo do tapete."
Respondi-lhe no mesmo dia:
"Discordo de quase tudo. 

Mas, antes de comentar, peço a você que ouça a gravação abaixo:

'Karlayne pede a uma jovem material para, segundo a polícia, usar em coquetéis molotov.'

Uma das 'ativistas' pede 5 litros de "líquido" para fazer uma 'oficina de drinks'. 

Que líquido era esse? 

Por que a omissão do nome da 'bebida'? 

Não seria porque o tal líquido não era de beber? 

Gasolina, por exemplo, como a que foi apreendida pela polícia? 

Você pode dizer que tudo foi plantado, e isso não seria novidade no histórico da nossa polícia. 

Mas se a polícia diz que apreendeu litros de gasolina na casa dessas pessoas, e grava uma conversa delas, em que elas dizem, em tom enigmático, como quem faz algo proibido, que precisam de 5 litros, não de bebidas determinadas, mas de um 'líquido', cujo nome ocultam, para fazer uma 'oficina de drinks'; aí a informação da apreensão de gasolina, passa a ser verossímil. 

Oficinas de drinks costumam preparar também coquetéis. E que coquetel, afinal, se pode fazer com gasolina? Coquetel Molotov, uma bomba incendiária. 

E prá que serve uma bomba incendiária?

Para matar ou ferir gravemente.

Quem se prepara alegremente para matar ou ferir gravemente um outro ser humano, não é uma pessoa perigosa?

Não foi gente assim, com esse espírito, que tirou a vida do cinegrafista Santiago Andrade?

Cometer ou admitir que se cometa esse tipo de ato criminoso nas manifestações populares, não é criminalizar de fato essas manifestações? 

Por que você acha que a maioria das pessoas se afastou das passeatas? 

Não foi por que essas pessoas viram que o crime passou a fazer parte do roteiro fixo destes movimentos, a princípio pacíficos?

Não vou tratar de aspectos jurídicos, porque não tenho conhecimento para isso. Mais tarde falo do lado político do episódio."
Glória disse, então:
"Silvio, concordo absolutamente com tudo o que vc escreveu. Não é disso que estou falando. Estas pessoas podem sim ser culpadas e se forem devem sim ser punidas. Não as conheço e não tenho nenhum motivo pessoal para defendê-las. Ocorre que não posso concordar com a forma como a coisa está sendo feita. Estou acompanhando bem de perto porque, por acaso, trabalho numa instituição jurídica. Tenho, inclusive, como esclarecer minhas dúvidas no campo jurídico. 

Anteontem, a OAB realizou um ato, que reuniu várias instituições e organizações que lidam com Direitos Humanos, além de partidos políticos, incluindo o PT, contra as ilegalidades que vêm sendo cometidas. Pra começar, ninguém pode ser preso antes de cometer um crime porque supõe-se que irá cometer este crime. Prisão para averiguação é comum em ditaduras, mas é inadmissível numa Democracia. Depois, uma vez presos, a polícia impediu que os advogados de defesa tivessem acesso às denúncias. Isso é ilegal. Nem o desembargador a quem cabia avaliar tais denúncias teve acesso. Somente a Globo teve acesso ao tal relatório do MP. Isso mesmo. Somente a Globo, porque meus colegas de outros veículos tb não conseguiram obter as informações. 

Ai eu te pergunto: como é que a gente, conhecendo a forma como a Globo trabalha quando tem algum interesse no assunto, pode comprar como verdade algo a que só a Globo teve acesso? Tenho certeza de que existem sim pessoas que praticaram atos criminosos e que devem ser investigadas e punidas, mas quem nos garante que são estas pessoas que a Globo já julgou e condenou? Não estou afirmando que nenhum deles é inocente. Podem ser culpados. Ou não. O fato é que têm direito à ampla defesa e ao contraditório e isso não está acontecendo. Às tais 'provas', só a Globo teve acesso. Como confiar? 

O que vejo é que estão fazendo o mesmo 'trabalho' sujo que fizeram com o pessoal do mensalão. Não. Não estou comparando Genoíno e José Dirceu a vândalos. Estou somente querendo que todos, independente do crime a que são acusados, tenham um julgamento justo e feito pela Justiça e não pela mídia. Se vc alegar 'ah, mas com os petistas ninguém se mobilizou por um julgamento justo...', vou concordar com vc. Erraram feio. No entanto, não posso falar pelos outros. Preciso ser coerente com minhas convicções e não com as dos outros. Coloquei-me contra toda a sujeirada que foi feita contra o PT e agora me coloco contra estas ilegalidades que estão sendo cometidas. Aliás, é o que representantes do PT aqui do RJ tb têm feito. 

Em suma, se a polícia realmente têm tantas provas contra estas pessoas, por que não permitem o acesso à elas aos advogados de defesa? Por que o acesso só foi dado pra Globo? Será que não tenho razões para desconfiar? Não estou nessa de 'exigimos liberdade para os presos políticos'. Apenas não confio na Globo e acho que todos, sem distinção, têm direito a um julgamento justo. Não concordo com condenação midiática de pessoas que nem sequer foram julgadas. Só isso."
Respondi:
"Desconfio da Globo tanto quanto desconfio dos acusados. 

Aliás, pelo que sei, as acusações e os pedidos de prisão não foram feitos pela Globo, e sim pela polícia civil do RJ e pelo ministério público. Portanto a crítica deveria ser dirigida à polícia, ao MP e ao juiz que autorizou. 

É bem possível que tenha havido alguma ilegalidade por parte da polícia e até do MP. Mas quando é que não houve? 

Bom lembrar que o poder ilimitado do MP para participar de investigações criminais foi garantido quando barraram a PEC 37 no Congresso, ano passado, com o apoio de muitos dos que hoje se consideram vítimas de arbitrariedades. 

A PEC 37 pretendia impedir definitivamente que, quem tem a função de acusar, pudesse ter ingerência sobre a investigação de um crime, para que a apuração dos fatos não corresse o risco de ser contaminada, como costuma ser, pelo objetivo prévio de condenar. 

PSOL e PSTU fizeram campanha junto com a Globo dizendo que a PEC 37 tinha que ser derrubada porque serviria para proteger corruptos e mensaleiros. Ninguém desconfiou da Globo nessa hora.

Pois foi o ministério público que pediu as prisões que dizem agora ser arbitrárias. 

O artigo postado por você pergunta: quem tem medo da Sininho?

E eu te digo: ninguém. Ela é só uma desmiolada, deslumbrada com a fama que a Globo lhe deu. Nem ela, nem os black blocs ameaçam a burguesia. Foram, ao contrário, úteis, quando a burguesia precisava de algo para tentar desestabilizar um governo, até junho de 2013, muito bem avaliado. 

Foram úteis, não são mais. E estão encarando agora a realidade da justiça brasileira padrão Joaquim Barbosa. Um padrão que aplaudiram tanto quando usado contra petistas. 

Não resisto, aplaudo, agora é minha vez . Sinto-me vingado, sim, quando lembro o riso sádico, a crueldade dessa gente, hoje vítima, que festejou o martírio moral e físico de Dirceu e Genoíno, a cada decisão ilegal e arbitrária, tomada pelo STF. 

Se têm ao PT como inimigo e até se aliam à burguesia para tentar destruí-lo, não podem esperar dos petistas solidariedade. Por mim, a direção do PT não os apoiaria."
Glória disse:
"Bom, se vc prefere a vingança, eu prefiro a legalidade. Fiz campanha a favor da PEC 37. O que aconteceu foi que a Globo se aliou ao MP e vendeu a sua versão, divulgando uma interpretação totalmente mentirosa sobre do que se tratava, e teve quem acreditasse. É disso que falo. 

É por isso que a Globo se mantém. Ela mente pra eles contra quem entendem como inimigos, eles acreditam e o alvo da mentira se sente e é prejudicado. A Globo? Fica forte. Num segundo momento, ela inverte o foco das mentiras e a história se repete, só que do lado oposto. A Globo? Fica ainda mais forte. Enfim, assim fica difícil desmascará-la. Ela vai ter sempre alguém que, confiando ou não, vai 'acreditar' no que divulgar, sem se preocupar se são mentiras ou não; só por vingança. 

O mais 'engraçado' (ou triste) é que ambos os lados vivem a gritar aos quatro ventos que ela não tem credibilidade. Agora, quando convém..."
No dia seguinte, 25, respondi-lhe:
"Acho que você não leu direito o que eu escrevi. Eu disse que as acusações e os pedidos de prisão não foram feitos pela Globo, e sim pela polícia civil do RJ e pelo ministério público. Portanto a crítica deveria ser dirigida à polícia, ao MP e ao juiz que autorizou. Os vazamentos seletivos de trechos da investigação, idem. 

Não se trata, portanto, de acreditar na Globo. Trata-se de acreditar ou não na investigação e na denúncia da polícia civil e do ministério público, acolhidas, a princípio, pelo Judiciário, como suficientes para justificar a prisão preventiva.

O que aconteceu foi que PSOL, PSTU e black blocs se aliaram à Globo e ao MP para derrubar a PEC 37. E foi o MP que fez o pedido de prisão preventiva e, muito provavelmente, os vazamentos para a Globo, também. Por que ignorar este fato? A esquerda burra está colhendo o que plantou.

Não sou hipócrita. Não vou dizer que lamento a lição que esses idiotas estão levando. Lembro de uma figura que vi no Facebook, que se auto-intitulava em se perfil como 'vândala profissional'. Aparecia na contabilidade que a energúmena da Sininho, não sei porque que cargas d'água, resolveu postar na rede. Era a certeza da impunidade. 

Esse pessoal não tinha a menor noção da própria fragilidade e da força dos setores sociais que estava provocando. Acharam que iam dar prejuízo à burguesia e à pequena burguesia, que iam atentar contra a vida de policiais e ia ficar barato? 

Até que vai, segundo o desembargados Siro Darlan. Caso condenados, a pena é tão pequena que, sendo primários, poderá ser convertida em multa. Mas se insistirem nessa estúpida tática black bloc, vão acabar com as próprias vidas e ainda ajudar a direita a justificar perante a sociedade o endurecimento da repressão aos movimentos sociais."
Ela retrucou, na mesma data:
"Em primeiro lugar, não foram 'vazamentos seletivos de trechos da investigação' que chegaram à Globo. Foi o relatório completo. Quem selecionou o que queria destacar e editou da forma como quis foi a Globo. E manipular informações para que se adequem aos seus interesses, eles sabem fazer muito bem. Agora mesmo, estava assistindo à matéria do Jornal da Globo sobre a repercussão da nota, na qual o Itamaraty posiciona-se contra o massacre de Gaza. Tive que desligar a TV. Simplesmente, nojento.

Vc tem razão em relação à culpa pelo vazamento ser do MP (tb acho e já escrevi isso aqui em vários comentários de outras postagens), mas isso não tira a responsabilidade da Globo pelo tom condenatório que tem utilizado na produção das matérias. Jornalismo serve para informar, não para julgar e condenar. Se seguirmos esta tua linha de pensamento, seríamos obrigados a 'inocentar' a Globo tb no caso do mensalão. Afinal, da mesma forma, quem apresentou a denúncia foi o MP e quem acolheu foi o Judiciário. 

Pelo visto, vc não conhece bem o MP. Não te culpo. Eles têm um trabalho de marketing muito bom. A maioria das pessoas vê os promotores como guardiões da justiça. Na real, embora realmente existam muitos que fazem jus ao cargo que ocupam, outros tantos estão mais preocupados em aparecer do que fazer justiça. É uma vaidade exacerbada, uma busca constante por um espaço na mídia. Igualzinho aquele delegado da Escola Base, que foi o estopim do escândalo de injustiça que todo mundo já conhece. 

Acolhimento pelo Judiciário também não significa que haja provas suficientes para justificar as prisões. Contra o Dirceu, por exemplo, não havia provas e as denúncias contra ele foram acolhidas, não foram? Ele foi até condenado. O caso dele é apenas um entre muitos e muitos. Posso te garantir isso e não é de ouvir falar. 

A tal contabilidade que foi divulgada pela imprensa, como se fosse para atos de violência, foi um grande engodo. O dinheiro arrecadado era para uma festa de natal para pessoas de rua. Estava sabendo e fui inclusive convidada para este evento. Por um acaso da vida, meu nome não aparece nesta lista. Tive um contratempo e não pude participar, mas vi as fotos logo depois da festa. A postagem não foi pela certeza da impunidade. Foi uma prestação de contas a quem contribuiu. Engraçado que, na tal lista, esta o nome de um juiz (e este eu conheço) que luta pela moralização do Judiciário no Rio de Janeiro. Já foi até ameaçado de morte por isso... Pra muita gente, é super interessante que a imagem dele seja manchada. 

Pra fechar, pergunto: Vc conhece pessoalmente estas pessoas? E as que cometeram os crimes? Eu não. Por isso, não as defendo, mas tb não as acuso. Vc teve o processo nas mãos ou está baseando tua convicção de culpa em supostas provas mostradas pela mídia (leia-se Organizações Globo, detentora exclusiva dos direitos de divulgação das informações sobre este caso)? Vc tem certeza absoluta de que estas pessoas que foram presas são realmente as mesmas que praticaram os atos criminosos? Não te passa pela cabeça, nem por um minuto, que podem estar sendo apresentadas como culpadas para 'satisfazer a sociedade', enquanto que os verdadeiros culpados podem estar por ai, livres, sem nenhuma ameaça, rindo à toa? Não sei vc, mas eu não tenho as respostas. Por isso, repito, não posso inocentá-las, nem condená-las. Só quero que tenham um julgamento justo."
Eu disse, então, concluindo:
"Não se preocupe, eles terão. Sabe porque? Porque não são pobres, não são pretos e não são petistas."