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sábado, 14 de novembro de 2020

O sectarismo da oposição de esquerda contra o PT

Texto publicado em alguma comunidade do Orkut em 12 de junho de 2011

Há uma diferença grande entre a crítica política qualificada e o sectarismo irracional e desinformado. A primeira, sempre acrescenta, venha de onde for. A segunda, venha de onde for, para nada serve, só atrapalha. O trotskista argentino, Nahuel Moreno, diz em seu livro “Problemas de Organização”: “Para avançar pelo caminho que nos propomos, temos um grande obstáculo: nosso sectarismo.” E assevera: “Ser sectário de um partido de milhões de votos e dezenas de milhares de ativistas é grave, porém muito mais compreensível. Porém, ser sectários de um partido com uns poucos milhares e que, no entanto, não tem influência de massas, é uma tragédia.” 

A oposição de esquerda espera tanto quanto a de direita pelo fracasso do governo Dilma. Mantém a mesma expectativa que alimentou durante todo o governo Lula. Lembro de ter recebido e-mail de um companheiro do PSOL festejando os possíveis impactos da crise econômica mundial no Brasil e por tabela na alta popularidade do então presidente. Teriam afinal um discurso e alguém disposto a ouvi-lo, a massa trabalhadora insatisfeita. Pois a crise afetou o Brasil muito menos do que imensa maioria dos países do mundo e rapidamente foi embora. A popularidade de Lula manteve-se intacta. E por uma razão óbvia. Os trabalhadores não se sentiram atingidos, ou se sentiram, entenderam que a crise veio de fora e que as medidas adotadas pelo governo foram as mais adequadas para enfrentá-la. 

A oposição de esquerda precisa ouvir o que dizem os trabalhadores antes de despejar sobre eles o seu discurso vazio, raivoso e amargurado. Dialogar é falar sobre o que se ouve. Se continuar assim, apenas torcendo pelo fracasso do governo, negando valor ao que tem valor evidente e sem apresentar alternativas ao que haja de errado, a oposição de esquerda vai continuar isolada e sem perspectiva real de crescimento. O Brasil precisa de uma oposição de esquerda forte. Mas não vai ter se a oposição de esquerda continuar com a postura sectária que tem tido em relação ao PT. Vejam bem: radicalismo não é o mesmo que sectarismo. O radical dialoga, o sectário, não. Porque o diálogo, que pretende persuadir e não derrotar, exige que se tenha tolerância. Tolerância para ouvir e contestar os argumentos de que se discorda, demonstrando as suas inconsistências, e não ignorando o que o interlocutor tem a dizer e o cobrindo de insultos. Quem não dialoga não convence ninguém. E acaba ficando sozinho.

Silvio Melgarejo

12/06/2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Meus votos na eleição do Rio.

Filiado ao PT, no Rio Janeiro, pela primeira vez na vida não votei em candidatos do partido. Foram duas decisões dolorosas, mas muito fáceis de serem tomadas porque as razões que as justificam eram por demais evidentes e não me davam outra alternativa. Votei em Tarcísio Mota, do PSOL, para vereador, para impedir que o PT alcançasse um coeficiente partidário que permitisse a eleição de dois candidatos que suspeito serem ligados a milícias e ao mesmo tempo ajudar a aumentar a bancada de esquerda na câmara municipal. E votei em Marcelo Freixo para garantir a presença de um candidato de esquerda no segundo turno da eleição para prefeito e ao mesmo tempo derrotar o PMDB de Pedro Paulo.

As razões da minha decisão de não votar em nenhum candidato do PT na eleição para vereador estão no texto "Voto petista não pode mais eleger milicianos", postado neste blog em 29 de setembro. Exatamente como eu previa, os candidatos do PT Elton Babu e Edson Zanata ficaram nas mesmas posições que alcançaram na eleição de 2012, como 3º e 4º colocados na lista de candidatos inscritos pelo partido. Só não foram reeleitos porque o coeficiente partidário do PT, que em 2012 garantiu 4 cadeiras na câmara, caiu pela metade e desta vez só deu direito a 2. De modo que o PT foi salvo pelo próprio encolhimento e me apraz saber que muito, mas muito modestamente mesmo, contribui para isso. Porque é evidente que o PT não encolheu apenas pela falta do meu mísero voto, encolheu pela política errada que adotou ao longo de anos.

Sobre o meu voto para prefeito, a história é um pouco mais longa. Ele veio amadurecendo desde janeiro deste ano, quando publiquei neste blog o texto "PT deve apoiar Marcelo Freixo (PSOL) para prefeito do Rio. Aliança com PMDB é formação de quadrilha que hoje só serve ao retrocesso". Mas só tomei a decisão mesmo na manhã do dia da eleição. As últimas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas na véspera, quando, por dever de fidelidade partidária, eu ainda tinha intenção de votar em Jandira, apontavam, numa estimativa que só considerava os votos válidos (descartados brancos, nulos e indecisos), empate no 2º lugar, dentro da margem de erro, entre Freixo e Pedro Paulo. Pelo Datafolha, os dois teriam 14% das intenções de voto e pelo Ibope, entre 12 e 14%. Estaria se dando, portanto, segundo estes dois institutos, uma acirrada disputa pela segunda vaga do 2º turno contra Marcelo Crivella, entre Freixo e Pedro Paulo, enquanto Jandira ficava pra trás, em 7º lugar, pelo Datafolha, com entre 5 e 9% das intenções de voto, e em 6º lugar, pelo Ibope, com entre 4 e 10%. Se a estimativa mais otimista para Jandira era esta do Ibope que dizia ser possível ela alcançar até 10% dos votos válidos - pelo Datafolha, 9% -, no limite máximo da margem de erro da pesquisa, para Freixo a estimativa mais otimista era de que ele poderia alcançar até 18% dos votos válidos, segundo o Datafolha, e até 16%, segundo o Ibope. Pelo Datafolha, o índice de rejeição a Jandira seria de 24% e o de Freixo, 12%, enquanto o Ibope indicava 37% de rejeição a Jandira contra 20% a Freixo. Eram mais do que evidentes a superioridade do potencial de votação do candidato do PSOL e a fragilidade da nossa candidatura.

Vi-me, então, ante o seguinte dilema: dar ou não dar crédito a estas pesquisas? Optei por acreditar, porque elas correspondiam exatamente à percepção e às expectativas que eu tinha desde o início do ano. Por isso votei em Marcelo Freixo. E, vendo o resultado da eleição, não tenho dúvida de que fizemos, eu e muitos outros petistas que aderiram na última hora ao chamado "voto útil', a melhor escolha possível. Porque as pesquisas estavam certas. O candidato do PSOL derrotou o do PMDB por uma diferença mínima, de apenas 2,14% dos votos válidos, um resultado bastante apertado. Freixo teve 18,26% dos votos e Pedro Paulo, 16,12%. O candidato do PMDB teve 2,12% a mais de votos do que o previsto tanto pelo Datafolha, quanto pelo Ibope, como limites máximos das suas respectivas margens de erro, enquanto o do PSOL teve 0,26% a mais do que o previsto como limite máximo para sua votação pelo Datafolha e 1,26% a mais do que o estimado pelo Ibope. Aparentemente, esquerda e direita praticaram o "voto útil'. E, felizmente, a esquerda levou a melhor. Agora, é juntar forças para ganhar o 2º turno e conquistar o direito de governar a Cidade Maravilhosa, derrotando o candidato da burguesia e da direita corrupta e obscurantista e elegendo o candidato dos trabalhadores e de toda esquerda não contaminada pelo mal do sectarismo, do qual, não obstante, ainda padece o próprio PSOL. Sectarismo não se combate com mais sectarismo. Sou PT e fecho com Freixo.

Silvio Melgarejo

10/10/2016

terça-feira, 28 de junho de 2016

Eleição municipal do Rio e unidade da esquerda.

O maior obstáculo para a unidade da esquerda hoje é a intolerância mútua entre importantes setores das vanguardas do PT e do PSOL. Mas, com o abandono da estratégia de conciliação de classes pelo PT, imposto ao partido pelo desastre da primeira metade do mandato de Dilma, pela tentativa de golpe ainda em curso e pelo consenso nacional já estabelecido quanto à falência do presidencialismo de coalizão, a tendência é que esta intolerância, mais conhecida como sectarismo, vá se arrefecendo e que haja uma natural aproximação entre os dois partidos.

Pensando exclusivamente no potencial de cada um, não como candidato, mas como chefe de poder executivo, acredito que Marcelo Freixo, pela natureza das pautas a que se dedica e pelas posições que expressa, poderia fazer uma gestão renovadora e de grande impacto na segurança pública do Estado, como governador, com repercussões positivas em todo país.

Pela mesma razão, acredito que Jandira teria o seu melhor desempenho como prefeita, especialmente na área da saúde, cuja maior parcela de responsabilidade pela gestão é atribuída, pela legislação do SUS, aos municípios.

O ideal seria que houvesse um acordo entre PT e PSOL para apoiarem juntos a candidatura de Jandira na eleição municipal deste ano e depois a de Marcelo Freixo para governador, em 2018. Mas acho isso pouquíssimo provável, em razão da força que o sectarismo ainda mantém nas vanguardas dos dois partidos.

Eu diria que um acordo assim, que unificasse a esquerda, é desejável e possível mas, no momento, prematuro. Vamos de Jandira. Quem sabe durante a campanha, a própria relação entre os candidatos nos debates - eles já fizeram um pacto de apoio ao que chegar no segundo turno - já não contribua para começar a desarmar os espíritos e arrefecer as mágoas e desconfianças mútuas das suas respectivas militâncias.

Tenho absoluta convicção de que a mudança de estratégia política do PT quebrará as resistências da maior parte dos psolistas quanto a um projeto de aliança com o PT. A maioria dos militantes de esquerda quer a unidade da esquerda. Mas é um processo e não se pode prever exatamente o tempo que será preciso para se chegar a bom termo. Tenho um palpite de que será menor do que se supõe.

Vá lá, que talvez nem palpite seja, talvez seja torcida. Eu torço mesmo, admito, pela reconciliação entre o PT e sua costela rebelde, o PSOL, e que esta reconciliação seja rápida, para que a esquerda ganhe logo o vigor necessário para enfrentar e derrotar a direita em todas as disputas.

Silvio Melgarejo

28/06/2016

domingo, 31 de janeiro de 2016

Debate e democracia: PSOL defendeu voto nulo no 2º turno entre Dilma e Aécio?

(Mensagem publicada na lista de e-mails do 1º Diretório Zonal, em resposta à companheira S.)

S.

Já é a segunda vez que você me vem com essa conversa. Lá no Facebook eu já te disse: não tento impor e nem tenho poder para impor nada. Quem tem poder são os dirigentes do partido, eles sim, estão impondo algo que a base não quer. Informe-se melhor, por favor. Os dirigentes do PT já estão em campanha eleitoral para o candidato do PMDB, Pedro Paulo. Campanha dentro e fora do partido, porque estão sendo dadas sucessivas entrevistas para a imprensa dizendo que o PT já fechou acordo com o PMDB e que vai apoiar o candidato Pedro Paulo. Isto não são suposições. São fatos.

Agora, como eu disse, eu não tento impor nada. Expresso posições políticas e tento persuadir quem me lê mediante a exposição de argumentos que justificam estas posições. Não sei se você sabe, mas existe um negócio chamado "debate", que consiste no confronto de razões pró e contra uma determinada tese, por dois ou mais indivíduos que se posicionam sobre ela alternadamente. O debate começa com a apresentação de uma tese e tem curso com as sucessivas manifestações dos participantes, chamados debatedores, sobre a ideia inicialmente apresentada.

Este tipo de exercício, o debate - você deve lembrar dos nossos Anos de Chumbo aqui no Brasil - é algo inexistente nas ditaduras porque autoritários não suportam ser contrariados. Mas é uma prática que existe em todas as democracias, porque a democracia pressupõe exatamente a existência de espaço para a livre expressão da discordância. Na democracia a discordância é natural. Na ditadura a discordância é crime. Por isso toda democracia tem debate e por isso em toda ditadura o debate é proibido.

É evidente que a democracia tem outros pressupostos. Mas o espaço para discordar e para debater opiniões é sem dúvida nenhuma o pressuposto mais básico, aquele sem o qual nenhum país e nenhum partido podem se considerar realmente democráticos. Se o PT quer ser um partido democrático, então deve garantir espaço para a livre expressão das divergências entre os seus filiados e entre os filiados e a direção do partido, porque é assim que se formam os consensos que legitimam as decisões coletivas tomadas, porque é assim que se realiza a democracia partidária.

O debate, portanto, é fundamental para a realização da democracia partidária. E num partido de massas, como o PT, que tem mais de 1,7 milhão filiados, o debate democrático deve ser, necessariamente, público, porque senão será excludente. Poucos participarão e a maioria ficará de fora, à margem dos processos decisórios. E isto não é democracia.

Mas aqui nesta lista de e-mails nós sequer estamos num ambiente público. Só há e-mails de filiados. E ainda assim você quer coibir o debate sobre o processo eleitoral que já está em curso no país, com os candidatos sendo lançados e as alianças políticas sendo definidas. Me acusa de tentar impor minha posição, quando na verdade eu tento persuadir apresentando argumentos exatamente para que eles sejam contestados por quem discordar. E você não contestou nenhum dos argumentos que eu apresentei, só contestou a tese e até o direito de eu apresenta-la. E sou eu quem tenta impor?

E mais uma vez, como aconteceu no caso da companheira Eide, tenho que corrigir uma informação errada. O PSOL não pregou voto nulo no 2º turno da última eleição presidencial. O partido não  recomendou que seus eleitores votassem nulo e sim que não votassem em Aécio, para que não houvesse retrocesso. Ou seja, o PSOL reconheceu que houve avanços nos governos petistas e que um governo petista é melhor do que um governo tucano. A posição do partido, portanto, foi quase que uma autocrítica, na prática, dos exageros e dos equívocos dos anos anteriores.

O trecho da resolução do PSOL que definiu a posição do partido no 2º turno da última eleição, diz o seguinte:
"Um segundo turno, quando não nos sentimos representados nele, é muitas vezes mais do veto que do voto.

Entendemos que Aécio Neves, o seu PSDB e aliados são os representantes mais diretos dos interesses da classe dominante e do imperialismo na América Latina.

O jeito tucano de governar, baseado na defesa das elites econômicas e nas privatizações, com a corrupção daí decorrente, significa um verdadeiro retrocesso.

A criminalização das mobilizações populares e dos pobres empreendida pelos governos tucanos, em especial o de Alckmin, nos coloca em oposição frontal ao projeto do PSDB e aliados de direita.

Assim, recomendamos que os eleitores do PSOL não votem em Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais. Não é cabível qualquer apoio de nossos filiados à sua candidatura."
Esta não é uma posição neutra, o PSOL tomou partido, mostrou que tinha uma preferência e que esta preferência era a candidatura da Dilma. Senão teriam dito "não votem na Dilma, nem votem no Aécio, anulem o voto". Mas não foi isso que fizeram. A resolução deu ao filiado e ao eleitor psolista duas opções: o voto nulo ou o voto em Dilma. Mas todas as principais figuras públicas do PSOL recomendaram o voto em Dilma, inclusive a candidata derrotada, Luciana Genro.

A bancada o PSOL na Câmara Federal, através do deputado Chico Alencar, fez na tribuna o seguinte registro:
"Sr. Presidente, e todo(a)s o(a)s que assistem a esta sessão ou nela trabalham.

Registro, nos Anais da Casa, a posição tomada de forma coletiva por nós, Deputados Federais do PSOL, no segundo turno das eleições presidenciais, nos marcos da Resolução Nacional do partido sobre o assunto.

(...)

6. Diante da composição de forças políticas e sociais que se constituiu, com os vínculos entusiasmados dos setores mais conservadores e retrógrados com a candidatura tucana, e do retrocesso que isso pode representar, dentro dos marcos aprovados pelo PSOL em Resolução divulgada em 8/10, declaramos nosso voto em Dilma;

(...)

Brasília, 10 de outubro de 2014.

Edmílson Rodrigues (PA)

Chico Alencar (RJ)

Jean Wyllys (RJ)

Ivan Valente (SP)

DEPUTADOS ELEITOS PELO PSOL"
E o deputado estadual Marcelo Freixo gravou até um vídeo que passou no programa eleitoral da Dilma, pedindo voto prá ela. Será que ninguém viu? Eu vi e prá quem tava distraído ou esqueceu, o link é esse aqui embaixo.

Marcelo Freixo apoiou Dilma no 2º turno

https://www.youtube.com/watch?v=on3oysCoxj8
Portanto não é verdade que o PSOL pregou voto nulo nesta eleição, nem é verdade que o PSOL defendeu o impeachment da Dilma, como disse a companheira E., e eu já provei para ela que é falsa esta informação. Isto são boatos, recurso típico das disputas políticas menos éticas. O PT mesmo é vítima frequente de mentiras como estas, que são deliberadamente espalhadas com o objetivo de manipular a opinião dos incautos. A unidade da esquerda brasileira não interessa à direita, mas também não interessa aos sectários e aos oportunistas da própria esquerda.

Enfim, trabalho de militante não é só participar de reunião e campanha eleitoral. Trabalho de militante é também se informar e pensar para informar e fazer pensar. Tem gente que acha isso uma chatice inútil, que legal mesmo é esperar a ordem do chefe e obedecer sem pensar, como na ordem unida dos exércitos. Pois é, nos exércitos é assim. Mas num partido realmente democrático o chefe expressa o desejo da maioria e não o contrário. E a verdade é que o PT não se propõe a ser um exército, se propõem a ser um partido democrático. Aí tem que ter debate mesmo, tem que ter espaço para que se expressem as discordâncias. Foi assim no começo. A falta de hábito é que fez com que alguns petistas esquecessem disso.

Silvio Melgarejo

31/01/2016

***
Abaixo, a mensagem da companheira S. a que este post se refere.
"Oi Silvio, De fato não tinha lido, porque entrei no papo em resposta a um post do M. Z., como você poderá ver abaixo. Mas concordo com você, embora não consiga acreditar numa aliança entre PT e PSOL. Todos os psolistas que conheço são ex-petistas e nutrem um ódio descomunal ao PT e ao Lula. O discurso deles não é nem um pouco diferente dos da Veja e Globo. Exceto o Jean Willys, que nunca foi do PT, os demais preferem atacar os governos petistas do que os governos tucanos, por isso, desconfio dessa ‘esquerda’. Pregaram voto nulo na eleição da Dilma x Serra e reeleição contra Aécio. Isso significa que não consideram os governos petistas nem uma gota melhor do que os governos tucanos, o que eu considero uma total e completa loucura.
 Também não considero aceitável que, numa lista do partido, se faça apologia a uma aliança sem que o partido tenha definido seu apoio, por mais que se julgue que apoiará o PMDB. E isso já é uma reincidência porque aconteceu na eleição passada. Esse papo de “PT deve apoiar” é para mim inaceitável. Sugira, mas não tente impor...
 
Acho que a aliança com o PMDB nunca foi uma preferência do PT, Lula e Dilma. Nem mesmo do Dirceu que a defendia antes dela acontecer, no 1º mandato do Lula. Mas o PT + PCdoB + PSOL não dão governabilidade ao governo Federal, e o PSB, antigo aliado, hoje é um partido de direita, tal como a tal de Rede e o finado partido comunista do Roberto Freire. E infelizmente, são realidades que não podem ser ignoradas... 
S."

sábado, 30 de janeiro de 2016

Mudança de estratégia, apoio a Freixo e uma nova direção para o PT. PSOL apoiou o impeachment de Dilma?

(Mensagem publicada na lista de e-mails do 1º Diretório Zonal em resposta à companheira E.B.)

Antes de fazer qualquer consideração mais detalhada sobre a sua manifestação, companheira E., quero destacar duas frases suas, grifadas por você mesma, que juntas confirmam exatamente a impressão que expressei, no comentário que fiz imediatamente anterior ao seu, de que há setores no PT que têm tolerância ou simpatia maior pelo PMDB do que pelo PSOL. Você diz:
- "A aliança com o PMDB, não dá mais."
E logo em seguida:
- "Votar no psol muito menos."
A expressão "muito menos" é muitíssimo significativa, porque dá a medida da sua rejeição aos dois partidos. O que você diz - e não há outra forma de interpretar o seu texto - é que tem aversão muito maior ao PSOL do que ao PMDB. E isto se confirma no restante da mensagem em que mostra uma indignação muito maior com o apoio de petistas ao candidato do PSOL, que é um militante de direitos humanos, do que com o apoio de petistas ao candidato do PMDB, que é um espancador de mulheres.

Aliás, indignação contra a aliança com o PMDB você não demonstra nenhuma. A palavra "vergonha" surgiu só agora, como um brado de repúdio à aproximação do PT com um partido que lhe faz oposição pela esquerda, com críticas que você mesma faz ao PT.

A ata da reunião do diretório do dia 16 de novembro último, aqui divulgada, registra que você "questionou o por que o PT deixou de ser um partido dos trabalhadores, e por que passamos a ser um Partido atrelado ao PMDB". E não é exatamente por isso que o PSOL tem feito oposição ao PT?

E oposição programática, não oposição golpista como você diz. A afirmação que você faz de que o PSOL é "um partido que prega o golpe (declarando ser a favor de eleições em 2016), um partido que não apoiou o movimento contra o impeachment" é absolutamente falsa e você pode se certificar disso na própria página oficial do partido, onde se encontra a seguinte resolução de sua comissão executiva nacional:

"Executiva do PSOL orienta militância a ocupar as ruas
contra o impeachment
,
o ajuste fiscal e pelo Fora Cunha

Considerando a decisão aprovada no 5º Congresso do PSOL sobre a crise política e o processo de impeachment em debate na Câmara dos Deputados;

Considerando a convocatória feita pelos setores conservadores para manifestações favoráveis ao impeachment, marcadas para este 13 de dezembro;

Considerando a convocatória feita pelas entidades do movimento social para manifestações contrárias ao impeachment, marcadas para o próximo dia 16 de dezembro, denominado de Dia Nacional de Luta contra o Impeachment, o ajuste fiscal e pelo Fora Cunha;

1. Nosso 5º Congresso Nacional, de forma inequívoca, decidiu que nosso partido é contrário a aprovação do impeachment que tramita na Câmara dos Deputados. O partido não considera que os motivos alegados no processo sejam suficientes para o impedimento da presidência e não reconhece legitimidade no processo capitaneado pelo senhor Eduardo Cunha.

2. A decisão deixa claro que “destituir Dilma, a cujo governo antipopular nos opomos, para colocar em seu lugar Michel Temer (PMDB), significaria aprofundar ‘uma ponte para o futuro’ que é mera continuidade do presente, pavimentada pelos materiais do privatismo puro e duro”. Para nosso partido, “as saídas da crise só virão com ampla mobilização popular em torno de reformas profundas, que instituam um novo modelo econômico, soberano, igualitário e ambientalmente sustentável”.

3. Nosso Congresso decidiu que sua militância “não participará de manifestações que tenham como finalidade a defesa do governo ou a defesa do impeachment”.
A Executiva orienta todos os militantes do PSOL:

A participar de todo o processo de mobilização, especialmente as marcadas para o dia 16 de dezembro, que tiverem como eixo a combinação do combate ao processo de impeachment, a campanha para cassar o deputado Eduardo Cunha e o combate ao ajuste fiscal do governo.

Nossos militantes não ficarão em casa, nosso compromisso com os direitos sociais e a democracia deve se materializar na participação ativa nas ruas de nosso país.
E esta participação deverá estar comprometida com os eixos decididos em nosso vitorioso Congresso Nacional.

Executiva Nacional do PSOL

13 de dezembro de 2015

http://www.psol50.org.br/2015/12/executiva-do-psol-orienta-militancia-a-ocupar-as-ruas-contra-o-impeachment-o-ajuste-fiscal-e-pelo-fora-cunha/
O texto é mais do que claro. O PSOL não só se posicionou firmemente contra o impeachment como convocou sua militância a participar de todas as mobilizações que tivessem aquele conjunto de eixos encabeçado pelo "combate ao processo de impeachment", como aquela do dia 16 de dezembro promovida pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

E como se vê, o PSOL nunca defendeu a antecipação das eleições presidenciais para 2016. Isto foi uma manifestação absolutamente isolada de Luciana Genro, que não foi sequer apresentada em nenhuma das instâncias do partido e que foi contesta por várias de suas lideranças e figuras públicas, como o Marcelo Freixo, que postou em seu Facebook o seguinte comentário, no dia 10 de dezembro:
"Respeito muito a opinião da minha amiga e companheira de partido Luciana Genro, mas não concordo com a realização de eleições gerais, inclusive para a presidência da República, em 2016, como ela propôs.

Dilma foi escolhida pela maioria da população brasileira para um mandato de quatro anos que se encerrará em 2018. Eu e meu partido fazemos oposição à esquerda a presidente, seu governo é ruim, assim como suas escolhas políticas e econômicas. Entretanto, somos contra o impeachment porque não há elementos que comprovem a ligação direta de Dilma com as denúncias de corrupção. Não se destitui uma presidente por seu governo ser ruim ou por não concordarmos com ele.

Mais importante é mobilizar as pessoas, ir para as ruas, ampliar o debate com aqueles que lutam por uma agenda de reformas políticas que permitem o combate à corrupção do ponto de vista estrutural. A raiz do problema está no sequestro da democracia pela aliança entre a elite econômica e política, na falta de participação social, na lógica do parlamentarismo de extorsão, na ausência de diálogo.

É verdade que os governos petistas não avançaram nestas questões. Não realizaram as reformas necessárias. Mas o impeachment não resolverá estas questões. Pelo contrário, vai agravá-las. O modelo de democracia está em disputa, a atual lógica de governabilidade, baseada nos acordões entre cúpulas partidárias, se esgotou. Nosso esforço deve ser pedagógico, ampliando o debate com a sociedade para construirmos uma democracia mais participativa, humana e transparente."

https://www.facebook.com/MarceloFreixoPsol/posts/1071537232886532
E no dia 3 de dezembro, Freixo já havia se manifestado da mesma forma, pelo Facebook, dizendo:
"O PSOL não vai apoiar impeachment fruto de chantagem. Não defendemos as políticas do governo Dilma, mas defendemos a democracia.
Eduardo Cunha é acusado de gravíssimos crimes pela Procuradoria-Geral da República: corrupção, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Ocultou suas contas na Suiça em depoimento na CPI da Petrobrás e tem um longo histórico de envolvimento em escândalos de corrupção desde que chegou ao poder junto a PC Farias e Collor de Melo. Assim que as denúncias a Cunha foram comprovadas pelo Ministério Público do Brasil e da Suiça, o PSOL entrou com representação pedindo a cassação de seu mandato. É simples: um réu da Justiça, que mentiu e omitiu contas e bens em depoimento em CPI, não pode continuar presidindo a Câmara dos Deputados.

Para tentar se salvar da perda de seu mandato no Conselho de Ética, Cunha passou os últimos meses chantageando deputados de diversos partidos. Ontem, a bancada do PT votou pela continuidade do processo de cassação do mandato de Cunha. Em retaliação, Cunha abriu processo de impeachment contra Dilma.

O PSOL faz oposição de esquerda ao governo Dilma, uma oposição democrática e republicana. Defendemos o respeito pelo mandato eleito democraticamente, gostemos ou não do resultado das urnas. O impeachment só é aplicável em última instância, quando existe crime comprovado de responsabilidade. Não é o caso de Dilma."

https://www.facebook.com/MarceloFreixoPsol/posts/1067664649940457
Cadê o golpismo do PSOL, E.? Certamente há, mas não é nem de longe a posição predominante no partido, tanto que a resolução do congresso do PSOL em que ele define a sua posição sobre a proposta de impeachment foi aprovada por ampla maioria, como se pode ver na notícia abaixo, do site do próprio PSOL:

"5º Congresso Nacional referenda resolução do Diretório Nacional sobre impeachment

Uma das votações mais importantes da tarde do último sábado (05), no 5º Congresso Nacional do PSOL, que ocorreu no final de semana, em Luziânia-GO, foi a da resolução que demarca o posicionamento do partido sobre o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, encaminhado na Câmara dos Deputados pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o mesmo que responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa e que fora citado nas investigações da Operação Lava Jato. Por ampla maioria, os delegados referendaram a  resolução já aprovada na última sexta-feira (04) pelo Diretório Nacional, em reunião realizada naquele mesmo dia.

No documento, que servirá de base para a atuação do partido frente à crise econômica e política e o avanço da direita conservadora, o partido reafirma seu entendimento sobre a necessidade de estar nas ruas, ao lado de outras organizações do campo da esquerda. Além disso, enfatiza sua disposição de lutar para acabar, de vez, com o financiamento privado de campanha e garantir maior participação popular nos espaços da política.
Para nós do PSOL, as saídas da crise só virão com ampla mobilização popular em torno de reformas profundas, que instituam um novo modelo econômico, soberano, igualitário e ambientalmente sustentável. Além de um modelo político, livre do financiamento empresarial, que aprofunde a democratização do país, através do qual as maiorias sociais possam se tornar as maiorias políticas, e a transparência republicana, melhor antídoto à corrupção sistêmica. Reforçamos nossa luta frontal contra Cunha e todos os corruptos, e de oposição programática e de esquerda ao governo Dilma. O PSOL não participará de manifestações que tenham como finalidade defesa do governo ou de defesa do impeachment”.

http://www.psol50.org.br/2015/12/5o-congresso-nacional-referenda-resolucao-do-diretorio-nacional-sobre-impeachment/
Fica, portanto, demonstrado, de forma documentada, que o alegado apoio do PSOL ao impeachment de Dilma não passa de um falácia, um boato, quem sabe, produzido e disseminado pela imaginação dos sectários ou pela má fé dos oportunistas.

A posição que assumo ante o processo eleitoral deste ano se baseia na análise de fatos, não de boatos, E.. Eu a fundamento com argumentos que considero bastante sólidos, que consideram as resoluções políticas dos congressos e encontros nacionais do partido, especialmente as do 14º Encontro, de 2014, que cito no texto que publiquei em meu blog, aqui divulguei e você, pelo visto, não leu.

Do 14º Encontro, faço referência em primeiro lugar à resolução “Diretrizes de Programa de Governo”, que diz o seguinte:
“Para continuar democratizando o país, ampliando o bem-estar social e trilhando um caminho democrático-popular de desenvolvimento sustentável, defendemos um conjunto de mudanças estruturais, entre as quais a reforma agrária e a reforma urbana, a reforma política e a democratização dos meios de comunicação, a reforma tributária e a ampliação dos direitos públicos universais, aprofundar a soberania nacional, a integração latino-americana e caribenha e nossa participação nos BRICS como parte da construção de uma nova ordem mundial.

No segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, portanto, é chegada a hora das reformas democráticas e populares, para consolidar as políticas bem sucedidas que empreendemos e para deslanchar novas políticas de democratização da renda, da riqueza e do poder.”
E depois cito a “Resolução sobre tática eleitoral e política de alianças”, que diz:
“A continuidade – e, sobretudo, o avanço – do nosso projeto está vinculada à nossa capacidade de fortalecer um bloco de esquerda e progressista, amparado nos movimento sociais, na intelectualidade e em todos os setores comprometidos com o processo de transformações econômicas, políticas, sociais e culturais implementadas pelos governos Lula e Dilma.

A existência deste bloco democrático e popular é fundamental para agregar outras forças políticas e sociais de centro, numa ampla frente que apoie a eleição e o segundo mandato da presidenta Dilma.

(…)

As manifestações de junho de 2013 demonstraram e o amplo processo de discussões que o PT vem promovendo confirmaram que há um sentimento de urgência em favor de mudanças mais profundas e rápidas.

O fato é que, após mais de uma década de melhorias sociais relevantes, a população reivindica reformas, todas contidas em nosso programa, como é o caso exemplar da reforma política, a democratização da comunicação, a reforma agrária, a reforma urbana e a reforma tributária.”
O que eu disse lá no meu blog e repeti aqui numa outra mensagem que você também ignorou, foi que o PMDB é radicalmente contra todas estas reformas que são propostas pelo PT e que são necessárias para o avanço do seu projeto e que o PSOL, ao contrário, defende todas elas firmemente, criticando até o PT por não se empanhar mais em realiza-las.

Portanto, se o avanço do projeto do PT depende da implementação destas reformas estruturais que o partido tem no seu programa, se o PMDB é radicalmente contra estas reformas e o PSOL é radicalmente a favor de todas elas, então pode-se dizer que, objetivamente, o PMDB é um inimigo do projeto petista e que o PSOL, objetivamente, é aliado.

Vendo que alguns de vocês estão comentando o título deste post sem ter lido o conteúdo, postei aqui ontem um pequeno texto em que tento resumir o que penso. Cito um trecho:
"O PMDB é um partido corrupto que luta encarniçadamente contra as reformas estruturais necessárias para o avanço do projeto petista. Já o PSOL, por outro lado, apoia firmemente todas estas reformas que o PT tem no seu programa. Por isso é que eu digo que, objetivamente, na luta pelas reformas, o PMDB é inimigo do PT e o PSOL, aliado. E a tática eleitoral do PT tem que ser coerente com isto. Senão nós vamos fazer campanha para eleger e fortalecer um inimigo e derrotar e enfraquecer um aliado, o que seria uma monumental estupidez."
Pois é neste argumento que se sustenta a minha defesa da aliança do PT com o PSOL, no Rio, em bases puramente programáticas, sem exigência de cargos, para a defesa da candidatura de Marcelo Freixo.

Como diz a resolução do 14º Encontro, "a continuidade – e, sobretudo, o avanço – do nosso projeto está vinculada à nossa capacidade de fortalecer um bloco de esquerda e progressista". Negar que o PSOL seja um partido de esquerda e admitir que o PMDB do Rio seja progressista é uma visão prá lá de desfocada do papel desempenhado por estas duas agremiações no processo político.

Na reunião da zonal de 16 de novembro, segundo a ata divulgada, você, E., "questionou o por que o PT deixou de ser um partido dos trabalhadores, e por que passamos a ser um Partido atrelado ao PMDB". Ora, companheira, uma coisa tem tudo a ver com a outra e ambas têm a mesma causa. O PT deixou de ser um partido dos trabalhadores porque está atrelado ao PMDB. E o PT está atrelado ao PMDB por uma imposição da estratégia de colaboração de classes imposta ao partido pela CNB de Lula, Rui Falcão, Washington Quaquá e Bob Calazans. É a estratégia que determina os aliados e os inimigos. Se a estratégia é conciliar com a burguesia, o PMDB é aliado e o PSOL, inimigo. Mas se o PT resolver lutar contra a burguesia, o PSOL é que será aliado e o PMDB, inimigo.

Quanto ao "foco para quem é militante, e militante PeTista", concordo que o foco do militante deva ser "a defesa do nosso projeto que transformou totalmente a cara de nosso país" e "a defesa do nosso ParTido". Mas não acredito que esta defesa possa ser feita de forma eficaz virando as costas para o processo eleitoral, como você propõe, e dando um cheque em branco para que a direção do PT faça o que quiser com o partido, inclusive manter a execução da atual estratégia política que tem atrelado, como você mesma diz, o PT ao PMDB e afastado, como você também reconhece, o PT dos trabalhadores.

Ora, não existe ameaça maior ao PT hoje do que esta estratégia, que simplesmente inviabiliza a conquista das reformas estruturais que são indispensáveis para o avanço do projeto do partido. De modo que é incoerente conclamar a defesa do PT e seu projeto e ao mesmo tempo lutar encarniçadamente para preservar as condições que inviabilizam o projeto e o partido.

Me perdoe, E., mas a impressão que dá, lendo sua mensagem, é que "se preciso for", como você diz, você faz tudo para não se opor frontalmente à direção do partido, comandada pela CNB. Se preciso for - e se possível -, você ignora completamente a eleição municipal, que hoje é o foco total da direção do partido. Se preciso for - e se for possível -, você deixa Quaquá e Calazans à vontade com Picciani, Cabral e Paes, e foca a sua militância exclusivamente na Frente Brasil Popular. Se preciso - e se possível - for, você ignora a eleição para prefeito e foca na eleição para vereador. E se não for possível ignorar a eleição para prefeito e tiver que se posicionar, então você vai de voto nulo, que é uma tentativa comprometedora de não se comprometer com nada.

Sua posição é igual à do companheiro O.. Ele disse o seguinte, a uns três dias atrás:
- "Não importa se o PT vai se coligar com o PMDB, o que importa é se a militância vai votar no PMDB. Eu particularmente não conheço nenhum PTista que vai votar no PMDB. A maioria vai votar no Freixo ou anular seu voto."
Ao que eu lhe respondi no dia seguinte:
- "A posição do partido define o seu futuro e o futuro do seu projeto. Ser indiferente à posição do partido é, portanto, ser indiferente ao próprio partido. E uma militância que é indiferente ao seu partido já não é mais, na prática, militância do partido, só falta mesmo a desvinculação formal, que é o ato da desfiliação."
O futuro do PT começa a ser jogado nestas eleições municipais, que fazem parte do processo político do país, tanto quanto a luta social dos sindicatos e movimentos populares. A luta social e a luta institucional não são processos estanques, ao contrário, se intercomunicam, se permeiam e se influenciam mutuamente. A aliança do PT com o PMDB na eleição do Rio vai repercutir seguramente na Frente Brasil Popular. E vai repercutir negativamente, humilhando o PT e constrangendo os petistas, porque é uma contradição flagrante aliar-se ao PMDB e ao mesmo tempo integrar esta frente, já que os dois têm objetivos diametralmente opostos. A Frente Brasil Popular defende a democracia e os interesses dos trabalhadores. Já o PMDB defende interesses particulares de oligarquias, da direita social e da burguesia. Ser aliado de um na institucionalidade e do outro na luta social é uma postura politicamente esquizofrênica, que não contribui em nada para o PT reconquistar a confiança dos trabalhadores. A Frente Brasil Popular defende as mesmas reformas estruturais que o PT defende. E como é que o PT vai explicar para os membros da frente a aliança com o PMDB, que é radicalmente contra estas reformas?

Se o PT faz parte da Frente Brasil Popular, o PSOL, por sua vez, integra a Frente Povo Sem Medo. CUT, MST, UNE e uma série de outras entidades fazem parte das duas frentes, o que prova a identidade dos propósitos de ambas. Para o 16 de dezembro, Dia Nacional de Luta contra o impeachment, contra o ajuste fiscal e contra Eduardo Cunha, a Frente Brasil Popular, do PT, e a Frente Povo Sem Medo, do PSOL, lançaram uma nota convocatória unificada que diz:
"Convocatória Unificada da Mobilização de 16/12:

CONTRA O IMPEACHMENT!

NÃO AO AJUSTE FISCAL!

FORA CUNHA!


O momento político pede muita unidade e mobilização popular. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou a instalação do processo de impeachment da Presidenta Dilma, numa tentativa de chantagem a céu aberto. Tenta subordinar os destinos do país à salvação de seu pescoço. Não há nenhuma comprovação de crime por parte de Dilma, e o impeachment sem base jurídica, motivado pelas razões oportunistas e revanchistas de Cunha é golpe.

As ruas pedem: Fora Cunha! Atolado em escândalos de corrupção e representante da pauta mais conservadora, Cunha não tem moral para conduzir o processo de impeachment, nem para presidir a Câmara dos Deputados. Contas na Suíça, fortes acusações de lavagem de dinheiro são crimes não explicados por ele. Cunha será lembrado pelo ataque aos direitos das mulheres, pelo PL da terceirização, a proposta de redução da maioridade penal e por sua contrarreforma política. Os que querem o impeachment são os mesmos que atacam os direitos dos/das trabalhadores (as), das mulheres, dos /das negros (as) e disseminam o ódio e intolerância no país.

Ao mesmo tempo, entendemos que ser contra o impeachment não significa necessariamente defender as políticas adotadas pelo governo. Ao contrário, as entidades que assinam este manifesto têm lutado durante todo este ano contra a opção por uma política econômica recessiva e impopular. As consequências da crise econômica mundial estão sendo aprofundadas pelo ajuste fiscal promovido pelo governo federal, que gera desemprego, retira direitos dos trabalhadores e corta investimentos sociais. Não aceitamos pagar a conta da crise.

A saída para o povo brasileiro é a ampliação de direitos, o aprofundamento e o fortalecimento da democracia e as reformas populares. O impeachment representa um claro retrocesso na construção deste caminho.

Seremos milhares nas ruas no dia 16 de dezembro de 2015.

Será o dia Nacional de Luta contra o Impeachment, o ajuste fiscal e pelo Fora Cunha.

Convidamos a todos os Brasileiros e Brasileiras a fazerem parte desse bloco contra o retrocesso e por mais direitos."
E no dia 16 de dezembro, de fato, para horror dos sectários, milhares de petistas e psolistas estiveram lado a lado nas ruas de todo o país, erguendo o punho esquerdo e gritando "não ao golpe", "abaixo o ajuste fiscal" e "fora Cunha". Essa unidade nas ruas entre petistas e psolistas é uma demonstração cabal de que vencer o sectarismo e unificar a esquerda é possível.

Os mais jovens que veem hoje a relação fraterna entre PT e PCdoB, não imaginam a guerra que havia entre os dois nos anos 80, quando o PCdoB era aliado do PMDB e apoiou o pacto social do governo Sarney. O PT fazia uma feroz oposição ao governo, liderando à frente da CUT, a onda de greves que se alastrava pelo país, naquele período de ascenso dos movimentos sociais. Para os petistas da época, o PCdoB era um partido de pelegos e era violentíssima a disputa nos sindicatos. E no entanto as coisas mudam. Em 87, o PCdoB rompeu com o PMDB e em 89 já fazia parte da Frente Brasil Popular, com o PT e o PSB, que quase venceu a eleição presidencial.

Ou seja, nos anos 80, o PT estava à esquerda e o PCdoB estava à direita. Quando o PCdoB veio á esquerda, uniu-se ao PT e formaram a Frente Brasil Popular. Hoje o PT é quem está à direita e o PSOL está à esquerda. Se o PT fizer um movimento à esquerda, mudando sua estratégia, como fez o PCdoB naquela época, a unidade com o PSOL naturalmente vai acontecer.

Portanto eu sou otimista, porque avalio que a CNB não vai conseguir sustentar durante muito tempo esta sua política, porque a própria CNB vai rachar. A resistência em romper com a estratégia de colaboração de classes tem tudo a ver com o vício do fisiologismo adquirido pela maior parte da burocracia partidária. Mas quem não tem cargo, não tem como ser fisiológico. Vai chegar uma hora, que a base da CBN, que não tem cargo, vai se dar conta de que está ajudando a destruir o PT prá garantir os cargos dos seus comandantes. Se essa base for petista mesmo - e eu acredito que seja -, vai procurar uma alternativa de direção que ajude a salvar o PT e o projeto petista.

Uma mudança radical é necessária. E quem diz isto não sou só eu e não são só as tendências minoritárias, como a Articulação de Esquerda e o Trabalho. O próprio Lula já admitiu que esta direção da CNB está completamente dominada pelo vício do fisiologismo e que o PT precisa de uma nova direção. Eu, que não sou de nenhuma tendência, acho que chegou hora da Articulação de Esquerda.

Bem, companheira, creio que já me estendi demais, refletindo aqui, enquanto comento o seu ponto de vista - que respeito, mas considero estar completamente equivocado -, por isso me despeço, pondo-me à disposição para prosseguirmos nossa conversa, se você quiser.

Saudações petistas,

Silvio Melgarejo

30/01/2016
***

Abaixo, a mensagem da companheira E., a que se refere este post.
"A aliança com o PMDB, não dá mais. Pedro Paulo nem pensar, é um absurdo. E é um absurdo por todos os motivos que temos explicitado em fóruns, documentos e discussões desta zonal.

Votar no psol muito menos. É um partido que tem feito muito estrago no movimento sindical e nos movimentos sociais manipulando assembleias, fazendo  discursos reacionários baseados em análises Globo news. É um partido que somente tem servido a burguesia, com votos na zona sul, apoiados no antiPeTismo da burguesia golpista

É uma vergonha que PeTistas possam sequer pensar em votar e mais ainda explicitar na nossa lista o voto a um partido burguês que prega ora descaradamente, ora mal veladamente a desconstrução do nosso Governo e do nosso ParTido. Só mesmo a burguesia da zona sul para apoiar um partido que prega o golpe (declarando ser a favor de eleições em 2016), um partido que não apoiou o movimento contra o impeachment... um partideco cujo único programa é a desconstrução do PT.

Um partideco composto por ressentidos que falam de corrupção mas que, tanto na Alerj como nos sindicatos, ou em eventuais fóruns e governos conquistados, tem uma postura oportunista e corrupta.

O foco para quem é militante, e militante PeTista, é a Frente Brasil Popular,  é a defesa do nosso projeto que transformou totalmente a cara de nosso país; é a defesa do nosso ParTido  e, se preciso for, focar na eleição para vereadores do PT;  e se preciso for, votar explicitamente NULO para Prefeito.  Mas claro, isso para quem é militante e para quem é militante PeTista, preocupado com o nosso ParTido, e com o nosso projeto para e com o nosso povo.

http://www.brasil247.com/pt/blog/brenoaltman/196168/O-que-%C3%A9-afinal-a-Frente-Brasil-Popular.htm

Saudações PeTistas para quem é PETISTA

E."

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

PMDB, o espancador do projeto petista. PSOL, aliado na luta pelas reformas.

(Mensagem publicada na lista de e-mails do 1º Diretório Zonal, em debate sobre o post "PT deve apoiar Marcelo Freixo (PSOL) para prefeito do Rio")

Companheiros.

O maior problema do PT do Rio não é a candidatura Pedro Paulo é a aliança com o PMDB. A violência contra as mulheres é, de fato, um problema gravíssimo que nós temos na sociedade e a defesa de um candidato a prefeito como Pedro Paulo, do PMDB, com o histórico que ele tem a este respeito, teria, realmente, um claro sentido político de tolerância e banalização deste tipo de prática abominável pelo Partido dos Trabalhadores, o que não corresponde, certamente, ao sentimento da imensa maioria dos filiados e simpatizantes do PT.

Mas existem outros aspectos desta candidatura que vocês não estão considerando. O primeiro deles é que o avanço do projeto petista depende hoje da realização de reformas estruturais como a reforma política, a democratização da mídia, a reforma agrária, a reforma tributária e a reforma urbana, contra as quais o PMDB se opõe radicalmente.

E a outra questão é que, para derrotar a direita e continuar governando o país, o PT precisa recuperar a confiança dos trabalhadores na sua integridade ética. E será impossível conseguir isto nos mantendo aliados a um partido com o histórico, a reputação e os métodos de fazer política do PMDB.

Isso quer dizer que, mesmo que o PMDB retirasse a candidatura de Pedro Paulo e lançasse o filho do Picciani, o filho do Cabral ou uma outra figura qualquer que eles tenham por lá, esta aliança continuaria sendo problemática, porque o problema maior não é o candidato, o problema maior é o partido. O PMDB é um partido corrupto que luta encarniçadamente contra as reformas estruturais necessárias para o avanço do projeto petista.

Já o PSOL, por outro lado, apoia firmemente todas estas reformas que o PT tem no seu programa. Por isso é que eu digo que, objetivamente, na luta pelas reformas, o PMDB é inimigo do PT e o PSOL, aliado. E a tática eleitoral do PT tem que ser coerente com isto. Senão nós vamos fazer campanha para eleger e fortalecer um inimigo e derrotar e enfraquecer um aliado, o que seria uma monumental estupidez.

O PSOL, além disso, é um partido que ainda não foi contaminado pelos vícios típicos dos partidos burgueses, que o PT infelizmente acabou adquirindo e precisa vencer.

Em suma, o problema da candidatura Pedro Paulo não se restringe à questão da violência contra a mulher. Envolve também a questão da estratégia política e da política de alianças do PT, que precisam mudar porque já não contribuem mais para o avanço do projeto petista e porque tem trazido enormes prejuízos para a saúde política do PT como partido socialista da classe trabalhadora.

Silvio Melgarejo

29/01/2016

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A vitória depende da execução perfeita de uma estratégia correta.

(Mensagem enviada à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal)

A sugestão de Marcelo Freixo, do PSOL, para candidato de uma frente de esquerda, da qual o PT faria parte, nas eleições municipais do Rio, de 2016, iniciou, há uma semana, nesta lista de e-mails, um debate que expressa bem a divisão da opinião pública petista sobre a estratégia do PT nos últimos 12 nos.

Todos concordam que agora é preciso mudar.

Uns porque acham que a estratégia adotada pelo PT esteve certa num determinado período, começou a falhar de uns tempos para cá e agora está completamente errada.

Faço parte deste grupo.

E outros porque acham que a estratégia sempre esteve errada.

Há, entre estes últimos, o caso singular e exótico de um brizolista petista que tem ódio mortal ao Lula e a tudo que ao ex-presidente possa estar associado, exceto a Dima, porque foi do PDT.

Todos aqui já devem saber que me refiro a Marcos Zarahi, a quem faço menção por ser um dos mais empenhados na defesa desta tese, durante este debate.

Entre os que acham que a estratégia do PT sempre esteve errada, parece predominar a convicção de que a estratégia da oposição de esquerda é que sempre esteve certa.

A estes dirigi as seguintes perguntas, durante o presente debate:
Se a política do PT durante os governos de Lula e Dilma foi tão errada, como é que o PT conseguiu ganhar 4 eleições presidenciais seguidas, tendo contra si a maior e mais eficiente máquina de propaganda política do mundo, que são as Organizações Globo, fazendo intensa e permanente campanha negativa contra estes seus governos, por mais de uma década?

Como é que Lula, além disso, ainda aparece pelo terceiro ano consecutivo como o melhor presidente que o país já teve, na pesquisa realizada pelo Datafolha?

Por outro lado, se a política da esquerda oposicionista é que sempre esteve certa, porque, em 12 anos, mesmo com a ajuda da Globo, esta esquerda oposicionista nunca conseguiu crescer como alternativa ao PT, aproveitando-se dos erros reais e inventados do partido e seu governo?

A bancada federal da esquerda oposicionista tem apenas 1 senador e 5 deputados, todos do PSOL.

Aliás, 4 deputados, já que o Cabo Daciolo foi expulso.

Por que PSTU, PCB e PCO nunca elegeram ninguém, nem um mísero deputado?
Ninguém, até agora, respondeu nada.

Marcos Zarahi nem tenta, porque não tem resposta.

Quase tudo que ele classifica como erro, contribuiu na verdade para que partido e governo alcançassem os resultados econômicos e sociais que os trabalhadores aprovaram, todas as vezes que tiveram ocasião de se manifestar.

O companheiro Osmar Filho disse no dia 17 de maio, a propósito destas minhas perguntas:
"Marcos e Silvio, Bom dia,

Para fugir do maniqueísmos no caso do Rio de Janeiro, Estado e  Capital, sugiro:

1) Quantos votos teve o PSOL e o PT-CNB na eleição municipal de 2012.
2) Quantos votos teve o PSOL e o PT-CNB nas eleição de 2014."
Minha resposta a ele é a seguinte:

Osmar.

Não há maniqueísmo nenhum em avaliar a correção de uma estratégia política nacional pelos seus resultados nacionais, inclusive eleitorais.

O desempenho eleitoral do PT do Rio decorre da atuação do PT do Rio, não dos governos Lula e Dilma.

Tanto que o PT ganhou todas as eleições presidenciais no Rio, apesar dos resultados pífios nas eleições estaduais e municipais.

Já o desempenho eleitoral pífio do PSOL na eleição nacional, deve-se à atuação do partido no plano nacional. Apenas 1,5% dos votos válidos para presidente e 5 deputados (tirando o Daciolo, 4).

Antes de ser posta em prática, uma estratégia se justifica pela análise das circunstâncias.

As circunstâncias é que indicam os movimentos possíveis de serem feitos e os que têm maiores chances de alcançarem êxito.

Mas, depois de executada, são os resultados que justificam ou não a estratégia escolhida.

Uma estratégia é correta quando e enquanto dá resultados.

Ora, o Lula não é um dos mais reconhecidos líderes mundiais e o mais importante líder popular do Brasil só porque quer.

Ele o é exatamente por causa dos resultados extraordinários dos seus governos, que só a direita e uma certa esquerda míope, recalcada ou invejosa não admitem.

Por que Lula é considerado pelo povo o melhor presidente da história do país, segundo o instituto Datafolha?

Certamente, não por obra da maior máquina de propaganda política do mundo, que são as Organizações Globo, e sim porque o povo reconhece que, durante os dois mandatos do ex-presidente, melhorou suas condições de vida, muito mais do que em qualquer outra época.

Portanto, não só essa percepção dos trabalhadores, mas os indicadores econômicos e sociais que as confirmam, indicam que a atual estratégia do PT, que é de colaboração de classes, teve, realmente, resultados extremamente positivos durante os dois mandatos de Lula.

Só que durante os mandatos de Dilma as circunstâncias, no país e no mundo, foram mudando e os resultados começaram a minguar.

A coalizão que possibilitou a realização de governos que corresponderam às expectativas dos trabalhadores, a ponto deles votarem pela continuidade, passou a ser, cada vez mais, uma trava ao avanço do projeto iniciado e até um fator de risco para a manutenção do que já se havia construído no país.

Sinais claros de que a estratégia do PT precisava mudar.

Mas aí surge a questão: a quem caberia tomar a iniciativa da mudança de estratégia?

À presidenta da república ou ao seu partido?

Há quem pense que isto caberia à presidenta.

Minha convicção, no entanto, é de que a iniciativa de mudar de estratégia teria que ser do partido.

E por que o partido não o fez?

Aí é que está o problema.

Na minha avaliação, a direção nacional do PT tentou.

Mas não conseguiu.

Explico.

Houve em 2013, a meu ver, uma tentativa da direção nacional do PT de investir na mobilização social por reformas que sabia não terem o apoio dos partidos da coalizão, exceto o PCdoB.

O problema é que a máquina partidária não funcionou quando acionada, frustrando todas as suas iniciativas.

No primeiro semestre daquele ano, foram lançadas três campanhas, com status de prioritárias para o partido:
- o abaixo assinado do projeto de lei de iniciativa popular da Reforma Política;

- o abaixo assinado do projeto de lei de iniciativa popular da Democratização da Mídia; e

- a pressão sobre o Congresso pela aprovação do projeto de lei do governo que destinava para a educação recursos resultantes da exploração do Pré Sal.
E, no segundo semestre, houve a convocação de uma Onda Vermelha em resposta aos ataques sofridos por petistas durante os protestos de junho.

Pois, para nada disso o PT conseguiu se mover. Tudo fracassou.

"Se queremos um partido capaz de dirigir a luta pelo socialismo", diz a resolução política do 5º Encontro Nacional do PT, de 1987, "precisamos de um partido organizado e militante, o que implica a necessidade de quadros organizadores. Um partido que seja de massas porque organizará milhares, centenas de milhares ou até milhões de trabalhadores ativos nos movimentos sociais, e porque será uma referência para os trabalhadores e a maioria do povo".

Só é possível ter êxito numa estratégia de enfrentamento com a burguesia, com um partido que seja capaz de organizar e mobilizar multidões para a luta nas ruas. É este o pressuposto deste trecho da resolução do 5º Encontro.

Ora, é evidente, Osmar e demais companheiros, que o PT está há anos luz disso.

Um partido que não funciona nem para fazer um abaixo assinado, não será nunca capaz de mobilizar milhões de trabalhadores em defesa do seu projeto político.

Onde estão os quadros organizadores que a resolução do 5º Encontro aponta como essenciais para a construção de um partido capaz de enfrentar e vencer a luta de classes?

É evidente que não estão nos diretórios, senão os diretórios funcionariam, e todos sabemos que não funcionam.

O PT não tem quadros organizadores, esta é que é a realidade.

E, no entanto, uma base de mais de 1,5 milhão de filiados deve ter, certamente, milhares de trabalhadores com talento, vocação e conhecimento para a administração do partido.

O problema é que ainda não faz parte da cultura política do PT a consciência da importância de elementos da administração como organização, comando e disciplina, para a realização de qualquer estratégia política que exija a mobilização de grandes volumes de recursos humanos, materiais e financeiros.

E como não há esta consciência, acaba-se evitando o debate sobre a administração partidária, que possibilitaria a emergência de quadros organizadores e a concepção de uma política administrativa para o partido que garantisse o seu funcionamento regular e pleno.

A minha impressão é de que a maioria da atual direção do PT tem medo de fazer o giro da estratégia de colaboração para a estratégia de enfrentamento com a burguesia, porque sabe que não tem partido para realizar essa estratégia.

O medo da direção nacional do PT é de dar um passo em falso e comprometer completa e irremediavelmente a já frágil governabilidade institucional, sem garantir a Dilma a governabilidade social necessária para dar rumo novo e seguro ao seu governo.

Esse medo acaba paralisando a direção do partido, como se tem visto.

Há, já, no PT, de fato, um consenso quanto à necessidade de mudar a estratégia política.

A tensão, me parece, se dá é quanto à possibilidade, à oportunidade e à maneira de fazê-lo.

Lula e Dilma dão sinais claros de que não querem esta mudança para agora.

E não acredito que Rui Falcão assuma qualquer posição contrária à deles.

Do outro lado, estão as tendências da autodenominada esquerda petista, que querem a mudança de estratégia já, apostando na organização e mobilização espontânea da base do partido e da classe trabalhadora.

Esta crença na organização e mobilização espontânea da base do partido e da classe, aliás, parece ser o grande e, desgraçadamente, inabalável consenso entre as tendências petistas.

Acreditam, pelo que dizem, que basta declarar guerra à burguesia, anunciando pela internet um programa avançado de reformas, que espontaneamente a base do partido iria sair fundando núcleos, aos montes, e que o povo, em convulsão, bateria, freneticamente, às portas destes núcleos e se auto-organizaria, com elevado espírito revolucionário, para desespero dos ricaços.

A diferença entre as tendências é que umas têm mais fé, outras menos, nessa rebelião espontânea a partir do anuncio puro e simples de um programa.

Eu não acredito nenhum pouco em organização e mobilização espontânea das massas.

Por isso defendo que o partido adote uma estrutura interna e formas de funcionamento que lhe permitam desempenhar as funções essenciais de indutor, organizador e dirigente das mobilizações dos trabalhadores.

A concepção de partido que defendo é exatamente aquela que está na resolução do 5º Encontro:
"Se queremos um partido capaz de dirigir a luta pelo socialismo, (...) precisamos de um partido organizado e militante, o que implica a necessidade de quadros organizadores. Um partido que seja de massas porque organizará milhares, centenas de milhares ou até milhões de trabalhadores ativos nos movimentos sociais, e porque será uma referência para os trabalhadores e a maioria do povo.

(...)

Nossa concepção, portanto, é a de construir o PT como um partido de classe dos trabalhadores, democrático, de massas e socialista, que tenha militância organizada e seja capaz de dirigir a luta social.” (5º Encontro Nacional - 1987)
Já expus de maneira resumida a razão da prioridade que dou à construção e administração do partido, no final do ano passado, quando publiquei um texto em que dizia:
"O partido está para a luta política, assim como o exército está para a guerra. 

Não se atinge o objetivo político sem um partido, como não se atinge o objetivo militar sem um exército.

O partido é o instrumento da ação política daqueles que o constituem para realizar algum projeto. 
         Por isso, considero que a construção do PT e a administração de seus diretórios - que são suas unidades combatentes - deve ser a principal preocupação e a principal ocupação dos petistas, e que descuidar dessa tarefa, é renunciar, na prática, a qualquer possibilidade de ver realizado o projeto petista de conquistar, efetivamente, o poder político e construir no Brasil o socialismo democrático."
No PT dá-se enorme importância à definição da estratégia e importância nenhuma à preparação do partido para a execução da estratégia.

É notável a capacidade que se tem de ignorar que isto é caminho certo para o fracasso.

Minha posição é de que é preciso evoluir da estratégia de colaboração para uma estratégia de enfrentamento com a burguesia.

Não apenas pela manutenção das políticas públicas criadas até agora.

Mas pela realização de reformas que ampliem e aprofundem a democracia política brasileira, como fim em si, mas também como meio para o avanço do projeto socialista do PT.

Sei que, quanto a isto, devo estar de acordo com a maioria dos petistas.

O desacordo, creio, é quanto à necessidade e urgência de se conceber um modelo de administração do partido que lhe permita executar esta estratégia.

Isto, me parece, ninguém tem visto e me preocupa, companheiros.

Porque a derrota de um partido, muitas vezes decorre da escolha de uma estratégia errada.

Mas, com bastante frequência, advém da má execução de uma estratégia correta.

Em maio de 2013, enviei a esta lista de e-mails uma mensagem intitulada "Para avançar mais, é preciso mais democracia", em que já defendia este ponto de vista que defendo hoje, de que era preciso mudar de estratégia, enquanto saudava as iniciativas da direção nacional do partido que, a meu ver, apontavam neste sentido.

Dizia naquele texto que era preciso preparar o partido para executar os primeiros movimentos propostos pelo Diretório Nacional, de inflexão para uma nova estratégia em que o partido buscasse influenciar o processo político de fora para dentro da institucionalidade, através da mobilização social.

Lamentavelmente, esta preparação acabou não sendo feita pelo PT e o partido se mostrou completamente incapaz de executar as políticas definidas. E olha que eram políticas simples, nada de muito complexo ou arrojado.

Agora, imaginem se um partido assim, que não consegue fazer nem um abaixo assinado entre seus filiados, se tem condições de organizar e mobilizar milhões de trabalhadores. É evidente que não tem.

Os que acreditam na organização e mobilização espontânea do partido e das massas, devem lembrar que nem as massas, nem a base do PT se mobilizaram espontaneamente para assinar e colher assinaturas para os abaixo assinados da Reforma Política e da Democratização da Mídia, embora eles tenham sido divulgados na internet e fossem tratados como políticas prioritárias pelo nosso diretório nacional.

Tampouco aderiram espontaneamente os filiados do PT à Onda Vermelha convocada pelo presidente do partido, Rui Falcão, que acabou sendo uma constrangedora marola, retrato fiel da incapacidade do PT de realizar qualquer ação coletiva envolvendo sua base de filiados.

Todas as teses apresentadas ao 5º Congresso do PT refletem de alguma forma o anseio por mudanças na atitude do partido, manifestado diariamente pela militância petista nas redes sociais.

A militância não quer mais um partido de conchavo ou só de disputa eleitoral e parlamentar.

A militância quer um partido que lute nas ruas.

Mas, isto o PT não pode ser hoje, nem amanhã, porque não está preparado, nem está se preparando para esta forma de atuação, que é imprescindível na luta de classes.

O medo da direção do PT justifica-se porque, de fato, o partido, com sua atual forma de funcionamento, não tem poder de ação nas ruas nenhum e nenhuma capacidade ofensiva, nem sequer defensiva.

Em 1986, José Dirceu publicou um artigo sobre a construção do PT, em que dizia:
"O que se quer é um partido que não se desmantele ao primeiro golpe militar."
Pois, meus amigos, é preciso reconhecer, antes de nos permitirmos ou darmos ouvidos a bravatas tolas, que o PT hoje não aguenta golpe nenhum.

Nem militar, nem civil, seja parlamentar, judiciário ou midiático.

O julgamento do mensalão foi um golpe, que levou, inclusive, Dirceu para a cadeia.

A operação Lava Jato é outro golpe, que levou para a cadeia João Vaccari.

E o que fizeram e fazem PT, direção e base?

Nada.

Quando muito protestam ou lamentam, mas nenhuma reação houve ou há que possa ser categorizada como luta.

O PT não existe, até hoje, de fato, como unidade coletiva de combate político.

Por isso os pequenos golpes de Estado se sucedem, sem que o partido consiga reagir para detê-los ou revertê-los.

O que encoraja, cada vez mais, os golpistas a engendrarem novos pequenos golpes, como ensaios de um golpe último e fatal, que seria o impeachment de Dilma e a cassação do registro do partido no TSE.

Tem razão a Articulação de Esquerda, de Valter Pomar, quando diz que precisamos de um partido para tempos de guerra.

Mas, mais correto e exato ainda seria dizer que precisamos de uma administração partidária para tempos de guerra.

Porque tão importante ou mais que definir uma nova estratégia política, é definir exatamente como o partido usará os recursos humanos, materiais e financeiros presentes em sua base de filados, na execução da estratégia estabelecida.

E sobre isto, sobre a administração partidária, nada dizem as teses apresentadas ao 5º Congresso.

Acreditam todos, pelo visto, no espontaneísmo da organização partidária, a partir da definição de uma estratégia política.

Não precisa ser profeta para saber que, indo por este caminho, o PT vai dar com os burros n'água.

Porque, sem uma correta administração partidária, nenhuma estratégia de confronto com a burguesia tem chance de dar certo.

Pela razão única e simples de ser irrealizável.

Não tem jeito, companheiros. Sem comando, organização e disciplina - que são elementos da administração - não se realiza nada na política.

Exceto, é claro, discursos.

Por isso, é que, sobre a proposta de uma frente de esquerda, eu assim me manifestei, na mensagem que enviei a esta lista de e-mails, em 15 de maio:
"As críticas que faço ao PSOL não me impedem de reconhecer que é um partido de esquerda e que o Rio e o Brasil precisam de uma frente de esquerda para enfrentar e vencer a onda neoliberal e religiosa fundamentalista, que é, sem dúvida nenhuma, uma forte reação do conservadorismo aos avanços democráticos e sociais ocorridos durante os governos de Lula e Dilma.

Acho, entretanto, que uma frente de partidos com baixa capacidade de mobilização social, por falta de comando, organização e disciplina em suas estruturas internas, acabará frustrando rapidamente às expectativas que forem criadas.

Pelo que sei, o PSOL tem os mesmos problemas administrativos que o PT. 

Aliás, eu não conheço nenhum partido de esquerda cuja administração permita uma execução minimamente satisfatória da sua política.

Para fazer um governo realmente de esquerda, as máquinas partidárias vão ter que ser capazes de superar estes problemas administrativos, para se tornarem realmente indutoras, organizadoras e dirigentes de mobilizações sociais frequentes e de grande magnitude, que deem sustentação política e impulsionem a realização do projeto vitorioso.

Como digo sempre, repito:

Sem partido organizado e mobilizado, todo ideal político morre no discurso.

Portanto, sou a favor de uma frente de esquerda, mas uma frente de partidos fortes, porque dotados de elevada capacidade de mobilização social, em razão da disciplina e da organização de seus dirigentes e de suas militâncias.

Uma frente de partidos fracos, será uma frente fraca, incapaz de realizar o seu programa e atender satisfatoriamente às expectativas dos seus apoiadores."
Quero agora tratar de um outro ponto, que é a relação do PT com o PSOL.

Sem renunciar à crítica aos equívocos do esquerdismo, o PT também não pode permitir que sectarismo e mágoas de sua parte inviabilizem a construção de uma relação melhor com este setor da esquerda.

O PSOL pode vir a ser, sim, um importante aliado do PT nos próximos anos.

Quem duvida que isto seja possível, dado o grau de animosidade deste partido contra o PT na última década, precisa saber - ou apenas lembrar - que nos anos 1980 a relação entre PT e PCdoB também era de intensa e permanente porrada. Muitas vezes, literalmente porrada.

Quem dissesse, naquele tempo, que PT e PCdoB viriam a ser aliados e amigos, como hoje são, seria taxado de louco ou então de zombeteiro.

Ninguém poderia imaginar que esta aproximação se desse e, no entanto, se deu. As coisas mudam na política.

O PSOL nasceu do PT.

É, na verdade, como você bem disse, recentemente, Osmar, uma tendência do PT que se institucionalizou.

Tendência esquerdista, é bom que se diga.

Mas, petista, de fato, porque partícipe de toda elaboração política das duas primeiras décadas de vida do PT, quando se constituiu aquilo que se pode chamar de doutrina do partido, que são as suas resoluções mais fundamentais, aprovadas nos congressos e encontros nacionais daquele período.

O problema do PSOL é o esquerdismo, aquela "doença infantil do comunismo" que, segundo Lenin, é a incapacidade - típica, segundo ele, do revolucionarismo pequeno burguês - de "compreender a necessidade de levar em conta, com estrita objetividade, as forças de classe e suas relações mútuas antes de empreender qualquer ação política".

A formação de uma frente de esquerda como a que tem sido defendida, até com o lançamento de um candidato a prefeito, não depende, evidentemente, só do PT.

Depende também da vontade e de uma decisão do PSOL.

A impressão que se tem, pelo discurso de alguns frentistas aqui, é de que o PSOL já topou e que só está esperando uma manifestação do PT.

Não é bem assim, companheiros.

O esquerdismo, o antipetismo longamente cultivado e a perspectiva de conquistarem a hegemonia da esquerda com uma eventual derrota do PT para a direita, podem, penso eu, frustrar nossos desejos e expectativas.

Acredito que o caminho mais realista para um apaziguamento entre os dois partidos, que criasse um ambiente mais favorável à construção de uma frente, seria PT e PCdoB lançarem um candidato coligados e, se eventualmente o PSOL for para o segundo turno, apoiarem incondicionalmente e com vigor o seu candidato.

Agora, se o PT resolve apoiar o candidato do PMDB para a prefeitura, como querem Lula, Dilma e Quaquá, aí a paz, o diálogo e a frente com o PSOL vão de vez pro brejo.

Dou-me conta agora de que, sobre a eleição municipal, não vi nenhuma notícia quanto à posição do presidente do Diretório Municipal, Bob Calazans.

Não é o Diretório Municipal que tem que tratar da campanha eleitoral do município?

O Quaquá deu entrevista anunciando que já fez todos os arranjos, prometeu que o PT vai apoiar o afilhado de Eduardo Paes, posou para foto com o atual prefeito e seu candidato e não se vê nenhuma manifestação pública do Bob Calazans?

Que situação estranha esta, não é, companheiros?

Será que Calazans concorda com o Quaquá?

Agradeço a quem jogar luz sobre este mistério.

Acabo de ver no site 247 a seguinte curiosa notícia:

CONFUSÃO DE TARSO NO RIO NÃO TEM APOIO DO PT

21 DE MAIO DE 2015 - Desembarque do ex-governador gaúcho Tarso Genro no Rio de Janeiro, que chega com planos de implodir a aliança PT-PMDB, é rechaçado por lideranças petistas; "O pensamento dele (Tarso Genro) não é o da maioria do PT. Ele não terá o apoio do PT. A ideia é manter o acordo (com o PMDB)", afirmou o vice-prefeito de Eduardo Paes, Adilson Pires (PT); o presidente regional do PT, Washington Quaquá, acredita que, "por questão de respeito, ele deveria dialogar"; Tarso realizará amanhã a plenária "A saída é pela esquerda", com o apoio do senador Lindberg Farias e do deputado Alessandro Molon; "O PT do Rio, em nenhum momento, discutiu a ruptura. O PMDB é a base da governabilidade da Dilma. Será que isso não diz nada?", questionou a deputada Benedita da Silva.

O movimento do ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, que pretende criar uma frente de partidos de esquerda para as eleições municipais em 2016 no Rio de Janeiro, tem recebido críticas de dirigentes petistas do Estado. 

A Executiva do PT regional defende a manutenção da aliança com o PMDB, que tem a prefeitura, com Eduardo Paes, e o governo, com Luiz Fernando Pezão. Tarso desembarca amanhã no Rio para realizar a plenária "A saída é pela esquerda", com o apoio do senador Lindberg Farias e do deputado federal Alessandro Molon, ambos petistas.

"O pensamento dele (Tarso Genro) não é o da maioria do PT. Eu me encontrei com ele na semana passada e fui bastante claro: ele não terá o apoio do PT. A ideia é manter o acordo (com o PMDB)", afirmou o vice-prefeito de Eduardo Paes, Adilson Pires (PT), segundo reportagem do jornal O Globo.

De acordo com Pires, a parceria com o PMDB "está consolidada" e "tem o aval do ex-presidente Lula e da própria Dilma". "Paes foi o político mais leal com Dilma. Não apoiou o Aezão", acrescentou, em referência ao movimento criado no ano passado dentro do PMDB para pedir votos a Aécio Neves (PSDB) e Pezão.

O presidente regional do PT, Washington Quaquá, disse não ter sido convidado por Tarso para a plenária e defendeu o diálogo. "Por questão de respeito, ele (Tarso) deveria dialogar. Apoiamos uma frente ampla de esquerda para discutir as reformas políticas, mas ele está tentando criar uma frente eleitoral", opinou.

Para a deputada federal Benedita da Silva, "em nenhum momento" o PT do Rio "discutiu a ruptura" com o PMDB. "O PMDB é a base da governabilidade da Dilma. Será que isso não diz nada?", questionou.

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) pretende lançar à prefeitura, pelo PMDB, o secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo. Internamente, peemedebistas não veem Tarso como ameaça, com base em seu desempenho nas últimas eleições, quando não conseguiu se reeleger governador.
No O Globo, que foi a fonte original do 247, a notícia é a seguinte:

PT do Rio ataca articulação de Tarso Genro 

Vice-prefeito e presidente regional defendem aliança com PMDB 
POR CÁSSIO BRUNO - 21/05/2015 6:00
RIO - A direção do PT do Rio criticou o plano do ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) de criar no estado uma frente com partidos de esquerda para as eleições de 2016. Integrantes da executiva do partido defendem a manutenção da aliança no estado com o PMDB. O vice-prefeito Adilson Pires (PT) reprovou a estratégia de Tarso:

— O pensamento dele (Tarso Genro) não é o mesmo da maioria do PT. Eu me encontrei com ele na semana passada e fui bastante claro: ele não terá o apoio do PT. A ideia é manter o acordo (com o PMDB) — afirmou o vice-prefeito.

A intenção de Tarso é enfraquecer o PMDB fluminense, que dá as cartas na Câmara dos Deputados, com o presidente da Casa, Eduardo Cunha, e o líder do partido Leonardo Picciani. Nos bastidores, os peemedebistas não veem Tarso como ameaça. O argumento é o desempenho do petista nas últimas eleições no Rio Grande do Sul ano passado, quando ele não conseguiu se reeleger.

Adilson disse que o apoio do prefeito Eduardo Paes (PMDB) à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) foi “fundamental”. Segundo Pires, a parceria com o PMDB no Rio “está consolidada" e “tem o aval do ex-presidente Lula e da própria Dilma". Paes pretende emplacar como candidato o secretário municipal Pedro Paulo (Coordenação de Governo).

— Paes foi o político mais leal com Dilma. Não apoiou o Aezão — disse Pires, referindo-se ao movimento do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), para pedir votos ao candidato tucano derrotado à Presidência, Aécio Neves , e ao governador reeleito Luiz Fernando Pezão (PMDB).

O presidente regional do PT, Washington Quaquá, contou que não foi convidado por Tarso para a plenária “A saída é pela a esquerda”, que será realizada amanhã, com o apoio do senador Lindbergh Farias e do deputado Alessandro Molon, ambos do PT. O encontro debaterá propostas da frente de esquerda para 2016.

— Por questão de respeito, ele (Tarso) deveria dialogar. Apoiamos uma frente ampla de esquerda para discutir as reformas políticas, mas ele está tentando criar uma frente eleitoral — criticou Quaquá.

DIRIGENTE DO RIO CRITICA TARSO

O presidente regional do PT desafiou Tarso:

— Se ele reunir 200 pessoas (na plenária), eu reúno duas mil na semana seguinte.

A deputada Benedita da Silva também defendeu a aliança com os peemedebistas:

— O PT do Rio, em nenhum momento, discutiu a ruptura. O PMDB é a base da governabilidade da Dilma. Será que isso não diz nada?

Além de negociar a compra de um apartamento no Rio, o que gerou especulações de que poderia transferir seu domicílio eleitoral para concorrer à prefeitura, Tarso quer criar um instituto na cidade para promover debates e palestras, além de um centro de estudos.

Procurado pelo GLOBO, Tarso não quis dar entrevista. Lindbergh e Molon não retornaram as ligações.
Bem, eu duvido que os dirigentes do PT do Rio estejam realmente tranquilos com a possibilidade de terem que enfrentar uma rebelião da base do partido liderada por um quadro político da estatura de Tarso Genro. Não estão. Só se fossem burros ou loucos e não acredito que sejam.

As reações de repúdio destes dirigentes contra algo que deveria ser considerado absolutamente natural num partido democrático - que é a proposta de debate sobre mudanças na orientação política e eleitoral -, mostram que eles temem, de fato, a presença do ex-governador gaúcho e ex-presidente nacional do PT.

E isto é um bom sinal para os que desejam mudanças.

Por isso, dou boas vindas a Tarso Genro e digo-lhe que estou pronto para ser um soldado da sua causa.

A mim, pessoalmente, sua chegada enche de esperanças de um futuro melhor para o PT, a partir dos embates que vamos travar com o conservadorismo do partido.

Que assim seja.

Chamo, no entanto, a atenção de todos os que se animam, como eu, com a vinda deste importante aliado para o Rio.

Se a vitória na luta de classes exige do partido comando, organização e disciplina, a vitória na disputa interna do partido exige o mesmo de qualquer movimento de oposição.

É muito importante que nós tenhamos esta consciência:

De que comando, organização e disciplina são condições fundamentais para a vitória da política de frente de esquerda.

Primeiro, dentro do PT, contra os aliados do PMDB.

E, depois, fora do PT, contra a burguesia e o conjunto da direita, inclusive o PMDB.

A saída é pela esquerda.

Mas é preciso ter força para abrir a porta.

Não se vence disputa política só com discurso.

Se vence com força política.

E força política só se constrói com muito trabalho de equipe, onde não faltem estas três coisas:

Comando.

Organização.

E disciplina.

Saudações petistas.

Silvio Melgarejo

22/05/2015

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Re: A saída é pela esquerda.....POR UM FRENTE DE ESQUERDA COM FREIXO EM 2016!!! (3)

(Mensagem enviada à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal)

Companheiras e companheiros.

As críticas que faço ao PSOL não me impedem de reconhecer que é um partido de esquerda e que o Rio e o Brasil precisam de uma frente de esquerda para enfrentar e vencer a onda neoliberal e religiosa fundamentalista, que é, sem dúvida nenhuma, uma forte reação do conservadorismo aos avanços democráticos e sociais ocorridos durante os governos de Lula e Dilma.

Acho, entretanto, que uma frente de partidos com baixa capacidade de mobilização social, por falta de comando, organização e disciplina em suas estruturas internas, acabará frustrando rapidamente às expectativas que forem criadas.

Pelo que sei, o PSOL tem os mesmos problemas administrativos que o PT.

Aliás, eu não conheço nenhum partido de esquerda cuja administração permita uma execução minimamente satisfatória da sua política.

Para fazer um governo realmente de esquerda, as máquinas partidárias vão ter que ser capazes de superar estes problemas administrativos, para se tornarem realmente indutoras, organizadoras e dirigentes de mobilizações sociais frequentes e de grande magnitude, que deem sustentação política e impulsionem a realização do projeto vitorioso.

Como digo sempre, repito:

Sem partido organizado e mobilizado, todo ideal político morre no discurso.

Portanto, sou a favor de uma frente de esquerda, mas uma frente de partidos fortes, porque dotados de elevada capacidade de mobilização social, em razão da disciplina e da organização de seus dirigentes e de suas militâncias.

Uma frente de partidos fracos, será uma frente fraca, incapaz de realizar o seu programa e atender satisfatoriamente às expectativas dos seus apoiadores.

Sonhar é bom e necessário.

Mas é preciso ter os pés no chão.

Senão o sonho vira pesadelo.

Silvio Melgarejo

15/05/2015

sábado, 1 de novembro de 2014

O que divide a esquerda.

(Texto publicado em debate aberto no Facebook hoje por Rosana Pinheiro-Machado)

Não existe uma esquerda por natureza mais radical e uma outra por natureza mais moderada.

O que existe é uma esquerda que compreende e uma esquerda que não consegue compreender "a necessidade de levar em conta, com estrita objetividade, as forças de classe e suas relações mútuas antes de empreender qualquer ação política".

O que nos divide é a atitude que temos ante o fator "correlação de forças".

É fácil ser radical quando se está fora do governo.

Quando se esta governando a coisa muda.

O PSOL, por exemplo, começou radicalizando no governo do município de Itaocara, no Rio de Janeiro.

Só que acabou pedindo arrego pro Garotinho prá salvar seu prefeito de um processo de impeachment.

É que a oposição tem 10 das 11 cadeiras do parlamento de lá.

O PMDB de Cabral tem 5 vereadores.

O PR de Garotinho tem 5.

E o PSOL apenas uma.

O que fez então o PSOL?

Mandou o Marcelo Freixo ligar pro Garotinho e tentar um acordo.

Os dois se encontraram, chegaram a um acordo e o processo de impeachment foi suspenso com a intervenção providencial de Garotinho.

Em troca de que, não sei.

Mas isso mostra que, se estivesse no lugar do PT, no governo federal, o PSOL faria exatamente o que o PT tem feito.

Pois se nem numa pequena prefeitura do interior conseguiu sustentar o radicalismo que mantém enquanto está na oposição, imagine governando o país, condição em que se está sujeito a pressões muito maiores.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

As incoerências do PSOL. Debate com Geyse Leopoldo.

A decisão da direção nacional do PSOL de liberar seus filiados para votarem nulo ou em Dilma no segundo turno, indicando Aécio Neves como o inimigo principal a ser batido para evitar maiores danos ao país e prejuízos aos trabalhadores, foi avaliada por muita gente, inclusive da base do próprio PSOL, como uma incoerência do partido, que sempre defendeu a tese de que PT e PSDB são a mesma coisa.

Da corrente de opinião que não vê nesta posição incoerência, Geyse Leopoldo, ex-companheira do PT, agora simpatizante do PSOL, publicou no Facebook, em 28/10/2014, um diagrama e um texto tentando explicar seu ponto de vista, inaugurando um pequeno debate, do qual participei, enquanto a tolerância às críticas que eu fazia ao partido da preferência dela permitiu. A partir daí, baixou a censura e nossa amizade no Facebook, infelizmente, teve que ser encerrada. Reproduzo abaixo o nosso diálogo.

GEYSE
"Percebi que algumas pessoas tiveram dificuldade de compreender o que se passou nas eleições, por isso resolvi ajudar. Por favor, observem este conjunto de setas. 
Como podem perceber, uma segue adiante (centro), uma vai para a esquerda e outra vai para a direita. Tudo bem até agora?

Quando as pessoas foram às ruas, elas queriam mudanças, ou seja, queriam mudar a seta que seguia em frente. Porém, boa parte delas (especialmente estas que compõem a maioria dos meus amigos) queria que a seta seguisse para a esquerda. Assim, votaram naquela mudança representada por partidos como o Psol. Ok?

No segundo turno, a opção apresentada como "mudança" não era mais a seta para a esquerda, mas sim a seta para a direita. Desta forma, as pessoas que protestaram por mudanças tiveram que optar entra a seta que seguia adiante (ainda que inclinadinha pra direita) e a seta totalmente voltada para a direita. Assim, muitas pessoas politizadas, engajadas, informadas e de esquerda entenderam que a melhor opção era seguir adiante. Certo?

Bem, tentei ser bastante didática para que entendam que não há uma incoerência entre ir às ruas protestar por melhorias e depois votar na continuidade. É só apresentarem uma opção pior, pois assim é como se não houvesse opção por melhoria diante da continuidade.

FIM."

TIAGO
"Já eu preferi ser coerente e não votar em FDP nenhum, porque não compactuo/ aceito nada do que está aí."

GEYSE
"Thiago, conheço muitas pessoas que fizeram o mesmo que você e não os julgo. Porém, como brasileira que mora no Brasil e é servidora público do governo do estado do Rio de Janeiro, seria incoerente da minha parte me omitir de escolher meu presidente e meu chefe! hehe

Então, por mais que não me representem inteiramente, optei por não anular. Tentei escolher a melhor opção possível e agora... voltamos à luta, né?"

TIAGO
"Eu entendo. Eu concordo (aliás sempre disse) que a Dilma, no frigir dos ovos era o menor dos males..."

SILVIO MELGAREJO
"A posição do PSOL neste 2º turno, apesar de compreensivelmente envergonhada, tinha um sentido muito claro. 

Era preciso impedir a vitória de Aécio Neves, porque o retorno do PSDB à presidência da república seria um retrocesso. 

E é aí que está razão para a vergonha.

Ora, considerar que a volta do PSDB seria um retrocesso nada mais é do que admitir que os governos do PT trouxeram avanços para o país, algo que o PSOL sempre negou, igualando os dos partidos e os dois governos.

E que avanços seriam estes? 

Três merecem destaque por corresponderem a bandeiras históricas da esquerda mundial e por terem se dado numa conjuntura econômica mundial adversa.
1º - O Brasil saiu do mapa da fome da ONU.
2º - O Brasil tem hoje as mais baixas taxas de desemprego da sua história.
3º - O Brasil valorizou os salários de todos os seus trabalhadores, tendo o salário mínimo recuperado, em 10 anos, 70% do seu poder de compra.
Durante os protestos de junho de 2013, Guido Mantega disse em uma audiência pública na Câmara:
'Nas manifestações, não vi ninguém perguntando: "cadê o meu emprego?"'
E era verdade. 

Ao contrário do que se via na Europa, ninguém protestava contra o desemprego, porque o desemprego era baixíssimo.

Ninguém protestava também contra o arrocho salarial, porque não havia arrocho salarial, ao contrário, os salários estavam sendo valorizados.

E ninguém protestava contra a fome e a miséria porque todos sabiam que a fome e a miséria já estavam sendo combatidas com sucesso pelos governos do PT.

Mas o combate ao desemprego, ao arrocho salarial, à fome e à miséria, não estiveram ausentes apenas da pauta dos manifestantes de junho de 2013. 

Estas bandeiras estiveram ausentes também da pauta do PSOL na eleição presidencial de 2014. 

É só ver a nota que o partido lançou para se posicionar no 2º turno. Diz a nota:
NOTA DO PSOL
'É preciso também afirmar que, diante do que foi o seu governo e sua campanha eleitoral, Dilma está distante do desejo de mudanças que tomou as ruas no ano passado. Seu governo atuou contra as bandeiras mais destacadas de nossa campanha, como:
- a taxação das grandes fortunas, 
- a revolução tributária que taxe os mais os ricos e menos os trabalhadores, 
- a auditoria da dívida pública, contra a terceirização e a precarização das relações de trabalho, 
- fim do fator previdenciário, 
- a criminalização da homofobia e a defesa do casamento civil igualitário, 
- uma nova política de segurança pública que acabe com a “guerra às drogas” e defenda os direitos humanos, 
- a democratização radical dos meios de comunicação, 
- o controle público sobre nossas riquezas naturais, 
- os direitos das mulheres, 
- a reforma urbana, 
- a reforma agrária e  
- a urgentíssima reforma política, que tire a degeneração do poder do dinheiro nas eleições, reiterado neste pleito, mais uma vez. 

Por tudo isso, se Dilma vencer o segundo turno, o PSOL seguirá como oposição de esquerda e lutando pelas bandeiras que sempre defendemos, inclusive durante a campanha eleitoral.'
Cadê o desemprego?

Cadê o arrocho salarial?

Cadê a fome e a miséria?

Como se vê, não estão na nota do PSOL, como não estavam nos protestos de junho de 2013, pela razão muito simples de que os governos do PT enfrentaram e venceram esses problemas.

O PSOL não perdeu porque nunca chegou a ter as bandeiras do emprego, do salário e do combate à miséria. Essas bandeiras, durante a última década, sempre foram e vão continuar sendo do PT.

E são bandeiras históricas não só da esquerda brasileira, mas da esquerda mundial, que o PSOL abandonou, prá não reconhecer os avanços alcançados pelos governos petistas e tentar se valorizar como alternativa de esquerda.

Mas que esquerda é essa do PSOL?

Esquerda que não valoriza a defesa do emprego?

Esquerda que não valoriza a elevação dos salários?

Esquerda que não valoriza o fim da fome e a drástica redução da miséria?

O PT, ao contrário do PSOL, prova com as ações de seus governos que tem compromisso real com estas bandeiras históricas da esquerda e da classe trabalhadora do Brasil e do mundo.

Mas o que valoriza ainda mais essas vitórias alcançadas pelo país governado pelo PT é o fato de elas terem se dado num contexto econômico internacional e num contexto político nacional inteiramente adversos. 

O mundo vive desde 2008 uma crise econômica que tem destruído milhões de postos de trabalho, reduzido salários e abolido direitos sociais e trabalhistas.

Pois os governos do PT, em meio a essa grave crise, fizeram um movimento inverso, adotando uma política econômica que priorizou a defesa do emprego, do salário e dos direitos sociais e trabalhistas.

É bom lembrar que a esquerda brasileira não chega a ter nem 1/3 das cadeiras do parlamento. 

Ou seja, o PT conseguiu fazer um governo que, em meio à crise, garantiu empregos, elevou salários e acabou com a fome, contra um Congresso e contra uma mídia completamente dominados pela direita.

'Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado', dizia Marx em seu 18 Brumário. 

O PT está escrevendo sua história junto com o povo brasileiro, de acordo com circunstâncias desfavoráveis aos seus objetivos e que são inteiramente alheias à sua vontade. 

O PSOL quer discordar de Marx mas é difícil sustentar essa posição.

Se estivesse no governo federal, o PSOL ignoraria o fato de ser minoria no parlamento. 

Faria certamente como seu prefeito em Itaocara, que foi para o tudo ou nada contra a maioria oposicionista da câmara municipal, dominada por Cabral e Garotinho. 

Quando a oposição abriu processo de impeachment contra ele, o PSOL lembrou de Marx e mandou Freixo ir negociar com o Garotinho, que aceitou ajudar, não se sabe em troca de que.

É fácil condenar os acordos pela governabilidade feitos pelos outros, quando não se está no governo.

Agora, fazer acordos sem transparência, como este do Freixo com o Garotinho, e condenar os acordos feitos pelo PT para garantir a governabilidade, é no mínimo uma hipocrisia.

O PSOL sabe muito bem o que teriam feito os tucanos se estivessem governando o país durante a crise. 

Sabe muito bem o que fariam Aécio e Armínio Fraga se ganhassem essa eleição. 

Os tucanos, se eleitos, desmentiriam a propaganda psolista que iguala PT a PSDB.

Portanto, o voto do PSOL em Dilma foi incoerente, sim, com seus discursos e posicionamentos em relação ao PT e seus governos. 

Quem votou nulo foi coerente. 

Quem votou em Dilma foi incoerente.

Afinal, se se acredita que Lula e Dilma governaram como FHC, e se se acredita que o PT é igual ao PSDB, seria indiferente ter o país governado no próximo período pelo PT ou pelo PSDB, por Dilma ou por Aécio Neves. 

Se é tudo a mesma coisa, como sempre ouvi dos psolistas e da sua candidata, Luciana Genro, nos debates, a vitória de Aécio não ia mudar nada. 

Ou seja, na prática a 'esquerda coerente' do PSOL tem tanto de coerência quanto de novo tem a 'nova política' de Marina Silva. Nada.

Sobre os sentidos políticos. 

Quando o PSOL renuncia às bandeiras do combate ao desemprego, ao arrocho salarial e à miséria, e se apresenta como alternativa a um partido e a um governo que, em meio a uma crise econômica mundial, abraçam firmemente essas bandeiras, que são e sempre foram da esquerda, o PSOL está se alinhando na prática à direita.

Não só porque abandona bandeiras históricas da esquerda, mas também porque o faz incorporando o discurso da direita, que nega ou relativiza os avanços econômicos e sociais havidos no país, ao mesmo tempo em que criminaliza o PT. 

Agindo assim, o PSOL acaba servindo como linha auxiliar da direita em seu esforço para desgastar a imagem do PT e frear os avanços de seu governo.

Na luta contra a desigualdade social, o PT está muitíssimo à esquerda do PSOL porque implementou no governo uma política econômica e programas sociais que tiveram resultados espetaculares do ponto de vista dos trabalhadores, enquanto o PSOL abandonou até mesmo o discurso de defesa do emprego e do salário e do combate à miséria e à fome, substituindo-o pelo mesmo discurso hipócrita e falso-moralista dos tucanos em relação ao tema da corrupção.

Toda mudança é um processo. 

E o PT iniciou um processo de mudanças no Brasil que nunca parou desde o início do governo Lula. 

E não tem sido quaisquer mudanças. 

Tem sido mudanças no sentido da redução de todas as desigualdades. 

Ou seja, o Brasil tem mudado para a esquerda. 

Porque a luta por mais igualdade é uma luta da esquerda. 

Não reconhecer que este é o sentido das mudanças havidas nos últimos 12 anos é o que gerou esse racha no PSOL, com uns defendendo coerentemente o voto nulo e outros defendendo o voto em Dilma e tendo que fazer malabarismos retóricos e gráficos para tentar mostrar nexo onde não há.

Há uma evidente contradição entre o discurso do PSOL e sua posição no 2º turno da eleição presidencial. 

A posição está certa.

O discurso é que está errado."

GEYSE
"Silvio,  quando eu penso que escrevi muito, você me vem com um testamento desses!!!

Acho que você tem grandes doses de razão e concordo com bastante da sua argumentação. Os governos do PT sem sombra de dúvida trouxeram grandes avanços e você citou três dos mais importantes, fato. Meu voto na Dilma teve essa consciência, além da óbvia aversão ao Aécio. Você também tem muita razão em relação à dificuldade de realizar um governo com bandeiras de esquerda em meio a um congresso e uma mídia ultraconservadores, em sua maioria. A dita 'governabilidade' tem seu preço e o PT o está pagando.

Não concordo tanto com sua avaliação sobre as posições do Psol que, embora radicais, não chegam a negar os avanços sociais dos governos petistas. O Psol é oposição de esquerda crítica e tem uma função extremamente relevante, especialmente no legislativo. Não creio que o Psol desvalorize a redução do desemprego, a elevação dos salários, a realização de concursos públicos, a redução da fome e da miséria. Nunca vi essa desvalorização no discurso do Freixo, do Chico, do Jean, do Cinco. Pelo contrário, estes políticos reconheceram os avanços e o Jean chegou a fazer uma 'quase campanha', inclusive posando pra foto com a Dilma pós-eleito. 

Enfim, acho um pouco injusta sua avaliação. Se o Psol não puxar pra esquerda, o equilíbrio político do PT necessariamente se deslocará para a direita. Para enfrentar um Feliciano, é necessário um Jean Wyllys. A crítica do Psol não só é válida quanto necessária ao governo do PT, senão a pauta será definida por Bolsonaros e Kátias Abreu sem contraposição. Dou graças à participação da Luciana Genro nos debates, senão quem falaria em legalização do aborto, da maconha e criminalização da homofobia? O PT está rendido às bancadas evangélica e ruralista em nome da governabilidade, e eu compreendo, mas como evoluir sem a crítica??

Por isso, acho que o Psol é coerente em sua posição de oposição, papel que um dia teve o PT, lembre-se. E o discurso não era tão diferente do que hoje o Psol adota, certo? Dizer que o Psol abandonou bandeiras históricas da esquerda é um tremendo exagero.

O PT está anos-luz à frente do Psol em realizações porque tem muitos anos a mais de estrada, figuras políticas de muito destaque e uma base popular ainda muito forte, algo que o Psol vem montando aos poucos e possivelmente nunca chegará ao ponto em que chegou o PT. E não sei se o Psol almeja chegar, sinceramente, pois são projetos de poder muito distintos.

Daí... Que não vejo incoerência, pelo contrário, vejo coerência e me identifico, e acho até que o PT deveria agradecer por uma oposição crítica de esquerda pra tentar equilibrar posições em um contexto tão tão tão conservador, em que até um partido de centro-esquerda, em nome da governabilidade, acaba se perdendo um pouco."

SILVIO MELGAREJO
"Geisy. A oposição que o PSOL faz não equilibra a disputa entre esquerda e direita. Ao contrário, fortalece a direita. Vou te dar dois exemplos. 

O primeiro é o apoio que o PSOL deu à direita para a extinção da CPMF, retirando 40 bilhões de reais anuais da saúde. A intenção da direita era impor uma derrota ao PT e sabotar seu governo. E estou certo de que a do PSOL também. Senão estaria até hoje alardeando os benefícios do fim da CPMF para os trabalhadores, o que nunca aconteceu. Os trabalhadores não ganharam nada. A saúde perdeu. Só a direita e o PSOL ganharam alguma coisa, que foi o gozo efêmero de uma vitória que só pode envergonhar a um partido de esquerda.

O outro exemplo que te lembro do tipo de oposição que o PSOL tem feito ao PT é o endosso do partido à tese da direita de que houve mensalão no governo petista, ou seja, desvio de dinheiro público para compra de votos, e o apoio que deu a um julgamento fraudado, inteiramente manipulado pela mídia conservadora, engrossando o coro liderado pela direita que tratava os petistas como criminosos e os chamava de mensaleiros. 

A oposição de esquerda deve ser crítica, mas não precisa ser desonesta. O PCO tem as mesmas críticas que o PSOL ao PT. Mas não embarcou nessa de endossar a tese do mensalão. Ao contrário, repudiou-a, denunciando-a como farsa armada pela direita para criminalizar o PT.

Quanto à questão da governabilidade, penso que o PSOL usa dois pesos e duas medidas. Condena os acordos que o PT faz, mas faz também os seus acordos secretos, como no caso de Itaocara.

Dois pesos e duas medidas, o PSOL também usa quando trata de corrupção. Senão, o que explica a proteção que tem dado a Janira Rocha?"

GEYSE
"Silvio, é complicado, porque eu acho que concordo com o Psol tanto no caso da CPMF quanto no caso do mensalão - fato que basicamente deu origem ao partido, com a saída de nomes de peso do PT, como Chico Alencar e Heloísa Helena, entre tantos outros.
Digo 'acho' porque minha avaliação não é tão aprofundada, mas tendo a seguir políticos que admiro e a explicação dada pelo Jean para o caso do mensalão, por exemplo, embora um tanto diferente da divulgada pela mídia, é bastante convincente pra mim.
O Chico não ganhou muito saindo do PT, além de manter sua reputação política inabalada.
O PT não é perfeito, errar faz parte. O PT merece muitas críticas.
O PCO não existe, Silvio.
Olha, o caso de Itaocara ensinou muito ao Psol, mas cá entre nós... Curti a forma como os secretários municipais foram escolhidos. Quando o PT conseguiria fazer semelhante dentro de sua lógica atual?

Bem, como disse, acho que o caminho do Psol é aumentar suas bancadas no legislativo e se firmar como oposição de esquerda, função que exerce muito bem. Não creio que queria seguir fielmente a escola petista de política. O projeto é diferente.

No caso da Janira, abafaram o caso, mas ela não foi reeleita nem teve destaque na última campanha. Melhor assim. O Psol tb não é perfeito, mas ainda tem menos desculpas a apresentar que o PT."

SILVIO MELGAREJO
"Para mim, a reputação política do Chico Alencar foi destruída. Eu era eleitor dele e hoje o tenho como um homem desonesto.

Ele não tem o direto de desconhecer documentos públicos que provam a inexistência do mensalão.

O PSOL foi fundado em 2004. As denúncias do mensalão foram em 2005, quando o PSOL já existia. Portanto o PSOL não foi criado por causa do mensalão.

Você concorda com a retirada de 40 bilhões de reais anuais da saúde?"

GEYSE
"E quando que esses 40 bilhões foram de fato usados na saúde, gente?"

SILVIO MELGAREJO
"Na discussão sobre a prorrogação da CPMF foi proposta uma cláusula que vinculava o uso da contribuição exclusivamente para a saúde. A direita e o PSOL negaram.

Eu não sei que explicação o Jean Willys deu para o caso do mensalão. 

Eu sei é que li documentos que fazem parte dos autos do processo, que me deram a convicção de que não houve desvio de dinheiro público. 

O Banco do Brasil fez várias auditorias e até hoje não acusou desvio nenhum.

Compra de votos? 

Aonde as provas de que houve? 

Quem recebeu quanto para faze o que? 

E quando? 

Nada disso foi demonstrado. 

O jurista Ives Gandra, que não tem nada de petista, leu o processo todo e disse com todas as letras numa entrevista que não havia prova nenhuma contra José Dirceu. E ainda assim ele foi condenado.

É bom lembrar que Dirceu foi cassado por causa da denúncia de Roberto Jefferson.

Mas Roberto Jefferson foi logo em seguida também cassado.

Sabe porque?

Por ter feito a denúncia contra Dirceu sem apresentar provas.

O PT cometeu um crime que foi assumido desde que houve as denúncias.

O crime foi uso de caixa 2 de campanha, crime eleitoral que o próprio PSOL já cometeu segundo a Janira Rocha, em gravação feita sem o seu conhecimento e que foi amplamente divulgada. 

Nesta gravação Janira trata com dirigentes do Sindsprev/RJ do desvio de dinheiro do sindicato para financiamento das campanhas eleitorais do PSOL. 

Se fosse o PT, isso estaria sendo explorado pela Globo até hoje. Como envolve o PSOL, que tem sido muito útil à Globo, os irmãos Marinho resolveram abafar o caso. 

Mas o que mais me causa repulsa é o cinismo de gente como Chico Alencar, que sabe que não houve mensalão petista, que sabe que seu partido desviou dinheiro de sindicato, e ainda posa de honesto acusando o PT de corrupto.

O PSOL, Geisy, nem precisou chegar ao poder para se corromper. Veja as notícias abaixo:

Parte da verba do Sindsprevi/Rio teria sido usada para fundar PSOL

O QUE TEME A DIREÇÃO NACIONAL DO PSOL? POR QUE PROTEGE JANIRA? 
'Briga no Psol - A direção nacional do Psol cortou o repasse do fundo partidário (dinheiro do governo federal) para o diretório do partido no Rio. Tudo por conta da exclusão de Janira Rocha da propaganda eleitoral na TV. A deputada é acusada de reter parte do salário de funcionários e de desviar dinheiro do SindsPrev para sua campanha.'

Em gravação, Janira Rocha admite desvio de recursos para uso político

O ÁUDIO DA CONFISSÃO

Quer dizer que o PSOL é honesto e o PT é que é o corrupto?

 '... ou fundar o PSOL foi barato?' (Janira Rocha)"

GEYSE
"Silvio, não sei pra que entrar nesse debate contigo agora. Não sou psolista, muito menos petista, não tenho porque defender um ou outro. Falei acima que o Psol não é perfeito, nem nunca foi nem nunca será. O caso da Janira a gente já conhece. Não sei pra que esse seu dossiê agora. Você quer que eu chegue à conclusão de que o PT é melhor? Não vai acontecer, desculpa. Você mudou o rumo da conversa e ficou chato. Fanatismo é sempre chato, por isso não quero ser defensora de partido nenhum. Bem, é isso."

SILVIO MELGAREJO
"Fanatismo é o apego irracional a uma crença. Não é este o meu caso. Defendo posições sempre tomando como premissas fatos que podem ser confirmados de alguma forma por meu interlocutor. Se há algum raciocínio, partindo destes fatos que tomo como premissas, que você considere incorreto, peço que diga. 

Se você não questiona o valor das premissas dos meus raciocínios e chegamos a partir delas a conclusões diferentes, alguém está errado, e eu gostaria imensamente de saber se sou eu para não continuar em erro e para não seguir induzindo outros a erro. 

Não é verdade que eu mudei o rumo da conversa. O tema do seu primeiro post é coerência. É uma tentativa de mostrar aos psolistas críticos do voto em Dilma que isso não é uma incoerência. 

Eu me manifestei inicialmente concordando com esses críticos. E todos os meus demais posts foram respostas a comentários seus tratando o tempo todo do tema da coerência política. 

Recentemente critiquei uma declaração do ex-presidente do PSB, Roberto Amaral, que disse que seu partido tinha traído a própria história ao declarar apoio a Aécio Neves. 

Eu disse que a traição começou com a adesão do PSB ao programa ultra-neoliberal de Marina Silva, que ocorreu com a aprovação dele. 

Ouvi, então, de um petista que 'coerência é para Deus e as crianças'. Eu não concordo. 

Prá mim a coerência continua sendo um dos mais importantes valores da política, porque é ela que indica o grau de compromisso que se tem com os valores, com as causas e com as pessoas.

Eu nunca disse que quero te convencer de que o PT é melhor do que o PSOL. 

Não tenho culpa se meus argumentos te levam a essa conclusão e lamento muito que isso te deixe tão zangada. 

Tão zangada que me acusa injustamente de fanático sem perceber o fanatismo que se expressa nessas suas palavras:

'Você quer que eu chegue à conclusão de que o PT é melhor? Não vai acontecer, desculpa.'

Dizia Alan Kardec que 'Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade'. 

Acredito que isso valha também para a fé política."

GEYSE
"Silvio, já entendi seus argumentos, só não quero me alongar numa discussão pra saber se Psol é melhor que o PT ou se o PT é melhor que o Psol. Coerência é algo em falta no mundo, não quero cobrar isso nem de mim, quanto mais de um partido político, veja bem. É que você fez mil posts falando do Psol e da Janira, mas... e daí??? Você espera que eu chegue a que conclusão com isso? Que o Psol não é perfeito? Isso eu já sei, ora... Podemos finalizar agora?"

SILVIO MELGAREJO
"O PT é muito cobrado. Inclusive pelo PSOL. Você diz, inclusive, aqui mesmo nesta discussão, que o PT deveria agradecer ao PSOL pelas críticas que recebe. Mas não gosta e não admite que o PSOL seja criticado. Enfim...

Não vou te incomodar mais. Meu assunto é política e se você não quer ouvir o que tenho a dizer sobre política acho melhor puxar meu barco. Ler postagens e não poder responder não tem a menor graça. Me sinto censurado e isso não é uma boa.

Atendendo ao seu pedido, podemos finalizar."