sábado, 25 de abril de 2026

O verdadeiro petismo é revolucionário e precisa ser resgatado

O que é, essencialmente, ser petista? É ser eleitor do PT? É ser candidato ou político profissional do PT? É ser filiado ao PT? É ser defensor, apoiador ou torcedor do PT ou de petistas? Bem, vejamos o que diz o próprio PT no seu estatuto. O Estatuto do PT é o conjunto de regras, normas e diretrizes que orientam o funcionamento do PT como organização, definindo a sua estrutura, os seus objetivos e os direitos e deveres dos seus membros, servindo como uma espécie de "constituição" interna que legaliza, organiza e orienta o funcionamento do partido. Pois, muito bem. O artigo quarto do Estatuto do PT diz o seguinte:

"Filiado ou filiada do Partido dos Trabalhadores é qualquer homem ou mulher a partir de 16 (dezesseis) anos que manifeste concordância com este Estatuto e com os demais documentos básicos nacionais do Partido, que seja admitido pela Comissão Executiva do Diretório Municipal ou pela do Diretório Zonal ou, na falta ou impedimento dessas, pela Comissão Executiva da instância superior."

O artigo quarto, portanto, estabelece apenas duas condições para uma pessoa ser filiada ao PT.

1 - Ter idade igual ou superior a dezesseis anos; e

2 - Concordar com o Estatuto e com os demais documentos básicos nacionais do Partido.

E quem aprova o pedido de filiação, após confirmar o cumprimento dessas duas condições, é a Comissão Executiva do Diretório Municipal ou do Diretório Zonal ou, na falta ou impedimento dessas, pela Comissão Executiva da instância superior. 

Ou seja, sem a aprovação dos dirigentes do PT, ninguém pode ser filiado. Mas os dirigentes do PT têm que cumprir o estatuto do partido. E o Estatuto diz que eles só podem aprovar um pedido de filiação se o autor do pedido tiver dezesseis anos ou mais e manifestar concordância "com o Estatuto e com os demais documentos básicos nacionais do Partido". E que "documentos básicos nacionais" são esses, afinal? São os documentos citados no artigo terceiro do próprio Estatuto, que diz:

"O Partido dos Trabalhadores atuará em âmbito nacional com estrita observância deste Estatuto e de seus Manifesto [de Fundação], Programa, demais documentos aprovados na Convenção Nacional de 1981, nos Encontros Nacionais e Congressos, nos quais estão expressos seus objetivos". 

O conjunto desses documentos citados no artigo terceiro constitui o programa do Partido dos Trabalhadores. O programa de um partido político é o documento ou conjunto de documentos em que o partido estabelece para os seus membros e anuncia para toda a sociedade a sua ideologia. 

A ideologia do partido é a teoria que descreve e explica a realidade social, econômica e política em que o partido pretende atuar e que, orientada por essa descrição e explicação da realidade, estabelece os objetivos principais do partido, chamados objetivos estratégicos, e os meios que o partido pretende adotar para a conquista desses objetivos estratégicos. 

Todo aspirante a membro do Partido dos Trabalhadores assina a seguinte declaração quando preenche a sua ficha de filiação: "Declaro que estou de acordo com o Estatuto e Programa do Partido". É o mesmo que dizer "declaro que sou petista".

A idade mínima requerida pelo artigo quarto do Estatuto para a filiação ao PT não é, evidentemente, o que distingue um petista de um não petista. O que distingue um petista de um não petista é a concordância com a ideologia do PT, com os objetivos estratégicos do PT e com o modo como o PT se propõe a atuar, de acordo com os documentos que constituem o seu programa. 

Donde se conclui que ser petista não é a mesma coisa, porque não é necessariamente, ser filiado ou ser eleitor, defensor, apoiador ou torcedor da legenda eleitoral e parlamentar PT ou de qualquer uma das suas figuras públicas. Ser petista é, na verdade, antes de tudo, concordar e comprometer-se com a defesa e realização do que determinam o Estatuto do PT, o Manifesto de Fundação do PT e todos os demais documentos democraticamente aprovados pela militância petista, como resoluções, na Convenção de 1981 e nos Congressos e Encontros Nacionais do PT, realizados ao longo de toda a sua história. 

O conjunto desses documentos, como já dito, constitui o programa do Partido dos Trabalhadores. Mas o mais importante dentre todos esses documentos é, indiscutivelmente, o Manifesto de Fundação do PT. O Manifesto de Fundação é a mais importante afirmação da ideologia e dos objetivos que motivaram a criação do PT e a mais importante afirmação do compromisso dos fundadores do PT com uma determinada forma de atuação partidária que eles consideravam a única capaz de levar o partido à conquista dos seus objetivos declarados. O verdadeiro petismo está aí, no Manifesto de Fundação do PT. 

Foi o petismo do Manifesto que deu origem ao PT e esse petismo original e fundador jamais foi renegado pela militância petista, vem sendo, ao contrário disso, reafirmado em todos os congressos e encontros nacionais democráticos realizados pelo PT, desde a fundação desse partido. E o petismo do Manifesto de Fundação do PT pode ser resumido muito brevemente em quatro pontos, da seguinte forma:

1 - Petismo é o combate sistemático às ilusões dos trabalhadores quanto ao sistema capitalista. Petismo é, portanto, ANTICAPITALISMO. 

2 - Petismo é a defesa sistemática do socialismo como melhor alternativa de sistema político, econômico e social para a classe trabalhadora. Petismo é, portanto, SOCIALISMO.

3 - Petismo é ter a mobilização social como principal forma de luta por direitos e pela transformação da sociedade. Petismo é, portanto, MOBILIZAÇÃO SOCIAL.

4 - Petismo é não fazer nenhuma concessão programática à direita em eventuais alianças táticas eleitorais ou de governo. É a defesa radical e intransigente dos interesses da classe trabalhadora e a mais absoluta independência política em relação aos partidos representantes dos interesses da classe rica patronal e proprietária. Petismo é, portanto e por fim, INDEPENDÊNCIA DE CLASSE. 

Esses quatro pontos - anticapitalismo, socialismo, mobilização social e independência de classe - são os quatro compromissos que constituem o verdadeiro petismo. E, se assim os considerarmos, o contrário deles só pode ser chamado de antipetismo. Antipetismo ideológico e programático, por ser contrário à ideologia e ao programa do Partido dos Trabalhadores. Antipetismo do tipo mais perigoso, tóxico e potencialmente letal para o PT, como instrumento de luta da classe trabalhadora pela sua necessária emancipação política. 

Porque esse antipetismo ideológico e programático não ataca o PT só de fora, atua também, como um veneno, por dentro mesmo do próprio PT, sobre as mentes dos próprios petistas, corroendo e destruindo todo o conteúdo do verdadeiro petismo e preservando do petismo original apenas a casca, a aparência, a estética, a pose e uma retórica oca e ilusionista que só engana aos incautos, aos menos informados.

Desde meados dos anos 1990, o PT vem atuando de forma cada vez mais influenciada pela ideologia dos partidos de direita, a ideologia burguesa, e cada vez menos influenciada pela ideologia socialista do seu próprio programa. Há quem chame essa direitização do PT de neopetismo. Mas, para mim, que sou filiado ao PT e que mantenho o compromisso com a defesa e realização do programa do PT, essa direitização do PT não constitui um novo petismo, simplesmente porque não a considero petismo. Para mim, essa direitização do PT constitui um falso petismo, que vem se sobrepondo indevidamente ao verdadeiro petismo, que ainda sobrevive no programa do PT a espera de ser resgatado.

Petista de verdade é o adepto do verdadeiro petismo, expresso no Programa do Partido dos Trabalhadores. Quem se opõe ao Programa do Partido dos Trabalhadores é antipetista. Mesmo que seja um eleitor do PT. Mesmo que seja filiado ao PT. Mesmo que seja um defensor, apoiador ou torcedor fanático do PT ou de petistas. Mesmo que seja um candidato ou político profissional do PT. Mesmo que seja um dirigente do PT. E mesmo até que seja o maior de todos os líderes desse partido. Ninguém é petista de verdade se não se comporta como adepto do petismo preconizado pelo Programa do Partido dos Trabalhadores, ou seja, se não concorda e não se compromete com a realização desse programa anticapitalista e socialista que preconiza a independência de classe e a mobilização social como meios para a sua realização. 

Os quatro compromissos do programa petista - anticapitalismo, socialismo, mobilização social e independência de classe - constituem, inequivocamente, uma proposta de transformação radical da sociedade. E uma transformação radical da sociedade é simplesmente uma revolução. Portanto, o PT nasce e mantém-se até hoje com uma vocação claramente revolucionária. O petismo de verdade é essencialmente revolucionário. Portanto o petista de verdade só pode ser um revolucionário.

A você, que vota no Lula e considera-se petista, recomendo que leia e estude pelo menos o Manifesto de Fundação do PT. E depois venha me dizer se eu tenho ou não tenho razão quando digo o que digo neste texto. Leia também as resoluções democraticamente aprovadas pela militância do PT nos congressos e encontros nacionais realizados ao longo de toda a história desse partido. E eu duvido que as palavras "petismo" e "petista" continuem a ter para você o mesmo significado que têm hoje, graças ao desrespeito sistemático que as maiores lideranças do PT vêm mantendo, por mais de duas décadas, em relação ao estatuto e ao programa do nosso partido. Se você concorda com o estatuto e com o programa do PT, eu te convido a lutarmos pelo seu cumprimento, para que o PT reencontre a sua verdadeira vocação e cumpra a verdadeira missão para a qual foi criado. 

Quando Lula e os demais dirigentes do PT resolverem, afinal, cumprir o estatuto e o programa do PT, o PT atuará como um partido de massas anticapitalista, socialista e revolucionário. E é exatamente de um PT assim que a classe trabalhadora brasileira mais precisa hoje, quando dá sinais tão claros de que deseja uma transformação radical da sociedade e tem diante de si apenas a extrema-direita a lhe propor mudança radical. 

A classe trabalhadora precisa de uma alternativa radical de esquerda para não ser levada a entregar-se ao fascismo e o PT é o único partido de esquerda que tem hoje reais condições de apresentar-se como essa alternativa radical de mudança, por ter influência de massas. A insatisfação popular é grande, crescente, e a luta de classes pode entrar em ebulição a qualquer momento. Ou o PT se prepara para atuar como um partido revolucionário, ou cairá definitivamente em descrédito e será destruído pela fúria das massas seduzidas pelo fascismo, que conduziria o Brasil ao caos e à barbárie. Que o Oitavo Congresso do PT tenha noção dessa urgência e que as suas resoluções possam corresponder à gravidade do enorme desafio que nós temos pela frente. 

Porque, o que o povo realmente quer, só o socialismo pode proporcionar. O socialismo só poderá ser construído por um Estado comandado pela classe trabalhadora. E a classe trabalhadora só poderá conquistar o comando do Estado através de uma revolução. Denunciar aos trabalhadores as injustiças do capitalismo e apresentar-lhes a alternativa revolucionária socialista, nisto se resume o verdadeiro petismo e esta é a verdadeira missão do PT. O PT não vem sendo petista. Mas enquanto vigir o artigo terceiro do seu estatuto, haverá esperança de que volte a ser. Basta que a militância petista tome conhecimento da existência dessa norma e que exija o seu cumprimento pelos dirigentes do partido. O PT ainda pode voltar a ser petista. E ser petista significa ser anticapitalista, socialista e revolucionário.

Sílvio Melgarejo 

25/04/2026

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Não se pode servir ao povo e ao mercado

A queda da aprovação ao governo Lula nas pesquisas é a mais eloquente expressão da desaprovação do povo à frente ampla e sua gestão governamental inteiramente condicionada e limitada pelo rigor fiscalista. Lula, católico, precisa urgentemente lembrar da lição cristã ensinada no Sermão da Montanha. Disse Jesus, segundo Mateus: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom".

"Senhor" é aquele a quem se obedece e serve pelo reconhecimento da sua autoridade e poder soberanos. O presidente Lula fala nos seus discursos como quem, discordando de Jesus, acredita ser possível obedecer e servir muito bem a dois senhores: ao povo e ao mercado financeiro. Mas será isto possível? A realidade dos fatos mostra que não. 


É impossível obedecer e servir bem ao povo e ao mercado financeiro porque os interesses do povo são incompatíveis e inconciliáveis com os interesses do mercado financeiro. O que o povo quer não convém ao mercado e o que mercado quer não convém ao povo. E é por isso que, na prática, o presidente acaba sempre curvando-se muito mais às vontades de um - adivinhe qual - do que às vontades do outro, confirmando a máxima cristã. 


Lula diz que quer governar para todos. Mas não dá para atender a todos da mesma forma numa sociedade como a nossa, capitalista, dividida em classes, onde uma classe, muito rica, domina e explora enquanto a outra classe, muito pobre, é dominada e explorada. As classes no capitalismo têm interesses não apenas diversos mas também antagônicos e absolutamente inconciliáveis. Quando o governo atende a uma classe, necessariamente sacrifica a outra, que reage, evidentemente, de acordo com os meios que disponha para reagir. 


A escolha de qual classe privilegiar é a decisão política mais importante que o governante precisa tomar quando inicia o seu mandato. E essa decisão é, na verdade, a despeito de qualquer discurso que ele faça, a afirmação prática e a demonstração cabal dos seus reais compromissos políticos. São as ações de governo que revelam a quem o governante verdadeiramente reconhece como seu senhor e não os seus discursos. 


Quem manda no governo Lula, vamos ser claros, é quem fala mais alto e quem mais pressiona o governo: o mercado financeiro. Porque se, de um lado, o mercado pressiona o governo, com a ameaça de retirada de investimentos, e a direita, dentro e fora do governo, grita para que o governo o atenda, do outro lado, a esquerda, que existe exatamente para representar o povo nas disputas políticas, simplesmente nega-se a cumprir esse papel e recusa-se a pressionar o governo para o atendimento das demandas populares, ao mesmo tempo em que tenta a todo custo esconder ou justificar os prejuízos que o povo está tendo por causa das generosas concessões que o governo vem fazendo ao mercado.


O mercado financeiro enriquece embolsando, sob a forma de juros da dívida pública, todo o dinheiro que o governo nega ao povo, cortando gastos sociais. O mercado faz questão de comandar o Banco Central exatamente para manter as taxas de juros em patamares ultra-elevados e garantir a transferência do maior volume possível de recursos públicos para as contas dos ricaços rentistas. Só no ano passado o governo Lula pagou R$ 1 trilhão a esses parasitas. Este ano deve pagar mais R$ 1 trilhão. E é para manter essa indecente e monumental transferência de renda para os ricos, que o governo tem se empenhado tanto em cortar gastos no orçamento destinado ao povo.


A prioridade do governo Lula vem sendo, sem sombra de dúvida, obedecer e servir bem ao mercado financeiro. Esta prioridade está muito claramente definida no Arcabouço Fiscal adotado, que - atenção - não foi criado pelo Congresso, foi criado pelo próprio governo. E é essa prioridade que o governo está dando à satisfação da ganância do mercado que está provocando a insatisfação popular crescente.


O povo pobre sente fortemente na pele os açoites do fiscalismo inclemente e já está antecipando nas pesquisas a resposta que dará nas urnas em 2026, se o governo não mudar muito rápida e radicalmente a sua política econômica, que é absolutamente indefensável para qualquer militante de esquerda realmente honesto e minimamente informado.


A maior parte da militância petista parece ignorar que o presidente Lula mandou para a Câmara Federal, no final de 2024, a proposta de  criação de um limite de 2,5% para os aumentos anuais do salário mínimo acima da inflação, chamados de aumentos reais. Essa proposta que fere gravemente o interesse, o anseio e o direito dos trabalhadores a um salário mínimo decente, de acordo com o que determina a Constituição, foi apresentada por um deputado do PT e aprovada com os votos de quase toda a bancada do partido na Câmara Federal. 


O cumprimento do Arcabouço Fiscal requer que o governo imponha este sacrifício aos trabalhadores. O PT, que tem sido mais fiel a Lula do que ao povo, ajudou o presidente a fazer essa maldade. E a militância petista, indiferente, aceita calada, quando não justifica, a traição cometida contra ela mesma e contra o povo pelo nosso presidente e pelos deputados do nosso Partido dos Trabalhadores. 


Teto de gastos para o salário mínimo e liberdade para o gasto com juros máximos é uma injustiça social evidente, escandalosa, pois penaliza ao povo pobre para favorecer a meia dúzia de ricos. Todo o dinheiro que o governo está deixando de gastar com a Previdência, por conta da poupança feita com o teto do aumento real do salário mínimo, está indo para as contas bancárias dos riquíssimos detentores de títulos da dívida pública.


É impossível justificar para o povo uma política dessas, de austeridade fiscal, sem recorrer às mentiras inventadas pelos neoliberais. Foi por insistir com essas mentiras que o PSDB terminou como está, derrotado e desmoralizado. Os petistas não podem permitir que o PT tenha esse mesmo destino. O PT não foi criado para enganar o povo. E o povo não perdoa partido mentiroso, quando percebe ou descobre a mentira. 


O papel do Partido dos Trabalhadores é representar a classe trabalhadora e organizá-la e mobiliza-la para a defesa dos seus interesses junto ao governo. Se o governo adota uma política que corresponde aos interesses da classe trabalhadora e sofre a oposição da classe rica, na imprensa e no parlamento, através da direita, o PT deve denunciar para o povo os interesses motivadores da oposição e mobilizar o povo para apoiar o governo e repudiar o assédio oposicionista. 


Mas se o governo adota uma política contrária aos interesses da classe trabalhadora, o PT deve denunciar para o povo os prejuízos que essa política lhe traz, dizer ao povo a quem essa política do governo realmente beneficia e chamar o povo a se manifestar nas ruas contra essa política antipopular do governo. Afinal, como diz muito corretamente o Manifesto de Fundação do PT, nós "somos um partido dos trabalhadores, não um partido para iludir os trabalhadores".


Ou bem Lula e PT servem ao mercado ou bem Lula e o PT servem ao povo, não dá para servirem bem aos dois. Porque o mercado são os ricos e os ricos são insaciáveis, nunca ficarão satisfeitos, sempre exigirão mais e mais e mais; e porque cada concessão que Lula e o PT fazem ao mercado é e será sempre às custas de um enorme sacrifício imposto ao povo pobre trabalhador. Não dá pra dar a um sem tirar do outro. 


Dito de outro modo: toda concessão que o governo faz ao mercado tem um preço e quem paga essa conta é o povo. Resultado: o governo desagrada a todos, ao povo e ao mercado. Como é que se sustenta um governo com uma política dessas? Não tem como sustentar, é uma política suicida. Não é atoa que a chamam de austericídio. 


A austeridade fiscal já foi rejeitada pelo povo brasileiro nas eleições de 2002, 2006, 2010, 2014, e até na eleição de 2022. Porque, vamos lembrar, na campanha eleitoral daquele ano, Lula dizia em todos palanques que, se fosse eleito, acabaria com o teto de gastos criado pelos neoliberais dos governos Temer e Bolsonaro. Infelizmente, o presidente não cumpriu essa promessa e tem dado continuidade àquela política nefasta dos seus antecessores. 


O teto de gastos não acabou. E foi por causa do teto de gastos do governo que o salário mínimo teve este ano um aumento real de apenas 2,5% em relação ao do ano passado. Foram míseros R$ 35,30 a mais. Só quem vive com salário mínimo ou tem um mínimo de empatia com quem ganha é que pode avaliar o tamanho da frustração que um aumento real desses, tão minúsculo e insignificante, provocou na classe trabalhadora mais pobre. 


A realidade é que o teto de gastos que o governo Lula se auto-impôs torna impossível para o próprio governo a realização de uma gestão que corresponda às expectativas do povo. A frustração do povo com o governo já é grande e o grande causador dessa frustração é o teto de gastos contido no Arcabouço Fiscal, criado para satisfazer apenas e tão somente à ganância insaciável dos ricaços do mercado financeiro.


A mensagem do povo nas pesquisas é bastante clara, engana-se quem faz outra leitura, diferente desta: ou Lula rejeita logo a austeridade fiscal ou será rejeitado na próxima eleição presidencial, como foram rejeitados todos os candidatos que defenderam ou realizaram esta mesma política nas eleições anteriores. Ainda há tempo para uma correção de rumo. Mas tem que ser logo, rápido. Porque a insatisfação do povo já virou desaprovação ao governo e logo se transformará em apoio à oposição bolsonarista. 


É inútil dizer ao povo que os bolsonaristas já fizeram e farão pior se voltarem ao governo. Porque o povo insatisfeito com a vida e frustrado com o governo sempre tende a votar na oposição. Depende apenas de Lula e do Partido dos Trabalhadores evitar esta tragédia, interrompendo imediatamente o austericídio que cometem. A reeleição de Lula depende do fim da austeridade fiscal e de uma valorização muito mais rápida e significativa do salário mínimo do que esta que estamos tendo. O maior problema do povo é falta de dinheiro. E 2,5% de aumento real para o salário mínimo é a preservação da miséria e um golpe mortal nas boas expectativas que o povo pobre tinha em relação a este mandato de Lula.


Pelo fim do austericídio, por um salário mínimo decente, de acordo com o que determina a Constituição, e pela reeleição do presidente Lula.


Abaixo o Arcabouço Fiscal. 


23/6/2025

domingo, 24 de novembro de 2024

Lula, diga NÃO aos AGIOTA$

18/11/2024
(Publicado no Facebook)

A batalha decisiva é contra o Arrocho Fiscal

É extraordinário que haja essa súbita empolgação que estamos vendo pela velha e esquecida causa da redução da jornada de trabalho. Mas, por favor, não vamos esquecer a luta mais necessária e urgente do momento. A espada que a classe trabalhadora tem hoje sobre a sua cabeça chama-se Arcabouço Fiscal. E essa espada, com sua lâmina muitíssimo afiada, está prestes a entrar em ação para mutilar direitos fundamentais dos trabalhadores. É preciso agir com rapidez e firmeza para evitar que isto aconteça. 

Parece que a maior parte da militância petista ainda não se deu conta de que o corte de gastos reivindicado pelo mercado financeiro nada mais é do que a condição única e indispensável para o cumprimento do Arcabouço Fiscal que o próprio presidente Lula insiste em dizer que vai cumprir. "Não deve cumprir", devemos dizer-lhe.

Porque o corte de gastos que o cumprimento do Arcabouço Fiscal requer não é um corte de gastos qualquer. É um corte estrutural, que acaba com direitos que estão na Constituição e portanto tem repercussões permanentes. 

Não nos iludamos quanto às intenções dos criadores do Arcabouço. A real finalidade do ajuste fiscal que eles preparam é fazer prevalecer na Constituição e no Orçamento Público o interesse dos ricos agiotas em detrimento dos interesses do povo.

Reduzir o percentual mínimo da receita de impostos destinada à Educação e Saúde. 

Desvincular os valores dos menores benefícios da Previdência do valor do salário mínimo.

E reduzir o ganho real da política de valorização do salário mínimo.

É disso que estamos falando, porque é disso que vem falando o ministério da Fazenda desde o ano passado. Subitamente elevada à condição de pauta prioritária da esquerda brasileira e vista com simpatia até mesmo pela centro-direita, a redução da jornada de trabalho não compensaria nem de longe as enormes perdas que o povo teria com apenas uma dessas três medidas. 

Se a luta contra a escala de trabalho 6 x 1 é uma luta pelo avanço, pela conquista de um novo direito, a luta contra o Arcabouço Fiscal é indiscutivelmente uma luta contra o retrocesso, pela preservação de direitos duramente conquistados que estão sob grave ameaça.

Por vir de onde vem, essa ameaça, é que é mesmo tão difícil, amargo e doloroso reconhecer a necessidade e urgência da luta de resistência. Mas, se não o fizermos, se não resistirmos, será pior para o povo, para a esquerda e para o próprio governo Lula. 

É preciso lutar para evitar que o presidente Lula cometa esse gravíssimo erro, dando-lhe o necessário suporte da mobilização social para que ele resista e repila energicamente às pressões que vem sofrendo.

É hora de Lula dar um basta definitivo à extorsão dos agiotas e libertar o seu governo das amarras desse Arcabouço Fiscal que o impede de corresponder às expectativas do povo.

O Arcabouço Fiscal é uma bomba relógio que está prestes a explodir. E se explodir e atingir direitos tão caros ao povo, como saúde, educação, previdência e salário mínimo, abalará fortemente à popularidade do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores, enfraquecendo a esquerda e abrindo caminho para o avanço sem freios da extrema-direita. 

A militância petista precisa atentar para esse enorme risco que estamos correndo e abraçar a luta contra o Arcabouço Fiscal como prioridade máxima. Porque, vamos ter claro: Ou Lula derruba o Arcabouço ou o Arcabouço poderá derrubá-lo e entregar o governo à direita unificada (centro-direita aliada à extrema-direita).

A insatisfação do povo já é grande, de acordo com as pesquisas, e vai aumentar ainda mais se o Arcabouço Fiscal for cumprido. A militância petista precisa entender que quanto maior for a insatisfação do povo, maior será o risco não só de derrota em 2026, mas também de interrupção do mandato de Lula por um golpe de Estado.

Lembremos que as condições para a deposição da presidente Dilma se tornaram ideais para a direita exatamente a partir do momento em que ela resolveu fazer um ajuste fiscal, traindo uma promessa de campanha. E olhem que aquele ajuste era muito mais leve do que este que vem sendo anunciado. Se esse ajuste fiscal do presidente Lula se confirmar, as coisas podem ficar muito mais complicadas do que já estão para ele, para o PT e para o conjunto da esquerda brasileira. O presidente não pode cometer esse erro.

Portanto é hora da militância do Partido dos Trabalhadores concentrar toda a sua atenção e toda a sua energia na mobilização da classe trabalhadora contra o arrocho fiscal que se anuncia. O futuro da esquerda e da democracia no Brasil será definido nessa dificílima batalha e em mais nenhuma outra. Ou damos ao presidente Lula o estímulo e a força necessária para ele enfrentar e derrotar os ricaços agiotas ou os ricaços agiotas vão capturar o governo, como capturaram o Banco Central, e inviabiliza-lo definitivamente como instrumento de transformação da sociedade e de promoção da melhoria de vida do povo. 

NÃO AO ARROCHO FISCAL!

ABAIXO O ARCABOUÇO DE HADDAD!

16/11/2024

Governar com a direita é governar para os ricos

9/11/2024
(Publicado no Facebook)