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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O crime declara “guerra ao crime”, de olho na eleição de outubro.

A crise na segurança pública do Rio é real e é grave. Mas não começou agora e não é a verdadeira motivação da intervenção federal no estado. A intervenção tem a ver com a eleição presidencial de outubro, mais precisamente com a candidatura do atual presidente. É, como muitos já dizem, junto com a criação do ministério extraordinário da segurança pública, uma ação de marketing. O mais impopular de todos os presidentes que o país já teve tem bons motivos para pretender continuar no cargo e bons motivos para acreditar que isto é possível. Continuando na presidência adiaria, por pelo menos mais quatro anos, o encontro com a justiça, para o acerto de contas que deve levá-lo à cadeia. Hoje parece improvável que consiga vencer a eleição. Mas Temer não tem nada a perder. Por isso vai para o tudo ou nada. Favorece-lhe a exclusão de Lula do pleito de outubro e a posição que exerce, de presidente da república. Com os poderes extraordinários que o cargo lhe dá, pode ser um candidato mais forte, por dispor de mais meios e mais exposição, do que qualquer um destes nomes em que a burguesia vem investindo, sem conseguir empolgar a maior parte do eleitorado. Sobretudo se adotar a estratégia certa. Tendo perdido o discurso da ética e da melhoria das condições de vida do povo, lança-se o candidato, ainda sem assumir-se como tal, ao debate político nacional como o "presidente da segurança pública", com o evidente propósito de reduzir a pesada rejeição que carrega e angariar alguma popularidade. Bolsonaro percebeu que lhe roubaram a bandeira de campanha e reagiu indignado. “Temer já roubou muita coisa, mas meu discurso ele não vai roubar”, disse em entrevista ao Poder 360. Num vídeo que está na internet, ele declara-se contra a intervenção no Rio, porque avalia que o decreto presidencial não dá "cobertura jurídica" para os soldados e policiais usarem a violência nas operações indiscriminadamente. Diz que, desse jeito, a intervenção será ineficaz. Chamou-a de "remendo". Não pela mesma razão, eu diria que é menos que isso. Mas pode ser útil ao projeto eleitoral do presidente.

Um oportunista


Temer é um político oportunista. Já havia mostrado sê-lo quando era vice de Dilma. A Lava Jato se acercava do seu grupo e preparava o bote, quando Aécio e o PSDB aliaram-se a Cunha para sabotar o ajuste fiscal da presidenta, que era apoiado pela burguesia. Em 7 de agosto de 2015, o jornal O Globo publicou editorial condenando a atitude dos tucanos e chamando-os de imaturos, insensatos e inconsequentes. Reproduzo, a seguir, o editorial na íntegra, para que se tenha ideia do grau de insatisfação que ele expressava.
Manipulação do Congresso ultrapassa limites

Em guerra particular com Dilma e PT, presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ajuda a desmontar base do governo e contribui para agravar crise econômica

Há momentos nas crises que impõem a avaliação da importância do que está em jogo. Os fatos das últimas semanas e, em especial, de quarta-feira, com as evidências do desmoronamento da já fissurada base parlamentar do governo, indicam que se chegou a uma bifurcação: vale mais o destino de políticos proeminentes ou a estabilidade institucional do país?

Mesmo o mais ingênuo baixo-clero entende que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), age de forma assumida como oposição ao governo Dilma na tentativa de demonstrar força para escapar de ser denunciado ao Supremo, condenado e perder o mandato, por envolvimento nas traficâncias financeiras desvendadas pela Lava-Jato. Daí, trabalhar pela aprovação de “pautas-bomba”, destinadas a explodir o Orçamento e, em consequência, queira ou não, desestabilizar de vez a própria economia brasileira.

Até há pouco, o presidente do Senado, o também peemedebista Renan Calheiros (AL), igualmente investigado na Lava-Jato, agia na mesma direção, sempre com o apoio jovial e inconsequente dos tucanos. Porém, na terça, antes de almoço com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Renan declarou não ser governista, mas também não atuar como oposicionista, seguindo o presidente da Câmara, e descartou a aprovação desses projetos-bomba pelo Congresso. Um gesto de sensatez.

A Câmara retomou as votações na quarta, com mais uma aprovação irresponsável, da PEC 443, que vincula os salários da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais a 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo. Espeta-se uma conta adicional de R$ 2,4 bilhões, por ano, nas costas do contribuinte. Reafirma-se a estratégia suicida de encurralar Dilma, por meio da explosão do Orçamento, e isso numa fase crítica de ajuste fiscal. É uma clássica marcha da insensatez.

Os sinais de esfarelamento da base parlamentar do governo foram reforçados pelo anúncio de PDT e PTB de que não votarão mais com o Planalto. A crise avança para reduzir ainda mais a estreita margem que o governo tem no Congresso para combater os desajustes da economia. Justificou-se, assim, a iniciativa do vice-presidente, Michel Temer (PMDB), principal articulador político do Planalto, de fazer tensa declaração de reconhecimento da gravidade da situação e apelar para que haja um entendimento amplo a fim de conter a bola de neve de duas crises que se alimentam, a política e a econômica.

Somou-se à atitude de Temer a ida do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, à Câmara para, entre elogios ao PSDB e reconhecimento de erros cometidos pelo PT, propor um “acordo suprapartidário” diante da situação difícil na política e na economia. Algo nunca visto por parte de um petista estrelado. Mais um teste de maturidade para os tucanos.

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Se a conjuntura já é muito ruim, a situação piora com o deputado Eduardo Cunha manipulando com habilidade o Legislativo na sua guerra particular contra Dilma e petistas. Equivale ao uso de arma nuclear em briga de rua, e com a conivência de todos os partidos, inclusive os da oposição.

É preciso entender que a crise política, enquanto corrói a capacidade de governar do Planalto, turbina a crise econômica, por degradar as expectativas e paralisar o Executivo. Dessa forma, a nota de risco do Brasil irá mesmo para abaixo do “grau de investimento”, com todas as implicações previsíveis: redução de investimentos externos, diretos e para aplicações financeiras; portanto, maiores desvalorizações cambiais, cujo resultado será novo choque de inflação. Logo, a recessão tenderá a ser mais longa, bem como, em decorrência, o ciclo de desemprego e queda de renda.

Tudo isso deveria aproximar os políticos responsáveis de todos os partidos para dar condições de governabilidade ao Planalto.

https://oglobo.globo.com/opiniao/manipulacao-do-congresso-ultrapassa-limites-17109534

Em 25 de setembro de 2015, a Folha informava:
"Em praticamente todos os temas da chamada pauta bomba, a oposição votou pelo aumento de gastos - inclusive a bancada do PSDB."

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/09/1683945-pauta-bomba-do-congresso-anula-cortes-propostos-por-dilma.shtml

É muito provável que neste momento o então vice-presidente tenha visto uma oportunidade excepcional de conquistar para o seu partido a blindagem midiática e judicial de que sempre desfrutou o PSDB. Se os tucanos botaram a disputa partidária acima dos interesses da burguesia, o PMDB mostraria doravante uma atitude oposta. E aí lançou o documento Uma Ponte Para o Futuro, que era um programa neoliberal muito mais radical do que os programas defendidos por Aécio e Marina na campanha eleitoral de 2014. Se a burguesia já apoiava o ajuste fiscal de Dilma, era impossível que não se empolgasse e abraçasse o programa que ele oferecia. E, de fato, a burguesia empolgou-se e abraçou a Ponte Para o Futuro. Só que Dilma não topou ir além do ajuste fiscal e tornou-se um obstáculo à realização deste novo programa, quando tentaram lhe impor. Por isso foi derrubada num golpe de Estado. Há um vídeo na internet em que o próprio Temer conta essa história.

O vice-presidente assumiu então a presidência e acumulou sucessivos êxitos no cumprimento do roteiro estabelecido, até chegar na reforma da previdência, considerada fundamental pela burguesia. Nesse ponto o avanço da Ponte Para o Futuro parou. É que a base parlamentar golpista percebeu o despertar da consciência do povo e, pensando na eleição de outubro, recuou. O povo realmente entendeu o prejuízo que teria com a reforma da previdência e descobriu afinal que foi enganado pelos defensores do impeachment de Dilma e da perseguição judicial implacável a Lula e ao PT. Isso ficou bastante claro durante o carnaval, mas há algum tempo já vinha sendo registrado nas pesquisas de opinião. Restando-lhe apenas dez meses do mandato presidencial que lhe garante proteção contra investigações e ações judiciais, enxerga Temer na crise da segurança pública do Rio uma oportunidade para se reinventar e reverter uma situação extremamente adversa, com um movimento muitíssimo ousado e de êxito improvável, mas não impossível. Se nada tentar, a prisão é-lhe o destino certo. Tentando, tem alguma chance de escapar, mesmo remota. Então tenta a eleição para ver no que vai dar.

Para tornar-se viável, a candidatura Temer precisaria de uma bandeira e de um discurso que garantam votos. A bandeira da segurança pública e o discurso da guerra ao crime, com o uso das forças armadas, pareceram ideais. E em 17 de fevereiro, para surpresa geral, anunciou Temer a intervenção federal no Rio, estreando a sua nova bandeira e o seu novo discurso, como se inaugurasse naquele instante um novo governo. Mas por que nesta data, por que não antes ou depois dela? Por causa do carnaval, de alguns dias antes, e por causa da votação da reforma da previdência, da semana seguinte. No carnaval viu a rejeição do povo, até então silenciosa, se manifestar nas ruas de forma espontânea. E quanto à votação da reforma, tornou-se àquela altura evidente que seria derrotado. O momento tinha que ser aquele, para jogar água fria na fervura do descontentamento do povo, para dissimular o fracasso na tentativa de aprovar a reforma da previdência e para impactar a opinião pública, projetando uma nova imagem e gerando novas expectativas, mudando radicalmente a pauta do debate público e saindo da posição defensiva para assumir a ofensiva política. E por que o estado escolhido para uma intervenção federal foi o Rio de Janeiro e não algum outro estado, dentre os vários que apresentam índices de criminalidade maiores? Porque o Rio é um dos estados que tem mais visibilidade no país e porque o Rio era um estado que já estava sem governo.

Crise de autoridade no RJ


A sensação de insegurança da população do Rio de Janeiro sempre foi grande, mas aumentou nos últimos meses, graças à percepção geral de uma total ausência de autoridade no estado. Arrastões nas praias e confrontos das quadrilhas de narcotraficantes e milicianos entre si e com a polícia, há muito anos que se vê. Mas agora o governo do estado reconhece a própria incapacidade de reagir, impor limites e estabelecer alguma ordem. O povo do estado já havia percebido esta impotência. Os bandidos, também. A intervenção federal então se apresenta como uma resposta emergencial a uma situação crítica. Crítica, não porque tenha havido um salto nos índices de criminalidade - os especialistas garantem que não houve -, mas porque a evidência da ausência de autoridade no estado torna o ambiente social altamente propício a um aumento da frequência e violência das ações criminosas. O povo do Rio sabe que o estado está sem governo e sente-se, com razão, inseguro, sente-se desprotegido. Segundo a imprensa burguesa, o governador Pezão foi convencido pelos ministros de Temer, Raul Jungman e Moreira Franco, a aceitar a intervenção federal, através das forças armadas que, segundo pesquisas de opinião recentes, são a única instituição do Estado burguês em que os trabalhadores ainda confiam. Pezão formalizou então o pedido à União e Temer imediatamente anunciou o decreto presidencial nomeando interventor um general do exército, que passaria a fazer o papel de secretário de segurança do governo do estado, sob o comando não do governador, mas do próprio presidente da república.

Expectativas quanto à intervenção


Há, sobretudo na esquerda, quem veja nesta intervenção federal um ensaio para um recrudescimento da ditadura que já há, a meu ver, no país. Há quem preveja até o cancelamento da eleição de outubro. Mas a expectativa da maioria da população, que ainda confia muito nas forças armadas, deve ser de que o general consiga mesmo 'botar ordem na casa'. Se esta expectativa for frustrada, cai o último bastião da credibilidade do Estado burguês perante a classe trabalhadora. Mas se apresentar em curto prazo resultados positivos que deem ao povo a percepção de que as coisas melhoram, a candidatura de Temer poderá chegar à eleição fortalecida, contando com o apoio integral da burguesia unificada, interessada na continuidade do projeto antipopular, antidemocrático e antinacional iniciado após a deposição de Dilma.

Mas que expectativas realistas se pode ter em relação à intervenção? Acredito que tanto na hipótese de ser um primeiro movimento para a militarização da ditadura vigente, quanto na hipótese de ser uma tentativa de solução para a crise da segurança pública do estado, ou ainda na hipótese que defendo de ser um lance de marketing para alavancar a candidatura de Temer, a intervenção só poderá ser bem sucedida se o governo federal afrouxar significativamente a política de corte de gastos que ele se impôs e impôs ao Rio de Janeiro. Porque dois problemas se juntaram no estado e criaram uma situação realmente insustentável. A política de "guerra às drogas", que além de ineficaz é muito cara, e a crise financeira do governo. A crise financeira do governo do estado provocou um desequilíbrio entre as forças do crime e as forças da segurança pública, que levou a um avanço cada vez maior das primeiras sobre áreas que haviam sido controladas pelo governo num período anterior, com a política das UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora. As UPPs no Rio estão acabando por falta de dinheiro.

A completa ineficácia do aparato repressivo do governo estadual, que há anos vem sendo desmontado e sucateado pela falta de recursos financeiros e a completa desmoralização da elite política governante do estado, quase toda presa por envolvimento em escândalos de corrupção, são as principais causas da crise de autoridade que se vê no Rio de Janeiro. O comando de um general de boa reputação pode de fato contribuir para restaurar um pouco da disciplina das forças de segurança locais e elevar o seu moral. Mas não compensará, por si só, a falta de recursos, que compromete até mesmo o pagamento regular dos salários dos policiais e a manutenção das viaturas de patrulhamento.

Situação das polícias do RJ


Os salários atrasados, as péssimas condições de trabalho e o risco elevado de morte ou graves mutilações físicas nas operações de uma 'guerra às drogas' sem perspectiva nenhuma de vitória levaram ao desligamento voluntário de um número expressivo de policiais nos últimos anos, reduzindo drasticamente o efetivo tanto da PM quanto da polícia civil do Rio de Janeiro. Uma reportagem do portal G1, de julho do ano passado, diz que "um estudo do Ministério Público mostra que 52% da frota de carros da PM está parada por falta de manutenção" e que "em um ano, a Polícia Militar do Rio de Janeiro perdeu 1,3 mil homens", que não foram substituídos, já que "o último concurso aconteceu em 2014" [https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/em-um-ano-pm-do-rio-de-janeiro-perdeu-13-mil-homens.ghtml]. Em junho do ano passado, o jornal O Dia já informava que, segundo um "relatório do Conselho Nacional do Ministério Público", "o efetivo de policiais militares no estado está 40% abaixo do ideal" [https://odia.ig.com.br/_conteudo/rio-de-janeiro/2017-06-18/efetivo-da-policia-militar-e-60-do-considerado-ideal-no-estado.html]. Menos de um mês depois, o mesmo jornal O Dia publicou matéria com o título "Como a PM, Polícia Civil também está sem recursos" [https://odia.ig.com.br/_conteudo/rio-de-janeiro/2017-07-02/como-a-pm-policia-civil-tambem-esta-sem-recursos.html], dizendo que enquanto "a PM está sem efetivo, manutenção de armas e viaturas, além de depender de doações para a tropa, como alimentos", as "delegacias não têm efetivo suficiente" e "faltam equipamentos e manutenção em armas e carros". E segue a matéria do O Dia:
"A situação da Polícia Civil não é diferente. Investigações em curso do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) apontam o descaso do estado. 'O inquérito apura o sucateamento na estrutura no decorrer da última década, em especial nos órgãos da Polícia Técnico-Científica, o que vem comprometendo a instrução e o andamento das investigações criminais', disse o promotor Thiago Veras.

O DIA teve acesso às inspeções realizadas desde 2015 nas delegacias, além de um relatório feito pelo Grupo de Grupo de Apoio Técnico Especializado do Ministério Público, que fazem parte do inquérito. A conclusão do documento diz que 'foi constata a total falência da perícia técnica do estado'.

Promotores encontraram geladeiras domésticas para guardar amostras, que estavam sujas de sangue e fluidos corporais, por exemplo. Além disso, as armas que passariam por perícia não tinham local adequado para armazenamento.

No Instituto de Pesquisas e Perícias em Genética Forense, o MP observou que “a manutenção da câmara fria possui um problema crônico que se arrasta há mais de sete anos, e o diretor usa recursos próprios para o conserto. Isso atrapalha a identificação de vítimas de homicídios'. As perícias técnicas de carros são feitas a céu aberto. Em nota, a Polícia Civil afirmou que a câmara quebrou em dezembro de 2014.

Há falta de servidores em todas as delegacias. Atualmente a polícia possui 9,7 mil policiais, quando o quadro prevê cerca de 23 mil. Isso acarreta acúmulo de investigações. É o caso da 33º DP (Realengo), onde há cerca de 10 mil inquéritos em curso, mas somente 37 inspetores. Ou seja, cada agente é responsável por 270 inquéritos.

A delegacia do Fonseca, por exemplo, tem somente duas viaturas e 46% dos agentes vão se aposentar. Não há reposição prevista. Na delegacia da Pavuna, havia cerca de 1 tonelada de maconha sem ter sido remetida ao ICCE, por conta da crise. Já na delegacia de Bonsucesso, o mesmo problema foi constatado.

'Os próprios policiais criaram uma sala cofre. Os depósitos públicos estão lotados e há retardo no encaminhamento de bens e objetos apreendidos por conta da crise econômica', diz o relatório. Procurada, a Polícia Civil não se posicionou a respeito.

O inquérito no Gaesp apura de forma global todas as deficiências da Polícia Civil. Um deles é a manutenção de viaturas e blindados. Na Cidade da Polícia, inspetores contaram que estão aceitando doações de pneus de ônibus para locomover os blindados. 'Um tiro no pneu e o carro vai parar', afirmou um delegado.

Para o promotor Thiago Veras, os principais problemas constatados até agora foram a contratação de pessoal; a má estrutura física dos prédios e o sucateamento das 34 unidades que compõem o Departamento de Polícia Técnico e Científica. 'Foi evidenciado precariedade nas instalações físicas dos prédios; condições ambientais e sanitárias insatisfatórias e deficiência de material necessário para as perícias', afirmou."


Ele vai gastar, sem dó da austeridade


A principal causa da crise na segurança pública do Rio é, portanto, por falta de dinheiro. A crise financeira do governo do estado, provocada pela queda da arrecadação de impostos e de royalties do petróleo e agravada pela política de austeridade fiscal imposta ao governo Pezão pelo governo Temer, deixou as secretarias de governo à míngua, completamente sem condições de cumprirem as suas respectivas atribuições. No governo do Rio, falta dinheiro para tudo. Inclusive para a segurança pública. Isto quer dizer que, para a intervenção conseguir corresponder minimamente às expectativas que está criando, o governo federal vai ter que injetar grandes volumes de recursos no estado. O que significa que o governo federal vai ter que afrouxar muito ou romper de vez com a política de austeridade fiscal. Será que vai fazê-lo? E se fizer, como reagirá a burguesia? É possível que Temer a enfrente, que a afronte, que a desobedeça? Como eu já disse, o presidente não tem nada a perder. Vai para o tudo ou nada, investindo numa estratégia cujo resultado definirá o seu destino: é presidência ou cadeia. Ele precisa de um feito grandioso, mesmo que localizado e temporário, para impactar a opinião pública do país e mudar a própria imagem, sobrepondo à imagem do vampirão neoliberal, corrupto e golpista, a imagem do "presidente da segurança pública". Um empreendimento dessa magnitude terá certamente um custo financeiro altíssimo. Temer sabe disso e acredito que vai gastar o quanto for preciso para ter êxito, como fez ano passado, para comprar de sua base no Congresso o engavetamento das duas denúncias criminais contra ele, encaminhadas pelo Ministério Público Federal ao Supremo. Na época, a Globo chiou um bocado. Em 16 de julho, o jornal O Globo publicou a seguinte matéria:
Antes de votação, Temer distribuiu R$ 15 bilhões em programas e emendas

Pacote de bondades aconteceu em semana decisiva para selar futuro do presidente

BRASÍLIA — No momento em que o governo enfrenta um rombo nas contas públicas e a estimativa de o déficit primário ultrapassar a meta fiscal fixada para este ano, o presidente Michel Temer concentrou, só nas duas últimas semanas, o anúncio de programas e liberações de verbas que chegam a R$ 15,3 bilhões para estados e municípios, num aceno a parlamentares da base aliada. A concentração desse pacote de bondades aconteceu em uma semana decisiva para selar o futuro de Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

O esforço concentrado deu certo: Temer virou um jogo que parecia perdido e saiu vitorioso com a rejeição ao parecer que recomendava a continuidade das investigações contra ele, e a aprovação de um outro relatório, do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), pelo arquivamento da denúncia. A batalha final está marcada para 2 de agosto, no plenário da Câmara.

https://oglobo.globo.com/brasil/antes-de-votacao-temer-distribuiu-15-bilhoes-em-programas-emendas-21596676

E em 24 de outubro esta outra:
Negociações para livrar Temer de denúncia envolvem R$ 12 bilhões

Governo alivia dívidas e multas, libera emendas e desiste de privatizações

BRASÍLIA — As negociações do presidente Michel Temer com os deputados para garantir que a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República seja sepultada na Câmara esta semana envolveram pelo menos R$ 12 bilhões — além de cargos e benesses de valor inestimável, como a mudança no combate ao trabalho escravo. Só de emendas parlamentares pagas desde o início de setembro foram R$ 881 milhões. Mas houve ainda uma frustração de receita com o novo Refis, estimada até o momento em R$ 2,4 bi; a desistência de privatizar Congonhas no ano que vem, cuja outorga era estimada em R$ 6 bi, e, por fim, a possibilidade de abdicar de R$ 2,8 bi com a anistia de parte das multas ambientais prevista no decreto editado na segunda-feira.

O Palácio do Planalto acelerou a liberação de recursos para o empenho de emendas parlamentares obrigatórias desde setembro, quando apareceu a segunda denúncia contra Temer. Foram R$ 881,3 milhões em menos de dois meses, sendo R$ 607,9 milhões apenas nos primeiros 21 dias de outubro e R$ 273,4 milhões em setembro. No final da semana passada, grandes volumes foram liberados para deputados e senadores: R$ 122,4 milhões na sexta-feira e ainda R$ 53,2 milhões no sábado, segundo os dados da Comissão Mista de Orçamento (CMO).

Desde a primeira denúncia, o governo já empenhou R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 4,28 bilhões apenas com os 513 deputados. Na prática, já foi gasto quase tudo do que está previsto para o ano, que é de R$ 6,1 bilhões com o contingenciamento. Mas Temer resolveu ampliar a promessa e, segundo aliados, quer esquecer este contingenciamento e retomar o valor original destinado às emendas parlamentares, que é de R$ 9 bilhões no Orçamento de 2017. Se Temer fizer isso, cada um dos 513 deputados e 81 senadores vai ganhar uma cota de R$ 15 milhões e não os R$ 10,7 milhões fixados depois do corte.

(...)

Aliados dizem que o Planalto ainda nomeou para os cerca de 20 cargos que estavam represados desde a primeira denúncia. Mas o governo abriu mão de bilhões ao atender a pedidos de aliados, desistindo de privatizações e ampliando benesses a devedores na nova Medida Provisória do Refis e ainda com o decreto que reduz multas de crimes ambientais.

O governo já perdeu R$ 2,4 bilhões com as concessões feitas no âmbito do Refis (programa de refinanciamento de dívidas junto à União), porque a arrecadação esperada era de R$ 13,3 bilhões e agora está em R$ 10,9 bilhões. A Receita chegou a estimar o prejuízo em R$ 5 bilhões. A conta de R$ 2,4 bilhões pode aumentar, a depender no texto final do novo Refis. Mas a perda maior em termos de arrecadação se refere à desistência da privatização do aeroporto de Congonhas: R$ 6 bilhões eram esperados no leilão. O governo desistiu para agradar ao PR do ex-deputado e ex-presidiário Valdemar Costa Neto, que comanda o setor.

Dois dias antes de o plenário da Câmara enfrentar a denúncia, Temer assinou ontem um decreto que dá descontos de até 60% em multas ambientais ainda não pagas, que serão convertidas em prestação de serviços na área ambiental. A perda de receita chegará até R$ 2,76 bilhões. Ontem, a bancada ruralista, a maior do Congresso, comemorava o novo aceno, depois de já ter conseguido mudar as regras sobre trabalho escravo.

https://oglobo.globo.com/brasil/negociacoes-para-livrar-temer-de-denuncia-envolvem-12-bilhoes-21983281

Em 25 de outubro de 2017, Estadão e Uol publicaram a seguinte reportagem:
"Custo de denúncias contra Temer alcança R$ 32,1 bilhões

A negociação política para barrar duas denúncias criminais contra o presidente da República, Michel Temer, tem um custo que pode chegar a R$ 32,1 bilhões. Essa é a soma de diversas concessões e medidas do governo negociadas com parlamentares da Câmara entre junho e outubro, desde que Temer foi denunciado pela primeira vez, por corrupção passiva, até a votação da segunda acusação formal, pelos crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça - o que está previsto para esta quarta-feira, 25.

O preço para impedir o prosseguimento das denúncias supera em R$ 6 bilhões os recursos previstos por Temer para pagar parcelas de famílias beneficiárias do programa Bolsa Família ao longo do ano que vem. O programa de complementação de renda foi orçado em R$ 26 bilhões, em 2018. Também é maior do que o custo total para a construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, atualmente estimado em cerca de R$ 30 bilhões.

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2017/10/25/custo-de-denuncias-contra-temer-alcanca-r-321-bilhoes.htm

E em 27 de julho, o El País publicava:
Concessões de Temer para se salvar detonam ajuste fiscal de Meirelles

Governo procura medidas paliativas para evitar que o rombo nas contas seja maior que o esperadoEquipe econômica fez projeções otimistas e mercado especula se será capaz de cumprir meta fiscal

O ajuste fiscal do dream team comandado pelo ministro Henrique Meirelles foi derrotado pela política de salvação de Michel Temer. Enquanto o presidente abre os cofres a aliados e cede a grupos de pressão para garantir votos que barrem a denúncia do procurador-geral da República contra ele, a equipe econômica agora procura as mais diversas medidas paliativas para evitar que o rombo nas contas públicas seja maior que o esperado e obrigue o Governo a mudar a meta de déficit fiscal. Na última semana, Meirelles lançou mão até da mais impopular das alternativas que a gestão Temer tentou tanto evitar: o aumento de impostos, mas nem isso sozinho parece ser suficiente para manter a bandeira da austeridade sem paralisar a máquina pública.

O caso dos impostos revela a forte contradição em que Meirelles e Temer estão mergulhados. A medida foi na contramão de um dos maiores apoiadores do presidente, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). A poderosa associação de empresários paulistas ressuscitou seu pato amarelo inflável - símbolo da campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff - que rejeita alta de impostos sob o slogan "quem vai pagar o pato?". Ele voltou a ser exposto em São Paulo e em Brasília. A reação pública mascara a realidade de que nem toda classe empresarial tem motivos para se queixar. Contrariando Meirelles, Temer deu luz verde ao parcelamento de débitos de contribuintes com descontos em multas e juros de empresas, o chamado Refis, que começou a valer em maio. Um grupo de parlamentares pediu mudanças ainda mais generosas no programa para aliviar as dívidas dos devedores. Se as alterações feitas pelo relator da proposta vingarem, apenas 500 milhões de reais pingarão nos cofres públicos em vez dos esperados 13 bilhões de reais em 2017.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/25/politica/1501018235_950795.html

Como se vê, o compromisso de Temer não é com o projeto econômico da burguesia. É com a própria sobrevivência. Se ele não tivesse liberado a grana para os deputados, teria sido denunciado ao Supremo. E se não liberar agora a grana necessária para a intervenção no Rio causar boa impressão ao país, seu projeto eleitoral não decola e as chances de evitar a prisão serão nulas.

Guerra ao crime e licença para matar


O que Temer pretende claramente é usar as forças armadas numa versão ampliada da "guerra às drogas", tendo como alvos, além do narcotráfico, as milícias e as quadrilhas de roubo de cargas, com "efeitos colaterais" previsíveis, iguais aos que a "guerra às drogas" vem apresentando ao longo dos anos. Assim como a "guerra às drogas, a "guerra ao crime" de Temer terá como campos de batalha as comunidades pobres e as favelas do Rio. Só que agora, os "guerreiros" do Estado estarão protegidos pela Lei 13.491, sancionada pelo presidente em 13 de outubro do ano passado, que transferiu da justiça civil para a justiça militar o julgamento de crimes "dolosos contra a vida e cometidos por militares das Forças Armadas contra civil (...), se praticados no contexto:  I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da República ou pelo Ministro de Estado da Defesa;  II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar, mesmo que não beligerante; ou  III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem ou de atribuição subsidiária". Não sejamos ingênuos, o corporativismo garantirá a impunidade. Bolsonaro não tem do que se queixar. A Lei 13.491 já é uma licença para matar. Pois é para matar mesmo que treinam os soldados. Por isso é que, não podendo recusar a missão dada pelo presidente da república, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse ser necessário dar aos militares "garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade". Ele sabe do risco altíssimo dessa intervenção terminar em tragédia e não quer que os comandados e o próprio Exército, como instituição, paguem pela decisão errada de um presidente irresponsável.

Intenção criminosa frustrada


Em 19 de fevereiro, o ministro da defesa, Raul Jungman, disse à imprensa que o governo federal pediria ao judiciário do Rio a emissão de mandados coletivos de busca e apreensão. Queria dar aos militares "cobertura jurídica", como disse Bolsonaro, para invadirem com seus fuzis as casas dos trabalhadores pobres, violar suas intimidades, revirar seus humildes pertences e submetê-los a constrangimentos, intimidações e violências verbais e físicas. A intenção foi duramente contestada pelo meio jurídico, inclusive por autoridades do judiciário, que a classificaram como inconstitucional. E o governo acabou recuando, dizendo que foi mal interpretado.

Não se pensa em mandados coletivos de busca e apreensão em condomínios de luxo, onde moram empresários ricos. Por que será?

Estratégia de fuga


Criminosos em fuga não costumam preocupar-se com as vidas dos que estão em seu caminho. Só pensam em escapar do cerco da polícia. É o caso de Michel Temer. A "guerra ao crime" do presidente é uma estratégia desesperada de fuga. A eleição é a rota por onde pretende escapar. Vencendo, ele adia por mais quatro anos o acerto de contas com a justiça. Como já dito, isto é improvável mas não impossível. E ao bandido encurralado pouco importa quanto sangue de inocentes se derrame para ter e manter sua liberdade. O crime declara "guerra ao crime", de olho na eleição de outubro, para não ter o destino que merece: a prisão. Temer disse que não faltarão recursos para a intervenção. Meirelles, que os recursos serão tirados de outras áreas do governo, sem indicar quais. E se não for suficiente, se Temer resolver estourar o teto de gastos? Como reagirá a burguesia? Acho que reclamará. Mas, sem uma alternativa eleitoral mais viável, vai manter o apoio ao presidente e apoiará sua candidatura a um novo mandato. Este é o meu prognóstico. De modo que a burguesia, classe de verdadeiros vampiros, que bancou um golpe de Estado e jogou o Brasil na treva, terá na eleição de outubro o candidato perfeito para representa-la. Será Temer - o Vampirão.

Silvio Melgarejo

22/02/2018

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Aprovado na Câmara o financiamento de campanhas eleitorais por empresas. Como votaram os deputados do RJ.

Câmara recua e aprova financiamento privado de campanhas

Do UOL, em Brasília 27/05/2015

Após bate-boca entre deputados nos microfones do plenário, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27), a proposta que inclui na Constituição Federal a doação de empresas privadas a partidos políticos. A proposta foi aprovada por 330 votos a favor, 141 votos contra e uma abstenção.

A aprovação do financiamento privado de campanha aconteceu após uma manobra executada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que contou com o apoio de partidos de oposição, entre eles o PSDB.

Votaram [SIM]


DEM
Rodrigo Maia

PMDB
Celso Jacob
Celso Pansera
Eduardo Cunha
Fernando Jordão
Leonardo Picciani
Marquinho Mendes
Soraya Santos
Washington Reis

PP
Jair Bolsonaro
Julio Lopes

PR
Altineu Côrtes
Dr. João
Francisco Floriano

PROS
Hugo Leal

PRP
Alexandre Valle

PSD
Alexandre Serfiotis
Felipe Bornier
Indio da Costa
Sóstenes Cavalcante

PSDB
Otavio Leite

PSDC
Luiz Carlos Ramos

PTB
Cristiane Brasil
Deley
Walney Rocha

Solidariedade
Aureo
Ezequiel Teixeira



Votaram [NÃO]


PCdoB
Jandira Feghali

PDT
Marcelo Matos

PR
Clarissa Garotinho

PRB
Roberto Sales
Rosangela Gomes

PROS
Miro Teixeira

PSB
Glauber Braga

PSOL
Chico Alencar
Jean Wyllys

PT
Alessandro Molon
Benedita da Silva
Chico D Angelo
Luiz Sérgio
Wadih Damous

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Petistas, salvem o PT!!!

Inicio meu comentário sobre a entrevista do vice-prefeito petista, Adilson Pires, ao jornal O Dia, reproduzindo o comentário de uma companheira na lista de e-mails do 1º Diretório Zonal do Rio de Janeiro. Ela disse:
"A pergunta que não quer calar. Por que a Direção do Partido não convoca plenárias para discutir com a militância os rumos do PT no Rio de Janeiro? 
Um dia um ex-parlamentar defende aliança com Freixo, noutro dia, no Jornal O Dia, outra liderança do partido, o vice-prefeito, diz que o líder dele é o Prefeito Eduardo Paes e que seguirá sua orientação. Então... 
Só posso pensar uma coisa, essa direção tem medo do debate com sua militância.
Acorda Direção!!! 
Saudações Petistas, Náustria"

MEU COMENTÁRIO:

Me perdoe, Náustria, mas acho mais apropriado dizer: Acorda, base!!!

Fazer plenária com que militância, companheira? O PT não tem mais militante, só tem cabo eleitoral; não tem mais diretório, só comitê de campanha.

A imensa maioria dos filiados está fora do partido, excluída de todo debate interno e de toda decisão.

Meia dúzia de candidatos e seus cabos eleitorais discutem e resolvem tudo.

Não há democracia interna no PT, porque os diretórios não funcionam, não cumprem com obrigações organizativas básicas que o estatuto do PT lhes atribui.

E os diretórios não funcionam porque os PEDs não elegem dirigentes partidários, elegem chefes de comitês eleitorais.

O PT está inteiramente dominado pelo eleitoralismo e pelo carreirismo político.

E isto se reflete tanto nas manifestações de filiados de base na internet, quanto em declarações como esta abaixo, dada pelo vice-prefeito do Rio, Adilson Pires, ao jornal O Dia. Nada me chamou mais atenção em sua entrevista do que este trecho:
"[O partido tem] um problema de comunicação com a sociedade. Faltou entender que aquela estratégia do PT de 30 anos atrás, de panfleto na porta da fábrica, não cabe mais."  (Adilson Pires)
Ou seja, militância cotidiana, trabalho político de base, são práticas ultrapassadas que não cabem no PT "moderno" de Adilson Pires.

Pode parecer que não, mas isto tem tudo a haver com o fato de o 1º Diretório Zonal - e, certamente, a maioria dos demais diretórios do partido - ser, na prática, um diretório fantasma.

Quando uma liderança regional importante de um partido que se define como socialista sente-se à vontade prá defender publicamente uma posição destas, é porque esse partido já atingiu, realmente, um grau elevado de degeneração da sua cultura política.

Ou a base do PT se insurge contra a concepção de partido que está implícita nesta declaração de Adilson Pires, e que lamentavelmente conta, como ele diz na entrevista, com maioria folgada nos atuais diretórios, ou o PT, como projeto de partido socialista e democrático, de massas e de quadros, militante e dirigente, em pouco tempo será inviabilizado.

O Estatuto do PT ainda define o nosso partido da seguinte forma, em seu Artigo 1º:
"O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma associação voluntária de cidadãos e cidadãs que se propõem a lutar por democracia, pluralidade, solidariedade, transformações políticas, sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais, destinadas a eliminar a exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria, com o objetivo de construir o socialismo democrático."
Em 1987, o 5º Encontro Nacional aprovou a seguinte resolução sobre concepção de partido, que nunca foi invalidada por nenhuma resolução de nenhum outro encontro ou congresso nacional posterior do PT. Diz a resolução do 5º Encontro:
"Se queremos um partido capaz de dirigir a luta pelo socialismo (...) precisamos de um partido organizado e militante, o que implica a necessidade de quadros organizadores. Um partido que seja de massas porque organizará milhares, centenas de milhares ou até milhões de trabalhadores ativos nos movimentos sociais, e porque será uma referência para os trabalhadores e a maioria do povo.

Nossa concepção, portanto, é a de construir o PT como um partido de classe dos trabalhadores, democrático, de massas e socialista, que tenha militância organizada e seja capaz de dirigir a luta social." (5º Encontro Nacional, 1987)
O que Adilson Pires faz é vocalizar a convicção do grupo que domina os diretórios - um grupo que certamente não é composto por uma só tendência - de que, na prática, esta resolução do 5º Encontro já foi derrogada.

Aos que discordam, como eu, desta avaliação do vice-prefeito, que representaria o fim do PT como partido socialista e democrático, alerto:

O PT está em perigo e só quem pode salva-lo é a base excluída dos diretórios, que constitui a imensa maioria dos filiados e que tem sido há décadas marginalizada dos debates internos e dos processos decisórios do partido.

Ou vamos ao encontro dessa base excluída para nela buscar os recursos necessários para uma profunda renovação das direções, dos compromissos, dos valores e das práticas do PT, ou este partido não precisará de meia década para deixar definitivamente de ser um partido socialista e democrático dos trabalhadores e se transformar em mais um PMDB, com todos os seus repugnantes vícios.

O problema não é o PT fazer alianças táticas com o PMDB, como tem feito. O problema é o PT estar adotando a cultura política do PMDB.

Há filiados e tendências petistas que se revoltam com a aliança tática do PT com o PMDB, mas convivem tranquilamente com a cultura política pe-eme-debista da qual o PT há anos se deixou impregnar. Este é o maior escândalo, o maior dos males, e no entanto com isso ninguém se importa.

A corrupção da cultura política petista começou quando o PT, dois anos depois de fundado, mergulhou na luta política institucional sem criar mecanismos internos de defesa contra a contaminação pela cultura política predominante nas instituições burguesas.

E o que é mais grave é que estes mecanismos de defesa da integridade ideológica do partido até hoje inexistem.

Ou seja, o partido era e continua sendo um organismo inteiramente desprovido de sistema imunológico atuando num ambiente de extrema insalubridade para um partido socialista, que é a institucionalidade burguesa, e por isso ao invés de refratário, foi e está sendo permeável à cultura política de partidos como o PMDB.

O sistema imunológico do partido só pode ser construído a partir da disciplina coletiva do estudo sistemático das resoluções de seus congressos e encontros nacionais, da disciplina coletiva do debate democrático interno permanente e da disciplina coletiva do trabalho constante de propaganda e agitação política dos seus valores e projetos na sociedade.

E disciplina coletiva só se consegue quando há organização e comando.

Para isso existem no partido os diretórios, para organizar e comandar as ações dos filiados em seus respectivos territórios.

Se os diretórios não funcionam, é impossível haver disciplina coletiva para o exercício daquelas atividades que podem imunizar o partido contra o contágio de valores e práticas estranhos ao seu ideário e incompatíveis com os seus objetivos.

Por isso é que há tempos venho propondo um pacto entre todos os filiados e tendências do PT pela construção do partido e pelo funcionamento pleno e regular dos seus diretórios, afim de incorporar a massa petista ainda não filiada e garantir o uso racional das contribuições financeiras, conhecimentos e habilidades dos antigos e novos filiados na manutenção do funcionamento de uma democracia partidária de verdade e na realização de ações políticas coletivas capazes de influenciar efetivamente o processo político do país.

A sobrevivência do PT como partido socialista e democrático não depende do candidato que ele vai apoiar nas próximas eleições municipais, depende do resgate urgente da cultura política petista, corrompida ao longo de décadas pelo descaso com o funcionamento das instâncias responsáveis pela formação e informação política da base de filiados, pela garantia do funcionamento da democracia partidária e da disciplina do trabalho político cotidiano desta base junto à classe trabalhadora, que são exercícios indispensáveis para o amadurecimento político da militância e para a preservação e fortalecimento de suas convicções.

Não importa a eleição, não importa o cargo, não importa a aliança, não importa o candidato.

Importa a saúde do partido que se degenera perigosamente em consequência dos maus hábitos políticos internos adquiridos ao longo do tempo e que precisam ser abolidos para que ele se recupere.

O partido está tão mal que ainda pode sobreviver a uma eventual derrota eleitoral.

Mas não sobreviverá a um avanço maior da deformação do seu caráter.

Se o Brasil, para avançar, precisa de uma Reforma Política, é preciso que se diga que, com a mesma urgência, o PT também.

O país, com ou sem reforma, não acaba. O partido sim, corre esse risco.

PACTO  PELA  CONSTRUÇÃO  PARTIDÁRIA  JÁ

domingo, 28 de setembro de 2014

Resumo da Proposta de Plano de Ação e histórico das contribuições enviadas ao 1º Diretório Zonal no primeiro mês da gestão Le Cocq (janeiro de 2014).

27/09/2014 - No dia 8 de janeiro de 2014, a presidenta recém eleita do 1º Diretório Zonal, Cláudia Le Cocq, postou a seguinte mensagem na página do diretório no Facebook:
"Companheir@s da 1ª Zonal do PT-RJ, boa tarde. 
Estamos realizando a transição dos trabalhos da presidência do nosso zonal, eu e o companheiro Ricardo Quiroga Vinhas iniciamos esta tarefa. A intenção é ainda em janeiro fazermos uma confraternização de posse, o segundo passo será a organização (de) um Plano de Ação para 2014 com a participação dos membros eleitos, e em seguida uma ampla reunião para apresentação e desdobramentos. 
As sugestões serão bem vindas. 
Abraço fraternal 
Cláudia Le Cocq 
Presidenta da 1ª Zonal PT-RJ"
https://www.facebook.com/groups/506192469470535/permalink/573690092720772/



Como a companheira Cláudia disse que as sugestões seriam bem vindas, eu mandei, por escrito, as minhas. No dia 15 de janeiro de 2014, postei, como comentário, no tópico aberto por ela, e como texto de um novo tópico que criei, a seguinte mensagem, que também foi enviada, no mesmo dia, à lista de e-mails do diretório, tendo sido publicada na página desta lista na web com o número 15264:

PROPOSTA DE PLANO DE AÇÃO PARA O 1º DIRETÓRIO ZONAL (RESUMO)
À presidenta do 1º Diretório Zonal, Cláudia Le Cocq Beatriz, demais membros do Diretório e filiados de base a ele vinculados, apresento um resumo da minha proposta de plano de ação para o Diretório. Em futuras mensagens vou detalhando e justificando ponto a ponto do projeto. 
PROPOSTAS: 
1 - Inscrição do 1º Diretório Zonal no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) 
2 - Adesão do 1º Diretório Zonal ao sistema Rede PT Brasil 
3 - Criação do Banco de Dados do 1º Diretório Zonal 
4 - Criação do Programa Zonal de Voluntariado Petista 
5 - Realização do Censo Partidário Zonal 
6 - Criação da Rede Zonal de Comunicação Partidária 
7 - Realização da Conferência Zonal de Administração e Finanças Partidárias 
8 - Realização da Conferência Zonal de Comunicação Partidária 
Saudações petistas, 
Silvio Melgarejo 
(enviado hoje também para a lista de e-mails do diretório)
https://www.facebook.com/groups/506192469470535/permalink/577035649052883/







Durante aquele mês de janeiro, eu publiquei mais três textos, como novos tópicos e como comentários no tópico aberto pela companheira Cláudia, com reflexões e propostas para o plano de ação que ela disse pretender elaborar. Os três textos são os seguintes:


23/01/2014 - "O mito do 'partido dos núcleos' e a Administração como aliada da prática política". Esse texto foi enviado no mesmo dia à lista de e-mails do diretório e publicado em sua página na web com o número 15292.

https://www.facebook.com/groups/506192469470535/permalink/580795598676888/


26/01/2014 - "Administrar para democratizar e lutar (Reflexões e Propostas)". Texto enviado no mesmo dia à lista de e-mails do diretório e publicado em sua página na web com o número 15299.

https://www.facebook.com/groups/506192469470535/permalink/582100458546402/


27/01/2014 - "Pela realização do Censo Partidário Zonal (11/07/2013)". Texto enviado no mesmo dia à lista de e-mails do diretório e publicado em sua página na web com o número 15300.

https://www.facebook.com/groups/506192469470535/permalink/582393551850426/

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Por que agora? Porque depois será tarde.

(Mensagem enviada em 22 de setembro de 2014 à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web com o número 16038)

POR QUE o 1º Diretório Zonal tem que PROCURAR AGORA os mais de (*) mil filiados de sua base - com os quais não tem tido contato -, e não SÓ DEPOIS das eleições?

Porque o PT PRECISA da participação deles AGORA para reeleger Dima e eleger Lindberg.

Tem que ser AGORA.

DEPOIS será TARDE.

Silvio Melgarejo

22/09/2014

"O óbvio, (...) é a verdade mais difícil de ser enxergada" (Clarice Lispector)

domingo, 21 de setembro de 2014

Re: Quantos filiados estão nas ruas? Quantos poderiam estar? E por que não estão? (5)

(Mensagem enviada em 21 de setembro de 2014 à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web com o número 16034. Trata-se de resposta ao comentário de uma companheira)

Maria Ponciano.

Se tiver tempo, leia, por favor, os dois parágrafos abaixo que, ao todo, só têm 307 caracteres, pouco mais do que duas mensagens do Twitter. São bem curtinhos, olha só. Se preferir pode até ler um hoje e outro amanhã. Não precisa ter pressa.

Primeiro este:
"Compete aos Diretórios Zonais (...) manter em dia o cadastramento dos filiados e filiadas do Zonal." 
(Artigo 87, letra "c", do Estatuto do PT)
E agora este:
"Compete à Comissão Executiva Zonal (...) informar e atualizar TODOS os filiados e filiadas sobre políticas, propostas, publicações, materiais e demais iniciativas do Partido." 
(Artigo 88, letra "g", do Estatuto do PT)
Agora me diga. Isto está sendo cumprido, companheira?

Silvio Melgarejo

21/09/2014

Re: Quantos filiados estão nas ruas? Quantos poderiam estar? E por que não estão? (4)

(Mensagem enviada em 21 de setembro de 2014 à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web com o número 16033. Trata-se de resposta ao comentário de uma companheira)

Maria Ponciano.

Você diz que só teve tempo para ler os dois primeiros parágrafos da mensagem que dirigi a você. 

Mas teve tempo para me responder em sete parágrafos.

Será que é falta de tempo, mesmo?

Permita-me duvidar, companheira, dessa sua justificativa. Acho que você foi bem além do segundo parágrafo. Pelo menos até o sexto você leu. Sabe porque acho isso?

No sexto parágrafo do meu texto eu digo:
"Estes milhares estão dispersos e sem comunicação nenhuma com o partido. Culpa deles? Não!!! Culpa do partido, mais especificamente, de seus dirigentes, que tem sido inoperantes."
Se você não tivesse lido esse trecho, não haveria sentido esta frase que disse ao final da resposta que me deu, que é a seguinte:
"Assim, a 'culpa' fica com eles sim."
Ora, eu só digo a palavra "culpa" no sexto parágrafo do meu texto. Antes disso, não.

Portanto, acho que, pelo menos até o sexto parágrafo você leu.

Só que, a partir do sétimo, você encontrou argumentos cujo valor não consegue negar. Então achou melhor fingir que não leu. Um direito seu. Mas, fingiu mal, me perdoe a franqueza.

Silvio Melgarejo

21/09/2014

sábado, 20 de setembro de 2014

Re: Quantos filiados estão nas ruas? Quantos poderiam estar? E por que não estão? (3)

(Mensagem enviada em 20 de setembro de 2014 à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web com o número 16031. Trata-se de resposta ao comentário de um companheiro)

Sérgio Telles.

A militância da zonal tem que usar a internet para organizar e mobilizar a base do partido na zonal. Acho que temos que definir bem o nosso foco.

Além disso, o objetivo da gente não pode ser só eleitoral. Nós não podemos perder de vista a missão de construir o partido para que ele organize, mobilize e dirija as massas, não só para garantir governabilidade social a Dilma eleita, mas sobretudo para impulsionar, desde as ruas e desde a internet, a realização do objetivo estratégico do PT que é o socialismo democrático.

O cuidado que eu acho que tem que se ter com a atuação na internet é com o risco da pulverização e dispersão da militância. Acredito que é necessário e possível articular a atuação do partido na internet com a atuação do partido na rua. Tenho a convicção de que uma coisa pode potencializar a outra, se tudo for feito, evidentemente, de forma organizada, obedecendo a um comando ou a uma coordenação centralizada, para que haja sintonia entre as duas frentes de atuação.

Mas há, de fato, da parte de alguns setores do partido, uma incompreensão muito grande quanto à importância da internet como ambiente real de participação e luta política. Há um evidente preconceito. Vez por outra vê-se manifestações de desprezo, como se toda atividade política na internet tivesse um valor político menor do que qualquer atividade política na rua ou numa sala de reuniões. Acho que essa é uma visão pequena e uma mentalidade atrasada, que os petistas têm que fazer um esforço para superar.

Todo debate político na internet é real e, portanto, tem o mesmo valor que qualquer debate realizado em ambiente físico, como um auditório ou uma sala de reunião. A diferença de qualidade entre um debate e outro não está no ambiente usado para sua realização. Está no conteúdo expressado pelos que deles participam.

Prá mim, isso parece mais do que evidente. Mas receio que haja muito dirigente partidário petista ainda preso ao preconceito contra a internet, julgando frequentemente os materiais publicados com critério análogo ao de quem, numa hipótese absurda, avaliasse o valor de uma obra literária ou de um documento político pela qualidade do papel em que estão impressos.

Cadê a juventude petista, Sérgio Telles, prá ajudar essa zonal a superar sua caretice? Os trabalhadores e os estudantes brasileiros estão cada vez mais mergulhados na era digital, enquanto a maior parte de nós ainda resiste a essa evolução, com a cabeça presa a um mundo analógico, que já tem dias contados para o fim.

Santo Isidoro de Sevilha, rogai por nós. Salve este diretório zonal da obsolescência.

Um abraço, companheiro botafoguense.

Silvio Melgarejo

20/09/2014

Re: Quantos filiados estão nas ruas? Quantos poderiam estar? E por que não estão? (2)

(Mensagem enviada em 20 de setembro de 2014 à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web com o número 16030. Trata-se de resposta ao comentário de uma companheira)


Por questões de segurança, alguns dados citados na mensagem original estão sendo omitidos nesta edição pública e substituídos por asteriscos (*).

***

Maria Ponciano.

Ninguém, que esteja fora dessa lista de e-mails e fora da página da zonal no Facebook, recebe "programação" nenhuma (informes do diretório). Você não sabia disso? Pois é assim mesmo que a coisa funciona por aqui, desde sempre.

O que tenho dito é que, no levantamento que fiz no cadastro do PT, identifiquei (*) mil filiados com endereços nos 17 bairros da Zona Sul, mais Glória, Santa Teresa e Centro. O diretório tem 253 desses filiados nesta lista de e-mails em que estamos e 433, em tese, na página do Facebook.

Digo "em tese", porque a maioria desses 433 participantes da comunidade do Facebook, na verdade, nem pertence à zonal.

Apenas 253 e 433 filiados, num universo de (*) mil. É muito pouco, você não acha?

Aí eu te pergunto. E os mais de (*) mil filiados da zonal que estão fora da lista de e-mails e do Facebook?

Eu te digo companheira. Estes milhares estão dispersos e sem comunicação nenhuma com o partido. Culpa deles? Não!!! Culpa do partido, mais especificamente, de seus dirigentes, que tem sido inoperantes.

Diz o Artigo 88, letra "g", do Estatuto do PT:
"Compete à Comissão Executiva Zonal (...) informar e atualizar TODOS os filiados e filiadas sobre políticas, propostas, publicações, materiais e demais iniciativas do Partido". 

Destaco o "TODOS".

Isso nunca foi feito no PT, Maria Ponciano, nem no nosso tempo, que é o tempo de quase todos aqui.

E por que isso nunca foi feito?

Por falta de organização das instâncias e por falta de disciplina de seus dirigentes. Isso é evidente.

Era atribuição minha tentar organizar um cadastro de filiados da zonal que permitisse que estes filiados fossem procurados? Não. Era uma obrigação dos filiados que se candidataram e foram eleitos para dirigir esta zonal. Só que nunca, nenhum deles, assumiu, de fato, essa responsabilidade.

O que diz o Artigo 87, letra "c", do Estatuto do PT?
"Compete aos Diretórios Zonais (...) manter em dia o cadastramento dos filiados e filiadas do Zonal".
Mais claro, impossível.

Mas, mesmo que a atualização permanente do cadastro de filiados não estivesse explicitamente prevista no Estatuto como dever dos dirigentes das zonais, esta deveria ser considerada pelos dirigentes uma tarefa prioritária, já que a existência de um cadastro atualizado de filiados é condição básica, inescapável, para o cumprimento de todas as demais atribuições desses dirigentes, previstas ou não no Estatuto.

Me deu um trabalho gigantesco pegar a listagem que obtive no Diretório Municipal, com dados completamente bagunçados de cerca de 53 mil filiados de todo o município do Rio, separar apenas os que tinham endereço nos bairros das Zonas Sul e Centro, que eu acreditava constituírem a base territorial do 1º Diretório, e depois ainda montar listagens por bairro, agrupando filiados por logradouro, CEP, edificação e unidade habitacional.

Levei meses fazendo isso e, acredite, não me arrependo. Não era esta, certamente, uma atribuição estatutária minha. Mas eu julgo ter cumprido um dever político de militante, para tentar quebrar a inércia da paralisia que domina este diretório e, consequentemente, toda a sua base.

Passei meses falando aqui, sem ser ouvido. Por isso, em dado momento, resolvi ir das palavras aos atos. Acreditava que só assim talvez fosse possível contagiar companheiros e companheiras visivelmente acomodados a uma dinâmica partidária viciada que, ao longo de décadas, vem impedindo o PT de se construir, nas zonas Sul e Centro do Rio, como aquele partido democrático, de massas e de quadros, militante e dirigente, que as resoluções de seus congressos e encontros nacionais determinam que ele seja.

Não me iludo, porém. Sei que a construção desse partido não depende só de mim. Fiz o que me foi possível e já encaminhei à presidenta do diretório o resultado do meu esforço. De posse desse material, não há razão nenhuma que justifique o adiamento da ida do diretório ao encontro de sua base. A única explicação para se adiar esse encontro é a tal da inércia da paralisia que domina as vontades dos nossos dirigentes.

Portanto, eu e o Estatuto do PT concordamos contigo, Maria Ponciano. Você está certíssima. Os (*) filiados da Glória, assim como os demais filiados, residentes nos outros bairros da zonal, deveriam sim receber informações do diretório. Nisso estamos de acordo. Só não concordo com essa sua ideia de que o diretório tem que "ficar esperando eles chegarem". Prá mim, o dirigente partidário é quem tem a obrigação de procurar o filiado de sua base, não o contrário.

Dirigente, num partido como o PT, tem que fazer trabalho de base. Não pode ficar sentado esperando que a base venha ao seu encontro. Isso é uma atitude típica de burocrata. O PT nunca vai ser um partido democrático, militante e dirigente, se não tiver dirigentes militantes, que tenham a disciplina do trabalho cotidiano de base. É pela falta crônica de presença da direção na base, que o PT está como está, com uma militância cada vez mais velha e minguada.

O partido, dirigido desta forma, não garante direitos e não cobra deveres do filiados, não garante o funcionamento de sua democracia interna e não tem o menor poder de ação prática. Veja que, mesmo tratando a campanha de coleta de assinaturas para o projeto de lei iniciativa popular da Reforma Política como uma de suas prioridades, desde o ano passado, o PT não conseguiu até hoje pegar as assinaturas sequer da totalidade dos seus filiados. E isto se deve, exatamente, à falta permanente de contato entre a direção e a base partidária.

Se a direção não vai à base, companheira, o partido não funciona. E é isso o que está acontecendo. O 1º Diretório Zonal não está funcionando como instância partidária porque não se comunica NUNCA com a quase totalidade de sua base de filiados.

Agora, o dirigente nunca vai dar conta de uma base de milhares de filiados se não tiver consigo, atuando, sob seu comando, uma vanguarda militante disposta a suar a camisa junto com ele. Quando os documentos oficiais do PT dizem que o PT tem que ser um partido de massas e de quadros, entende-se que os quadros, que são os militantes mais qualificados e dedicados, têm a função de organizar e dirigir a massa de filiados na execução dos planos de ação estabelecidos pelas instâncias partidárias superiores.

Tudo que tenho dito aqui tem o propósito de sensibilizar não só os dirigentes da zonal, mas também e sobretudo a sua vanguarda, para que essa vanguarda cobre dos dirigentes, como é direito seu assegurado pelo Estatuto, ou forje uma nova direção partidária alternativa, para realizar as tarefas que a direção oficial não esteja sendo capaz de cumprir.

O que propus a Náustria, Maria Ponciano, não é algo que eu considere atribuição política apenas dela. É uma atribuição que considero que é de todo e qualquer militante que esteja realmente comprometido com a construção do PT. E essa atribuição, nada mais é do que, simplesmente, fazer trabalho de base. É só isso. Primeiro junto aos filiados do partido. Depois junto aos trabalhadores lá fora, que não são filiados.

A proposta que fiz a Náustria, de trabalho de base na Glória, é a mesma que faço aos vizinhos dela, Joylce e Flávio Lomeu, a mesma que faço a você, para que atue no Flamengo, se não tiver se mudado, e a mesma que, com ou sem ajuda, vou tentar implementar aqui em Botafogo, bairro onde moro.

O problema que nós temos aqui é mais do que a simples cobrança de responsabilidades estatutariamente previstas e que não estão sendo assumidas. Trata-se, em verdade, é de avaliar honestamente o grau de compromisso que cada um de nós, filiados de base ou dirigentes, tem com a construção do partido nas zonas sul e centro do Rio.

Quem, afinal, na prática, vai assumir essa responsabilidade, arregaçar as mangas e botar mãos à obra? E quem vai lavar as mãos, fingir-se de surdo ou desentendido e sair de fininho?

Estas, Maria Ponciano, é que são as perguntas que precisam ser respondidas por todos e por cada um de nós. Porque desde o nosso tempo, que é o tempo de quase todos aqui, as pessoas se candidatam, são eleitas dirigentes e depois saem de fininho, deixando os barcos que tinham que comandar à deriva. E dane-se o PT e danem-se os filiados da base.

Só tem um jeito disso mudar, companheira. Com a auto-organização dos filiados de base e com a cobrança da base organizada aos dirigentes de suas instâncias. Sem essa pressão de baixo para cima, que é saudável para o partido, os dirigentes tendem quase sempre a se acomodar.

Nós, da 1ª zonal, temos que ter essa cultura, de nos cobrarmos, uns dos outros, comprometimento, dedicação e disciplina. Mas temos, também, que estar atentos para a diferença, quase sempre ignorada, entre ser mero cabo eleitoral e militante socialista. Caso contrário, como organização, nós vamos fracassar; nós nunca vamos conseguir, de fato, cumprir nossa missão de construir um PT, aqui, que possa ser efetivamente dirigente da luta dos trabalhadores pelo socialismo democrático.

Porque não se conquista o socialismo através unicamente do voto. Portanto, não se conquista o socialismo só com cabos e comitês eleitorais. Isso quer dizer que um diretório zonal petista não pode funcionar apenas como comitê eleitoral. E um militante petista não pode se permitir, jamais, atuar apenas como cabo eleitoral. Infelizmente, o que mais tem se visto no PT é esse rebaixamento das funções do diretório e do militante, como decorrência natural de uma generalizada ignorância quanto aos reais objetivos estratégicos do PT. Há, portanto, a meu ver, um grave problema de fundo na formação política do partido, que está na raiz dessa perigosa degeneração que eu aponto. Mas esta é uma outra conversa.

Um abraço, companheira.

Silvio Melgarejo

 20/09/2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Re: Quantos filiados estão nas ruas? Quantos poderiam estar? E por que não estão? (1)

(Mensagem enviada em 19 de setembro de 2014 à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web com o número 16028. Trata-se de resposta ao comentário de uma companheira)


Por questões de segurança, alguns dados citados na mensagem original estão sendo omitidos nesta edição pública e substituídos por asteriscos (*).

***

Olha, Náustria, eu vou tentar resumir o máximo possível o que propus em minha "extensa mensagem", prá ver se você consegue entender. Tá bom? Olha, é o seguinte:

O PT tem no seu cadastro (*) filiados com endereço na Glória. 

Você mora na Glória, certo? 

Tem alguém fazendo campanha na Glória?

Acho que não. E, se tiver, deve ser muito pouca gente. Pois, então.

Eu proponho a você que procure os seus vizinhos Joylce B. e Flávio L. e que vocês criem um Comitê de Filiados para atuar exclusivamente aí nas ruas e praças da Glória.

Proponho que vocês três peguem a listagem que fiz com os endereços dos (*) filiados da Glória e que visitem um por um para confirmar seus endereços, telefones, e-mails e endereços nas redes sociais.

Com esses dados, a minha proposta é que vocês formem a Rede PT Glória para integrar todos os filiados da Glória na campanha, usando todos os meios possíveis para manter comunicação permanente com eles. 

A imensa maioria dos filiados da Glória está fora da campanha - e, pior, fora do partido -, simplesmente porque ninguém do partido procura por eles.

Por que você, Joylce e Flávio não procuram por esses companheiros? São filiados que são vizinhos de vocês, com os quais vocês devem, às vezes, até esbarrar na rua sem nem saber quem são. Quantos desses mais de (*) filiados que moram no seu bairro você conhece? 

Pois é isso que proponho. Que você vá até eles, que os visite, que telefone para eles, que mande cartas, e-mails, mensagens no Facebook, no Twitter, ou torpedos em SMS; que, durante os próximos dias, você forneça a eles os materiais de campanha para que eles distribuam em seus prédios, que você combine com eles atividades de campanha nas ruas e praças da Glória. 

Deu prá entender agora?

***

Sabe o que eu desconfio, Náustria? Que você não vai topar fazer esse trabalho, apesar de, com ele, ser possível aumentar significativamente a força do PT nesta campanha, no bairro em que você mora. Por que será que tenho essa desconfiança?

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Quantos filiados estão nas ruas? Quantos poderiam estar? E por que não estão?

(Mensagem enviada em 18 de setembro de 2014 à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web com o número 16022)


Por questões de segurança, alguns dados citados na mensagem original estão sendo omitidos nesta edição pública e substituídos por asteriscos (*).

***

Companheir@s.

A título de registro e para refletirmos um pouco, publico agora, aqui nesta lista de e-mails, a troca de mensagens que tivemos, eu e a companheira Cláudia Le Cocq, presidenta do 1º Diretório Zonal, entre os dias 12 e 13 de setembro, na página deste diretório no Facebook, a respeito da mensagem enviada por mim ao diretório, no dia 9 de setembro, através desta lista em que estamos, intitulada "Pela criação de Comitês de Filiados por Bairro".

Reproduzo também as trocas de mensagens que tive logo depois disso com os companheiros Marcus Vinícius, secretário-geral, e Carlos Kalifa, membro suplente do 1º Diretório, também aqui nesta lista.

Essas mensagens evidenciam, a meu ver, a dificuldade que este diretório zonal tem para se mover, mesmo quando todos os meios lhe são dados de bandeja. Nem tendo em mãos listagens por bairro com os endereços de todos os filiados dos 17 bairros da Sul, mais Glória, Santa Teresa e Centro, cuidadosamente agrupados por logradouro, por CEP, por edificação e por unidade habitacional, se animam seus membros a fazerem algum trabalho de base.

A proposta que fiz de que o diretório e a vanguarda com a qual ele mantém algum contato, começassem imediatamente a visitar todos estes filiados e que criassem Redes e Comitês de Filiados por Bairro, teria como efeito, se implementada, um incremento substancial da participação da base petista desses bairros tanto na campanha eleitoral, quanto na campanha de coleta de assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular da Reforma Política, que o PT, desde a reunião do Diretório Nacional de 1º de março de 2013, realizada em Fortaleza, tem tido como uma de suas prioridades.

Essa campanha de coleta de assinaturas simplesmente inexiste nesta zonal, assim como inexiste campanha eleitoral do PT na maior parte dos bairros da base territorial do diretório. E aonde existe campanha, as ações realizadas têm baixíssimo índice de participação de filiados em razão da absoluta falta de comunicação entre o diretório e a quase totalidade de sua base.

A outra dificuldade que essas trocas de mensagens confirmam, é a resistência deste diretório, que vem desde a gestão anterior, ao uso da internet como meio de comunicação com sua base de filiados, para o desenvolvimento tanto do debate político, quanto do debate sobre a administração da zonal.

A falta de notícias sobre o que tem sido tratado, decidido e realizado pelo 1º Diretório Zonal e sua Comissão Executiva, desde o início desta gestão, leva-me a crer que o diretório e sua executiva nunca se reúnem, não tendo, por isso mesmo, nunca nada para anunciar.

Mas mesmo nos fóruns de debates oficiais da instância, que são a lista de e-mails e a página no Facebook, evitam seus membros, sistematicamente, a discussão política e, sobretudo, a discussão administrativa.

A construção partidária parece um tema tabu, sobre o qual nunca nada se fala.

Todas as tentativas que fiz, desde maio do ano passado, quando nesta lista fui admitido, de discutir construção ou administração partidária, foram interditadas, seja por via da indiferença, seja por via da desqualificação a priori do que eu dizia ou pela desqualificação da minha pessoa, sem qualquer consideração pelo que eu dizia.

Tenho, além disso, a forte impressão, lendo mensagens na lista de e-mails e no Facebook, de que o cuidado excessivo em proteger amizades muito caras e de longa data, tem inibido o exercício da critica, necessário ao aprimoramento da ação partidária.

Não é, nunca foi e nunca será fácil proteger a relação pessoal de repercussões da relação política, quando a relação política é de divergência, ainda que ocasional ou pontual.

Mas a escolha de assumir ou não o risco de ver a crítica pública que se faz ferir involuntariamente susceptibilidades, depende exatamente do que representa para cada um o diretório zonal. Se antes uma instância partidária, ou se antes um clube de amigos.

Ninguém critica ninguém, publicamente, na 1ª zonal. Ninguém cobra nada de seus dirigentes. Os dirigentes não cobram uns dos outros. E, graças a esse pacto de boa e harmoniosa convivência, todos são muitíssimo amigos. Mas a zonal vai de mal a pior.

Se a leitura do Estatuto do PT permite, como penso, que se diga que as três grandes missões dos dirigentes partidários são garantir direitos e cobrar deveres dos filiados, garantir a democracia partidária e garantir o poder de ação do partido na base territorial de suas instâncias, é preciso que se reconheça, para dar ensejo a alguma mudança, que nada disso tem sido feito pelo 1º Diretório Zonal. E o pior é que ninguém fala nada, parece que está tudo muito bem.

Não está nada bem, companheiros. Estamos envelhecendo e morrendo e a militância do partido não tem se renovado. Entra eleição e sai eleição e a nossa militância está cada vez mais idosa e menos numerosa. Daqui a 5 ou 10 anos muitos de nós pode já ter ido desta prá melhor, sem ter realmente aberto as portas do PT para a juventude, nem deixado herdeiros políticos dentro partido capacitados para dar continuidade à luta pelo socialismo democrático iniciada, com sua fundação, há 34 anos.

O que será do PT no futuro, companheiros, se não aproveitarmos o que nos resta de vitalidade para dar vida ao partido e permitir que ele vá ao encontro da juventude que está lá fora e se renove, como se renovam todos os organismos vivos pela substituição constante das células? Um organismo cujas células não se renovam é um organismo morto. Pensem bem.

Já em 1987, o 5º Encontro Nacional do PT registrava a seguinte lição que, pelo visto, até hoje não aprendemos. Diz essa resolução:
"A fragilidade das estruturas orgânicas do PT teve início na campanha eleitoral de 1982, quando diluímos nossos núcleos e Diretórios em comitês eleitorais de candidatos que, em sua maioria, terminaram em 15 de novembro daquele ano, com o fim da campanha. De lá para cá, o PT encaminhou com relativo êxito algumas campanhas gerais, porém, até hoje, não conseguiu formular nem implementar uma política de organização que estimulasse o crescimento do Partido do ponto de vista orgânico (nucleação, formação política, finanças etc.). Essa fragmentação tem muito a ver com a postura que se tomou em relação à construção partidária. Mais que isto, tem a ver com a visão do papel do Partido que estamos construindo."
A falta de estudo dos documentos do PT tem feito com que muitos de seus dirigentes ignorem o papel que o partido se propõe a ter na sociedade brasileira desde a sua fundação. E, sem essa referência fundamental, perde-se inteiramente a noção do partido que se precisa construir.

O PT quer conquistar o poder político para construir o socialismo democrático.

Para isso, ele entende que precisa ser um partido democrático, de massas e de quadros, militante e dirigente.

E só se constrói um partido assim, construindo diretório a diretório segundo esse mesmo modelo.

Os diretórios petistas, portanto, não podem ser só comitês eleitorais.

Porque comitê eleitoral só faz campanha eleitoral.

Diretório, não.

Diretório tem que construir o partido, o que significa filiar os simpatizantes e criar e manter estruturas e mecanismos para que eles participem das ações do partido e de seus processos decisórios.

Comitê eleitoral só funciona durante a eleição.

Diretório, não. Tem que trabalhar o tempo todo.

É assim que tem que ser no PT, porque assim o PT definiu em seus congressos e encontros nacionais.

Se não for assim, estaremos fazendo do PT um partido como outro qualquer e renunciando, na prática, ao objetivo estratégico de construir o socialismo democrático, constante dos documentos aprovados naqueles congressos e encontros, que são suas instâncias máximas superiores.

Por isso digo que o 1º Diretório Zonal está atuando de forma errada e que precisa se corrigir.

Errada não segundo um critério qualquer tirado de minha cachola.

Errada segundo os critérios estabelecidos nas resoluções do próprio partido, que a maioria, ao que tudo indica, ainda desconhece.

Passo, então, ao registro das mensagens trocadas desde o dia 12 nesta lista de e-mails e na página do diretório no Facebook com a companheira Cláudia e com os companheiros Marcus Vinícius e Carlos Kalifa.

Mensagens


No dia 12 de setembro eu, lá no Facebook, publiquei a seguinte mensagem, dirigida à companheira Cláudia:
"À PRESIDENTA DO 1º DIRETÓRIO ZONAL 
Claudia Beatriz Le Cocq. Você leu a mensagem que mandei à lista de e-mails da 1ª zonal, intitulada "Pela Criação de Comitês de Filiados por Bairro"? Recebeu em seu e-mail pessoal o conjunto de arquivos que te mandei, com planilhas por bairro de todos os bairros da zona sul, mais Glória, Centro e Santa Teresa, com os endereços de mais de 3 mil filiados? É preciso que se diga, companheira Cláudia, sem rodeios, que estes 3 mil filiados simplesmente estão fora do partido e fora da campanha eleitoral porque o 1º Diretório Zonal não tem até hoje, por incrível que pareça, nenhum canal de comunicação com eles, o que é inadmissível. Esse pessoal tem que ser procurado, urgentemente, Cláudia, não dá prá simplesmente ignorar que eles existem, desprezar a contribuição que eles podem dar. Isso é um crime contra o partido e contra as candidaturas que estamos defendendo. É preciso procurá-los para dar chance a eles de participarem da campanha.

Mandei a mensagem e o conjunto de planilhas há 3 dias e estou aguardando um posicionamento seu e dos demais membros do diretório. São 15 membros efetivos, mais 10 suplentes. Não é possível que ninguém se manifeste sobre algo tão que importante como a organização da base de filiados da 1ª zonal. O diretório deveria ter isso como prioridade. Nós estamos numa campanha difícil e, por isso mesmo, o PT não pode desperdiçar os recursos humanos que tem em sua base. Tem que mobiliza-los. Mas, para mobiliza-los, precisa ter contato com eles. Lembro que são mais de 3 mil filiados, não é pouca gente. Essa turma tem que ser contatada e incorporada de alguma forma à campanha. É um desperdício deixar tanta gente de fora. Tem muito pouca gente na campanha, enquanto estes milhares de filiados não participam pela absurda razão de que não são chamados pelo diretório. Não é possível que ninguém veja, nesse partido, que isso está errado. 
Aguardo uma manifestação sua, Cláudia. Um abraço, companheira."

https://www.facebook.com/groups/506192469470535/permalink/693808104042303/

No mesmo dia 12, a companheira Cláudia me respondeu nos seguintes termos:
"Eu oPTei em priorizar a campanha. A militância do PT está nas ruas, nas atividades com os nossos candidatos a Deputados Estaduais, Federais, com Lindberg e com Dilma. Ser petista nas eleições é levantar alto nossa bandeira, colocar a estrela no peito, vestir o vermelho, realizar comícios domésticos, participar dos Comícios organizados pelo PT, é organizar panfletagens, usar os adesivos nos carros e nas vestes, convencer a vizinhança e colegas de trabalho, é trabalhar com dedicação para reeleger Dilma Rousseff e eleger Lindberg Farias. É atuar no facebook e em grupos, é twttar ... não é ora de dividir ... é ora de ação, as sugestões são bem vindas ... mas tenho a clareza que participar é só querer. Viva o PT !!! Amanhã é dia da mobilização vermelha mais uma vez estaremos nas ruas !!!"

E no 13 de setembro, ainda na página do grupo do Facebook do diretório, em resposta a este post da companheira Cláudia Le Cocq, eu publiquei o seguinte texto:
"QUANTOS ESTÃO NAS RUAS?  
QUANTOS PODERIAM ESTAR? 
E POR QUE NÃO ESTÃO? 
E quem disse, Claudia Beatriz Le Cocq, que eu não estou priorizando, neste momento, a campanha eleitoral? A questão é saber se queremos fazer uma campanha com poucos ou uma campanha com muitos, se queremos usar todo o potencial militante da zonal ou se vamos nos contentar em usar apenas uma pequena parte desse potencial.  
*** 
É um erro, sob qualquer ponto de vista, achar que os problemas deixam de existir só porque fechamos os olhos para eles ou porque ignoramos as vozes dos críticos. E é um erro gigantesco, tanto do ponto de vista político, do funcionamento da democracia partidária, quanto do ponto de vista administrativo, da busca da eficácia e da eficiência da máquina partidária, classificar, a priori, qualquer crítica e qualquer proposta de correção de procedimento como ameaça à unidade de ação partidária.  
Na democracia, a unidade de ação se forja com base em consensos formados no livre debate, e não na abstinência da crítica ou na censura aos dissensos. A boa gestão de qualquer organização, além disso, exige que o administrador seja capaz de identificar o que está dando certo e o que está dando errado, com base na observação própria, mas também na escuta da opinião de seus colaboradores, afim de fazer os devidos acertos.
Classificar, como aqui se fez, precipitadamente e sem qualquer justificativa plausível, uma avaliação crítica do desempenho do diretório zonal e uma proposta concreta de correção de rumo, que pretende exatamente melhorar esse desempenho, como algo danoso para o partido e, portanto, indesejável, é, na prática, interditar o debate democrático pela via nada sutil da desqualificação prévia. Quando um não quer, dois não debatem. Não responder a questionamentos ou recusar-se a emitir juízo sobre análises e propostas apresentadas, são formas de negação do debate democrático. E é isso o que, lamentavelmente, estou vendo aqui. 
*** 
Olha, companheira Cláudia, eu fico feliz de você ter me dado alguma resposta. Afinal, o diálogo é uma via de mão dupla. Mas parece, companheira, que você não leu ou, se leu, não entendeu nada do que eu disse. Em que ponto exatamente do meu texto você conseguiu encontrar alguma intenção de dividir, algo que eu tenha proposto que possa sequer ameaçar causar alguma divisão? Leio, releio e não acho. Muito pelo contrário. Em meu texto, eu aponto apenas, isto sim, uma divisão clara, que já existe nesta zonal há muito tempo e que é muito prejudicial ao partido. Uma divisão em que, de um lado, tem-se algumas poucas centenas de filiados integrados em nossa rede interna de comunicação - formada por esta comunidade do Facebook e a lista de e-mails - e de outro milhares de filiados que estão lá fora, sem ter contato nenhum com o partido.  
Fiz, então, uma proposta de trabalho de base exatamente para superar essa divisão e ainda ofereci os meios para fazer esse trabalho, que são as listagens com os endereços dos filiados. Me diga, por favor: como essa proposta de trabalho pode causar mais divisão do que já há? Sim, concordo, é hora de ação. E é ação, mesmo, o que estou propondo. Uma ação para integrar ao partido e à campanha eleitoral os filiados que estão de fora, dispersos e inativos, e que você deve saber que não são poucos. Há uma diferença, Cláudia, muito grande, entre realizar todas essas ações de campanha que você cita, com 300 ou com (*) mil filiados. Nós estamos com apenas 300 militantes ativos, se tanto, enquanto, lá fora, temos pelo menos (*) mil filiados parados, compondo uma reserva militante ociosa com a qual não temos o menor contato e que, portanto, não pode ser mobilizada.  
Que ação política coletiva você acha que pode ter melhor efeito numa democracia: uma ação de poucos ou uma ação de muitos? Eu acho que é uma ação de muitos. Por isso acredito que o diretório tem que fazer de tudo para mobilizar o máximo possível de filiados para esta campanha. É um equívoco achar que 3 mil filiados vão se mover espontaneamente, guiados apenas pela propaganda da televisão. Eles tem que ser procurados e orientados pelo diretório zonal. Se não é esse o papel do diretório zonal nesta campanha em relação aos filiados de sua base, então eu não sei mais para que serve um diretório zonal, é melhor fechar de vez as portas. 
Você diz que tem a clareza de que "participar é só querer". Pois a clareza que eu tenho, é a de que o desejo de participação de um filiado pode ser estimulado ou desestimulado pela atitude do dirigente partidário em relação a ele. Se o dirigente some, se não se comunica, se não dá a ele informação, orientação, estímulo e meios; se não diz direta e reiteradamente ao filiado o quanto e porque a sua participação é importante; se, ao contrário disso tudo, faz de conta que esse filiado nem existe, se se convence de que só dele mesmo depende participar - o que não é verdade -, dá-lhe as costas e se acomoda, esperando que ele espontaneamente venha ao seu encontro, a tendência é que o filiado também se acomode e não se anime a participar de nada. Não há base militante, sem dirigente militante que exerça de fato o seu papel de dirigente.  
Presumo, pelo que você diz, pelo silêncio dos demais membros do diretório, e pelas curtidas de alguns deles em seu comentário, que as planilhas de filiados por bairro que fiz e a proposta de criação dos Comitês de Filiados por Bairro que apresentei, vão para o lixo. A acusação de que essa minha iniciativa provoca divisão, não passa, evidentemente, de um truque para encerrar o debate, evitando a abordagem franca, honesta e racional dos dados, da análise e das propostas que apresentei. O apelo à unidade em torno de uma política claramente equivocada, que tem levado ao subaproveitamento dos recursos da zonal, e o desprezo pela crítica e pelo crítico que, de boa fé, aponta erros e propõe correções de rumo, não ajudam nenhum pouco, companheira, o PT a melhorar o seu desempenho como partido nessas eleições, aqui nas zonas centro e sul do Rio.  
Um partido democrático, aliás, até mesmo por uma questão de princípio, mas também e sobretudo por óbvias razões práticas, não pode evitar o debate político e sobre as questões organizativas durante uma campanha eleitoral. Isso é um erro escandaloso. Ajustes sempre precisam ser feitos e, quando não feitos, não raro produzem fracassos. Renunciar, ademais, e desconsiderar a crítica, acomodar-se e exigir acomodação ao erro, conformar-se com pouco e exigir de todos o mesmo conformismo, quando é possível ter mais; essas atitudes, além de antidemocráticas, são absolutamente contraproducentes, já que ajudam a preservar práticas que comprometem gravemente o uso máximo dos recursos do partido, necessário para que ele atinja seus objetivos. Erros na condução da zonal durante a campanha devem, portanto, ser, sim, apontados, devem ser considerados por todos os seus membros, e devem ser, na medida do possível, prontamente corrigidos, e não ignorados, jogados para debaixo do tapete. Porque esses erros têm consequências para o partido como um todo. 
Bem, Cláudia, eu confesso que estou desapontado, porque, ainda tinha um fio de esperança de que você pudesse ter a coragem de dar um rumo diferente e melhor à sua gestão como presidenta deste diretório. Pelo visto, não tem. Mas não posso dizer que esteja realmente surpreso. O comportamento do diretório zonal agora, está sendo coerente com o comportamento que tem tido desde a sua posse. Nada nunca funcionou de fato, nenhuma das suas secretarias nunca, efetivamente, esteve em atividade. O diretório não se reúne e não decide e a comissão executiva não executa nada. Graças a esse imobilismo crônico de seus dirigentes, a 1ª zonal permanece realmente dividida. Dividida não entre este único crítico franco da sua gestão e os demais participantes deste fórum, que silenciam, mas entre os poucos que aqui estamos e a multidão de filiados que está lá fora, de cujo engajamento o PT tanto precisa para reeleger Dilma, eleger Lindberg, ampliar nossas bancadas parlamentares e conquistar a Reforma Política e a Democratização da Mídia.  
Vivemos uma contradição curiosa e irônica. Festejamos muito e nos orgulhamos, com razão, do avanço da inclusão social no Brasil pela ação dos nossos governos. Mas convivemos naturalmente e sem queixas com os altíssimos índices de exclusão partidária no PT, por conta da inação de seus dirigentes. O gozo da cidadania nacional cresce para os trabalhadores brasileiros, graças aos governos petistas. Mas, no PT, raríssimos gozam suas cidadanias partidárias, graças à irresponsabilidade de milhares de dirigentes que não cumprem com seus compromissos políticos e obrigações estatutárias. Um partido assim, frouxo e inorgânico, nunca será capaz de dirigir a luta dos trabalhadores brasileiros pelo socialismo democrático. E deixar as coisas do jeito que estão é renunciar, na prática, à realização deste objetivo estratégico que o PT reafirma a cada congresso e encontro nacional que faz.  
A conquista do poder e a construção do socialismo democrático exigem que o PT seja um partido realmente democrático, de massas e de quadros, militante e dirigente. E a parte que nos cabe, Cláudia, na construção desse partido, é construir um diretório zonal que siga esse modelo, e seja um diretório democrático, de massas e de quadros, militante e dirigente. Nada tem sido feito neste sentido, companheira, desde o início de sua gestão. E sua atitude agora, como a atitude dos demais membros do diretório, sugere que nada será mesmo feito no futuro. A 1ª zonal não tem e não terá, se depender de vocês, pelo visto, um diretório democrático, de massas e de quadros, militante e dirigente. Quando muito, o que terá é um comitê eleitoral sem muito gosto pela organização e pela disciplina. Não é isso o que as resoluções dos congressos e encontros nacionais do PT determinam, tenhamos claro. 
Um abraço, companheira."

Assim como a presidenta do diretório, Cláudia Le Cocq, também o secretário geral da instância, Marcus Vinícius, se manifestou no dia 12 de setembro sobre minha proposta de criação de Comitês de Filiados por Bairro. Ele postou um comentário à mensagem que enviei a esta lista de e-mails, dizendo o seguinte:
"Prezado Silvio, gostei da idéia de organizar filiados por bairro.  Acho que logo após o processo eleitoral, devemos aprofundar o assunto dentro da zonal. 
Grande abraço. 
Marcus Vinicius" 
(mensagem 16006 de 12/09/2014)

Por descuido, só vi em minha caixa de e-mails esta mensagem de Marcus Vinícius no dia 15. E respondi assim que a li. Disse o seguinte:
"Que bom que você gostou, Marcus Vinícius, mas...  
O que significa exatamente "dentro da zonal"? Acaso estamos "fora"?  
Outra coisa: qual o sentido de se esperar o fim da guerra eleitoral para, só então, convocar a reserva ociosa do exército militante petista da zonal? 
Continuar com 300 militantes, se tanto, na campanha, é melhor do que alcançar até (*) mil?  
Por que não dar agora a esses 300 a missão de ir aos (*) mil que estão lá fora e incorporá-los à campanha? 
Por que desperdiçar tantos recursos, abrir mão de ter na tropa tantos novos combatentes a engrossar nossas fileiras? 
Por que abrir mão, afinal, de usar a força máxima do partido, no momento mais decisivo de uma das mais importantes e difíceis eleições presidenciais dos últimos tempos? 
Companheiro Marcus Vinícius. Um partido de luta se constrói na luta. Não, depois da luta. Uma campanha presidencial é um momento privilegiado para a construção partidária. Porque predispõe, mais do que qualquer outro evento, os trabalhadores à participação política.  
Todos os filiados deste partido estão hoje com suas sensibilidades políticas aguçadas e suas atenções tomadas pelo debate público entre os candidatos representantes dos dois projetos de país que estão em disputa.  
Todos sabem que o futuro do país neste momento está em jogo e que é hora de unir forças prá garantir a continuidade das transformações que estão em curso.  
O orgulho de ser petista cresce à medida que Dilma cresce sobre seus adversários na propaganda eleitoral, nas entrevistas e nos debates, confrontando as realizações dos 3 mandatos presidenciais do PT e os novos passos que pretende dar caso eleita, com os resultados dos dois mandatos presidenciais tucanos e com as medidas antinacionais, antidemocráticas e antipopulares que a direita neoliberal assumidamente pretende de novo impor ao Brasil, caso consiga voltar ao poder, com Marina ou Aécio.  
Os valores maiores da esquerda estão sendo hoje encarnados por Dilma nessa disputa. E o orgulho de ser petista nada mais é do que o orgulho de ser de esquerda. Orgulho de acreditar e lutar por igualdade, liberdade, justiça e democracia, e ver o PT no governo conduzindo o país nesse rumo, apesar de haver tantas forças contrárias, e apresentando tantos resultados positivos e importantes, na prestação de contas que tem feito à sociedade, durante esta campanha, como credenciais de enorme valor para seguir à frente do governo, na presidência da república.  
Portanto, a hora é agora, companheiro Marcus Vinícius. Não vamos deixar passar.
Em nenhum outro momento, posterior a essa eleição, a militância da zonal estará mais disposta ao engajamento, nem os filiados de nossa base estarão mais receptivos a dialogar conosco e a reforçarem seus laços com o partido.  
Adiar o necessário encontro entre este diretório e sua base a pretexto de priorizar as ações gerais da campanha, convocadas pelos diretórios superiores, é deixar passar o ambiente político e psicológico mais favorável a esse encontro e perder uma oportunidade que talvez tão cedo não se repita. 
A melhor contribuição que este diretório pode dar ao PT nesta campanha eleitoral não é a presença pouco numerosa, embora aguerrida, de sua vanguarda e dirigentes, nos eventos gerais para os quais ele é chamado.  
A melhor contribuição que este diretório pode dar ao PT nesta campanha, é trabalhar intensamente para incorporar à campanha os milhares de filiados de sua base, ora dispersos e inativos, e ajudar o partido a não só ganhar mais votos e eleger seus candidatos, mas também sair dessa eleição mais organizado e mobilizado, com força redobrada e mais preparado para enfrentar novas e mais duras batalhas.  
Por isso é que eu proponho ao 1º Diretório Zonal que o trabalho de criação dos Comitês de Filiados por Bairro, a partir das planilhas que lhes enviei, comece agora, sem demora, antes que as condições para que obtenhamos os melhores resultados deixem de existir, com o fim da eleição. 
Faltam 41 dias para o segundo turno. E, nesse tempo, com o ambiente político que temos, é possível fazer uma revolução nessa zonal. Basta tomar a decisão e encarar com afinco o trabalho. Sem medo do novo, que essa minha proposta representa. Sem hesitação. E sem preguiça. 
Um abraço, companheiro. 
Silvio Melgarejo 
15/09/2014"

No mesmo dia 15 de setembro, o companheiro Carlos Ocké Kalifa compartilhou aqui na lista de e-mails uma mensagem da Secretaria Nacional de Organização, intitulada "Compromisso da Reforma Política", que tinha o seguinte texto:
"Companheiros(as), 
O Partido dos Trabalhadores tem grandes tarefas e desafios para o próximo período. Dar continuidade ao nosso projeto nacional com a reeleição da presidenta Dilma e Reformar o Sistema Político-Eleitoral são alguns dos quais não podemos prescindir. Não é mais possível admitir a influência do poder econômico nas disputas eleitorais, a pouca participação da mulher na vida política e o enfraquecimento progressivo dos partidos políticos. 
O PT lançou em junho deste ano a 2ª etapa da sua campanha para coleta de assinaturas do projeto de Iniciativa Popular, REFORMA POLÍTICA: PRA MUDAR TEM QUE ASSINAR. Nosso objetivo é alcançar, NO MÍNIMO, 1,5 milhão de assinaturas para podermos protocolar junto ao Congresso Nacional, a Convocação de uma Constituinte Exclusiva para Reformar o Sistema Eleitoral Brasileiro. 
Na semana da pátria, os movimentos sociais realizaram o Plebiscito Popular a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o Sistema Político. Todavia é preciso esclarecer que, apesar de receber nosso apoio, esta não é a campanha do PT. Portanto, é preciso que continuemos empenhados em coletar as assinaturas para atingirmos nosso objetivo. 
Para baixar o formulário acesse o site: www.pt.org.br/reformapolitica, imprima e colete quantas assinaturas possíveis. Caso não tenha o título de eleitor em mãos não se preocupe, basta colocar os outros dados bem legíveis que localizamos seu Título de Eleitor no site do TSE. Lembre-se que NÃO EXISTE ASSINATURA DIGITAL, os formulários devem ser preenchidos, assinados e, por fim, encaminhados ao PT. 
Gostaríamos de contar com a cooperação de todos, pois desejamos realizar na 1ª semana de outubro uma prévia do que foi coletado no país. E para que possamos contabilizar os dados, solicitamos que enviem os formulários até dia 30 de setembro para a Sede do PT Nacional em São Paulo: Rua Silveira Martins, 132 - Centro - São Paulo – SP - CEP: 
01019-000. Telefone de contato: (11) 3243 – 1301. 
Contamos com vocês. Pra Mudar tem que Assinar! 
Ajude na divulgação da Campanha, clicando aqui para compartilhar isto nas redes sociais. 
Atenciosamente, 
Gleide Andrade 
Vice Presidente Nacional do PT 
Coordenadora Nacional da Reforma Política PT" 
(mensagem 16010 de 15/09/2014)

No dia seguinte, 16 de setembro, respondi a ele, comentando esta mensagem e relacionado-a com as análises e propostas que tenho feito no campo da administração partidária. Disse-lhe o seguinte:
"Bem, Carlos Kalifa. Diante de uma convocatória dessa, com meta, prazo e tudo, e se todos nós sabemos da importância da Reforma Política para a continuidade do projeto petista no governo, o que este diretório espera para atendê-la? 
Conforme a pesquisa que fiz e que já enviei a vocês em mensagens anteriores, temos (*) filiados com endereços nos 17 bairros da zona sul e nos bairros de Santa Teresa, Glória e Centro. Insisto no que venho dizendo a vocês: vamos até eles, companheiros. 
Se conseguirmos falar com cada um destes filiados, explicar o que é e do que trata esse projeto de lei de iniciativa popular; se conseguirmos colher suas assinaturas e convencer cada um deles a pegar mais 5 assinaturas entre familiares, amigos e colegas de trabalho ou estudo, nós poderemos alcançar, em tese, até (*) mil assinaturas.  
Seria uma boa contribuição para esta importante campanha do PT.  
Mas, mesmo que atingíssemos apenas metade desse número, ou seja, se conseguíssemos colher (*) mil assinaturas, também considero uma boa contribuição.  
Qualquer coisa, aliás, que esse diretório consiga fazer para se aproximar de sua base, da qual sempre andou distante, será algo extremamente positivo para o PT e, portanto, digno de ser muito comemorado. 
Já faz uma semana que enviei ao 1º Diretório Zonal, através desta lista de e-mails, minha proposta da criação de Comitês de Filiados por Bairro. Em resposta que recebi ontem, também nesta lista, o secretario geral do diretório, companheiro Marcus Vinícius, disse que gostou da ideia e que a botaria em pauta para ser discutida. Mas só depois das eleições.  
Também aqui na lista, respondi a ele expressando as razões da minha discordância quanto a esse adiamento e da convicção que tenho de que a criação desses Comitês de Filiados por Bairro tem começar agora, imediatamente, e não ficar para depois das eleições.  
Pois essa mensagem que recebemos agora da Vice-Presidente do PT e Coordenadora Nacional da Reforma Política do partido, é mais uma fortíssima razão para darmos urgência máxima à criação dos Comitês de Filiados por Bairro na 1ª zonal.  
Como eu disse na primeira mensagem, em que apresento a proposta de criação dos comitês e anuncio o envio ao diretório das planilhas de filiados já organizadas para servir a esse fim, os Comitês de Filiados de Bairro teriam a função de ser braços do diretório zonal nos bairros, através dos quais o diretório poderia planejar, organizar e dirigir as ações do partido em cada bairro, mantendo o comando do conjunto das ações simultaneamente realizadas. 
Ressalto que as planilhas que fiz e enviei ao diretório, com os filiados já distribuídos por bairro, logradouro, edificação e unidade habitacional, já são meio caminho andado para que se possa instalar os comitês.  
Ao visitar cada filiado para confirmar dados e pegar os que faltam para permitir o estabelecimento de canais de comunicação do diretório com cada um, o militante-entrevistador aproveitaria a ocasião para fazer uma breve discussão sobre a Reforma Política, colher a assinatura do filiado no abaixo-assinado do projeto de lei de iniciativa popular e, ao fim, propor a ele que assuma com o PT o compromisso de pegar mais, pelo menos, 5 assinaturas em seu círculo social. Esse seria, basicamente, o roteiro de trabalho do militante em cada visita. 
Temos, portanto, 39 dias até o 2º turno da eleição presidencial e 14 dias para enviar os formulários com as assinaturas colhidas na zonal à sede do PT Nacional, atendendo à solicitação da Coordenadora Nacional da Reforma Política do PT, Gleide Andrade. Estes são os prazos. O desafio agora é tentar mover essa zonal para cumpri-los, da melhor forma possível. 
Penso que esse diretório, no curto espaço de tempo que tem, deve fazer o maior esforço possível para colher e enviar ao PT Nacional as assinaturas, pelo menos, da totalidade dos filiados de sua base territorial. Essa deveria ser a nossa meta mínima. 
Termino citando, para lembrar, o resumo da proposta de criação dos comitês de bairro que botei no início da mensagem enviada e esta lista no dia 9/9/2014. Ali eu digo: 
PROPOSTA: Criar Comitês de Filiados por Bairro para permitir que o 1º Diretório Zonal, em cumprimento do que determina o Estatuto do PT:
1) garanta direitos e cobre deveres dos filiados de sua base; 
2) garanta o funcionamento de sua democracia partidária; e 
3) tenha poder de ação:
- para organizar e dirigir as lutas dos trabalhadores de sua jurisdição; 
- para lutar pela reeleição de Dilma; 
- para lutar pela eleição de Lindbergh; 
- para lutar pela ampliação das bancadas do PT nos parlamentos estadual e federal; e  
- para realizar a campanha de coleta de assinaturas para os abaixo-assinados dos projetos de lei de iniciativa popular da Reforma Política e da Democratização da Mídia

Um abraço, companheiro Carlos Kalifa. 
Silvio Melgarejo 
16/09/2014" 
(mensagem 16012 de 16/09/2014)

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Bem, companheiros, feito o registro de minhas propostas e dos argumentos que as fundamentam, aguardo o momento de vê-las submetidas à analise dos dirigentes e da base desta 1ª zonal. Tudo que digo encontra amparo em diversas resoluções de congressos e encontros nacionais do PT, que são os documentos, segundo nosso Estatuto, que devem orientar a atuação do partido.

Ver um argumento meu destruído em suas premissas e desenvolvimento lógico, ao ser submetido ao crivo crítico da razão de meus pares, é algo que não me preocupa, porque é assim mesmo que funciona qualquer debate democrático. O que me preocupa é ver que no partido o debate não existe, que toda proposta e todo argumento apresentados caem no vazio da indiferença ou esbarram na desqualificação antecipada, e se perdem sem produzir nenhuma reflexão coletiva e nenhuma ação correspondente às conclusões coletivamente alcançadas. Por enquanto, infelizmente, é isso que tenho visto no 1º Diretório Zonal.

Saudações petistas.

Silvio Melgarejo

18/09/2014