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sábado, 2 de janeiro de 2016

O problema da esquerda é a incondicionalidade do apoio do PT ao governo Dilma.

Não é possível combater seriamente uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar incondicionalmente o governo que a concebe e implementa. Porque o apoio incondicional ao governo limita e mantém a pressão por mudanças num nível muito baixo, sempre insuficiente para fazer frente à pressão do poder econômico, que não tem limites.

Enquanto o PT mantiver apoio incondicional ao governo Dilma, será, a despeito do discurso crítico à política econômica, um agente desmobilizador dos trabalhadores e da juventude, que contribuirá permanentemente para a manutenção da divisão da esquerda e da anemia do poder popular.

(Trecho de uma nota minha de 23/10/2015)

https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-problema-da-esquerda-%C3%A9-a-incondicionalidade-do-apoio-do-pt-ao-governo-dilma/1186879141325483


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-problema-%C3%A9-a-incondicionalidade-do-apoio/1149210915092306

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Uma esperança para Serra e Chevron.

Apesar da enorme repercussão que teve, até agora, a declaração do ministro Joaquim Levy de que o governo poderia mudar o regime de exploração do pré sal ainda não foi contestada pela presidenta Dilma Rousseff.

Silvio Melgarejo

06/11/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/uma-esperan%C3%A7a-para-serra-e-chevron/1155891394424258


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O problema é a incondicionalidade do apoio.

Diálogo que tive ontem com o companheiro Val Carvalho, do PT do Rio/RJ.

Status de Val Carvalho

"O militante petista muitas vezes perde a paciência com Dilma porque acha que ela deve simplesmente mudar a política econômica – o que também defendo. Mas entendo que a presidenta fica sopesando, avaliando frequentemente as pressões do poder econômico e do poder popular. O primeiro se mede pelo percentual do PIB que controla. O segundo pelo grau de unidade e mobilização popular. Por enquanto a primeira pressão, do poder econômico, é de longe a mais forte, o que faz Dilma ser bastante cautelosa e ir tocando o barco como pode.
Temos de fortalecer o poder popular, reforçando a sua unidade na Frente Brasil Popular e elevando a capacidade de mobilização dos trabalhadores e da juventude como também a informação independente do povo. Sem isso não conseguiremos fazer com que Dilma mude, nem que seja parcialmente, essa política econômica antipopular quem vem dando tanto gás para os golpistas." (Val Carvalho, 22/10/2015)
https://www.facebook.com/val.carvalho.31/posts/948053135274549

Meu comentário


Val Carvalho. O poder econômico é mais forte agora, depois que a presidenta dividiu e desmobilizou a base social construída ao longo da campanha eleitoral, com a decepcionante política econômica que resolveu adotar. Para esta política, ela realmente só tem apoio da Globo e do conjunto da burguesia. Mas para o cumprimento do programa econômico que defendeu durante a campanha, ela teria o apoio decidido do conjunto das centrais sindicais, movimentos populares e partidos e militantes de esquerda e progressistas, que hoje se opõem às suas medidas.

Aécio e Marina anunciaram os nomes dos seus ministros da fazenda, caso eleitos, durante a campanha eleitoral. Armínio Fraga, o de Aécio; André Lara Resende, o de Marina. Dois neoliberais notórios. Dilma fez mistério, recusou-se a antecipar o seu. Mas apenas um mês depois do pleito, que venceu com 54 milhões de votos, anunciou Joaquim Levy, cujo perfil não difere dos ministros dos seus concorrentes, o que já desapontou boa parte do seu eleitorado. Que pressões a teriam obrigado a fazer esta escolha? Afinal, o poder econômico é que foi derrotado nas urnas pela unidade e mobilização popular em torno do programa econômico antineoliberal defendido por Dilma. E o que fez a presidenta? Resolveu adotar o programa dos derrotados.

Dilma não vai mudar a atual política econômica. Sabe por que? Em primeiro lugar, porque acredita nesta política, como declarou recentemente. E depois, porque não perde nada mantendo-a, já que o apoio que tem do PT e da Frente Brasil Popular é incondicional. Ela pode continuar desempregando e arrochando salários até o final do mandato, que o partido e sua frente vão continuar empenhados em lhe dar sustentação política no parlamento e na sociedade. Não é por outra razão que parte da esquerda que ajudou a elegê-la resolveu criar uma outra frente, a Frente Povo Sem Medo, do MTST.

A política econômica de Dilma dividiu e desmobilizou a esquerda e os movimentos sociais. E a política adotada pelo PT em relação ao governo tem contribuído para a manutenção desta divisão e desmobilização, que enfraquecem ainda mais a esquerda e os movimentos sociais. Não é possível combater seriamente uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar incondicionalmente o governo que a concebe e implementa. Porque o apoio incondicional ao governo limita e mantém a pressão por mudanças num nível muito baixo, sempre insuficiente para fazer frente à pressão do poder econômico, que não tem limites.

Enquanto o PT mantiver apoio incondicional ao governo Dilma, será, a despeito do discurso crítico à política econômica, um agente desmobilizador dos trabalhadores e da juventude, que contribuirá permanentemente para a manutenção da divisão da esquerda e da anemia do poder popular.

Silvio Melgarejo

23/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-problema-%C3%A9-a-incondicionalidade-do-apoio/1149210915092306

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Quem não deve, não paga.

Sobre a dívida pública, que leva quase metade do orçamento da União e que aumenta extraordinariamente a cada nova elevação da taxa de juros Selic, é preciso, mais que nunca, questionar: Ela é totalmente legítima? Ou é, em parte, produto de fraude? Será que o povo deve mesmo isso tudo que lhe cobram? Ou será que está pagando o que não deve? Isso tem que ser investigado.

AUDITORIA  DA  DÍVIDA  PÚBLICA  JÁ!

Silvio Melgarejo

22/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/quem-n%C3%A3o-deve-n%C3%A3o-paga/1148963851783679


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Contra seu partido, Dilma mantém ministro e política econômica da Globo. E agora, PT?


Palavra da Presidenta sobre o PT


Durante a campanha eleitoral

“Nós, do PT, somos a grande força política inovadora do Brasil.” (Trecho do discurso proferido no lançamento de sua pré-candidatura à reeleição, em 2/5/2014, no 14° Encontro Nacional do PT)

E logo depois de reeleita

"Eu não represento o PT. Eu represento a Presidência. A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia.” (Folha, 6/11/2014)

***

Sobre a política econômica


Palavra da Globo

“Deixa o homem trabalhar. A escolha de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda foi um alento. Agora, a presidenta Dilma precisa dar a ele liberdade para agir.” (Época - Edição 861 - 28/11/2014)

Palavra do PT

"É importante mudar a política econômica. É preciso que se libere crédito para investimentos, para consumo. É uma forma de fazer a economia rodar. Da mesma maneira, é insustentável manter a atual taxa de juros. (...)  Acho que ela [Dilma] vai determinar a liberação de crédito com responsabilidade. Há mecanismo para isso, desde crédito consignado, eventualmente mexer com o compulsório dos bancos para que os bancos privados possam liberar crédito. Mas é impressão minha, ela não disse isso. Se Levy não quiser seguir a orientação da presidente, deve ser substituído. Se ele não quiser, caso ela determine.”  (Rui Falcão, presidente do PT, Folha, 18/10/2015)

Palavra da Presidenta

"O ministro Levy fica. E se ele fica é porque concordamos com a política econômica dele." (Dilma Rousseff, Folha, 18/10/2015)


E agora, PT? O que farás?


A Globo pediu, em nome de banqueiros e especuladores do mercado financeiro: “Deixe Levy trabalhar”. E Dilma está deixando.

O PT pediu: “Mude a política econômica, presidenta”. E Dilma disse não, que não vai mudar porque concorda com o que está sendo feito.

E agora, PT?  O que farás?

Vais continuar dando suporte político para a realização do programa econômico neoliberal, desde sempre defendido pela Globo e tucanos?

E é assim que pretendes mobilizar as massas contra o golpe e em defesa da democracia?

É assim que pretendes ter o apoio dos trabalhadores para preservar as conquistas sociais da última década, avançar mais e fazer as reformas estruturais, no rumo do socialismo democrático?

E é assim que pretendes ter o apoio do povo para resistir aos ataques do fascismo e eleger Lula em 2018?

E agora, PT?

O que será de ti, qual o teu futuro, amarrado como estás, voluntariamente, a um governo em que a presidenta, a despeito de ser tua filiada, te despreza, não te ouve e trai os mais importantes compromissos assumidos, que avalizaste perante as massas, na última campanha eleitoral?

E agora, PT?

Se Dilma te nega e renega e faz de ti mero instrumento da aplicação de uma política tucana, que fere os interesses dos trabalhadores, o que fazes ainda neste governo? Por que negas aos trabalhadores a tua liderança, como único partido de massas da esquerda, para o necessário e urgente combate à poderosa ditadura do bancos, da qual Dilma, à tua revelia, resolveu se fazer competente e abnegada gestora?

E agora, PT?

Como fica o teu projeto, aquele para o qual foste criado e que ainda alimenta as esperanças de milhões de brasileiros? Por que transformar tanta esperança em revolta e desencanto, mantendo fidelidade a um governo onde não tens mais influência, um governo que caminha na contramão dos teus objetivos e que se fez e faz de ti antagonista da classe trabalhadora, única aliada estratégica possível para a realização do teu ideal socialista e democrático?

E agora, PT?

O que fazer nesta encruzilhada em que te encontras, trazido pelas circunstâncias e por teus próprios movimentos? Chegamos a um momento em que já não é mais possível servir bem aos trabalhadores e ao mesmo tempo à burguesia, em que já não é mais possível avançar sem luta, conciliando interesses e fazendo acordos satisfatórios para todos. A crise mundial do capitalismo não permite mais que se sustente a ilusão, no período de fartura, alimentada, de  não haver neste país luta de classes. A crise e a ganância dos burgueses hoje empurram as massas para o abismo da pobreza e da miséria. Lutar pela parte que lhes cabe numa justa partilha das riquezas produzidas, é a única chance que os trabalhadores têm de escapar deste destino. Sem luta e resistência, a derrota é mais que certa.

É hora, PT, de ter coragem prá fazer escolhas que atestem perante as massas a seriedade dos teus compromissos e de ousar tomar decisões importantes que podem definir o teu futuro e o futuro do Brasil. Se o governo já não serve, ao contrário, compromete o teu projeto, nada mais pode prender-te a ele, é hora de se desligar. Porque só se justifica a permanência de um partido no governo quando, governando, consegue este partido fazer avançar o seu projeto.

E então, PT? De que lado ficas? O lado de Dilma, Levy, da Globo e da burguesia, banqueiros à frente? Ou o lado dos trabalhadores, com os militantes e partidos de esquerda e progressistas, as centrais sindicais e os movimentos populares? Teu compromisso hoje é com o projeto pessoal da presidenta ou é com o projeto que afirmas ter para o país? Decida logo, PT. Porque, assim como estás, com um pé em cada canoa, não tardarás a cair e afundar nas águas turvas e cada vez mais revoltas da luta de classes.

Silvio Melgarejo

21/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/contra-seu-partido-dilma-mant%C3%A9m-ministro-e-pol%C3%ADtica-econ%C3%B4mica-da-globo-e-agora-p/1147501211929943

domingo, 18 de outubro de 2015

“O ministro Levy fica. E se ele fica, é porque concordamos com a política econômica dele", diz Dilma, em resposta a Rui Falcão.

"Opinião do presidente do PT não é a do governo, Levy fica", diz Dilma.


A presidente Dilma Rousseff afirmou neste domingo (18) que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fica no cargo e disse discordar do discurso do presidente do PT, Rui Falcão, sobre uma possível saída dele do governo.

"Eu acho que o presidente do PT pode ter a opinião que quiser, mas não é a opinião do governo. A gente respeita a opinião do presidente do PT, mas isso não significa que seja a opinião do governo", afirmou a presidente, em entrevista coletiva em Estocolmo, na Suécia.

Questionada então pela Folha sobre as chances de Levy deixar o governo, Dilma respondeu: "Se eu lhe disse que não é opinião do governo [a de Rui Falcão], o ministro Levy fica". E a presidente continuou: "Se ele fica, é porque concordamos com a política econômica dele".

Em entrevista à Folha, publicada neste domingo, o presidente do PT defendeu mudanças na política econômica e afirmou ainda que, nesse cenário, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deveria sair do governo se não concordar.

“O ministro Levy fica.

E se ele fica,

é porque concordamos

com a política econômica dele.”

(Dilma Rousseff)


Dilma negou ainda que tenha discutido com Levy sua demissão em reunião na sexta-feira (16) antes de embarcar para a Suécia.

"Vou falar uma coisa para vocês: há um nível de invenção de conversas que não é verdade. É absurdo dizer que nós tratamos disso na reunião. O que nós conversamos foi fundamentalmente sobre quais são os próximos passos e qual é a nossa estratégia no sentido de garantir que se aprove as principais medidas que vão levar ao equilíbrio fiscal. Nem tocou nesse assunto [saída], não tinha insatisfação nenhuma dele, até porque essa entrevista [de Rui Falcão] não tinha ocorrido, não sei como saem essas informações, que são danosas, porque de repente aparece uma informação que não é verdadeira", afirmou.

Dilma negou ainda que o ex-presidente Lula tenha feito a ela qualquer pedido para trocar o ministro da Fazenda. "Ele nunca me pediu nada. O presidente Lula quando quer alguma coisa não tem o menor constrangimento de falar comigo", disse.


http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/10/1695429-opiniao-do-presidente-do-pt-nao-e-a-do-governo-levy-fica-diz-dilma.shtml


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-ministro-levy-fica-e-se-ele-fica-%C3%A9-porque-concordamos-com-a-pol%C3%ADtica-econ%C3%B4mica/1147005878646143

Se Dilma se mantiver intransigente, o PT deve sair do governo, para ser alternativa de esquerda na oposição.

Já disse outras vezes e repito. O medo do golpe de Estado só tem servido para paralisar a maior parte da esquerda, a parte petista. Ninguém mais, na esquerda, aprova a política econômica do governo Dilma, cujos efeitos negativos cada vez mais se evidenciam para os trabalhadores. Mas o medo do golpe tem impedido o PT de assumir, em relação ao governo, uma postura mais incisiva. Teme o partido que uma pressão mais forte por mudanças acabe favorecendo ao golpismo de direita. Então adota o seguinte discurso: somos contrários à política econômica do governo e queremos mudanças, mas apoiamos incondicionalmente à presidenta Dilma.

E o problema da esquerda e da classe trabalhadora está exatamente neste apoio incondicional do PT ao governo. Porque, sendo o PT o único partido de massas no campo da esquerda, a incondicionalidade do seu apoio ao governo acaba limitando fortemente o poder de pressão da esquerda por mudanças e faz do seu discurso crítico à economia um mero jogo de cena, sem nenhum efeito político além da desmoralização da esquerda toda e do próprio partido.

Sobre isto, propus o seguinte enigma, em minhas notas de 27 e 29 de setembro, em que dizia: Se a essência de um governo é a sua política econômica, como combater uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar o governo que a concebe e implementa? Penso, como já disse outras vezes, que isto seja impossível.

"Cobrar, apoiando", diz-me um companheiro, "é o que deve ser feito". Mas, e se o governo se mantiver intransigente? Mantém-se, mesmo assim, o apoio? Que razão teria o governo, então, para mudar? Pois se quem cobra mudanças, garante, ao mesmo tempo, apoio incondicional, aonde o poder de pressão desta cobrança?

Apoiar incondicionalmente o governo é dar, na prática, ao governo sustentação política para ele executar a sua política econômica. O apoio sem limites anula inteiramente o efeito de qualquer cobrança que se faça a um governo. A cobrança, neste caso, se torna inócua. Porque, a partir do momento em que se estabelece que o não atendimento a ela não terá consequência nenhuma, que o governo não sofrerá qualquer sanção, fica o governo à vontade para fazer o que quiser, inclusive ignorar a cobrança dos apoiadores incondicionais, enquanto cede aos opositores, quando eles cobram e impõem sanções muito duras, e é isso mesmo que tem acontecido no nosso caso.

Para os petistas "torcedores", que devem entender bem de futebol, digo de outra forma: se a direita entra numa dividida com tudo e a esquerda, ao contrário, "pipoca", quem tende a ficar com a bola é a direita. E é isso exatamente que temos visto. Uma direita viril - prá ser mais exato, desleal - disputando o poder com uma esquerda "pipoqueira", que evita o confronto por medo de se machucar.

Ainda nesta linha de analogia com o futebol, pode-se dizer que o PT tem sido uma esquerda medrosa e retranqueira, que chama o adversário para o seu próprio campo e se expõe à pressão permanente nos arredores da sua meta. Está passando sufoco deste a eleição passada, com a direita marcando em cima e chegando a toda hora na cara do gol. O partido não tem saída de bola, não cria jogadas no meio de campo e tem tido um ataque absolutamente inoperante.

E tudo isto porque está preso à defesa de um governo, cuja política econômica é indefensável perante os trabalhadores. E porque está paralisado pelo medo de um golpe de Estado. O golpe de Estado só é possível, em verdade, por causa da fragilidade do governo Dilma e da esquerda democrática. O que fragiliza Dilma é a política econômica neoliberal, que tem frustrado enormemente os seus eleitores. E o que fragiliza a esquerda democrática é a submissão do PT à vontade intransigente da presidenta.

Dilma tem dado seguidos sinais de que vai manter Levy e sua gestão neoliberal da economia. E o PT, o que fará? Vai ajudar a presidenta a governar assim e depois dizer aos trabalhadores que não tem culpa pela recessão, pelo desemprego e pelo arrocho salarial, só porque tem feito críticas e apresentado um projeto alternativo? Mas se dá sustentação ao governo, como pode o PT negar a própria responsabilidade pelos efeitos desta política que o governo concebe e implementa? É dúbia e flagrantemente desonesta esta postura, que custará muitíssimo caro ao partido, se a continuar sustentando. Porque as massas não se deixarão enganar mais uma vez, depois de serem tão recentemente traídas.

A maioria petista acredita, equivocadamente, que uma defesa eficaz da democracia contra o golpismo depende do apoio incondicional do PT ao governo Dilma, quando, ao contrário, é exatamente este apoio incondicional que o PT tem dado ao governo, o que tem deixado as massas sem uma alternativa oposicionista de esquerda viável e permitido, com isso, que toda insatisfação popular com o governo seja capitalizada pela direita golpista.

A ditadura dos bancos governa o Brasil e o PT, único partido de esquerda de massas do país, tem colaborado com ela, quando nega aos trabalhadores direção para a luta, a pretexto de  evitar que se precipite um golpe de Estado. Mas como pretende o PT preservar o que ainda há de democracia nesta ditadura do bancos e avançar para uma democracia plena, de verdade, em que os trabalhadores realmente governem, se concilia o tempo todo com os bancos e mantém as massas à margem do processo político do país?

O PT critica a política econômica do governo e propõe mudanças. Mas não diz em nenhum momento o que fará se o governo não mudar. Se o apoio a Dilma é incondicional mesmo, como quer a maioria petista, permanecerá o partido na base de sustentação ao governo, como aquele cobrador que não faz questão de receber, nem se incomoda com o calote que leva. Com isso, a ditadura dos bancos, vendida como democracia pela imprensa e partidos burgueses, seguirá roubando as riquezas do Brasil e empobrecendo os trabalhadores, sem enfrentar resistência nenhuma, ao contrário, contando até com a colaboração do único partido de esquerda de massas do país.

De uma mudança radical na atual postura do PT em relação ao governo Dilma, depende o futuro do Brasil, de sua esquerda e da sua classe trabalhadora. O PT tem que romper com Dilma e mobilizar o povo para enfrentar a ditadura dos bancos. Porque se não o fizer, será responsável direto pelo retrocesso nos avanços sociais da última década, que já estão sendo gravemente ameaçados pela atual política econômica. A esquerda brasileira e as massas trabalhadoras precisam do PT na oposição, para evitar que esta tragédia se consuma no país. Coragem e ousadia, insisto, é o que se espera do PT, para que ele não tenha o destino desonroso de outros tantos partidos socialistas, que traíram seus compromissos com as massas: a tal "lata de lixo da História", de que falou Trotsky.

Silvio Melgarejo

18/10/2015

Entrevista do presidente do PT, Rui Falcão, publicada na Folha de hoje.

“É importante mudar a política econômica.
É preciso que se libere crédito para investimentos, para consumo.
É uma forma de fazer a economia rodar.
Da mesma maneira, 
é insustentável manter a atual taxa de juros.” 
(Rui Falcão)




ENTREVISTA


Folha - Joaquim Levy é o ministro do crescimento?

Rui Falcão - É importante mudar a política econômica. É preciso que se libere crédito para investimentos, para consumo. É uma forma de fazer a economia rodar. Da mesma maneira, é insustentável manter a atual taxa de juros.

Folha - O ministro da fazenda descarta a liberação de crédito agora.

Rui Falcão -  É a opinião dele. Pensamos diferente. Não estamos sozinhos. Muitos economistas e especialistas estão falando na mesma direção, em relação à taxa de juros e ao crédito. Está errada a política de contenção exagerada do crédito. Precisamos devolver esperança para a população.

Folha - Lula quer mesmo o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles na Fazenda?

Rui Falcão - Sei que precisamos mudar vários pontos da política econômica.

Folha - Inclusive o ministro?

Rui Falcão - A política... Quem nomeia e substitui é a presidente.

Folha - O sr. gaguejou... Joaquim Levy é capaz de conduzir essa política econômica que o sr. defende?

Rui Falcão - Um ministro da Fazenda não pode ficar na berlinda porque isso provoca consequências na economia. Se a presidente tiver a decisão de amanhã ou depois substituí-lo, isso não se anuncia previamente nem serei eu que sairei pedindo a substituição.

Folha - Mas o sr. defende mudanças e Levy pensa diferente.

Rui Falcão - A lógica do regime presidencialista é que os ministros devem seguir a orientação do presidente da república. Se ela entender que essa política que está sendo realizada deve ter correções, no todo ou em parte, ela determina isso.

Folha - E a presidente concorda com tudo o que Joaquim Levy diz?

Rui Falcão - Ela está preocupada com a crise política. Quer estabilidade para fazer o país voltar a crescer. E a preocupação dela é com emprego, manutenção dos ganhos de renda...

Folha - Em relação ao crédito?

Rui Falcão - Acho que ela vai determinar a liberação de crédito com responsabilidade. Há mecanismo para isso, desde crédito consignado, eventualmente mexer com o compulsório dos bancos para que os bancos privados possam liberar crédito. Mas é impressão minha, ela não disse isso. Se Levy não quiser seguir a orientação da presidente, deve ser substituído. Se ele não quiser, caso ela determine.

“Acho que ela [Dilma] vai determinar a liberação de crédito com responsabilidade.

Há mecanismo para isso, desde crédito consignado, 

eventualmente mexer com o compulsório dos bancos

para que os bancos privados possam liberar crédito.

Mas é impressão minha, ela não disse isso.

Se Levy não quiser seguir a orientação da presidente,

deve ser substituído.

Se ele não quiser, caso ela determine.” 

(Rui Falcão)


Folha - O PT vive hoje sua pior crise desde sua criação. É hostilizado. O partido se perdeu?

Rui Falcão - É inadmissível que a gente conviva com esse clima de ódio e intolerância, sendo seu ápice durante o velório do José Eduardo Dutra, em Belo Horizonte, onde esses fascistas panfletaram, num desrespeito à família, dizendo que "petista bom é petista morto".

Folha - O sr. já foi hostilizado?

Rui Falcão - Veja o Twitter diariamente. Tem baixaria contra todo mundo. Na rua, há olhares e uma pessoa passou correndo, xingou e foi embora.

Folha - Os petistas falam de intolerância mas não existe autocrítica.

Rui Falcão - Com ou sem autocrítica, nada justifica o ódio e a intolerância. Temos feito autocrítica, sim. O PT não deveria ter enveredado pelo financiamento empresarial, porque nos igualamos aos outros partidos. Não podemos ficar exclusivamente na disputa eleitoral. Ninguém combateu a corrupção como nós.

Folha - O ex-tesoureiro do PT e o ex-ministro José Dirceu estão presos, mas seguem filiados.

Rui Falcão - Nenhum deles foi condenado [em última instância]. Não há prova contra Vaccari. A não ser delações.

Folha - Se forem condenados, Dirceu e Vaccari sairão do partido?

Rui Falcão - Espero que, se isso ocorrer, tomem essa decisão.

Folha - Mas e a desfiliação?

Rui Falcão - O Vaccari não tem acusação de desvio ético. Nada se comprovou contra ele.

Folha -  E Dirceu?

Rui Falcão - Estamos esperando a defesa dele. Há acusações nessa direção. Ele deve avaliar se existe essa possibilidade de deixar unilateralmente o partido. A decisão de desfiliação é pessoal. A decisão de desfiliar é do partido.

Folha - Na sua opinião, há diferença entre Vaccari e José Dirceu?

Rui Falcão - Vaccari estava no exercício da secretaria de finanças. As tarefas exigiam que captasse recursos junto às empresas. Mas ele nunca usou qualquer contato para se beneficiar.

“O PT não deveria ter enveredado pelo financiamento empresarial,

porque nos igualamos aos outros partidos.

Não podemos ficar exclusivamente na disputa eleitoral.” 

(Rui Falcão)


Folha - Há um acordão entre o governo e o deputado Eduardo Cunha para protegê-lo?

Rui Falcão - Quem tem acordo declarado com ele, fotografado e reconhecido, é a oposição. Que tipo de acordo poderíamos ter, se Cunha pode, a qualquer momento, acolher o pedido de impeachment e ele não sabe como vamos nos posicionar no Conselho de Ética? Ele é o presidente da Câmara até segunda ordem. Tem que haver uma relação institucional. Isso não significa blindar investigação.

Folha - Documentos comprovam que ele tem contas na Suíça.

Rui Falcão - Com a documentação apresentada pela Procuradoria, a situação de Cunha está cada vez mais insustentável.


http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/10/1695359-levy-deve-sair-se-nao-quiser-mudar-a-politica-economica.shtml


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/entrevista-do-presidente-do-pt-rui-falc%C3%A3o-publicada-na-folha-de-hoje/1146910775322320

domingo, 4 de outubro de 2015

Governo petista? Cadê?

Governo petista? Cadê? Verdade que há petistas - se assim os considerarmos apenas por serem filiados ao PT - no governo Dilma. A própria presidenta o é, pelo menos assim, formalmente. Mas, petismo, não vejo. E o que é o petismo? Petismo é lutar, até a última gota de suor e sangue, para defender os interesses dos trabalhadores contra a ditadura da burguesia, que enriquece à custa do empobrecimento das massas. E o que tem-se visto no governo Dilma é exatamente o oposto disso. Vê-se rendição sem luta e uma colaboração sem limites com a burguesia - especialmente financeira - contra os interesses da classe trabalhadora. Isso é governo petista? Prá mim, não.

Lembro uma vez mais que, assim que reeleita, a presidenta Dilma, questionada sobre uma resolução política do PT, afirmou:
- “Eu não represento o PT. Eu represento a Presidência. A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia. Eu represento o país, não sou presidente do PT, sou presidente dos brasileiros.”
Ora, se não é a presidenta da república, filiada ao PT, a representante do partido na coalizão governista, quem será? O petista que votou em Dilma o fez exatamente para que ela cumprisse este papel, para que ela fosse o PT dentro da coalizão. Mas o que se vê é que ela não só repudiou este papel, negando terminantemente a influência do PT, como resolveu acolher, sem resistência, às influências dos barões do sistema financeiro.

Ou seja, Dilma negou firmemente o petismo para abraçar gostosamente o neoliberalismo. E, diante disso, o que faz o PT? Tenta o impossível, que é apoiar a presidenta e ao mesmo tempo combater a política que ela mesma escolheu, quando o preteriu e abandonou o programa defendido na campanha.

Penso, portanto, que iludem-se os que acreditam que, por serem Dilma e alguns dos seus ministros filiados ao PT, temos uma presidenta da república e um governo petistas. Não temos. A política econômica que temos hoje no país é uma versão apenas um pouco mais branda daquela mesma política econômica defendida por Aécio e Marina, que foi duramente contestada pela própria Dilma, na campanha de 2014.

Joaquim Levy, por sua vez, é um economista cujo perfil nada difere dos perfis de Armínio Fraga e André Lara Resende, então anunciados, respectivamente, por Aécio e Marina, como seus ministros da fazenda, caso fossem eleitos. Certamente, não foi por acaso que teve seu nome ocultado pela candidata Dilma durante a campanha. Levantaria, se anunciado, no mínimo, enormes suspeitas de que o segundo mandato da presidenta poderia não corresponder ao discurso antineoliberal que ela fazia e que acabou lhe garantindo efetivamente a vitória.

Exatamente um mês depois do 2º turno da eleição presidencial, Dilma anunciou que Joaquim Levy seria o seu ministro da fazenda. E o impacto negativo na confiança do seu eleitorado foi grande, exatamente pela expectativa da adoção de uma política econômica que correspondesse ao perfil conhecido do novo ministro, o que acabou se confirmando com o anúncio do ajuste fiscal, que tem abalado a base de apoio da presidenta na sociedade.

A combinação das medidas do ajuste com a manutenção da política de juros altos, inevitavelmente provocaria recessão, desemprego e arrocho salarial. Tudo isso foi previsto, logo de início, pelos economistas do campo progressista e tem se confirmado ao longo do ano. Criou-se então uma raríssima unanimidade no movimento sindical e popular contrária à política econômica do governo Dilma, em seu conjunto. Há, de fato, quem ainda veja semelhanças entre esta política e a dos ministros Palloci e Meirelles, no tempo de Lula e que, pensando nos resultados daquele governo, acredite que possa dar certo o que tem sido feito agora. Mas esquecem estes de um detalhe: as circunstâncias em que se dão os dois governos são muito distintas.

Se as circunstâncias econômicas e políticas que cercavam os dois mandatos de Lula permitiram que ele assumisse e honrasse compromissos tanto com a burguesia, quanto com a classe trabalhadora, as circunstâncias econômicas e políticas atuais não dão a Dilma esta mesma possibilidade. Ao contrário, impõem-lhe a escolha de um lado para defender e um lado para confrontar, como condição para não ser tragada por um ambiente de insatisfação geral, onde lhe falte base de sustentação social e política para governar. Dilma fez a pior escolha possível, que é tentar atender ao mesmo tempo à burguesia e à classe trabalhadora, algo que a conjuntura econômica hoje não permite. Insatisfeitos, os dois lados retiram cada vez mais os seus apoios e deixam a presidenta pendurada no fio tênue do compromisso das instituições do Estado burguês com a legalidade.

Atribuir, como fazem muitos, a presente crise do governo Dilma apenas à campanha da oposição golpista é o mesmo que responsabilizar apenas os vírus e bactérias pelo quadro patológico de um organismo, sem considerar o papel que deveria desempenhar o seu sistema imunológico. Pois o “sistema imunológico” do governo Dilma, que seria constituído por sua base social de 54 milhões de eleitores, foi inteiramente desmobilizado pela própria presidenta, quando ela abandonou o programa que defendera em sua campanha, revertendo subitamente todas as expectativas alimentadas. No momento em que rompe unilateralmente os compromissos assumidos com seus eleitores, ela isola-se politicamente e debilita-se, favorecendo ao avanço não só do golpismo, mas também do fisiologismo de setores da própria coalizão, que acabaram assumindo o controle efetivo do governo.

Por isso digo que, embora haja petistas no governo, como a presidenta, não há mais governo petista neste segundo mandato de Dilma. Porque não é petista o programa econômico implementado e porque o PT realmente já não tem mais nenhuma influência sobre as decisões cruciais que são tomadas. O PT hoje é um mero apoiador do governo neoliberal hegemonizado por Dilma e pelo PMDB. Suas críticas à política econômica, sem apontar qualquer perspectiva de ruptura, ante à intransigência da presidenta, não o tornam menos cúmplice da aplicação desta política e não diminuem a sua responsabilidade pelo estrago social provocado. E a classe trabalhadora logo há de lhe apresentar a conta. Como tenho dito a meses, quem fere com ajuste fiscal, com ajuste político será ferido.

Silvio Melgarejo

04/10/2015

https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/governo-petista-cad%C3%AA/1138747212805343

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Enigma.

Se a essência de um governo é a sua política econômica, como combater uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar o governo que a concebe e implementa?

Enigma.

Se a essência de um governo é a sua política econômica, como combater uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar o governo que a concebe e implementa?

Silvio Melgarejo

29/09/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/enigma/1138311746182223

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Divórcio condenado e traições consentidas.

Essa fúria toda, que tenho visto, contra o deputado Molon, vindo de tanta gente que silenciou ante o apoio do PT do Rio à concessão da Medalha Tiradentes a Eduard0 Cunha, e ante o estarrecedor anúncio, pelo presidente do diretório regional do partido, Washington Quaquá, de que o PT apoiará o candidato do PMDB, Pedro Paulo, na eleição para prefeito do Rio, me parece absolutamente desproporcional e incoerente.

E mais desproporcional e incoerente, ainda, me parece, quando lembro que o próprio Molon não sofreu a menor crítica quando, equivocadamente, votou, junto com a quase totalidade da bancada petista na Câmara Federal, a favor das MPs 664 e 665, do ajuste fiscal de Dilma, que eram desaprovadas pelo conjunto das centrais sindicais e movimentos populares. É esta a ajuda que esperavam que o deputado continuasse dando à presidenta?

Dizem que Molon foi para um partido de direita, por isso é um traidor. Mas que diferença há entre servir ao neoliberalismo de Marina - como supõem, os críticos, que Molon fará - e servir ao neoliberalismo de Dilma - como o deputado já vinha fazendo, com a aprovação da maioria destes que agora o condenam? Marina, pelo menos, não enganou ninguém, disse na campanha que faria o que Dilma hoje faz, tendo jurado que não faria. E, no entanto, Dilma é que é boa, traíra é Marina?

Ora, meus amigos, vamos ser razoáveis. Ajudar Marina, hoje, não é pior do que ajudar Dilma, porque há uma enorme semelhança entre a política implementada pela presidenta e a política defendida por sua adversária na campanha. Mais que isso, há uma enorme semelhança também entre as políticas de ambas e a então defendida pelo concorrente tucano, Aécio Neves. Tanto que a própria direita neoliberal - Globo à frente - tem cobrado coerência de Aécio e do PSDB, quando eles tentam sabotar o governo Dilma, na aplicação de sua política econômica.

Chamo atenção para o fato de que os dois concorrentes de Dilma na eleição presidencial, anunciaram ainda durante a campanha, os nomes dos seus ministros da fazenda, caso fossem eleitos. O de Aécio Neves, era Armínio Fraga. O de Marina Silva, André Lara Resende. E o de Dilma? O de Dilma ninguém soube, porque a presidenta omitiu, tendo anunciado apenas depois de reeleita, que seria Joaquim Levy. E que diferença há entre os economistas Levy, Lara Resende e Fraga? Nenhuma. Por isso o nome de Levy foi ocultado por Dilma dos seus eleitores. Não era conveniente que eles soubessem. O que dizer desse tipo de manobra?

Dizem os críticos de Molon que, assim como Marta Suplicy, ele desrespeitou a vontade dos seus eleitores, levando o mandato conquistado para outra legenda. Mas a verdade é que Dilma também desrespeita a vontade dos seus eleitores, quando governa com o programa de Aécio e Marina; que a bancada petista na Câmara Federal desrespeitou a vontade dos seus eleitores, quando votou a favor das MPs 664 e 665, do ajuste fiscal; que a bancada petista na Alerj também desrespeitou a vontade dos seus eleitores, quando votou a favor de uma homenagem especial a Eduardo Cunha; e que Washington Quaquá, presidente do diretório regional, desrespeita a base de filiados do PT do Rio, quando decreta que o partido apoiará o candidato do PMDB à prefeitura, na eleição do ano que vem. E quanto a isso tudo, todos estes críticos de Molon se calam.

Não consigo ver traição maior na mudança inesperada de partido do deputado Molon, do que na também inesperada mudança de política econômica de Dilma e nas posições mencionadas, do diretório regional do PT do Rio e das bancadas do partido na Alerj e na Câmara Federal. A ida de Molon para a Rede me parece menos absurda e menos prejudicial ao PT e aos trabalhadores do que estes outros fatos, contra os quais não se levanta uma voz sequer, destas tantas que ora se mostram indignadas. “Por que será?”, me pergunto. “Por que será?”, lhes pergunto.

Onde a coerência dos críticos de Molon? Por que combatem com tanto vigor a suposta traição do deputado - afinal, divórcio não é traição - e ao mesmo tempo convivem pacificamente com tantas inequívocas traições, sem esboçar a menor reação e, em alguns casos, até premiando o adultério com homenagens e expressões de incondicional apoio? Me perdoem, mas penso que falha o discernimento dos que assim procedem. Protestar contra um filiado que se desliga e contra os erros dos outros partidos e fazer, ao mesmo tempo, vista grossa para os erros do próprio PT, que provocam a maioria das defecções que ele sofre, não vai fazer do PT um partido melhor do que os outros, aos olhos da classe trabalhadora.

Erros, não se corrige sem críticas. Molon pode até ter errado, mas não foi o único e agora está fora do PT. Críticas a ele, não mais contribuem para a identificação e correção dos erros do partido e seu governo. Há traições, inúmeras, que tem sido consentidas pela maioria da militância petista, que podem custar muito mais caro ao PT e à classe trabalhadora do que esta suposta traição do deputado, que tanta revolta, inexplicavelmente, tem gerado.

Os atos de Molon, desde que saiu do partido, já não dizem mais respeito à militância petista. Já os atos do PT e do governo Dilma, estes sim é que nos dizem respeito e é com eles que devemos nos ocupar, exercitando a nossa aptidão crítica, para aperfeiçoar o desempenho de ambos. A omissão fará desta militância cúmplice de todas as traições cometidas contra a classe trabalhadora pelos dirigentes, parlamentares e governantes do PT, inclusive Dilma. Não nos omitamos, portanto, companheiros. Reajamos. Molon poderia até ser considerado parte do nosso problema quando estava no partido. Mas ele já saiu e os problemas continuam, tão graves quanto antes. Tratemos, então, de resolve-los que isto, sim, é que pode tornar o PT mais forte e mais capacitado para atingir os seus reais objetivos, que espero não terem sido esquecidos pela militância petista.

Silvio Melgarejo

28/09/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/div%C3%B3rcio-condenado-e-trai%C3%A7%C3%B5es-consentidas/1137463612933703

domingo, 27 de setembro de 2015

Permanência do PT no governo enfraquece Lula, o partido e a frente de esquerda.

A permanência do PT no governo Dilma enfraquece Lula e o partido e impede que eles contribuam para a formação de uma frente de esquerda realmente forte. Romper com o governo é preciso. Sei que é uma decisão difícil, porque trata-se de um movimento radical não isento de riscos. Mas o risco maior me parece que seja deixar a classe trabalhadora como está, sem uma alternativa viável no campo da esquerda e sendo assediada permanentemente pela direita golpista.

A dubiedade e tibieza do único partido de esquerda de massas e do maior líder popular do país desmobilizam a própria base social da esquerda governista e geram desconfianças imensas e justificadas nas bases sociais e entre as lideranças da esquerda oposicionista e dos movimentos sindical e popular, o que inviabiliza a unidade de ação, em torno de uma pauta comum, para a realização de mobilizações de grande envergadura.

A essência de um governo é a sua política econômica. Por isso não é possível combater uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar o governo que a concebe e implementa. O compromisso de Lula e do PT com o governo Dilma representa, na prática, um compromisso com a política econômica do governo Dilma.

A unidade de ação das esquerdas inviabiliza-se pelo justificado receio de amplos setores da vanguarda de partidos e movimentos de que a luta contra o golpe acabe sendo instrumentalizada para servir ao governismo, com a defesa do mandato da presidenta Dilma transformando-se numa defesa do governo Dilma, a despeito de sua política econômica. Isto não aconteceria se Lula e o PT estivessem na oposição. Hoje perguntam, com razão, muitos lutadores:
- “Como confiar em Lula e no PT, se eles estão formal e efetivamente comprometidos com o governo executor da política econômica que combatemos? O que farão, Lula e o PT, se Dilma se mantiver intransigente? Continuarão no governo, fieis à presidenta e dando-lhe suporte para implementar sua política antipopular?”
Lula e o PT no governo se enfraquecem, portanto, e com isso enfraquecem à esquerda em seu conjunto. Por isso defendo que rompam com Dilma e passem a atuar com independência na oposição. Desta forma, acredito que poderão contribuir muito melhor e mais efetivamente, tanto com a resistência democrática ao golpismo, quanto com a resistência popular ao neoliberalismo. O futuro da democracia e da esquerda no Brasil dependerá deste reposicionamento do PT em relação ao governo. Ou o PT se apresenta, doravante, como parte integrante de um projeto alternativo democrático e de esquerda ou deixará a classe trabalhadora sem perspectivas, no meio do fogo cruzado entre a conspiração golpista e o governo neoliberal.

O PT não pode mais servir a um governo que serve incondicionalmente aos banqueiros, impondo sacrifícios injustificados aos trabalhadores. Se quiser recuperar a confiança das massas e animá-las a lutar contra o golpe, tem que romper com o governo Dilma e combater implacavelmente a sua política econômica, enquanto denuncia as intenções ocultas do golpismo. Só assim será possível construir uma frente de esquerda ampla e sólida, com força suficiente para influenciar decisivamente o processo político do país.

Lutar contra o governo neoliberal não favorecerá à conspiração golpista, e lutar contra a conspiração golpista não favorecerá ao governo neoliberal, se ambos forem combatidos com igual vigor por uma esquerda unida e independente de compromissos com os agentes dos dois males. Sem vínculos com o golpismo e sem vínculos com o governo, Lula e o PT se credenciarão para liderar uma esquerda revigorada pela unidade e livre das vacilações, recuos e dubiedades que geram desconfiança, desagregam e desmobilizam. Ousadia e coragem é o que se espera do PT e de Lula, para mostrarem aos trabalhadores hoje que outro caminho é possível e que, com luta, é possível ter dias melhores.

Silvio Melgarejo

27/09/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/perman%C3%AAncia-do-pt-no-governo-enfraquece-lula-o-partido-e-a-frente-de-esquerda/1137365299610201

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Força para impedir o golpe e impulsionar reformas estruturais, o PT só conseguirá rompendo com Dilma e atuando na oposição.

Se Lula e o PT não tiverem a coragem de assumir uma posição firme em relação ao governo Dilma, colocando inclusive em perspectiva a possibilidade de uma ruptura, a esquerda do país vai continuar sem alternativa de direção e completamente desmoralizada, desmotivada, dispersa e desmobilizada, como se tem visto.

Do jeito que estamos, as chances de êxito de um golpe de Estado se tornam grandes, porque o próprio governo, com sua política, tem sabotado todos os esforços dos movimentos sociais que tentam organizar a resistência democrática. Mesmo assim, é preciso reconhecer que estes movimentos não são capazes de cumprir o papel que pode desempenhar um partido político de massas, e que o único partido de esquerda de massas, que tem em seus quadros uma liderança nacional de grande peso, é o Partido dos Trabalhadores.

Um povo muito insatisfeito com seu governo, logo procura alternativas políticas. O povo brasileiro está, como todos sabem, muito insatisfeito com o atual governo. E que alternativas encontra quando olha o quadro político? Alguma de esquerda, que seja viável? Não, nenhuma. E é exatamente isto que me leva a crer que se Lula e o PT não se apresentarem, desde já, como alternativas a Dilma Rousseff, é a oposição de direita quem vai capitalizar a insatisfação popular.

A resistência ao golpe de Estado e à ofensiva conservadora e obscurantista será insuficiente se não puder contar com a força do maior partido de esquerda e do maior líder popular do país. Ocorre que, amarrados, como estão, à política neoliberal de Dilma e à política corrupta e reacionária do PMDB, Lula e o PT se fragilizam, porque se desmoralizam, cada vez mais, e perdem a confiança e o apoio dos trabalhadores. O governo Dilma hoje sangra, mas sangram muito mais o PT e o próprio Lula, seus maiores fiadores.

Já não há mais, na prática, governo petista. Há um governo de coalizão onde o PT não tem a menor influência, porque a presidenta, sua filiada, resolveu dar as costas para os trabalhadores e governar com o mercado financeiro. Donde é justo e necessário que se pergunte: O que faz Dilma ainda no PT? E o que faz o PT ainda no governo Dilma?

Avança no Brasil a conspiração golpista, sem encontrar resistência relevante, porque o único partido de esquerda de massas e a maior liderança popular do país estão inteiramente comprometidos com este governo, que ajudaram a eleger, mas cuja legitimidade, perante as massas, se esvai a cada compromisso eleitoral traído.

Os trabalhadores não lutarão por uma democracia em que não vejam lideranças e partidos que se mostrem dignos da sua confiança, capazes de representar com fidelidade e desassombro os seus anseios, nas ruas e nas instituições do Estado. Se Dilma faz-se antagonista dos trabalhadores e Lula e o PT insistem em apoiar o seu governo, mantendo-se a ele vinculados, onde, na esquerda, achará o povo alternativas? Nos pequeninos partidos, de lideranças inexpressivas? E se não achar nada à esquerda, muito menos à direita? Não será natural que o povo dê de ombros e deixe a banda golpista passar, apeando do Planalto a presidenta que traiu seus votos?

É preciso que se diga hoje com todas as letras uma verdade que muito petista já deve intuir, sem ter coragem de admitir, com medo de favorecer à conspiração:

Força para impedir o golpe e impulsionar as reformas estruturais necessárias para o avanço do seu projeto, o PT só terá se estiver na oposição. Na oposição, Lula e o PT poderão recuperar a confiança das massas e mostrar que uma democracia onde elas tenham voz ainda é possível, porque o PT não desistiu de ser essa voz.

Ninguém pode servir a dois senhores. Ou o PT continua servindo à burguesia financeira, com o apoio incondicional que tem dado ao governo Dilma, ou volta a servir aos trabalhadores, desligando-se do governo para construir uma alternativa democrática de esquerda, em frente com outros partidos e organizações sociais, para lutar simultaneamente contra o golpismo da direita e contra o neoliberalismo do governo.

Lula e o PT têm que deixar de ser parte do problema dos trabalhadores, para serem parte da solução. Ou então não poderão ter outro destino senão a famosa "lata de lixo da História", onde foram parar tantas lideranças e partidos socialistas promissores.

Lula e o PT no governo deixam, de fato, a classe trabalhadora sem uma alternativa democrática de esquerda, sob o assédio intenso e permanente da direitia golpista. Como esperar que uma situação como esta não tenha o pior desfecho possível para a democracia?

Lula o PT na oposição serão a alternativa de esquerda que os trabalhadores precisam para dar sentido à sua mobilização pela democracia, contra o golpe e por uma nova política econômica.

Posições dúbias não inspiram confiança. O PT não pode ignorar a natureza antipopular do governo Dilma e precisa se posicionar claramente sobre ele perante os trabalhadores. Não dá mais prá continuar acendendo uma vela prá Deus, outra pro diabo e achar que os dois lados vão ficar satisfeitos. Já não estão. Por isso tanto o governo, quanto o próprio PT estão perdendo cada vez mais apoio na sociedade. Daqui a pouco, a direita não vai precisar mais de golpe, o governo cai de maduro.

Como eu já disse em outra nota, ninguém pode obrigar Dilma a salvar seu governo. Mas também não se pode exigir do PT que morra com Dilma, num abraço de afogados. É preciso salvar o projeto petista, que é muito mais do que o governo Dilma. O partido pode ou não sobreviver ao desvirtuamento e fracasso do governo. Mas isto dependerá da posição que ele assuma em relação ao governo, perante os trabalhadores. É isso que precisa ser considerado pela militância petista.

O que está em jogo hoje não é só o governo Dilma. É o futuro do projeto petista, que depende, antes de tudo, da relação que o PT consiga construir e manter com a classe trabalhadora. Ficar no governo Dilma ajuda ou dificulta esta relação?

Pois, eu não tenho a menor dúvida de que o compromisso histórico que o PT tem com os trabalhadores não deixa ao partido outra alternativa, senão romper com o governo Dilma, para atuar na oposição, com independência em relação à burguesia.

O PT já perdeu o governo Dilma. É hora de virar a página e começar a escrever novo capítulo.

Silvio Melgarejo

25/09/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/for%C3%A7a-para-impedir-o-golpe-e-impulsionar-reformas-estruturais-o-pt-s%C3%B3-conseguir%C3%A1/1136244733055591

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Prá onde é que vai a grana do ajuste?

Diálogo com Marat Calado sobre as críticas de Lindbergh a Joaquim Levy.

(texto publicado no Facebook, em resposta ao comentário do companheiro Marat Calado, que reproduzo ao fim deste post)

Até agora, só li e ouvi o senador fazendo críticas à política econômica do governo e apresentando propostas de alternativas para equilibrar as contas públicas. Nunca li ou ouvi nenhuma agressão ao ministro Levy, nem exagerada, nem moderada.

Quem dera que as "genis" fossem tratadas como Joaquim Levy tem sido tratado pelo senador Lindbergh, com a cordialidade e o respeito que todo ser humano merece. Geni é um personagem vítima de preconceito e as críticas do senador Lindbergh não têm nada de preconceituosas. São, ao contrário, muito bem fundamentadas, baseadas em dados oficiais e desenvolvidas dentro da mais perfeita lógica.

As manifestações de Lindbergh que eu tenho visto são todas do mais alto nível de racionalidade e civilidade que um debate político pode ter. Pena que haja só um petista fazendo o papel que ele tem desempenhado. Porque Lindbergh tem sido o único motivo de orgulho da militância petista, nestes dias em que o PT parece inteiramente dominado pelo cinismo e pela pusilanimidade

O que ajuda à oposição não é a crítica que se faz à política econômica do governo e sim o divórcio entre a presidenta Dilma e seus eleitores, provocado exatamente por esta política, cujos efeitos o povo sente na pele, não precisa de ninguém para apontar.

A baixa popularidade da presidenta não decorre apenas do noticiário negativo da imprensa de oposição. Se fosse assim, Lula não teria ascendido nas pesquisas de avaliação do seu governo no segundo semestre de 2005, em plena crise do mensalão.

O que críticos como Lindbergh fazem, é apontar os erros do governo para que estes erros, que tanto prejuízo já tem trazido para os trabalhadores e para o próprio governo, sejam corrigidos,.

O foco em Levy é uma tentativa, a meu ver, inócua de preservar a imagem de Dilma. Levy, na verdade, é apenas o executor e, portanto, símbolo da política econômica de Dilma. Dizer "fora Levy" é o mesmo que dizer "abaixo à atual política econômica". Para mim, e tenho certeza de que para todos os críticos, inclusive o Lindbergh, o Levy pode até ficar. O que tem que mudar é a política econômica. O mesmo pode-se dizer do Tomboni, em relação à política monetária.

E sobre a improdutividade, Marat, penso que a coisa mais improdutiva que pode existir na política é a inibição ou interdição da reflexão crítica e do debate de ideias, seja pelo motivo que for.

***

Texto de Marat Calado a que meu comentário acima se refere:
"Tenho minhas dúvidas sobre a agressões exageradas do Lindbergh. Atitudes raivosas contra Levy, só ajudam a oposição. Por que isso? O Tombini faz parte do governo e serviu até bem pouco tempo. Não é civilizado transformar todos em 'Geni. Para mim, não é nada produtivo."

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Resumo do ajuste fiscal que proponho.

A minha proposta é que se corte gastos reduzindo os juros e fazendo uma Auditoria da Dívida Pública, como determina a Constituição de 88, mas com a participação da cidadania, para anular a parte da dívida do Estado brasileiro que for resultante de atos ilegais ou simplesmente lesivos ao interesse público. Para completar, uma reforma tributária e um empenho maior do governo no combate à sonegação.

Constituição de 88 determina auditoria da dívida pública. CUMPRA-SE.