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sexta-feira, 10 de junho de 2016

O povo não quer Temer, nem Dilma. Vamos fingir que não sabemos disso? (Debate 3)

Continuando o debate na lista de e-mails do 1º Diretório zonal do PT-Rio/RJ sobre o meu texto "O povo não quer Temer, nem Dilma. Vamos fingir que não sabemos disso?" (04/06/2016), que lá divulguei, respondi a mais um comentário do companheiro C.N.O. - que reproduzo ao final deste post - nos seguintes termos:

Companheiro C.N.O.

Você diz:
- "No debate pragmático o PT sempre ganha."
Isso foi ironia ou ato falho, companheiro?

***

Dilma quase perdeu a eleição porque passou o primeiro mandato inteiro tratando de gestão e esquecida da política. Orientou a sua atuação por uma concepção equivocada da presidência da república como função exclusivamente administrativa, negando-se, no dia a dia, a fazer a disputa política com a oposição. A oposição acabou crescendo exatamente no espaço aberto por esta omissão da nossa presidenta. Quando veio a campanha eleitoral e ela foi obrigada a fazer a disputa, mesmo com todas as conhecidas limitações de expressão que tem, acabou vencendo.

As motivações de quem comanda o golpe são múltiplas, o golpe não se justifica só pelo medo de perder a eleição de 2018 para Lula. É isso também. Mas há, antes de tudo, a urgência da burguesia, pressionada pela crise internacional, de impor um programa de governo que lhe permita aumentar a taxa de lucro da sua produção e os rendimentos das suas aplicações financeiras. Não menos relevante é o interesse das petroleiras americanas na abertura dos campos do Pré Sal, com a mudança do regime de exploração vigente.

Ocorre que estes interesses dos "patrões" do golpe não são de agora, nem nasceram em 2015, já estavam presentes na eleição presidencial de 2014, representados pelas candidaturas de Aécio e Marina. O problema deles é que foram derrotados. E o problema nosso, da esquerda, é que após a vitória começamos a ver o programa de governo derrotado ser aplicado pela presidenta que elegemos.

Apenas um mês depois do anúncio do resultado do pleito, Dilma nomeou Joaquim Levy para o ministério da fazenda, sinalizando para a burguesia e sobretudo ao mercado financeiro o tipo de política econômica que podiam esperar do seu segundo mandato, O problema da Dilma é que este sinal foi muito bem entendido também pelos economistas e entidades dos movimentos sociais que ajudaram a elege-la. Houve protestos, que ela ignorou solenemente. Veio o anúncio do ajuste fiscal e os protestos aumentaram, pedindo mudança na política econômica e a saída do ministro da fazenda. Dilma disse: "Levy fica, porque eu concordo com a política dele".

Levy ficou. A recessão, prevista pelos economistas críticos do ajuste, avançou, provocando aumento do desemprego. Com isso a base social de apoio ao governo se esfarelou. E aí, com o governo fraco, sem base social de apoio quase nenhuma na sociedade, a alternativa do golpe se tornou viável para a oposição. A qualidade moral e política da linha sucessória criada por Lula e pelo PT para a presidenta tornou o projeto ainda mais promissor.

Em 2005, José Alencar praticamente botou prá fora de sua sala um grupo de políticos que foi lhe perguntar se ele assumiria a presidência da república, caso fizessem o impeachment de Lula. Disse a eles: "Entrei com o presidente Lula no governo e vou sair junto com ele". Michel Temer não teve com Dilma esta lealdade e quem já o conhecia não se mostrou surpreso.

De modo que, a meu ver, a iniciativa do golpe se deu por uma combinação de necessidade, da burguesia, com oportunidade, criada pelos erros da própria Dilma, de Lula e do PT.

***

Sobre o Lula.

O Lula continua sendo, como se vê na pesquisa da CNT/Sensus (8/6/2016) o candidato mais forte e o maior cabo eleitoral do país para as próximas eleições presidenciais. Por isso, apenas por isso, acredito que será preso. Mas ele mesmo disse o seguinte, ao sair do depoimento que deu em março, após ser conduzido, no dizer do ministro Marco Aurélio, "sob vara":
- "A partir de agora, se me prenderem, eu viro herói. Se me matarem, viro mártir. E, se me deixarem solto, viro presidente de novo."
Não duvido nenhum pouco disso. O Lula, livre, preso ou morto é e será sempre um problema para a direita brasileira. Em certa medida e por razões diversas, evidentemente, também é e será sempre problema para a esquerda. Refiro-me às ilusões que ele demonstra ter em relação à burguesia e ao capitalismo, das quais se alimenta a liderança excessivamente conciliadora que tem caracterizado a sua atuação política. Mas hoje o Lula é um problema muito maior para a direita do que para a esquerda, isto é indiscutível. E a direita sabe disso, por isso empenha-se tanto em destruir a sua imagem pública e botá-lo na cadeia. Livre, preso ou morto, Lula será presença certa nas próximas eleições presidenciais, este ano ou em 2018. Se não for como candidato, será como cabo eleitoral, e se não for como cabo eleitoral será como forte inspiração para a escolha do voto e para a militância política de milhões de brasileiros, inclusive da esquerda mais combativa.

Por tudo isso não conto com Lula para candidato e nem acredito que a candidatura dele seja condição para uma vitória da esquerda. A esquerda tem o melhor programa de governo, a mais numerosa, qualificada e aguerrida militância, e ainda mais o grandioso legado de três mandatos presidenciais bem sucedidos. Isso tudo é razão de sobra para acreditarmos que é eleitoralmente viável, mesmo sem ter Lula como candidato. Se não formos sectários, nós do PT podemos chegar a um acordo com a maior parte das outras forças de esquerda para o lançamento de uma candidatura única, que não precisa necessariamente ser de um petista. Para se chegar a isso, no entanto, é preciso que tenhamos consciência das nossas atuais limitações políticas e organizativas, do desgaste de imagem que a nossa sigla sofreu e do quanto a busca de unidade com os outros partidos de esquerda se tornou importante para a salvação e avanço do nosso projeto.

O sectarismo é, portanto, a meu ver, o mal que mais pode fragilizar a esquerda brasileira e inviabilizar o avanço do seu projeto político para o país. Força para resistir e vencer as tentativas que virão de tentar destruí-los, Lula e o PT só poderão conseguir através da construção de uma sólida e perene aliança com o restante da esquerda e com as massas trabalhadoras. Por isso é importante dialogar com as outras forças de esquerda, sem sectarismo. E por isso é fundamental dialogar com as massas trabalhadoras. Sem esquecer, é claro, que diálogo não é só falar. Diálogo é também ouvir, dando atenção a quem nos fala. O que pensam e o que querem as outras forças políticas de esquerda do Brasil? E o que pensam e querem os trabalhadores e trabalhadoras?

Silvio Melgarejo

10/06/2016


Abaixo, o comentário a que se refere o texto acima.

***

Comentário do companheiro C.N.O. (08/06/2016)


No debate pragmático o PT sempre ganha.Mas não podemos esquecer que a Dilma ganhou por uma diferença mínima.Deram o golpe porque sabiam que correriam o risco de perder pela quinta vez se fosse o Lula o candidato em 2018.Resta saber se o Lula será o candidato em uma eleição presidencial este ano ou em 2018.Não podemos esquecer que o presidente do TSE é o Gilmar Mendes.Será que o Lula vai estar livre em 2018?Eles vão continuar tentando tudo para acabar com o PT e o Lula.
Att,
C.N.O.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Pontos sobre a luta contra o golpe.

1) Estratégia errada

Pesquisas de vários institutos mostram que a maioria da classe trabalhadora não quer Temer, nem Dilma, quer eleger um novo presidente da república. Portanto a estratégia que pode mobiliza-los não é o “Fora Temer, volta Dilma”, é o “Fora Temer, eleição já”. A verdade é que o trabalhador não está se importando nenhum pouco com o golpe. Ele não se move para defender democracia - é o que tem-se visto -, move-se para defender direitos que compreenda, tenha consciência de fazer jus e que julgue terem sido violados ou estarem ameaçados. A imensa maioria ainda não conhece Michel Temer e por isso deve ter ainda alguma esperança de que ele possa fazer algo de bom. A esquerda deve, por isso, acompanhar pacientemente a experiência das massas com o governo Temer, denunciando o seu programa de governo, criticando as suas ações e comparando-as com as ações dos governos Lula e Dilma ou apresentando novas propostas alternativas.

É preciso que se entenda de uma vez por todas que o mandato de Dilma está perdido porque o povo não a quer de volta, e que o objetivo da esquerda agora deve ser derrubar o governo Temer e eleger um novo governo de esquerda. É preciso oferecer ao povo uma saída para a crise do país que o motive a sair do imobilismo e entrar de vez no jogo político, para restabelecer a democracia. E o caminho para isso só pode ser através da antecipação da eleição presidencial, onde a esquerda denuncie o golpe sofrido por Dilma e lance uma campanha nacional pela realização de um plebiscito por eleições gerais. A bandeira do “Fora Temer, volta Dilma” não tem potencial nenhum de mobilização, exatamente por causa do elevado índice de desaprovação do governo da presidenta. Quem não se mobilizou para impedir o afastamento de Dilma não se mobilizará pelo seu retorno.

2) Tática errada

Formas de luta mais radicais, como fechar ruas e estradas, só funcionam como fatores de propaganda e mobilização se os trabalhadores entenderem e concordarem com as suas motivações. Senão são desaprovadas e provocam antipatia e rejeição ao movimento.

3) PT e Frente Brasil Popular

A melhor maneira de o PT contribuir para o fortalecimento da Frente Brasil Popular é organizar e mobilizar a sua própria base de 1,7 milhão de filiados. É preciso que se faça um pacto nacional entre base e dirigentes pela organização e funcionamento pleno dos diretórios. Aos dirigentes do PT deve-se impor, de cima para baixo, a disciplina necessária para que cumpram adequadamente as obrigações que lhes são atribuídas pelo estatuto do PT. Porque o funcionamento do partido depende do funcionamento dos diretórios e o funcionamento dos diretórios depende da atuação dos seus dirigentes.

Sobre frente e partido, leia:

O PT e a frente de esquerda.

sábado, 30 de abril de 2016

PCdoB apoia eleição para derrotar o golpe.

Finalmente, a razão e o bom senso começam a prevalecer. Ontem (29) o PCdoB aprovou uma resolução que defende a antecipação da eleição presidencial, convocada através de um plebiscito, para impedir que os golpistas atinjam seu objetivo de tomar o poder à revelia do povo. Diz um trecho da resolução:
“Ante o risco iminente de ruptura de um ciclo contínuo de 31 anos de democracia – que, se concretizado, irá provocar uma fratura institucional de graves consequências –, ante tão grave ameaça, o PCdoB apresenta para o exame das amplas forças democráticas do país a proposta de que seja realizado um plebiscito, no qual o povo, no exercício de sua soberania, decida sobre a convocação imediata de eleições presidenciais. O plebiscito está grafado na Constituição e a soberania do voto popular é o alicerce no qual está erguida a Carta Magna.

O país caminha para um impasse, para divisões, para o encastelamento de um governo ilegítimo, quando, exatamente para superar a crise política e econômica, a Nação precisa de coesão, de legitimidade e de mais democracia. Somente a soberania do voto popular poderá oferecer ao país esses atributos e qualidades. Um presidente sem votos não será um presidente, será um impostor. Não unificará o Brasil, irá dividi-lo.

Que diante dessa grave ameaça, desse impasse, o povo seja chamado a decidir pelo melhor caminho para se restaurar a democracia. Para o PCdoB, esse caminho são as eleições presidenciais diretas, já!

A luta pela realização do Plebiscito, por eleições já para presidente, seria levada a cabo simultaneamente à batalha contra o impeachment no Senado Federal, até o último minuto. E até a última etapa, que é o julgamento, lutaremos no Senado para derrotar o golpe."
Segue abaixo a notícia do site Vermelho, órgão oficial do PCdoB, e a íntegra da resolução aprovada pelo partido.


http://www.vermelho.org.br/noticia/280104-1


PCdoB: plebiscito por “diretas já” fortalece a luta contra o golpe


Reunida nesta sexta-feira (29), na sede do Comitê Central, a Comissão Política Nacional (CPN) do PCdoB aprovou como resolução política, para fortalecer a luta contra o golpe, “que o povo seja chamado a decidir pelo melhor caminho para se restaurar a democracia”. Para o PCdoB, “esse caminho são as eleições presidenciais diretas, já!”. Ao mesmo tempo, os comunistas renovam a defesa do governo Dilma Rousseff e a luta para derrotar o golpe em curso no Senado Federal.

Segue a íntegra da resolução assinada pela Comissão Política Nacional:

Plebiscito por “diretas já” fortalecerá luta contra o golpe!


Em 17 de abril último – depois de um ano e três meses de pesada ofensiva da oposição neoliberal, da grande mídia, de amplas camadas das classes dominantes em conluio aberto com setores do aparato jurídico e policial acoplados à Operação Lava Jato –, a Câmara dos Deputados abriu as portas para ser consumado um golpe de Estado no país, ao aprovar, por maioria de votos, a admissibilidade de um impeachment sem base jurídica, portanto, fraudulento, contra o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff.

A batalha decisiva está sendo travada, agora, no Senado Federal, que consolidará ou refutará o golpe. Por isto, a resistência democrática, nas ruas, nas tribunas, em atos e manifestos, canalizará suas ações para derrotar esse impeachment golpista no Senado, em todas as fases, até o julgamento desse processo. Nesta jornada, destacam-se as manifestações do 1º de Maio contra o golpe, em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores e do povo, fortemente ameaçados por uma pauta eivada de neoliberalismo selvagem do pretenso governo do golpista Michel Temer.

Nesta hora grave da história do país, o PCdoB apresenta – para exame das amplas forças democráticas e populares que lutam contra o golpe – a proposta de que venhamos a batalhar pela convocação de um Plebiscito no qual o povo seja chamado a decidir pela realização imediata de eleições diretas para presidente da República.

A vitória dos golpistas na Câmara maculada por fatos irrefutáveis

No golpe em andamento, não são usados tanques, nem metralhadoras, como em 1964, conforme frisou a própria presidenta Dilma, mas, igualmente ao que ocorreu naquela ocasião, foi rasgada a Constituição Federal e mutilada a democracia. 

Busca-se cassar um mandato, sufragado por 54 milhões de votos, de uma presidenta honesta, que não cometeu crime algum, conforme está patente na sua defesa – juízo corroborado por milhares de juristas e advogados, endossado por um elenco de personalidades do mundo das ciências, das artes e da cultura do país e respaldado pelo povo que foi e está nas ruas contra o golpe, em manifestações organizadas e espontâneas às quais se somaram e seguem a se somar centenas e centenas de milhares.

O processo da Câmara foi conduzido pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha, réu no Supremo Tribunal Federal (STF), investigado por crimes de corrupção por um número de inquéritos que se avoluma a cada semana, num acordo espúrio com o vice-presidente Michel, que se revelou um conspirador, e o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, um dos chefes políticos do golpe.

Pela barganha, Cunha, ostentando cinismo, se mantém no mandato e no posto, como até agora acontece. Temer pretende chegar ao Palácio do Planalto pela porta dos fundos, sem voto popular, e ao golpista Aécio, e ao seu partido, o PSDB, está prometido um quinhão do botim, um pedaço do pretenso governo Temer. 

Além de ser fruto dessa barganha, e também inconstitucional, o impeachment foi ungido numa sessão que envergonhou e indignou a opinião pública brasileira e mesmo estrangeira pelo que se viu, desde baixarias circenses até a apologia à tortura; e ainda, pelo que não se viu, conforme relatos na imprensa de negociatas inomináveis. Os golpistas venceram, mas se desnudaram, revelando-se quem verdadeiramente são ao vivo e a cores – para o espanto e o horror do povo.

A luta contra o golpe no Senado Federal

Confrontado, internamente, pelas forças democráticas e populares do país, contestado internacionalmente por instituições, personalidades e mesmo pela grande mídia de vários países, agora o golpe marcha no Senado que, em sessão prevista para o próximo dia 11 de maio, ou afastará a presidenta Dilma Rousseff do cargo, para em seguida julgá-la, ou arquivará o processo do impeachment.

Com o objetivo de conquistar os 54 votos necessários para o afastamento em definitivo da presidenta Dilma, Michel Temer, mesmo antes das deliberações do Senado, já “nomeia” ministros, distribui cargos – ao que, também, dá respostas às cobranças oriundas da Câmara por parte daqueles que votaram pelo impeachment sob a promessa de recompensas.

O PCdoB enaltece a resistência democrática que cresce e se eleva, sublinha o relevante papel de mobilização do povo e dos trabalhadores da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, da atuação corajosa das bancadas dos partidos de esquerda, PCdoB, PT, PDT, PSOL e de parlamentares de outras legendas, bem como aponta como indispensável a tomada de posição de amplos setores progressistas da sociedade, e conclama a todos para que sigamos juntos, revigorando as mobilizações e ações para persuadir e pressionar os senadores e senadoras a votarem em defesa da democracia, preservando o legítimo mandato da presidenta Dilma.

A luta articulada entre os senadores e senadoras que se opõem ao golpe e a resistência democrática nas ruas e em outros palcos irá a cada fase, a cada dia, através de uma agenda diversificada e crescente, desmascarar jurídica e politicamente o processo do impeachment e derrotá-lo.

A Nação sob grave ameaça
O Partido reitera a denúncia e reafirma sua posição: trata-se de um golpe contra a democracia, contra o povo e a Nação, tal e qual outros que infestaram a história da República.

Caso o golpe se imponha, longe de instaurar um governo de “salvação nacional”, como propagandeiam, entronizará um governo ilegítimo, cujos programa, pacto de classes, partidos e forças que o enlaçam indicam que enquanto ele durar será um governo de traição nacional, de desfiguração antidemocrática e antinacional da Constituição de 1988, de entrega da riqueza do Pré-Sal às multinacionais, de privatizações, de tutela do Banco Central pelo rentismo, de enfraquecimento dos bancos públicos enquanto alavancas do desenvolvimento, de corte de direitos trabalhistas e previdenciários, desmonte de programas sociais, retrocesso político e perseguição aos movimentos sociais.

Ilegítimo, o governo imposto não teria autoridade para tirar o país da crise, muito menos para pacificá-lo. Ilegítimo, será confrontado pelas forças democráticas e populares.

Plebiscito: que o povo decida o caminho para se restaurar a democracia!

Ante o risco iminente de ruptura de um ciclo contínuo de 31 anos de democracia – que, se concretizado, irá provocar uma fratura institucional de graves consequências –, ante tão grave ameaça, o PCdoB apresenta para o exame das amplas forças democráticas do país a proposta de que seja realizado um plebiscito, no qual o povo, no exercício de sua soberania, decida sobre a convocação imediata de eleições presidenciais. O plebiscito está grafado na Constituição e a soberania do voto popular é o alicerce no qual está erguida a Carta Magna.

O país caminha para um impasse, para divisões, para o encastelamento de um governo ilegítimo, quando, exatamente para superar a crise política e econômica, a Nação precisa de coesão, de legitimidade e de mais democracia. Somente a soberania do voto popular poderá oferecer ao país esses atributos e qualidades. Um presidente sem votos não será um presidente, será um impostor. Não unificará o Brasil, irá dividi-lo.

Que diante dessa grave ameaça, desse impasse, o povo seja chamado a decidir pelo melhor caminho para se restaurar a democracia. Para o PCdoB, esse caminho são as eleições presidenciais diretas, já!

A luta pela realização do Plebiscito, por eleições já para presidente, seria levada a cabo simultaneamente à batalha contra o impeachment no Senado Federal, até o último minuto. E até a última etapa, que é o julgamento, lutaremos no Senado para derrotar o golpe.

Finalmente, o PCdoB conclama sua militância e conjunto das forças populares e democráticas para que se empenhem ao máximo pela realização massiva e vitoriosa em todo o país do 1º de Maio e que a mobilização prossiga em variados palcos e formas.

São Paulo, 29 de abril de 2016

A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil – PCdoB

Silvio Melgarejo

30/04/2016


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/pcdob-apoia-elei%C3%A7%C3%A3o-para-derrotar-o-golpe/1271361772877219

sexta-feira, 18 de março de 2016

Começou a virada. Dia 31 de março, vamos botar o dobro de gente na rua!

Os atos de hoje pelo Brasil foram um sucesso indiscutível. Gol da esquerda democrática, no momento certo. Conseguiu mostrar prá direita, quando a direita acabava de dar uma demonstração de força, que o golpe não vai ser barato, que vai ter resistência forte, o que aumenta o risco de insucesso. Mas a guerra ainda não está ganha. E a próxima batalha já está marcada. A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo programaram um Dia Nacional de Luta unificado para 31 de março. E é preciso desde já trabalhar para garantir que esta próxima mobilização seja ainda maior do que a de hoje. Cada dia, cada hora e cada minuto, daqui até lá, devem ser investidos pela militância do PT, prioritariamente, no trabalho de base junto aos filiados do partido, para que a militância petista possa multiplicar o seu efetivo, aumentando o seu poder de ação nos bairros e nos locais de estudo e trabalho, para uma divulgação ampla e eficaz desta atividade na sociedade.

Em nota conjunta, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo assim anunciaram a decisão de realizar esta ação unificada.
31/03 - Dia Nacional de Mobilização

Nota sobre a mobilização nacional de 31/3

As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem dezenas de entidades do movimento social brasileiro, decidiram promover conjuntamente o Dia Nacional de Mobilização no próximo 31 de março, com uma Marcha a Brasília, além de manifestações em várias cidades brasileiras.

Os eixos da mobilização unitária são os seguintes:

As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem dezenas de entidades do movimento social brasileiro, decidiram promover conjuntamente o Dia Nacional de Mobilização no próximo 31 de março, com uma Marcha a Brasília, além de manifestações em várias cidades brasileiras.

Os eixos da mobilização unitária são os seguintes:
- CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA 

- CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRÁS

- EM DEFESA DO PRÉ-SAL

- NÃO A LEI ANTI-TERRORISMO

- CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

- NÃO AO AJUSTE FISCAL E AOS CORTES NOS INVESTIMENTOS SOCIAIS

- EM DEFESA DO EMPREGO E DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES

- FORA CUNHA!

- CONTRA O IMPEACHMENT

Frente Povo Sem Medo

Frente Brasil Popular

Abaixo, a convocatória unificada da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo para o Dia Nacional de Luta, de 31 de março.

Todos para o Dia Nacional de Mobilização em 31 de Março!

Convocamos o povo brasileiro a defender nossos direitos duramente conquistados em séculos de lutas, entre eles a Previdência Pública, contra a proposta de uma Reforma que estabeleça idade mínima para aposentadoria e ataque direitos dos trabalhadores.

Convocamos o povo brasileiro a se somar na luta em defesa da soberania energética e das estatais ameaçadas pela privatização - como no caso da CELG - que piora e encarece os serviços. Neste mesmo sentido combateremos o PLS 555 (que impõe regras de mercado às estatais) e o PLS 131 (que revê o modelo de partilha do pré-sal).

Convocamos o povo brasileiro a lutar contra o PLC 30 da Terceirização e a defender o direito ao Emprego com trabalho digno, exigindo a mudança imediata da política econômica de juros altos e recessão aplicada pelo Governo. E a combater este Ajuste Fiscal que cobra, de quem não deve, os custos da crise do capitalismo. Que se cobre dos sonegadores os bilhões roubados dos cofres públicos e desviados de forma criminosa para paraísos fiscais! Que se taxe grandes fortunas, lucros e dividendos! Os ricos devem pagar a conta da crise. Não admitimos e continuaremos enfrentando, nas ruas, cortes nos investimentos sociais como educação, saúde, moradia e reforma agrária.

No caso da Educação enfrentamos não apenas os cortes de investimentos, mas também as sinistras políticas de privatização e militarização do ensino público. Os setores mais conservadores querem matar o pensamento crítico e fazer de nossas escolas um laboratório para o fascismo. Não passarão!

Vamos às ruas contra as intenções golpistas de quem quer impor um impeachment ilegítimo como atalho para chegar ao poder. Eduardo Cunha abriu o processo de impeachment de Dilma numa tentativa de chantagem a céu aberto. Tenta subordinar os destinos do país à salvação de seu mandato. Mesmo com as tentativas da mídia golpista de legitimar o Impeachment, não há nenhuma comprovação de crime por parte da Presidenta Dilma e o impeachment sem base jurídica, motivado pelas razões oportunistas e revanchistas de Cunha, é golpe.

Não aceitamos golpes à democracia, seja como atalho eleitoral, seja como ataques ao direito democrático de manifestação. Neste sentido, somos contra a vergonhosa Lei anti-terrorrismo, enviada ao Congresso pelo Governo Federal, que ameaça criminalizar as lutas populares.

A saída para o povo brasileiro é a ampliação de direitos, o aprofundamento da democracia com a democratização dos meios de comunicação e as reformas populares, assim como a defesa das liberdades, enfrentando o machismo, a LGBTfobia e o racismo, que atualmente encontra sua maior expressão no genocídio da juventude negra. 

Conclamamos todos e todas que querem um Brasil justo e solidário, a saírem às ruas dia 31 de Março, numa Grande Marcha em Brasília e nas manifestações em várias cidades do país.

Ninguém fará pelo povo o que ao povo cabe fazer!
- CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

- CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRÁS

- EM DEFESA DO PRÉ-SAL

- NÃO A LEI ANTI-TERRORISMO

- CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

- NÃO AO AJUSTE FISCAL E AOS CORTES NOS INVESTIMENTOS SOCIAIS

- EM DEFESA DO EMPREGO E DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES

- FORA CUNHA!

- CONTRA O IMPEACHMENT

Frente Brasil Popular

Frente Povo Sem Medo

Os atos de hoje foram um sucesso. Mas no dia 31 de março temos que botar o dobro de gente nas ruas! E para conseguir isso é preciso que adotemos, desde já, um estado de mobilização permanente para duplicarmos o nosso contingente militante e duplicarmos a presença da nossa propaganda nos bairros e nos locais de estudo e trabalho. A luta continua. E o trabalho de base nos espera.

Silvio Melgarejo

Rio, 18/03/2016

O Rio vermelho, pela democracia.

 Prezado companheiro, prezada companheira do Partido dos Trabalhadores.

O Brasil vive hoje um momento crítico da sua história, de gravidade comparável à das grandes crises enfrentadas pelo país no passado, que tiveram desfecho quase sempre trágico e desfavorável aos interesses da classe trabalhadora. O projeto de país iniciado no primeiro mandato de Lula, em 2003, está sob forte ameaça de ser inteiramente inviabilizado pela combinação da crise econômica internacional com os equívocos econômicos e políticos do governo Dilma, os efeitos econômicos e políticos da Operação Lava Jato e a intensa e permanente campanha de sabotagem e desestabilização do governo mantida pela oposição de direita desde que saíram os resultados da eleição presidencial de 2014.

O projeto petista, por seu conteúdo, precisa de cada vez mais democracia para avançar e a democracia que temos, ainda tão limitada, embora conquistada a duras penas pelo esforço e sacrifício de tantos, está sob o cerco de forças políticas autoritárias interessadas em interrompê-lo. A campanha de criminalização do PT iniciada em 2005, com o escândalo do Mensalão, por falta de uma resposta mais firme do próprio partido e dos seus dois presidentes da república, acabou conseguindo disseminar na sociedade a ideia de que o PT é um partido corrupto. Movida pela oposição de direita, com a colaboração de setores da oposição de esquerda, como o PSOL e o PSTU, esta campanha, já em estado avançado, não esconde mais, até proclama, o seu propósito de promover um golpe de Estado, levar Lula à prisão e cassar o registro do Partido dos Trabalhadores.

A escalada dos ataques aos direitos e à honra de vários membros dirigentes do PT, culminou no dia 4 de março, último, com o sequestro do nosso ex-presidente da república pelos capangas do juiz Sérgio Moro. Naquele mesmo dia, a Frente Brasil Popular, formada por cerca de 60 entidades, entre partidos de esquerda, como o PT, o PCdoB e o PCO, e movimentos sociais, como a CUT, o MST e a UNE, lançou uma nota pública dizendo o seguinte:
“As entidades que compõem a Frente Brasil Popular, reunidas em São Paulo em 4 de Março, vêm a público manifestar seu repúdio à operação político-midiática da 'condução coercitiva' do ex-presidente Lula por agentes da 'Operação Lava-jato' ocorrida no dia de hoje. Este ataque a Lula, feito de forma seletiva e ilegal, visa na verdade atacar um símbolo da luta do povo brasileiro; atingir as organizações sindicais e populares que atuam por igualdade, democracia e pela soberania em nosso país.

Por isso afirmamos que esse ataque a Lula é um ataque a todos e todas nós. Além de repudiar essa ação feita sob medida para tentar desmoralizar a liderança popular que é Lula, ação que configura um 'Estado de exceção', que desrespeita garantias legais individuais e coletivas, queremos convocar os trabalhadores da cidade e do campo, a juventude, todos e todas que defendem a democracia a somarem forças numa jornada nacional de lutas que iniciamos hoje com manifestações nos quatro cantos do país. Jornada de lutas que vai se desdobrar no 8 de Março – Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora – que será reforçado com a defesa da democracia, contra o golpe e a defesa do companheiro Lula. Em 18 de março propomos a realização de atos de massa em todas as capitais e cidades de grande porte do país, com os eixos acima. Por fim, mantemos a proposta de Dia Nacional de Luta no 31 de março, conforme nossa convocatória.

Desde já nos colocamos em estado de alerta e mobilização permanente em defesa da democracia, contra o golpe, e em defesa de nossas conquistas e direitos ameaçados.”
Hoje, portanto, dia 18 de março, é dia da militância petista tomar as ruas e praças de todo o país prá dizer “não ao golpe” e “tirem as mãos do Lula”, mas para dizer também “Dilma, mude a política econômica, porque ela é o maior fator de enfraquecimento político do seu governo perante a oposição golpista, na medida que fere profunda, injusta e desnecessariamente os interesses dos trabalhadores que te reelegeram”. O governo se enfraquece porque perde apoio popular com esta política econômica. E é exatamente esta fragilidade do governo o que tem encorajado o golpismo a avançar com iniciativas cada vez mais audaciosas. Por isso mesmo é que a Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou, em sua reunião do dia 26 de janeiro de 2016, uma resolução em que diz:
“Para liquidar esta ofensiva [golpista] o governo e o PT precisam recompor laços políticos e sociais com nosso bloco histórico de sustentação, formado centralmente pelos trabalhadores do campo e da cidade, setores médios da sociedade, empresários em contradição com o grande capital, a intelectualidade progressista e a juventude.

A resistência antigolpista e uma ação ofensiva, portanto, estão diretamente associadas à abertura de uma nova etapa da política econômica, que tenha como eixo a recuperação do mercado interno de massas e a retomada do desenvolvimento, a partir de medidas destinadas à ampliação do investimento público, à oferta de crédito produtivo, à elevação da renda do trabalho e à geração de empregos – prioridade esta que deve concentrar a atenção do governo.

(...)

O caminho para o necessário equilíbrio fiscal não pode ser pavimentado por sacrifícios do povo trabalhador, mas por mudanças que aumentem a participação das camadas mais ricas na arrecadação tributária e reduzam a transferência de recursos financeiros do Estado para grandes corporações e fundos privados.

O Partido dos Trabalhadores somente apoiará soluções que sejam negociadas e pactuadas com o sindicalismo, as organizações populares e os movimentos sociais. O fórum quadripartite para a discussão da reforma previdenciária, formado por representantes de trabalhadores, aposentados, empresários e do governo, é bom exemplo do único caminho aceitável para a construção de uma agenda mínima nacional.

(...)

A Comissão Executiva Nacional, nestas condições, determina que se mantenha o estado de mobilização permanente da militância petista e orienta sua atividade para fortalecer a unidade de ação com as demais forças progressistas, em particular com os movimentos, partidos e entidades que constroem a Frente Brasil Popular.”
Pois no dia 15 de março, a Frente Brasil Popular, da qual faz parte o PT, lançou o seguinte comunicado:

Nota da Frente Brasil Popular

Defender a democracia contra o golpe

Os movimentos sociais organizados na Frente Brasil Popular irão mais uma vez às ruas no dia 18 de março (sexta-feira), em centenas de cidades brasileiras, manifestar-se pela mudança na política econômica, em defesa da democracia e contra o golpe.

Os acontecimentos dos últimos dias são preocupantes e devem mobilizar todos e todas que valorizam a conquista da democracia como um patrimônio do país. O conservadorismo da direita, aliado ao uso político de instituições de Estado, tem produzido uma profunda instabilidade econômica, social e política, além de fomentar o ódio e a intolerância, a exemplos das iniciativas desnecessárias e ilegais contra o ex-presidente Lula.

Não admitiremos o retrocesso nos direitos do povo brasileiro. Iremos às ruas em defesa das conquistas políticas e sociais, da democracia, da liberdade e contra a tentativa de golpe em curso.

* Em defesa da democracia, contra o impeachment.

* Em defesa dos direitos sociais, pela mudança da política econômica.

* Não vai ter golpe.

São Paulo, 15 de Março de 2016”

Chegou a hora. Hoje, daqui a pouco, aqui no Rio de Janeiro, a Frente Brasil Popular vai realizar uma grande manifestação, a partir das 16:00, na Praça XV (Centro). Convido todos os companheiros e companheiras a atenderem à convocação da Frente Brasil Popular e contribuírem com suas presenças para o sucesso deste ato, que deve servir também como uma celebração das esperanças renovadas de todos nós quanto ao futuro do país, com a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil do governo Dilma.

Esta sexta-feira, 18, em que estamos, portanto, é dia de festa, mas sobretudo, dia de luta. O Rio vermelho vai tomar a praça, em massa, e dizer bem alto para toda a cidade, todo o país e todo o mundo ouvir:

Não ao golpe!

Respeitem a democracia!

Tirem as mãos do Lula!

E, Dilma, mude a política econômica!

O Rio vermelho é coração valente e não tem medo da direita.

Nós vamos resistir!

Nós vamos lutar!

E nós vamos vencer.

Todos à Praça XV, a partir das 16:00.

Saudações petistas,

Silvio Melgarejo

18/03/2016

quarta-feira, 16 de março de 2016

Dia 18 é dia de festa e dia de luta.

Aos petistas de Botafogo, Humaitá e Urca.


Prezado companheiro. Prezada companheira.

O Brasil vive hoje um momento crítico da sua história, de gravidade comparável à das grandes crises enfrentadas pelo país no passado, que tiveram desfecho quase sempre trágico e desfavorável aos interesses da classe trabalhadora. O projeto de país iniciado no primeiro mandato de Lula, em 2003, está sob forte ameaça de ser inteiramente inviabilizado pela combinação da crise econômica internacional com os equívocos econômicos e políticos do governo Dilma, os efeitos econômicos e políticos da Operação Lava Jato e a intensa e permanente campanha de sabotagem e desestabilização do governo mantida pela oposição de direita desde que saíram os resultados da eleição presidencial de 2014.

O projeto petista, por seu conteúdo, precisa de cada vez mais democracia para avançar e a democracia que temos, ainda tão limitada, embora conquistada a duras penas pelo esforço e sacrifício de tantos, está sob o cerco de forças políticas autoritárias interessadas em interrompê-lo. A campanha de criminalização do PT iniciada em 2005, com o escândalo do Mensalão, por falta de uma resposta mais firme do próprio partido e dos seus dois presidentes da república, acabou conseguindo disseminar na sociedade a ideia de que o PT é um partido corrupto. Movida pela oposição de direita, com a colaboração de setores da oposição de esquerda, como o PSOL e o PSTU, esta campanha, já em estado avançado, não esconde mais, até proclama, o seu propósito de promover um golpe de Estado, levar Lula à prisão e cassar o registro do Partido dos Trabalhadores.

A escalada dos ataques aos direitos e à honra de vários membros dirigentes do PT, culminou no dia 4 de março, último, com o sequestro do nosso ex-presidente da república pelos capangas do juiz Sérgio Moro. Naquele mesmo dia, a Frente Brasil Popular, formada por cerca de 60 entidades, entre partidos de esquerda, como o PT, o PCdoB e o PCO, e movimentos sociais, como a CUT, o MST e a UNE, lançou uma nota pública dizendo o seguinte:
“As entidades que compõem a Frente Brasil Popular, reunidas em São Paulo em 4 de Março, vêm a público manifestar seu repúdio à operação político-midiática da 'condução coercitiva' do ex-presidente Lula por agentes da 'Operação Lava-jato' ocorrida no dia de hoje. Este ataque a Lula, feito de forma seletiva e ilegal, visa na verdade atacar um símbolo da luta do povo brasileiro; atingir as organizações sindicais e populares que atuam por igualdade, democracia e pela soberania em nosso país

Por isso afirmamos que esse ataque a Lula é um ataque a todos e todas nós. Além de repudiar essa ação feita sob medida para tentar desmoralizar a liderança popular que é Lula, ação que configura um 'Estado de exceção', que desrespeita garantias legais individuais e coletivas, queremos convocar os trabalhadores da cidade e do campo, a juventude, todos e todas que defendem a democracia a somarem forças numa jornada nacional de lutas que iniciamos hoje com manifestações nos quatro cantos do país.

Jornada de lutas que vai se desdobrar no 8 de Março – Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora – que será reforçado com a defesa da democracia, contra o golpe e a defesa do companheiro Lula. Em 18 de março propomos a realização de atos de massa em todas as capitais e cidades de grande porte do país, com os eixos acima. Por fim, mantemos a proposta de Dia Nacional de Luta no 31 de março, conforme nossa convocatória.

Desde já nos colocamos em estado de alerta e mobilização permanente em defesa da democracia, contra o golpe, e em defesa de nossas conquistas e direitos ameaçados.”
Sexta feira, 18 de março, é, portanto, dia da militância petista tomar as ruas e praças de todo o país para dizer “não ao golpe” e “tirem as mãos do Lula”, mas para dizer também “Dilma, mude a política econômica, porque ela é o maior fator de enfraquecimento político do seu governo perante a oposição golpista, na medida que fere profunda, injusta e desnecessariamente os interesses dos trabalhadores que te reelegeram”. O governo se enfraquece porque perde apoio popular com esta política econômica. E é exatamente esta fragilidade do governo o que tem encorajado o golpismo a avançar com iniciativas cada vez mais audaciosas. Por isso, a Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou, em sua reunião do dia 26 de janeiro de 2016, uma resolução em que diz:
“Para liquidar esta ofensiva [golpista] o governo e o PT precisam recompor laços políticos e sociais com nosso bloco histórico de sustentação, formado centralmente pelos trabalhadores do campo e da cidade, setores médios da sociedade, empresários em contradição com o grande capital, a intelectualidade progressista e a juventude.

A resistência antigolpista e uma ação ofensiva, portanto, estão diretamente associadas à abertura de uma nova etapa da política econômica, que tenha como eixo a recuperação do mercado interno de massas e a retomada do desenvolvimento, a partir de medidas destinadas à ampliação do investimento público, à oferta de crédito produtivo, à elevação da renda do trabalho e à geração de empregos – prioridade esta que deve concentrar a atenção do governo.

(...)

O caminho para o necessário equilíbrio fiscal não pode ser pavimentado por sacrifícios do povo trabalhador, mas por mudanças que aumentem a participação das camadas mais ricas na arrecadação tributária e reduzam a transferência de recursos financeiros do Estado para grandes corporações e fundos privados.

O Partido dos Trabalhadores somente apoiará soluções que sejam negociadas e pactuadas com o sindicalismo, as organizações populares e os movimentos sociais. O fórum quadripartite para a discussão da reforma previdenciária, formado por representantes de trabalhadores, aposentados, empresários e do governo, é bom exemplo do único caminho aceitável para a construção de uma agenda mínima nacional.

(...)

A Comissão Executiva Nacional, nestas condições, determina que se mantenha o estado de mobilização permanente da militância petista e orienta sua atividade para fortalecer a unidade de ação com as demais forças progressistas, em particular com os movimentos, partidos e entidades que constroem a Frente Brasil Popular.”

Pois ontem, a Frente Brasil Popular, da qual faz parte o PT, lançou o seguinte comunicado:

Nota da Frente Brasil Popular


Defender a democracia contra o golpe


Os movimentos sociais organizados na Frente Brasil Popular irão mais uma vez às ruas no dia 18 de março (sexta-feira), em centenas de cidades brasileiras, manifestar-se pela mudança na política econômica, em defesa da democracia e contra o golpe.

Os acontecimentos dos últimos dias são preocupantes e devem mobilizar todos e todas que valorizam a conquista da democracia como um patrimônio do país. O conservadorismo da direita, aliado ao uso político de instituições de Estado, tem produzido uma profunda instabilidade econômica, social e política, além de fomentar o ódio e a intolerância, a exemplos das iniciativas desnecessárias e ilegais contra o ex-presidente Lula.

Não admitiremos o retrocesso nos direitos do povo brasileiro. Iremos às ruas em defesa das conquistas políticas e sociais, da democracia, da liberdade e contra a tentativa de golpe em curso.

* Em defesa da democracia, contra o impeachment.

* Em defesa dos direitos sociais, pela mudança da política econômica.

* Não vai ter golpe.
São Paulo, 15 de Março de 2016”
Aqui no Rio de Janeiro, a Frente Brasil Popular vai realizar uma grande manifestação na sexta-feira, dia 18 de março, a partir das 16:00, na Praça XV. Filiado ao PT e morador de Botafogo, que sou, convido todos os companheiros e companheiras residentes neste bairro e nos bairros de Humaitá e Urca a atenderem à convocação da Frente Brasil Popular e contribuírem com suas presenças para o sucesso deste ato, que deve servir também como uma celebração das esperanças renovadas de todos nós quanto ao futuro do país, com a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil do governo Dilma. Sexta-feira, 18, é, portanto, dia de festa e dia de luta. Todos à Praça XV, a partir das 16:00.

Saudações petistas,

Silvio Melgarejo

16/03/2016

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O problema é a incondicionalidade do apoio.

Diálogo que tive ontem com o companheiro Val Carvalho, do PT do Rio/RJ.

Status de Val Carvalho

"O militante petista muitas vezes perde a paciência com Dilma porque acha que ela deve simplesmente mudar a política econômica – o que também defendo. Mas entendo que a presidenta fica sopesando, avaliando frequentemente as pressões do poder econômico e do poder popular. O primeiro se mede pelo percentual do PIB que controla. O segundo pelo grau de unidade e mobilização popular. Por enquanto a primeira pressão, do poder econômico, é de longe a mais forte, o que faz Dilma ser bastante cautelosa e ir tocando o barco como pode.
Temos de fortalecer o poder popular, reforçando a sua unidade na Frente Brasil Popular e elevando a capacidade de mobilização dos trabalhadores e da juventude como também a informação independente do povo. Sem isso não conseguiremos fazer com que Dilma mude, nem que seja parcialmente, essa política econômica antipopular quem vem dando tanto gás para os golpistas." (Val Carvalho, 22/10/2015)
https://www.facebook.com/val.carvalho.31/posts/948053135274549

Meu comentário


Val Carvalho. O poder econômico é mais forte agora, depois que a presidenta dividiu e desmobilizou a base social construída ao longo da campanha eleitoral, com a decepcionante política econômica que resolveu adotar. Para esta política, ela realmente só tem apoio da Globo e do conjunto da burguesia. Mas para o cumprimento do programa econômico que defendeu durante a campanha, ela teria o apoio decidido do conjunto das centrais sindicais, movimentos populares e partidos e militantes de esquerda e progressistas, que hoje se opõem às suas medidas.

Aécio e Marina anunciaram os nomes dos seus ministros da fazenda, caso eleitos, durante a campanha eleitoral. Armínio Fraga, o de Aécio; André Lara Resende, o de Marina. Dois neoliberais notórios. Dilma fez mistério, recusou-se a antecipar o seu. Mas apenas um mês depois do pleito, que venceu com 54 milhões de votos, anunciou Joaquim Levy, cujo perfil não difere dos ministros dos seus concorrentes, o que já desapontou boa parte do seu eleitorado. Que pressões a teriam obrigado a fazer esta escolha? Afinal, o poder econômico é que foi derrotado nas urnas pela unidade e mobilização popular em torno do programa econômico antineoliberal defendido por Dilma. E o que fez a presidenta? Resolveu adotar o programa dos derrotados.

Dilma não vai mudar a atual política econômica. Sabe por que? Em primeiro lugar, porque acredita nesta política, como declarou recentemente. E depois, porque não perde nada mantendo-a, já que o apoio que tem do PT e da Frente Brasil Popular é incondicional. Ela pode continuar desempregando e arrochando salários até o final do mandato, que o partido e sua frente vão continuar empenhados em lhe dar sustentação política no parlamento e na sociedade. Não é por outra razão que parte da esquerda que ajudou a elegê-la resolveu criar uma outra frente, a Frente Povo Sem Medo, do MTST.

A política econômica de Dilma dividiu e desmobilizou a esquerda e os movimentos sociais. E a política adotada pelo PT em relação ao governo tem contribuído para a manutenção desta divisão e desmobilização, que enfraquecem ainda mais a esquerda e os movimentos sociais. Não é possível combater seriamente uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar incondicionalmente o governo que a concebe e implementa. Porque o apoio incondicional ao governo limita e mantém a pressão por mudanças num nível muito baixo, sempre insuficiente para fazer frente à pressão do poder econômico, que não tem limites.

Enquanto o PT mantiver apoio incondicional ao governo Dilma, será, a despeito do discurso crítico à política econômica, um agente desmobilizador dos trabalhadores e da juventude, que contribuirá permanentemente para a manutenção da divisão da esquerda e da anemia do poder popular.

Silvio Melgarejo

23/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-problema-%C3%A9-a-incondicionalidade-do-apoio/1149210915092306

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O medo paralisa, faz ceder e recuar.

A esquerda brasileira está presentemente articulando-se em duas frentes. A Frente Povo Sem Medo e a Frente Povo Com... epa... Frente Brasil Popular.

Silvio Melgarejo

22/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-medo-paralisa-faz-ceder-e-recuar/1145828815430516


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Enigma.

Se a essência de um governo é a sua política econômica, como combater uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar o governo que a concebe e implementa?

Silvio Melgarejo

29/09/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/enigma/1138311746182223

domingo, 27 de setembro de 2015

Permanência do PT no governo enfraquece Lula, o partido e a frente de esquerda.

A permanência do PT no governo Dilma enfraquece Lula e o partido e impede que eles contribuam para a formação de uma frente de esquerda realmente forte. Romper com o governo é preciso. Sei que é uma decisão difícil, porque trata-se de um movimento radical não isento de riscos. Mas o risco maior me parece que seja deixar a classe trabalhadora como está, sem uma alternativa viável no campo da esquerda e sendo assediada permanentemente pela direita golpista.

A dubiedade e tibieza do único partido de esquerda de massas e do maior líder popular do país desmobilizam a própria base social da esquerda governista e geram desconfianças imensas e justificadas nas bases sociais e entre as lideranças da esquerda oposicionista e dos movimentos sindical e popular, o que inviabiliza a unidade de ação, em torno de uma pauta comum, para a realização de mobilizações de grande envergadura.

A essência de um governo é a sua política econômica. Por isso não é possível combater uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar o governo que a concebe e implementa. O compromisso de Lula e do PT com o governo Dilma representa, na prática, um compromisso com a política econômica do governo Dilma.

A unidade de ação das esquerdas inviabiliza-se pelo justificado receio de amplos setores da vanguarda de partidos e movimentos de que a luta contra o golpe acabe sendo instrumentalizada para servir ao governismo, com a defesa do mandato da presidenta Dilma transformando-se numa defesa do governo Dilma, a despeito de sua política econômica. Isto não aconteceria se Lula e o PT estivessem na oposição. Hoje perguntam, com razão, muitos lutadores:
- “Como confiar em Lula e no PT, se eles estão formal e efetivamente comprometidos com o governo executor da política econômica que combatemos? O que farão, Lula e o PT, se Dilma se mantiver intransigente? Continuarão no governo, fieis à presidenta e dando-lhe suporte para implementar sua política antipopular?”
Lula e o PT no governo se enfraquecem, portanto, e com isso enfraquecem à esquerda em seu conjunto. Por isso defendo que rompam com Dilma e passem a atuar com independência na oposição. Desta forma, acredito que poderão contribuir muito melhor e mais efetivamente, tanto com a resistência democrática ao golpismo, quanto com a resistência popular ao neoliberalismo. O futuro da democracia e da esquerda no Brasil dependerá deste reposicionamento do PT em relação ao governo. Ou o PT se apresenta, doravante, como parte integrante de um projeto alternativo democrático e de esquerda ou deixará a classe trabalhadora sem perspectivas, no meio do fogo cruzado entre a conspiração golpista e o governo neoliberal.

O PT não pode mais servir a um governo que serve incondicionalmente aos banqueiros, impondo sacrifícios injustificados aos trabalhadores. Se quiser recuperar a confiança das massas e animá-las a lutar contra o golpe, tem que romper com o governo Dilma e combater implacavelmente a sua política econômica, enquanto denuncia as intenções ocultas do golpismo. Só assim será possível construir uma frente de esquerda ampla e sólida, com força suficiente para influenciar decisivamente o processo político do país.

Lutar contra o governo neoliberal não favorecerá à conspiração golpista, e lutar contra a conspiração golpista não favorecerá ao governo neoliberal, se ambos forem combatidos com igual vigor por uma esquerda unida e independente de compromissos com os agentes dos dois males. Sem vínculos com o golpismo e sem vínculos com o governo, Lula e o PT se credenciarão para liderar uma esquerda revigorada pela unidade e livre das vacilações, recuos e dubiedades que geram desconfiança, desagregam e desmobilizam. Ousadia e coragem é o que se espera do PT e de Lula, para mostrarem aos trabalhadores hoje que outro caminho é possível e que, com luta, é possível ter dias melhores.

Silvio Melgarejo

27/09/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/perman%C3%AAncia-do-pt-no-governo-enfraquece-lula-o-partido-e-a-frente-de-esquerda/1137365299610201