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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Quem está com Eduardo Paes está contra os professores

Menos de um mês depois de ter sido reeleito com o apoio do PT, o "melhor gerente de prefeitura que esse pais já teve", segundo Lula, enviou para a Câmara Municipal do Rio um projeto de lei aumentando a carga horária de trabalho dos professores sem um correspondente aumento dos seus salários.

Alguma surpresa?
Nenhuma.
É um prefeito de direita governando como um prefeito de direita.
O problema é que esse prefeito de direita foi eleito com o apoio do maior partido de esquerda do país, que pretende participar da sua próxima gestão, como já participa da atual, e por isso torna-se responsável perante o povo por cada medida direitista que ele adote.
Eduardo Paes foi eleito com a ajuda de Lula e do PT e agora ataca os professores.
Os professores vão se defender.
Existe um conflito.
De que lado Lula e o PT vão ficar?
Os petistas querem acabar de vez com o PT do Rio?
Já vi gente do partido lançando candidatura ao senado e até para a próxima gestão da prefeitura.
Será que esperam ter os votos dos professores que estão sendo atacados, dos que lhes são solidários e dos verdadeiros defensores da educação pública?
Eu, petista, se tivesse votado e feito campanha para o Eduardo Paes, estaria morrendo de vergonha.
Mas não basta ter vergonha.
Tem que ter a dignidade de corrigir o erro.
É um escândalo que o PT do Rio não seja oposição ao prefeito tucano Eduardo Paes.
É incompreensível que o partido de um presidente da república que diz que a educação é a sua prioridade faça parte de uma prefeitura que trata os professores dessa forma canalha.
O PT do Rio tem que romper imediatamente com o prefeito Eduardo Paes e juntar-se ao sindicato dos professores para mobilizar o Rio de Janeiro todo contra a aprovação na Câmara do Projeto de Lei Complementar nº 186/2024.
O PT do Rio tem que pedir desculpas aos professores por ter ajudado a eleger Eduardo Paes e mostrar de que lado realmente está, rompendo com o prefeito e passando à oposição, para defender os interesses dos professores, dos demais servidores públicos e de toda a classe trabalhadora dessa cidade.
PT OPOSIÇÃO A PAES JÁ
NÃO AO PL 186/2024
TODA SOLIDARIEDADE AOS PROFESSORES
4/11/2024

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Voto petista não pode mais eleger milicianos.

A todas as instâncias dirigentes do PT e ao conjunto dos membros deste partido ao qual sou filiado, aqui no Rio de Janeiro, comunico que não votarei em nenhum candidato a vereador do PT porque não quero favorecer, mesmo que indiretamente, à reeleição de dois parlamentares do partido que considero suspeitos de envolvimento com milícias.

Logo após a eleição de 2012, o jornal Extra publicou reportagem intitulada "Os campeões de voto nas áreas de milícia", apresentando um levantamento segundo o qual 88% dos votos do vereador Edson Zanata e 78% dos votos do vereador Elton Babu foram registrados em zonas eleitorais situadas em áreas dominadas por milícias.

Considerando o implacável controle que as milícias mantém sobre as atividades político-partidárias nos seus territórios, favorecendo nas eleições candidatos que a elas se associam e proibindo a presença e até matando os que não se submetem a lhes prestar favores ou que se opõem e denunciam suas atividades ilícitas, pergunto:

Como e por que Edson Zanata e Elton Babu conseguem atuar nestas áreas com tanta liberdade e desenvoltura, a ponto de alcançarem tão expressivas votações?

De Elton Babu, sabe-se que é irmão de Jorge Babu, ex-deputado estadual do PT, que foi expulso do partido e demitido da polícia civil depois de condenado pela Justiça sob a acusação de comandar uma milícia.

De Edson Zanata, nenhuma pista.


Creio que a concentração dos votos destes dois parlamentares em áreas que milícias controlam não chega a ser prova, mas é um forte indício de que eles podem realmente estar ligados a estas organizações criminosas. E considero que esta suspeita, por sua evidente gravidade. seria razão suficiente para o PT ter lhes negado legenda para se candidatarem agora, o que infelizmente não ocorreu. No caso de Elton Babu, as relações com o irmão miliciano são publicas e notórias, tendo os dois, inclusive, sido convocados a depor na CPI das Milícias, da Assembléia Legislativa, em 2008.

Não me parece que Elton Babu e Edson Zanata sejam bons nomes para representar o petismo. Decididamente, não são. Não os acuso de nada, apenas expresso suspeitas, que suponho não serem só minhas, mas de todos os filiados do PT que, tendo conhecimento dos fatos citados, veem-se, como eu, na incômoda posição de terem que responder perante a sociedade sobre a conduta e reputação deles, que afinal formalmente nos representam.

Fico me perguntando se a presença de Elton Babu e Edson Zanata no PT, com mandatos e como candidatos, não teria sido uma das misteriosas razões que levaram Marcelo Freixo a recusar fazer aliança conosco nesta eleição. Será que o "banho de purificação nas águas do rio Jordão", que o presidente do diretório estadual, Washington Quaquá, ironicamente disse ter sido cobrado do PT por Freixo, não teria sido, além da renúncia ao fisiologismo, a exclusão de candidatos suspeitos de vínculo com milícias, como Babu e Zanata? Teria ou não Marcelo Freixo razão para impor esta condição, ainda mais com a biografia que ostenta, tendo se notabilizado exatamente pelo combate às milícias? São só suposições que a imaginação, provocada pelo mistério, me sugere, mas creio que fazem bastante sentido.

Acho que muitos petistas não sabem, por isso informo, que pelo sistema proporcional com lista aberta, qualquer voto que se dê numa eleição para vereador, seja nominal, seja em legenda, contribui para o aumento do número de cadeiras a que o partido do candidato em que se vota terá direito no parlamento municipal. Estas cadeiras serão sempre ocupadas pelos candidatos mais votados da lista de cada partido. Na última eleição municipal do Rio, em 2012, a soma dos votos válidos do PT garantiu ao partido 4 cadeiras na câmara. E os 4 candidatos mais votados da lista do PT, que vieram a ocupar estas cadeiras, foram Reimont, com 18.014 votos, Marcelo Arar, 16.756, Elton Babu, 12.630, e Edson Zanata, com 12.120 votos.

Na eleição deste ano, Reimont, Babu e Zanata são candidatos à reeleição e a tendência é que novamente estejam entre os mais votados, tendo em vista a consistência das suas bases eleitorais e a absoluta inexpressividade da quase totalidade dos nossos demais candidatos que, não obstante suas possíveis virtudes, acabam servindo apenas para somar pequenas quantidades de votos ao coeficiente partidário que definirá o número de eleitos pelo partido. Na prática, os dirigentes do PT do Rio armaram uma verdadeira armadilha para os eleitores do partido. Quem vota em Reimont ou Roberto Monteiro, por exemplo, acaba involuntariamente ajudando a eleger Babu e Zanata.

Como militante, sinto-me no dever de lembrar aos companheiros que todos nós, filiados do PT, somos responsáveis pelos políticos que o partido ajuda a eleger dando legenda. Foi um erro, a meu ver gravíssimo, o PT ter dado legenda a Elton Babu e Edson Zanata, ajudado a elegê-los e os mantido como parlamentares na última legislatura. Mas será mais equivocado ainda fazer tudo isso de novo, no exato momento em que o PT vive a mais profunda crise de credibilidade da sua história perante a classe trabalhadora e perante os seus próprios filiados. O PT do Rio não me dá, portanto, outra alternativa senão negar-lhe, pela primeira vez na vida, o meu voto, para concedê-lo a algum candidato a vereador de outro partido de esquerda.

Dirão alguns que, sendo filiado, cometo infidelidade partidária . Pois eu lhes digo que a fidelidade partidária não está para mim e não pode estar para o PT acima da fidelidade aos princípios éticos e políticos com que eu e o partido nos comprometemos. Serei fiel ao PT sempre que o PT for fiel aos compromissos assumidos comigo e com a classe trabalhadora quando me filei. Mas se o partido trai estes compromissos e adota condutas com eles incompatíveis, não renuncio, não renunciarei jamais ao direito e dever de me rebelar e chamar à rebelião os meus pares, os demais filiados. É o que faço agora, quando tomo esta decisão que anuncio. Com meu voto, não se elegerão mais candidatos que suspeito serem apoiados por milícias.

As milícias são organizações criminosas que exploram financeiramente por meio de coação violenta os trabalhadores e pequenos empresários das comunidades mais pobres da cidade. Estas organizações são criadas por agentes e ex-agentes da segurança pública que estabelecem conexões com outros agentes do Estado, nos poderes executivo, legislativo e judiciário, constituindo uma verdadeira rede que dá cobertura às suas atividades ilícitas. Por isso as milícias não são incomodadas pelo poder público, não são investigadas, muito menos reprimidas, não há contra elas o menor combate. Mas a sociedade toda sabe onde as milícias atuam e os mapas com os resultados eleitorais indicam claramente quem podem ser seus braços políticos nos parlamentos e governos.

Não vamos fingir que não sabemos que estes mapas apontam para dois vereadores do PT, entre outros tantos políticos filiados a uma série de outros partidos, e que estes dois vereadores representam nada menos que dois terços da bancada atual do PT na câmara municipal do Rio. Não vamos fingir também que ignoramos a extrema gravidade deste fato, que ele é sintoma claro do elevado grau de deterioração do caráter ético e político do nosso partido. A imagem da árvore tomada por fungos e parasitas, usada por Dilma para explicar o golpe parlamentar que sofreu, serve também como metáfora da degeneração do PT pela ação dos seus burocratas de mente deformada pela política de conciliação de classes. Não são só as instituições democráticas do Brasil que tem sido destruídas aos poucos e por dentro pelas condutas ilegais e inconstitucionais dos seus próprios membros. O Partido dos Trabalhadores também tem sido destruído aos poucos e por dentro pela ação dos seus próprios líderes e dirigentes, com o consentimento de uma vanguarda majoritariamente complacente.

Depois de consentir durante mais de uma década a deformação do caráter do PT, com o permanente rebaixamento do seu padrão ético e programático, rebaixamento este necessário para a realização da estratégia de conciliação de classes, está mais do que na hora de a militância petista dar um basta a estas concessões. O PT não pode mais continuar abrindo mão de aspectos fundamentais da sua ética política e do seu programa de governo, incorporando a cultura política dos partidos de direita e induzindo a classe trabalhadora à conciliação com a burguesia, com total esquecimento do ideal anticapitalista e socialista que lhe deu origem e que tem sido afirmado e reafirmado em todos os congressos e encontros nacionais realizados desde a sua fundação. 

O PT não pode mais associar-se a partidos de direita, o PT não pode mais se comportar como um partido de direita e o PT não pode mais admitir que em seu nome falem, como legítimos representantes, direitistas, pelegos, corruptos e milicianos. O PT precisa urgentemente mudar, e mudar radicalmente, em relação ao que tem sido, para recuperar a confiança da classe trabalhadora e por ela voltar a ser reconhecido como representante político legítimo e como dirigente das suas mobilizações na sociedade. E um dos aspectos mais fundamentais dessa mudança deve ser uma seleção mais criteriosa da representação do partido nas eleições para parlamentos e governos. 

Durante muitos anos, desde que os candidatos que me empolgavam saíram do PT para outros partidos de esquerda, adotei o voto de legenda para manter a fidelidade partidária. Com isso acabei, involuntária e infelizmente, contribuindo para a eleição de alguns vereadores pelos quais não me sinto nem um pouco representado e nos quais não tenho a menor confiança. Não quero e não vou mais cometer este erro. O voto de legenda é um voto de confiança no partido e em todos os candidatos da lista que o partido apresenta numa eleição. 

Pois eu afirmo que não confio em Elton Babu e Edson Zanata, não me sinto por eles representado, porque acredito que não representam de maneira nenhuma o PT, assim como não representava o PT o vereador que elegemos, Marcelo Arar, filiado ao PSDB até um ano antes da eleição de 2012, que saiu do PT apenas em maio deste ano e concorre agora à reeleição pelo PTB. 

E não confio na direção do PT porque a direção do PT induziu o eleitorado petista a eleger em 2012 uma bancada de 4 vereadores, sendo 2 suspeitos de associação a milícias, 1 tucano e apenas 1 realmente petista. Por isso o voto de legenda deixou de ser para mim uma opção, assim como o voto nominal em qualquer outro candidato do PT, pela convicção que tenho de que ambas as formas de voto contribuirão para a reeleição destes dois parlamentares, Elton Babu e Edson Zanata, que não reconheço como representantes do meu partido. Me recuso terminantemente a colaborar para a consumação de mais este desastre para o PT. Não contem comigo para promover uma desgraça dessas. O voto petista não pode mais ajudar a eleger milicianos. 

Silvio Melgarejo

29/09/2016

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

PT do Rio: Só um movimento interno de massas pode derrotar a máquina pesada do fisiologismo.

(Mensagem enviada à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal)

Companheiros.

Ontem eu saudei aqui com muito entusiasmo o lançamento do manifesto dos núcleos Largo do Machado, Eder Sader e Zé Dirceu, e propus, logo em seguida, que ele fosse transformado em abaixo assinado. Disse em minha mensagem:
"Ricardo e demais companheiros.

Eu proponho que este manifesto seja transformado num abaixo-assinado, para nos mobilizar a todos e para envolver neste movimento a expressiva base de filiados que está fora dos núcleos, das listas de e-mail e do Facebook do 1º diretório, dando a estes filiados a possibilidade de expressarem sua adesão e de serem incorporados às próximas atividades.

Silvio Melgarejo

01/02/2016"
Quero reiterar aqui o meu apelo para que se discuta esta proposta, acrescentando mais alguns argumentos em seu favor. Em primeiro lugar, é preciso considerar que o que dá valor político a um manifesto são as adesões que ele recebe. E que a forma mais comum de se expressar adesão a um manifesto é a assinatura. O Manifesto da Internúcleos, por enquanto, só tem as assinaturas dos três núcleos que a compõem. É um bom ponto de partida. Mas acredito que não seja suficiente. Estou certo que os companheiros devem ter consciência de que é preciso conquistar um número muito maior de adesões formais, seja de outros núcleos, seja de filiados do partido individualmente. Porque só assim nós vamos conseguir construir uma mobilização interna de massas, única forma, a meu ver, capaz de derrotar a máquina pesada do fisiologismo que tem governado o PT do Rio.

O PT tem no Rio de Janeiro - e nós, particularmente, aqui nesta zonal - uma imensa base militante ociosa que precisa ser mobilizada para esta luta. O problema é que a quase totalidade desta base não tem canal de comunicação nenhum com o partido e, por isso mesmo, nem deve saber do que está acontecendo agora. E só existe uma maneira de se resolver este problema. Nós temos que ir diretamente a todos estes filiados, um a um, porta a porta, levando notícias do partido, estabelecendo com eles canais permanentes e seguros de comunicação e oferecendo formas diversas de participação, já que estes companheiros estão completamente excluídos do debate interno do PT, dos seus processos decisórios e das suas atividades. Tenho a mais absoluta convicção de que só incorporando à nossa luta este enorme contingente de filiados marginalizados é que nós vamos conseguir mudar a correlação de forças no PT do Rio e impor uma derrota histórica ao fisiologismo.

O abaixo-assinado é uma das formas possíveis de dar voz ao filiado petista, e uma forma que me parece muito apropriada no presente contexto, porque a assinatura agrega efetivamente valor político ao nosso manifesto e permite que uma eventual entrega dele, de maneira formal e pública, aos diretórios municipal e regional, se constitua como um fato político suficientemente relevante para influenciar o rumo dessa disputa

Estou cada vez mais convencido, companheiros, de que a maior resistência dentro do PT ao abandono da estratégia de conciliação de classes, que dá origem à política de alianças que estamos combatendo, vem das lideranças petistas fisiológicas, completamente adaptadas ao modo burguês de fazer política e inteiramente viciadas nas vantagens que este modo de fazer política lhes tem proporcionado. Cada uma destas lideranças usa os recursos do cargo que tem na máquina pública para aliciar adeptos e formar bases artificiais de apoio dentro do PT, exatamente como fazem todos os políticos dos partidos burgueses com quem estas lideranças têm intimamente se relacionado. Não vai ser fácil vencer seus exércitos de apadrinhados. E, no entanto, é este enfrentamento tão difícil, o único caminho que pode nos levar à conquista do nosso objetivo de mudar a atual política de alianças do PT do Rio, fazendo com que o partido rompa a aliança com o PMDB.

Sem prejuízo do investimento na Frente Brasil Popular, considero que devemos priorizar o trabalho político de base junto aos únicos petistas que podem contribuir realmente para a nossa vitória nesta disputa, que são os petistas filiados, por terem direito de voto nas convenções do partido. Porque é disso que precisamos agora, companheiros, para derrotar dentro do PT a candidatura de Pedro Paulo e impor uma candidatura de esquerda. Precisamos de compromissos e de votos para formar maioria na convenção partidária. E estes compromissos e votos não nos cairão do céu, no colo, por obra e graça do Espírito Santo. Vão, ao contrário, nos exigir muito trabalho de convencimento junto àquela imensa base de filiados que tem estado à margem do partido e que pode ser decisiva nessa disputa, se tivermos êxito em trazê-la para a batalha.

O lançamento do Manifesto da Internúcleos foi importantíssimo como iniciativa, não só pelo conteúdo do seu texto, mas pela diversidade das forças políticas que o subscrevem. Mas é preciso reconhecer que a repercussão ainda foi pequena. Este manifesto, ou outro documento semelhante, precisa chegar a todos os filiados do PT do Rio e com todos os filiados do PT do Rio nós precisamos discutir o seu conteúdo. E, não só tentar obter a adesão formal de cada um, mediante a assinatura, mas também o compromisso de suas participações nas atividades da Frente Brasil Popular e de que eles votem, em suas respectivas instâncias, no processo de eleição dos delegados para a convenção municipal do PT.

O movimento contra a aliança com o PMDB e por uma candidatura de esquerda, além disso, para ganhar corpo e atingir seus objetivos, precisa urgentemente definir um plano de lutas, um programa de atividades que possibilitem um acúmulo de forças dentro do partido, suficiente para que se possa derrotar as forças contrárias do fisiologismo. aliadas do PMDB. E a primeira atividade deste plano de lutas pode ser exatamente a coleta, na base de filiados, de assinaturas de adesão ao Manifesto da Internúcleos. O manifesto pode e deve ser mais do que a expressão isolada e efêmera do pensamento de três núcleos, pode e deve ser, além disso, um instrumento importante do trabalho político da vanguarda junto à base de filiados do partido.

No momento em que a máquina do fisiologismo dentro do PT está funcionando a toda força para garantir a manutenção do seu império, adiar as ações de combate político é algo que os núcleos signatários do manifesto e todos os que com ele concordam não podem se permitir. O trabalho de planejamento e organização para a mobilização tem que começar já, sem demora, ou vamos ser atropelados na convenção municipal e ter que engolir esta candidatura do Pedro Paulo.

Saudações petistas,

Silvio Melgarejo

02/02/2016

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Manifesto Internúcleos da 1ª Zonal (Centro-Zona Sul) - 01/02/2016

PARTIDO DOS TRABALHADORES

ELEIÇÃO 2016

MANIFESTO INTERNÚCLEOS DA 1ª ZONAL (CENTRO – ZONA SUL)


Os núcleos e a militância reunidos do Partido dos Trabalhadores reunidos na Internúcleos da 1ª Zonal (Centro-Zona Sul) vem externar sua revolta e divergência com as atitudes do Diretório Municipal, especialmente na aliança com o PMDB.

Nacionalmente, vemos como nosso governo vem sendo acossado por todos os lados, especialmente por “aliados” como o PMDB que, em sua avidez por cargos e poder, chantageia e pressiona para o golpe, onde Michel Temer e Eduardo Cunha são os principais articuladores.

Entretanto, aqui na capital é onde o PT mais sofre com essa aliança que localmente se tornou a mais abjeta subserviência.

A direção do partido abriu mão de disputar a hegemonia política e o projeto histórico do PT em troca de cargos e legitimação do governo de direita do PMDB na capital.

Há oito anos, a militância se vê alijada das instâncias deliberativas, vendo os dirigentes se submeterem cada vez mais ao PMDB, chegando a desfaçatez de aceitar manter a “aliança” antes de qualquer deliberação das bases, em troca de duas secretarias e seus respectivos DAS. Isso talvez explique porque ao arrepio do Estatuto Partidário, dirigentes municipais ocupem cargos na Prefeitura, sem prestar contas a ninguém.

Enquanto grupos e dirigentes partidários cuidam de seus próprios interesses, o Estatuto Partidário é violentado e a democracia interna olimpicamente ignorada. O Diretório Municipal, a Executiva Municipal e o Diretório Zonal, simplesmente não se reúnem, descumprindo os Artigos 80, 84, 87 e 88 do Estatuto do Partido dos Trabalhadores. Além disso, são incapazes de fazer qualquer crítica à gestão municipal, mesmo diante do desastre nas políticas públicas vigentes. E sequer organizam a militância para resistir ao golpe que se articula em Brasília. Entretanto, as reuniões públicas ou privadas com o PMDB e seu prefeito são inúmeras, sempre acompanhadas de elogios rasgados na imprensa burguesa.

A participação do deputado federal do PMDB, Pedro Paulo, na plenária de filiação partidária e formação política do Partido dos Trabalhadores em Bangu revela a postura indigna e politicamente inescrupulosa de tal “aliança”.

Foi deplorável ver dirigentes municipais do partido, presentes ao ato,  permitirem e legitimarem essa violação dos princípios basilares que regem o PT.

A filiação partidária e a consequente formação política são atividades internas do PT, assim como de qualquer partido. Ali se pretende ampliar a base militante partidária, narrar a história do partido desde a sua fundação e explicar a posição ideológica do PT.

Deste modo, já seria completamente inexplicável a presença de um filiado a outro partido numa atividade desse caráter. Pior ainda, sendo de um partido de direita, sem qualquer identidade ideológica conosco e hoje um dos principais algozes do governo federal e do PT.

Não existem tolos nem ingênuos. É evidente a tentativa esdrúxula de empurrar goela abaixo da militância petista subserviência ainda maior ao PMDB, cujas características são opostas à história e trajetória do PT e, com mais forte razão, a candidatura de Pedro Paulo a prefeito. Político de direita e que agride mulheres, o que o torna indigno do seu mandato como deputado federal e, muito mais ainda em pretender a prefeitura do Rio de Janeiro.

Outra postura indecorosa é a filiação, a pedido do prefeito (!), de quinze pré-candidatos do PMDB no PT, para supostamente “alavancar” a nossa bancada, quando na verdade se trata de transformar o partido numa sublegenda da turma dos Cabral, Pezão, Picciani, Cunhas e Paes. Enquanto isso os candidatos verdadeiramente petistas são alijados, em um processo que há anos não é democrático e transparente.

Vimos assim nos opor frontalmente a mais essa tentativa de destruir o Partido dos Trabalhadores e defender que se fortaleça iniciativas como o Saída pela Esquerda e a Frente Brasil Popular, onde iremos nos juntar aos demais militantes que já estão construindo esses fóruns. O resgate da esquerda carioca e do Partido dos Trabalhadores passa pela unidade com os movimentos sociais e populares e pela construção de uma candidatura dentro da Frente Brasil Popular, inclusive podendo ser do Partido dos Trabalhadores.

A Frente Brasil Popular é um projeto estratégico, através do qual não só estaremos nos libertando dessa “aliança” com o PMDB, como também estaremos aprofundando a luta pelas mudanças necessárias na política e economia do país.

Exigimos desse modo que as instâncias formais se reúnam e iniciem o debate, sob pena de serem atropeladas pela base. Enquanto isso, estaremos lutando pela reconstrução do partido e retomada de suas bandeiras históricas.

Conclamamos a militância petista, assim como todos aqueles que se pautam pela grande política e rechaçam alianças espúrias, indecorosas e antidemocráticas, a rechaçar a referida “aliança” e a se somar nessa luta histórica.

A CANDIDATURA PEDRO PAULO NÃO PASSARÁ!

CONSTRUIR A FRENTE BRASIL POPULAR COM UMA CANDIDATURA DE ESQUERDA!

Núcleo Eder Sader

Núcleo Largo do Machado

Núcleo Zé Dirceu

domingo, 31 de janeiro de 2016

Debate e democracia: PSOL defendeu voto nulo no 2º turno entre Dilma e Aécio?

(Mensagem publicada na lista de e-mails do 1º Diretório Zonal, em resposta à companheira S.)

S.

Já é a segunda vez que você me vem com essa conversa. Lá no Facebook eu já te disse: não tento impor e nem tenho poder para impor nada. Quem tem poder são os dirigentes do partido, eles sim, estão impondo algo que a base não quer. Informe-se melhor, por favor. Os dirigentes do PT já estão em campanha eleitoral para o candidato do PMDB, Pedro Paulo. Campanha dentro e fora do partido, porque estão sendo dadas sucessivas entrevistas para a imprensa dizendo que o PT já fechou acordo com o PMDB e que vai apoiar o candidato Pedro Paulo. Isto não são suposições. São fatos.

Agora, como eu disse, eu não tento impor nada. Expresso posições políticas e tento persuadir quem me lê mediante a exposição de argumentos que justificam estas posições. Não sei se você sabe, mas existe um negócio chamado "debate", que consiste no confronto de razões pró e contra uma determinada tese, por dois ou mais indivíduos que se posicionam sobre ela alternadamente. O debate começa com a apresentação de uma tese e tem curso com as sucessivas manifestações dos participantes, chamados debatedores, sobre a ideia inicialmente apresentada.

Este tipo de exercício, o debate - você deve lembrar dos nossos Anos de Chumbo aqui no Brasil - é algo inexistente nas ditaduras porque autoritários não suportam ser contrariados. Mas é uma prática que existe em todas as democracias, porque a democracia pressupõe exatamente a existência de espaço para a livre expressão da discordância. Na democracia a discordância é natural. Na ditadura a discordância é crime. Por isso toda democracia tem debate e por isso em toda ditadura o debate é proibido.

É evidente que a democracia tem outros pressupostos. Mas o espaço para discordar e para debater opiniões é sem dúvida nenhuma o pressuposto mais básico, aquele sem o qual nenhum país e nenhum partido podem se considerar realmente democráticos. Se o PT quer ser um partido democrático, então deve garantir espaço para a livre expressão das divergências entre os seus filiados e entre os filiados e a direção do partido, porque é assim que se formam os consensos que legitimam as decisões coletivas tomadas, porque é assim que se realiza a democracia partidária.

O debate, portanto, é fundamental para a realização da democracia partidária. E num partido de massas, como o PT, que tem mais de 1,7 milhão filiados, o debate democrático deve ser, necessariamente, público, porque senão será excludente. Poucos participarão e a maioria ficará de fora, à margem dos processos decisórios. E isto não é democracia.

Mas aqui nesta lista de e-mails nós sequer estamos num ambiente público. Só há e-mails de filiados. E ainda assim você quer coibir o debate sobre o processo eleitoral que já está em curso no país, com os candidatos sendo lançados e as alianças políticas sendo definidas. Me acusa de tentar impor minha posição, quando na verdade eu tento persuadir apresentando argumentos exatamente para que eles sejam contestados por quem discordar. E você não contestou nenhum dos argumentos que eu apresentei, só contestou a tese e até o direito de eu apresenta-la. E sou eu quem tenta impor?

E mais uma vez, como aconteceu no caso da companheira Eide, tenho que corrigir uma informação errada. O PSOL não pregou voto nulo no 2º turno da última eleição presidencial. O partido não  recomendou que seus eleitores votassem nulo e sim que não votassem em Aécio, para que não houvesse retrocesso. Ou seja, o PSOL reconheceu que houve avanços nos governos petistas e que um governo petista é melhor do que um governo tucano. A posição do partido, portanto, foi quase que uma autocrítica, na prática, dos exageros e dos equívocos dos anos anteriores.

O trecho da resolução do PSOL que definiu a posição do partido no 2º turno da última eleição, diz o seguinte:
"Um segundo turno, quando não nos sentimos representados nele, é muitas vezes mais do veto que do voto.

Entendemos que Aécio Neves, o seu PSDB e aliados são os representantes mais diretos dos interesses da classe dominante e do imperialismo na América Latina.

O jeito tucano de governar, baseado na defesa das elites econômicas e nas privatizações, com a corrupção daí decorrente, significa um verdadeiro retrocesso.

A criminalização das mobilizações populares e dos pobres empreendida pelos governos tucanos, em especial o de Alckmin, nos coloca em oposição frontal ao projeto do PSDB e aliados de direita.

Assim, recomendamos que os eleitores do PSOL não votem em Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais. Não é cabível qualquer apoio de nossos filiados à sua candidatura."
Esta não é uma posição neutra, o PSOL tomou partido, mostrou que tinha uma preferência e que esta preferência era a candidatura da Dilma. Senão teriam dito "não votem na Dilma, nem votem no Aécio, anulem o voto". Mas não foi isso que fizeram. A resolução deu ao filiado e ao eleitor psolista duas opções: o voto nulo ou o voto em Dilma. Mas todas as principais figuras públicas do PSOL recomendaram o voto em Dilma, inclusive a candidata derrotada, Luciana Genro.

A bancada o PSOL na Câmara Federal, através do deputado Chico Alencar, fez na tribuna o seguinte registro:
"Sr. Presidente, e todo(a)s o(a)s que assistem a esta sessão ou nela trabalham.

Registro, nos Anais da Casa, a posição tomada de forma coletiva por nós, Deputados Federais do PSOL, no segundo turno das eleições presidenciais, nos marcos da Resolução Nacional do partido sobre o assunto.

(...)

6. Diante da composição de forças políticas e sociais que se constituiu, com os vínculos entusiasmados dos setores mais conservadores e retrógrados com a candidatura tucana, e do retrocesso que isso pode representar, dentro dos marcos aprovados pelo PSOL em Resolução divulgada em 8/10, declaramos nosso voto em Dilma;

(...)

Brasília, 10 de outubro de 2014.

Edmílson Rodrigues (PA)

Chico Alencar (RJ)

Jean Wyllys (RJ)

Ivan Valente (SP)

DEPUTADOS ELEITOS PELO PSOL"
E o deputado estadual Marcelo Freixo gravou até um vídeo que passou no programa eleitoral da Dilma, pedindo voto prá ela. Será que ninguém viu? Eu vi e prá quem tava distraído ou esqueceu, o link é esse aqui embaixo.

Marcelo Freixo apoiou Dilma no 2º turno

https://www.youtube.com/watch?v=on3oysCoxj8
Portanto não é verdade que o PSOL pregou voto nulo nesta eleição, nem é verdade que o PSOL defendeu o impeachment da Dilma, como disse a companheira E., e eu já provei para ela que é falsa esta informação. Isto são boatos, recurso típico das disputas políticas menos éticas. O PT mesmo é vítima frequente de mentiras como estas, que são deliberadamente espalhadas com o objetivo de manipular a opinião dos incautos. A unidade da esquerda brasileira não interessa à direita, mas também não interessa aos sectários e aos oportunistas da própria esquerda.

Enfim, trabalho de militante não é só participar de reunião e campanha eleitoral. Trabalho de militante é também se informar e pensar para informar e fazer pensar. Tem gente que acha isso uma chatice inútil, que legal mesmo é esperar a ordem do chefe e obedecer sem pensar, como na ordem unida dos exércitos. Pois é, nos exércitos é assim. Mas num partido realmente democrático o chefe expressa o desejo da maioria e não o contrário. E a verdade é que o PT não se propõe a ser um exército, se propõem a ser um partido democrático. Aí tem que ter debate mesmo, tem que ter espaço para que se expressem as discordâncias. Foi assim no começo. A falta de hábito é que fez com que alguns petistas esquecessem disso.

Silvio Melgarejo

31/01/2016

***
Abaixo, a mensagem da companheira S. a que este post se refere.
"Oi Silvio, De fato não tinha lido, porque entrei no papo em resposta a um post do M. Z., como você poderá ver abaixo. Mas concordo com você, embora não consiga acreditar numa aliança entre PT e PSOL. Todos os psolistas que conheço são ex-petistas e nutrem um ódio descomunal ao PT e ao Lula. O discurso deles não é nem um pouco diferente dos da Veja e Globo. Exceto o Jean Willys, que nunca foi do PT, os demais preferem atacar os governos petistas do que os governos tucanos, por isso, desconfio dessa ‘esquerda’. Pregaram voto nulo na eleição da Dilma x Serra e reeleição contra Aécio. Isso significa que não consideram os governos petistas nem uma gota melhor do que os governos tucanos, o que eu considero uma total e completa loucura.
 Também não considero aceitável que, numa lista do partido, se faça apologia a uma aliança sem que o partido tenha definido seu apoio, por mais que se julgue que apoiará o PMDB. E isso já é uma reincidência porque aconteceu na eleição passada. Esse papo de “PT deve apoiar” é para mim inaceitável. Sugira, mas não tente impor...
 
Acho que a aliança com o PMDB nunca foi uma preferência do PT, Lula e Dilma. Nem mesmo do Dirceu que a defendia antes dela acontecer, no 1º mandato do Lula. Mas o PT + PCdoB + PSOL não dão governabilidade ao governo Federal, e o PSB, antigo aliado, hoje é um partido de direita, tal como a tal de Rede e o finado partido comunista do Roberto Freire. E infelizmente, são realidades que não podem ser ignoradas... 
S."

sábado, 30 de janeiro de 2016

Mudança de estratégia, apoio a Freixo e uma nova direção para o PT. PSOL apoiou o impeachment de Dilma?

(Mensagem publicada na lista de e-mails do 1º Diretório Zonal em resposta à companheira E.B.)

Antes de fazer qualquer consideração mais detalhada sobre a sua manifestação, companheira E., quero destacar duas frases suas, grifadas por você mesma, que juntas confirmam exatamente a impressão que expressei, no comentário que fiz imediatamente anterior ao seu, de que há setores no PT que têm tolerância ou simpatia maior pelo PMDB do que pelo PSOL. Você diz:
- "A aliança com o PMDB, não dá mais."
E logo em seguida:
- "Votar no psol muito menos."
A expressão "muito menos" é muitíssimo significativa, porque dá a medida da sua rejeição aos dois partidos. O que você diz - e não há outra forma de interpretar o seu texto - é que tem aversão muito maior ao PSOL do que ao PMDB. E isto se confirma no restante da mensagem em que mostra uma indignação muito maior com o apoio de petistas ao candidato do PSOL, que é um militante de direitos humanos, do que com o apoio de petistas ao candidato do PMDB, que é um espancador de mulheres.

Aliás, indignação contra a aliança com o PMDB você não demonstra nenhuma. A palavra "vergonha" surgiu só agora, como um brado de repúdio à aproximação do PT com um partido que lhe faz oposição pela esquerda, com críticas que você mesma faz ao PT.

A ata da reunião do diretório do dia 16 de novembro último, aqui divulgada, registra que você "questionou o por que o PT deixou de ser um partido dos trabalhadores, e por que passamos a ser um Partido atrelado ao PMDB". E não é exatamente por isso que o PSOL tem feito oposição ao PT?

E oposição programática, não oposição golpista como você diz. A afirmação que você faz de que o PSOL é "um partido que prega o golpe (declarando ser a favor de eleições em 2016), um partido que não apoiou o movimento contra o impeachment" é absolutamente falsa e você pode se certificar disso na própria página oficial do partido, onde se encontra a seguinte resolução de sua comissão executiva nacional:

"Executiva do PSOL orienta militância a ocupar as ruas
contra o impeachment
,
o ajuste fiscal e pelo Fora Cunha

Considerando a decisão aprovada no 5º Congresso do PSOL sobre a crise política e o processo de impeachment em debate na Câmara dos Deputados;

Considerando a convocatória feita pelos setores conservadores para manifestações favoráveis ao impeachment, marcadas para este 13 de dezembro;

Considerando a convocatória feita pelas entidades do movimento social para manifestações contrárias ao impeachment, marcadas para o próximo dia 16 de dezembro, denominado de Dia Nacional de Luta contra o Impeachment, o ajuste fiscal e pelo Fora Cunha;

1. Nosso 5º Congresso Nacional, de forma inequívoca, decidiu que nosso partido é contrário a aprovação do impeachment que tramita na Câmara dos Deputados. O partido não considera que os motivos alegados no processo sejam suficientes para o impedimento da presidência e não reconhece legitimidade no processo capitaneado pelo senhor Eduardo Cunha.

2. A decisão deixa claro que “destituir Dilma, a cujo governo antipopular nos opomos, para colocar em seu lugar Michel Temer (PMDB), significaria aprofundar ‘uma ponte para o futuro’ que é mera continuidade do presente, pavimentada pelos materiais do privatismo puro e duro”. Para nosso partido, “as saídas da crise só virão com ampla mobilização popular em torno de reformas profundas, que instituam um novo modelo econômico, soberano, igualitário e ambientalmente sustentável”.

3. Nosso Congresso decidiu que sua militância “não participará de manifestações que tenham como finalidade a defesa do governo ou a defesa do impeachment”.
A Executiva orienta todos os militantes do PSOL:

A participar de todo o processo de mobilização, especialmente as marcadas para o dia 16 de dezembro, que tiverem como eixo a combinação do combate ao processo de impeachment, a campanha para cassar o deputado Eduardo Cunha e o combate ao ajuste fiscal do governo.

Nossos militantes não ficarão em casa, nosso compromisso com os direitos sociais e a democracia deve se materializar na participação ativa nas ruas de nosso país.
E esta participação deverá estar comprometida com os eixos decididos em nosso vitorioso Congresso Nacional.

Executiva Nacional do PSOL

13 de dezembro de 2015

http://www.psol50.org.br/2015/12/executiva-do-psol-orienta-militancia-a-ocupar-as-ruas-contra-o-impeachment-o-ajuste-fiscal-e-pelo-fora-cunha/
O texto é mais do que claro. O PSOL não só se posicionou firmemente contra o impeachment como convocou sua militância a participar de todas as mobilizações que tivessem aquele conjunto de eixos encabeçado pelo "combate ao processo de impeachment", como aquela do dia 16 de dezembro promovida pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

E como se vê, o PSOL nunca defendeu a antecipação das eleições presidenciais para 2016. Isto foi uma manifestação absolutamente isolada de Luciana Genro, que não foi sequer apresentada em nenhuma das instâncias do partido e que foi contesta por várias de suas lideranças e figuras públicas, como o Marcelo Freixo, que postou em seu Facebook o seguinte comentário, no dia 10 de dezembro:
"Respeito muito a opinião da minha amiga e companheira de partido Luciana Genro, mas não concordo com a realização de eleições gerais, inclusive para a presidência da República, em 2016, como ela propôs.

Dilma foi escolhida pela maioria da população brasileira para um mandato de quatro anos que se encerrará em 2018. Eu e meu partido fazemos oposição à esquerda a presidente, seu governo é ruim, assim como suas escolhas políticas e econômicas. Entretanto, somos contra o impeachment porque não há elementos que comprovem a ligação direta de Dilma com as denúncias de corrupção. Não se destitui uma presidente por seu governo ser ruim ou por não concordarmos com ele.

Mais importante é mobilizar as pessoas, ir para as ruas, ampliar o debate com aqueles que lutam por uma agenda de reformas políticas que permitem o combate à corrupção do ponto de vista estrutural. A raiz do problema está no sequestro da democracia pela aliança entre a elite econômica e política, na falta de participação social, na lógica do parlamentarismo de extorsão, na ausência de diálogo.

É verdade que os governos petistas não avançaram nestas questões. Não realizaram as reformas necessárias. Mas o impeachment não resolverá estas questões. Pelo contrário, vai agravá-las. O modelo de democracia está em disputa, a atual lógica de governabilidade, baseada nos acordões entre cúpulas partidárias, se esgotou. Nosso esforço deve ser pedagógico, ampliando o debate com a sociedade para construirmos uma democracia mais participativa, humana e transparente."

https://www.facebook.com/MarceloFreixoPsol/posts/1071537232886532
E no dia 3 de dezembro, Freixo já havia se manifestado da mesma forma, pelo Facebook, dizendo:
"O PSOL não vai apoiar impeachment fruto de chantagem. Não defendemos as políticas do governo Dilma, mas defendemos a democracia.
Eduardo Cunha é acusado de gravíssimos crimes pela Procuradoria-Geral da República: corrupção, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Ocultou suas contas na Suiça em depoimento na CPI da Petrobrás e tem um longo histórico de envolvimento em escândalos de corrupção desde que chegou ao poder junto a PC Farias e Collor de Melo. Assim que as denúncias a Cunha foram comprovadas pelo Ministério Público do Brasil e da Suiça, o PSOL entrou com representação pedindo a cassação de seu mandato. É simples: um réu da Justiça, que mentiu e omitiu contas e bens em depoimento em CPI, não pode continuar presidindo a Câmara dos Deputados.

Para tentar se salvar da perda de seu mandato no Conselho de Ética, Cunha passou os últimos meses chantageando deputados de diversos partidos. Ontem, a bancada do PT votou pela continuidade do processo de cassação do mandato de Cunha. Em retaliação, Cunha abriu processo de impeachment contra Dilma.

O PSOL faz oposição de esquerda ao governo Dilma, uma oposição democrática e republicana. Defendemos o respeito pelo mandato eleito democraticamente, gostemos ou não do resultado das urnas. O impeachment só é aplicável em última instância, quando existe crime comprovado de responsabilidade. Não é o caso de Dilma."

https://www.facebook.com/MarceloFreixoPsol/posts/1067664649940457
Cadê o golpismo do PSOL, E.? Certamente há, mas não é nem de longe a posição predominante no partido, tanto que a resolução do congresso do PSOL em que ele define a sua posição sobre a proposta de impeachment foi aprovada por ampla maioria, como se pode ver na notícia abaixo, do site do próprio PSOL:

"5º Congresso Nacional referenda resolução do Diretório Nacional sobre impeachment

Uma das votações mais importantes da tarde do último sábado (05), no 5º Congresso Nacional do PSOL, que ocorreu no final de semana, em Luziânia-GO, foi a da resolução que demarca o posicionamento do partido sobre o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, encaminhado na Câmara dos Deputados pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o mesmo que responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa e que fora citado nas investigações da Operação Lava Jato. Por ampla maioria, os delegados referendaram a  resolução já aprovada na última sexta-feira (04) pelo Diretório Nacional, em reunião realizada naquele mesmo dia.

No documento, que servirá de base para a atuação do partido frente à crise econômica e política e o avanço da direita conservadora, o partido reafirma seu entendimento sobre a necessidade de estar nas ruas, ao lado de outras organizações do campo da esquerda. Além disso, enfatiza sua disposição de lutar para acabar, de vez, com o financiamento privado de campanha e garantir maior participação popular nos espaços da política.
Para nós do PSOL, as saídas da crise só virão com ampla mobilização popular em torno de reformas profundas, que instituam um novo modelo econômico, soberano, igualitário e ambientalmente sustentável. Além de um modelo político, livre do financiamento empresarial, que aprofunde a democratização do país, através do qual as maiorias sociais possam se tornar as maiorias políticas, e a transparência republicana, melhor antídoto à corrupção sistêmica. Reforçamos nossa luta frontal contra Cunha e todos os corruptos, e de oposição programática e de esquerda ao governo Dilma. O PSOL não participará de manifestações que tenham como finalidade defesa do governo ou de defesa do impeachment”.

http://www.psol50.org.br/2015/12/5o-congresso-nacional-referenda-resolucao-do-diretorio-nacional-sobre-impeachment/
Fica, portanto, demonstrado, de forma documentada, que o alegado apoio do PSOL ao impeachment de Dilma não passa de um falácia, um boato, quem sabe, produzido e disseminado pela imaginação dos sectários ou pela má fé dos oportunistas.

A posição que assumo ante o processo eleitoral deste ano se baseia na análise de fatos, não de boatos, E.. Eu a fundamento com argumentos que considero bastante sólidos, que consideram as resoluções políticas dos congressos e encontros nacionais do partido, especialmente as do 14º Encontro, de 2014, que cito no texto que publiquei em meu blog, aqui divulguei e você, pelo visto, não leu.

Do 14º Encontro, faço referência em primeiro lugar à resolução “Diretrizes de Programa de Governo”, que diz o seguinte:
“Para continuar democratizando o país, ampliando o bem-estar social e trilhando um caminho democrático-popular de desenvolvimento sustentável, defendemos um conjunto de mudanças estruturais, entre as quais a reforma agrária e a reforma urbana, a reforma política e a democratização dos meios de comunicação, a reforma tributária e a ampliação dos direitos públicos universais, aprofundar a soberania nacional, a integração latino-americana e caribenha e nossa participação nos BRICS como parte da construção de uma nova ordem mundial.

No segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, portanto, é chegada a hora das reformas democráticas e populares, para consolidar as políticas bem sucedidas que empreendemos e para deslanchar novas políticas de democratização da renda, da riqueza e do poder.”
E depois cito a “Resolução sobre tática eleitoral e política de alianças”, que diz:
“A continuidade – e, sobretudo, o avanço – do nosso projeto está vinculada à nossa capacidade de fortalecer um bloco de esquerda e progressista, amparado nos movimento sociais, na intelectualidade e em todos os setores comprometidos com o processo de transformações econômicas, políticas, sociais e culturais implementadas pelos governos Lula e Dilma.

A existência deste bloco democrático e popular é fundamental para agregar outras forças políticas e sociais de centro, numa ampla frente que apoie a eleição e o segundo mandato da presidenta Dilma.

(…)

As manifestações de junho de 2013 demonstraram e o amplo processo de discussões que o PT vem promovendo confirmaram que há um sentimento de urgência em favor de mudanças mais profundas e rápidas.

O fato é que, após mais de uma década de melhorias sociais relevantes, a população reivindica reformas, todas contidas em nosso programa, como é o caso exemplar da reforma política, a democratização da comunicação, a reforma agrária, a reforma urbana e a reforma tributária.”
O que eu disse lá no meu blog e repeti aqui numa outra mensagem que você também ignorou, foi que o PMDB é radicalmente contra todas estas reformas que são propostas pelo PT e que são necessárias para o avanço do seu projeto e que o PSOL, ao contrário, defende todas elas firmemente, criticando até o PT por não se empanhar mais em realiza-las.

Portanto, se o avanço do projeto do PT depende da implementação destas reformas estruturais que o partido tem no seu programa, se o PMDB é radicalmente contra estas reformas e o PSOL é radicalmente a favor de todas elas, então pode-se dizer que, objetivamente, o PMDB é um inimigo do projeto petista e que o PSOL, objetivamente, é aliado.

Vendo que alguns de vocês estão comentando o título deste post sem ter lido o conteúdo, postei aqui ontem um pequeno texto em que tento resumir o que penso. Cito um trecho:
"O PMDB é um partido corrupto que luta encarniçadamente contra as reformas estruturais necessárias para o avanço do projeto petista. Já o PSOL, por outro lado, apoia firmemente todas estas reformas que o PT tem no seu programa. Por isso é que eu digo que, objetivamente, na luta pelas reformas, o PMDB é inimigo do PT e o PSOL, aliado. E a tática eleitoral do PT tem que ser coerente com isto. Senão nós vamos fazer campanha para eleger e fortalecer um inimigo e derrotar e enfraquecer um aliado, o que seria uma monumental estupidez."
Pois é neste argumento que se sustenta a minha defesa da aliança do PT com o PSOL, no Rio, em bases puramente programáticas, sem exigência de cargos, para a defesa da candidatura de Marcelo Freixo.

Como diz a resolução do 14º Encontro, "a continuidade – e, sobretudo, o avanço – do nosso projeto está vinculada à nossa capacidade de fortalecer um bloco de esquerda e progressista". Negar que o PSOL seja um partido de esquerda e admitir que o PMDB do Rio seja progressista é uma visão prá lá de desfocada do papel desempenhado por estas duas agremiações no processo político.

Na reunião da zonal de 16 de novembro, segundo a ata divulgada, você, E., "questionou o por que o PT deixou de ser um partido dos trabalhadores, e por que passamos a ser um Partido atrelado ao PMDB". Ora, companheira, uma coisa tem tudo a ver com a outra e ambas têm a mesma causa. O PT deixou de ser um partido dos trabalhadores porque está atrelado ao PMDB. E o PT está atrelado ao PMDB por uma imposição da estratégia de colaboração de classes imposta ao partido pela CNB de Lula, Rui Falcão, Washington Quaquá e Bob Calazans. É a estratégia que determina os aliados e os inimigos. Se a estratégia é conciliar com a burguesia, o PMDB é aliado e o PSOL, inimigo. Mas se o PT resolver lutar contra a burguesia, o PSOL é que será aliado e o PMDB, inimigo.

Quanto ao "foco para quem é militante, e militante PeTista", concordo que o foco do militante deva ser "a defesa do nosso projeto que transformou totalmente a cara de nosso país" e "a defesa do nosso ParTido". Mas não acredito que esta defesa possa ser feita de forma eficaz virando as costas para o processo eleitoral, como você propõe, e dando um cheque em branco para que a direção do PT faça o que quiser com o partido, inclusive manter a execução da atual estratégia política que tem atrelado, como você mesma diz, o PT ao PMDB e afastado, como você também reconhece, o PT dos trabalhadores.

Ora, não existe ameaça maior ao PT hoje do que esta estratégia, que simplesmente inviabiliza a conquista das reformas estruturais que são indispensáveis para o avanço do projeto do partido. De modo que é incoerente conclamar a defesa do PT e seu projeto e ao mesmo tempo lutar encarniçadamente para preservar as condições que inviabilizam o projeto e o partido.

Me perdoe, E., mas a impressão que dá, lendo sua mensagem, é que "se preciso for", como você diz, você faz tudo para não se opor frontalmente à direção do partido, comandada pela CNB. Se preciso for - e se possível -, você ignora completamente a eleição municipal, que hoje é o foco total da direção do partido. Se preciso for - e se for possível -, você deixa Quaquá e Calazans à vontade com Picciani, Cabral e Paes, e foca a sua militância exclusivamente na Frente Brasil Popular. Se preciso - e se possível - for, você ignora a eleição para prefeito e foca na eleição para vereador. E se não for possível ignorar a eleição para prefeito e tiver que se posicionar, então você vai de voto nulo, que é uma tentativa comprometedora de não se comprometer com nada.

Sua posição é igual à do companheiro O.. Ele disse o seguinte, a uns três dias atrás:
- "Não importa se o PT vai se coligar com o PMDB, o que importa é se a militância vai votar no PMDB. Eu particularmente não conheço nenhum PTista que vai votar no PMDB. A maioria vai votar no Freixo ou anular seu voto."
Ao que eu lhe respondi no dia seguinte:
- "A posição do partido define o seu futuro e o futuro do seu projeto. Ser indiferente à posição do partido é, portanto, ser indiferente ao próprio partido. E uma militância que é indiferente ao seu partido já não é mais, na prática, militância do partido, só falta mesmo a desvinculação formal, que é o ato da desfiliação."
O futuro do PT começa a ser jogado nestas eleições municipais, que fazem parte do processo político do país, tanto quanto a luta social dos sindicatos e movimentos populares. A luta social e a luta institucional não são processos estanques, ao contrário, se intercomunicam, se permeiam e se influenciam mutuamente. A aliança do PT com o PMDB na eleição do Rio vai repercutir seguramente na Frente Brasil Popular. E vai repercutir negativamente, humilhando o PT e constrangendo os petistas, porque é uma contradição flagrante aliar-se ao PMDB e ao mesmo tempo integrar esta frente, já que os dois têm objetivos diametralmente opostos. A Frente Brasil Popular defende a democracia e os interesses dos trabalhadores. Já o PMDB defende interesses particulares de oligarquias, da direita social e da burguesia. Ser aliado de um na institucionalidade e do outro na luta social é uma postura politicamente esquizofrênica, que não contribui em nada para o PT reconquistar a confiança dos trabalhadores. A Frente Brasil Popular defende as mesmas reformas estruturais que o PT defende. E como é que o PT vai explicar para os membros da frente a aliança com o PMDB, que é radicalmente contra estas reformas?

Se o PT faz parte da Frente Brasil Popular, o PSOL, por sua vez, integra a Frente Povo Sem Medo. CUT, MST, UNE e uma série de outras entidades fazem parte das duas frentes, o que prova a identidade dos propósitos de ambas. Para o 16 de dezembro, Dia Nacional de Luta contra o impeachment, contra o ajuste fiscal e contra Eduardo Cunha, a Frente Brasil Popular, do PT, e a Frente Povo Sem Medo, do PSOL, lançaram uma nota convocatória unificada que diz:
"Convocatória Unificada da Mobilização de 16/12:

CONTRA O IMPEACHMENT!

NÃO AO AJUSTE FISCAL!

FORA CUNHA!


O momento político pede muita unidade e mobilização popular. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou a instalação do processo de impeachment da Presidenta Dilma, numa tentativa de chantagem a céu aberto. Tenta subordinar os destinos do país à salvação de seu pescoço. Não há nenhuma comprovação de crime por parte de Dilma, e o impeachment sem base jurídica, motivado pelas razões oportunistas e revanchistas de Cunha é golpe.

As ruas pedem: Fora Cunha! Atolado em escândalos de corrupção e representante da pauta mais conservadora, Cunha não tem moral para conduzir o processo de impeachment, nem para presidir a Câmara dos Deputados. Contas na Suíça, fortes acusações de lavagem de dinheiro são crimes não explicados por ele. Cunha será lembrado pelo ataque aos direitos das mulheres, pelo PL da terceirização, a proposta de redução da maioridade penal e por sua contrarreforma política. Os que querem o impeachment são os mesmos que atacam os direitos dos/das trabalhadores (as), das mulheres, dos /das negros (as) e disseminam o ódio e intolerância no país.

Ao mesmo tempo, entendemos que ser contra o impeachment não significa necessariamente defender as políticas adotadas pelo governo. Ao contrário, as entidades que assinam este manifesto têm lutado durante todo este ano contra a opção por uma política econômica recessiva e impopular. As consequências da crise econômica mundial estão sendo aprofundadas pelo ajuste fiscal promovido pelo governo federal, que gera desemprego, retira direitos dos trabalhadores e corta investimentos sociais. Não aceitamos pagar a conta da crise.

A saída para o povo brasileiro é a ampliação de direitos, o aprofundamento e o fortalecimento da democracia e as reformas populares. O impeachment representa um claro retrocesso na construção deste caminho.

Seremos milhares nas ruas no dia 16 de dezembro de 2015.

Será o dia Nacional de Luta contra o Impeachment, o ajuste fiscal e pelo Fora Cunha.

Convidamos a todos os Brasileiros e Brasileiras a fazerem parte desse bloco contra o retrocesso e por mais direitos."
E no dia 16 de dezembro, de fato, para horror dos sectários, milhares de petistas e psolistas estiveram lado a lado nas ruas de todo o país, erguendo o punho esquerdo e gritando "não ao golpe", "abaixo o ajuste fiscal" e "fora Cunha". Essa unidade nas ruas entre petistas e psolistas é uma demonstração cabal de que vencer o sectarismo e unificar a esquerda é possível.

Os mais jovens que veem hoje a relação fraterna entre PT e PCdoB, não imaginam a guerra que havia entre os dois nos anos 80, quando o PCdoB era aliado do PMDB e apoiou o pacto social do governo Sarney. O PT fazia uma feroz oposição ao governo, liderando à frente da CUT, a onda de greves que se alastrava pelo país, naquele período de ascenso dos movimentos sociais. Para os petistas da época, o PCdoB era um partido de pelegos e era violentíssima a disputa nos sindicatos. E no entanto as coisas mudam. Em 87, o PCdoB rompeu com o PMDB e em 89 já fazia parte da Frente Brasil Popular, com o PT e o PSB, que quase venceu a eleição presidencial.

Ou seja, nos anos 80, o PT estava à esquerda e o PCdoB estava à direita. Quando o PCdoB veio á esquerda, uniu-se ao PT e formaram a Frente Brasil Popular. Hoje o PT é quem está à direita e o PSOL está à esquerda. Se o PT fizer um movimento à esquerda, mudando sua estratégia, como fez o PCdoB naquela época, a unidade com o PSOL naturalmente vai acontecer.

Portanto eu sou otimista, porque avalio que a CNB não vai conseguir sustentar durante muito tempo esta sua política, porque a própria CNB vai rachar. A resistência em romper com a estratégia de colaboração de classes tem tudo a ver com o vício do fisiologismo adquirido pela maior parte da burocracia partidária. Mas quem não tem cargo, não tem como ser fisiológico. Vai chegar uma hora, que a base da CBN, que não tem cargo, vai se dar conta de que está ajudando a destruir o PT prá garantir os cargos dos seus comandantes. Se essa base for petista mesmo - e eu acredito que seja -, vai procurar uma alternativa de direção que ajude a salvar o PT e o projeto petista.

Uma mudança radical é necessária. E quem diz isto não sou só eu e não são só as tendências minoritárias, como a Articulação de Esquerda e o Trabalho. O próprio Lula já admitiu que esta direção da CNB está completamente dominada pelo vício do fisiologismo e que o PT precisa de uma nova direção. Eu, que não sou de nenhuma tendência, acho que chegou hora da Articulação de Esquerda.

Bem, companheira, creio que já me estendi demais, refletindo aqui, enquanto comento o seu ponto de vista - que respeito, mas considero estar completamente equivocado -, por isso me despeço, pondo-me à disposição para prosseguirmos nossa conversa, se você quiser.

Saudações petistas,

Silvio Melgarejo

30/01/2016
***

Abaixo, a mensagem da companheira E., a que se refere este post.
"A aliança com o PMDB, não dá mais. Pedro Paulo nem pensar, é um absurdo. E é um absurdo por todos os motivos que temos explicitado em fóruns, documentos e discussões desta zonal.

Votar no psol muito menos. É um partido que tem feito muito estrago no movimento sindical e nos movimentos sociais manipulando assembleias, fazendo  discursos reacionários baseados em análises Globo news. É um partido que somente tem servido a burguesia, com votos na zona sul, apoiados no antiPeTismo da burguesia golpista

É uma vergonha que PeTistas possam sequer pensar em votar e mais ainda explicitar na nossa lista o voto a um partido burguês que prega ora descaradamente, ora mal veladamente a desconstrução do nosso Governo e do nosso ParTido. Só mesmo a burguesia da zona sul para apoiar um partido que prega o golpe (declarando ser a favor de eleições em 2016), um partido que não apoiou o movimento contra o impeachment... um partideco cujo único programa é a desconstrução do PT.

Um partideco composto por ressentidos que falam de corrupção mas que, tanto na Alerj como nos sindicatos, ou em eventuais fóruns e governos conquistados, tem uma postura oportunista e corrupta.

O foco para quem é militante, e militante PeTista, é a Frente Brasil Popular,  é a defesa do nosso projeto que transformou totalmente a cara de nosso país; é a defesa do nosso ParTido  e, se preciso for, focar na eleição para vereadores do PT;  e se preciso for, votar explicitamente NULO para Prefeito.  Mas claro, isso para quem é militante e para quem é militante PeTista, preocupado com o nosso ParTido, e com o nosso projeto para e com o nosso povo.

http://www.brasil247.com/pt/blog/brenoaltman/196168/O-que-%C3%A9-afinal-a-Frente-Brasil-Popular.htm

Saudações PeTistas para quem é PETISTA

E."

sábado, 8 de fevereiro de 2014

PT deve combater o racismo e a barbárie na Zona Sul do Rio. Proposta de plano de ação para o 1º Diretório Zonal.



Racismo e barbárie na Zona Sul


Em 3/2/2014, compartilhei no Facebook a seguinte matéria do jornal Extra:

Adolescente atacado por grupo de ‘justiceiros’ é preso a um poste por uma trava de bicicleta, no Flamengo

Um adolescente foi espancado e preso a um poste por uma trava de bicicleta, nu, na noite da última sexta-feira, na Av. Rui Barbosa, no Flamengo, Zona Sul do Rio. Ele teria sido atacado por um grupo de três homens, a quem chamou de “os justiceiros”, segundo a coordenadora do Projeto Uerê, Yvonne Bezerra de Melo, de 66 anos. A artista plástica foi chamada por vizinhos que flagraram a cena, registrou a situação e compartilhou em sua página no Facebook. Internautas afirmam que o adolescente praticaria roubos e furtos na região do Flamengo.

— Eu não quero saber se ele é bandidinho ou bandidão, você não pode amarrar uma pessoa no meio da rua. Aquela área do Flamengo teve um aumento muito grande de violência e roubos recentemente. Como as coisas não melhoram, um bando de garotões se juntam e começam a fazer justiça pelas próprias mãos. Sei que tem muita marginalidade e a polícia é ineficaz, mas você não pode juntar um grupo e começar a executar pessoas — explica Yvonne, que estima que o rapaz tenha entre 16 e 18 anos. — Eu perguntei a ele quem tinha feito aquilo e ele disse que eram os “justiceiros de moto”. Ele foi espancado, levou uma facada na orelha, arrancaram a roupa dele e prenderam pelo pescoço. E ninguém na rua faz nada para impedir.

Ameaças

Bombeiros do Quartel do Catete atenderam a ocorrência de agressão e soltaram o rapaz. Ele foi levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Yvonne conta que os bombeiros precisaram usar um maçarico para abrir a trava de bicicleta.

A artista plástica já chegou a receber ameaças por ajudar e defender o rapaz:

— Eu recebo ameaças por defender, mas estamos falando de seres humanos. Recebi no Facebook a seguinte mensagem: “Pra mim essa raça tem que ser exterminada com requintes de crueldade”. De um rapaz jovem, que não deve ter nem 20 anos. Se o Estado não toma providências para resolver o problema da violência, os grupos nazistas, neonazistas se unem e essa mentalidade toma conta.

Fundadora do Projeto Uerê — ONG que oferece educação a crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem decorrentes de traumas —, Yvonne trabalha com projetos sociais no Brasil desde os anos 1980. Ela conta que, nesta época, esse tipo de ataque era comum.

— Nos anos 80 existiam, na Zona Sul, gangues de rapazes que saiam à noite para bater em mendigos e em meninos de rua. Depois, isso parou porque houve certa redução da criminalidade. Se ele rouba, que prendam, mas não pode torturar no meio da rua — conclui. — Esse tipo de crime tem muito racismo, muito preconceito. Se fosse o contrário, ia ser um Deus nos acuda. “O branquinho amarrado no poste, coitadinho!”. O que está acontecendo é que a violência está criando o ódio da população. Eu entendo, ninguém quer ser esfaqueado andando no Aterro (do Flamengo), mas você tem leis, tem uma polícia. Não pode fazer justiça com as próprias mãos.

Comentários

Nas redes sociais, internautas apoiaram a ação do grupo. "Acordem seus tapados... quem anda no Flamengo sabe... isso ai é LADRÃO que assalta senhoras e mulheres todos os dias na rua Oswaldo Cruz e adjacentes... ele tem uma gangue... geralmente anda com mais 4 pivetes homens e 2 mulheres... fizeram foi pouco... faltou álcool e isqueiro pra 'esterilizar' o meliante", disse um rapaz. "Se é bandido, pena eu não ter passado com meu pitbull pra deixar ele brincar um pouquinho... Bandido bom é bandido morto!!", comentou um jovem.

Um terceiro homem reiterou: "Sinceramente, acho q só quem mora em Botafogo sabe o quanto esses pivetes estão colocando o terror, já tá todo mundo de saco cheio, é muito fácil ficar defendendo e dizendo q foram ladrões q fizeram isso!! Pelo q vi na foto, ele não está nada machucado, só está preso, acho até q foi um ato simbólico, pois já que quando alguém reclama com a policia que foi assaltado por um bando de pivetes eles simplesmente dizem que não podem fazer nada, que não adianta prendê-los!! Então, alguém foi lá e prendeu!!"
No dia seguinte, 4, publiquei no espaço para comentários a seguinte matéria do O Globo sobre o caso:

Polícia autua 13 acusados de agredirem supostos bandidos no Flamengo 

Grupo, que possui página no Facebook, estaria fazendo justiça com as próprias mãos

RIO - Policiais da 9ª DP (Catete) estão analisando imagens de vídeo para tentar levantar provas contra um possível grupo que estaria “fazendo justiça com as próprias mãos” na região do Flamengo. Por volta das 23h desta segunda-feira, 14 pessoas — todos moradores da Zona Sul, sendo um menor — foram detidos por policiais militares no Parque do Flamengo. Dois menores denunciaram estarem sendo perseguidos pelo grupo. Treze foram autuados por formação de quadrilha, tentativa de lesão corporal e corrupção de menor.

Segundo os menores, o grupo ameaçava agredi-los e dizia não gostar “nem de mendigos nem de pobres”. Durante depoimento na 9ª DP (Catete), dois deles confirmaram que pertecem a um grupo autodenominado “Bairro do Flamengo”, criado no facebook que tem como objetivo se reunir para patrulhar o Aterro em busca de “potenciais autores de delitos”. Um dos acusados, um estudante de 22 anos, afirmou ainda que o objetivo era encontrar infratores e agredi-los. Em depoimento, um dos jovens alegou ainda que o grupo foi criado em razão do “descontentamento de moradores com os recorrentes assaltos no Aterro”. Os outros 12 envolvidos afirmaram que só falariam em juízo.

A página no Facebook do grupo Informa que seu objetivo é criar uma comunidade de amigos “para vigiar os acontecimentos e pressionar os órgãos competentes por melhorias no nosso bairro”. Também afirma que incitar a violência não é o foco do grupo, além de ser crime. Procurado pelo GLOBO, o engenheiro Luís Carlos Júnior, administrador da página, afirmou que criou o grupo em novembro para debater questões do bairro e se assustou com a violência de alguns internautas.

A delegada Monique Vidal instaurou inquérito para apurar crime de quadrilha ou bando, tentativa de lesão corporal e corrupção de menores, uma vez que um dos agressores tem apenas 15 anos. Monique também investiga se o grupo também esteve envolvido na agressão ao menor, de 15 anos, que foi encontrado algemado pelo pescoço a um poste em frente a Avenida Rui Barbosa, no final da noite de sexta-feira passada. O caso, que ganhou a rede a partir da divulgação da imagem do rapaz acorrentado, parece inspirado na série american Breaking Bad. Nela, Jesse Pinkman, personagem de Aaron Paul, aprisiona o traficante Krazy-8 (Domingo Molina) no porão de sua casa, usando um cadeado de bicicleta.

Segundo os menores, o grupo ameaçava agredi-los e dizia não gostar “nem de mendigos nem de pobres”. Durante depoimento na 9ª DP (Catete), dois deles confirmaram que pertecem a um grupo autodenominado “Bairro do Flamengo”, criado no facebook que tem como objetivo se reunir para patrulhar o Aterro em busca de “potenciais autores de delitos”. Um dos acusados, um estudante de 22 anos, afirmou ainda que o objetivo era encontrar infratores e agredi-los. Em depoimento, um dos jovens alegou ainda que o grupo foi criado em razão do “descontentamento de moradores com os recorrentes assaltos no Aterro”. Os outros 12 envolvidos afirmaram que só falariam em juízo.

A página no Facebook do grupo Informa que seu objetivo é criar uma comunidade de amigos “para vigiar os acontecimentos e pressionar os órgãos competentes por melhorias no nosso bairro”. Também afirma que incitar a violência não é o foco do grupo, além de ser crime. Procurado pelo GLOBO, o engenheiro Luís Carlos Júnior, administrador da página, afirmou que criou o grupo em novembro para debater questões do bairro e se assustou com a violência de alguns internautas.

A delegada Monique Vidal instaurou inquérito para apurar crime de quadrilha ou bando, tentativa de lesão corporal e corrupção de menores, uma vez que um dos agressores tem apenas 15 anos. Monique também investiga se o grupo também esteve envolvido na agressão ao menor, de 15 anos, que foi encontrado algemado pelo pescoço a um poste em frente a Avenida Rui Barbosa, no final da noite de sexta-feira passada. O caso, que ganhou a rede a partir da divulgação da imagem do rapaz acorrentado, parece inspirado na série american Breaking Bad. Nela, Jesse Pinkman, personagem de Aaron Paul, aprisiona o traficante Krazy-8 (Domingo Molina) no porão de sua casa, usando um cadeado de bicicleta.

— Pelo modus operandi pode ser que eles estejam envolvidos no caso do menino, barbaramente amarrado ao poste, mas ainda não temos o depoimento da vítima, porque ela fugiu do hospital e ainda não foi localizada. Por isto, estamos pedindo a colaboração de quem tiver fotos, vídeos ou tenha presenciado a agressão que nos procure — afirmou a delegada, que também vai chamar Yvonne Bezerra de Mello para prestar depoimento sobre o caso e também requisitou o Boletim Médico do menor ao Hospital Souza Aguiar, onde o jovem foi medicado.

Coordenadora do Grupo Uerê e moradora do Flamengo, Yvonne fotografou o adolescente preso ao poste e foi quem chamou o corpo de Bombeiros para resgatá-lo. De acordo, com a Secretaria Municipal de Saúde, o jovem deu entrada aos 3 minutos do dia 1º de fevereiro, se queixando de dor no tórax. Os exames nada constataram e ele foi posto em observação, desaparecendo pouco tempo depois.

— Requisitei também o boletim médico do Hospital Souza Aguiar e vou ouvir os bombeiros que participaram do resgate do menino — afirmou Monique, que instaurou outro procedimento para apurar a agressão ao jovem , assim que tomou conhecimento do crime pelos jornais.

Já os 14 detidos no final da noite de segunda-feira foram presos por policiais do 2º BPM (Botafogo), que foram chamados pelas duas vítimas da tentativa de agressão. Na delegacia os jovens afirmaram que o grupo chegou ameaçando espancá-los e se disseram inimigos de moradores de rua. Nenhum deles carregava qualquer tipo de armamento. Nesta terça-feiram, policiais percorreram prédios do bairro atrás de imagens que possam provar a prática de crimes de tortura e agressão.

A página do grupo Bairro no Facebook, no entanto, informa que o objetivo deste grupo é criar uma comunidade de amigos “para vigiar os acontecimentos e pressionar os órgãos competentes por melhorias no nosso bairro” e garante que incitar violência não é o foco do grupo e é crime.

Relatos de violência por uma suposta onda de “justiceiros” continuam surgindo na rede e em denúncias encaminhadas por moradores ou mesmo vítimas. Foi o caso de um morador do bairro que pediu para não ser identificado:

— Eu estava na rua e vi. Eram cerca de 20 garotos entre 16 e 21 anos, com pedaços de pau e e o que eles estavam fazendo era também um arrastão homofóbico gritavam dizendo que iam "limpar o Aterro do Flamengo e o bairro dos gays, drogados e ladrões". Estavam correndo atrás de todo mundo que corresse deles. Quem não correria às 23h, meia-noite de um grupo armado de 20, 25 moleques de classe média armados com porretes? Eu corri e correram atrás de mim, e de um monte de gente que estava no caminho. Não importou se era branco, negro, gay, hetero, nada. Eles nem perguntavam.

Ainda segundo o relato do morador, a perseguição continuou até que ele entrasse no carro de polícia que passava no local. Segundo ele, não houve registro. A polícia apenas mandou o grupo dispersar e o levou até a esquina de casa.

Na manhã desta terça-feira, Guardas Municipais detiveram seis jovens, entre eles, um maior de idade, que estava armado com uma faca e é foragido da Justiça. Eles estariam praticando arrastões no Aterro. Enquanto esperava para prestar depoimento o homem identificado como Márcio de Oliveira da Silva, afirmou que não era ladrão, mas catador de lixo e falou que vem sendo vítima constante de “patrulhas de playboys”:

— Eles estão dizendo que eu sou Márcio. Mas digo que meu nome é Marcelo. Eu estava com essa faca porque a encontrei no lixo. Se não tem vítima, eles não podem me prender. Têm que prender os playboys que andam por aí batendo em tudo que vêm pela frente.

Funcionária de um estacionamento no Aterro, Rosineide Barbosa de Oliveira acompanhava atenta o discurso do suspeito. Ela contou que tinha sido furtada pela manhã por outro morador de rua. Segundo ela, eles estão sempre próximos do lago em frente ao MAM.

— A situação é muito difícil. A todo instante eles roubam e furtam moradores e quem trabalha ali. É uma guerra.
Na mesma data, compartilhei também o link da seguinte matéria do jornal O Dia, de 1/11/2013:

'Mendigo não tem direito de cidadão', afirma vereadora Leila do Flamengo 

Fala de parlamentar na Câmara Municipal causou polêmica

Rio - Menos de um mês após um vereador de Piraí sugerir que mendigo deveria virar ração para peixe, uma outra declaração envolvendo o mesmo assunto voltou para as rodas de discussão, por revelar a falta de sensibilidade social de alguns políticos no país. A vereadora Leila do Flamengo (PMDB), em discurso na quarta-feira no plenário da Câmara do Rio, afirmou que mendigo não tem o mesmo direito que os cidadãos. Nesta quinta-feira, ao comentar o assunto, ela não hesitou ao afirmar que a grande maioria das pessoas mora na rua porque quer. 
“Defendo as famílias e os moradores, não os desocupados. (...) Não estamos falando aqui em discursos hipócritas, de querer dizer que o mendigo tem o mesmo direito que os cidadãos”, afirmou ela, no plenário. Questionada, a vereadora garantiu que a sua fala é reprodução do que ouve das pessoas nas ruas. 
Segundo a vereadora, o público que perambula nas calçadas é formado principalmente por homens fortes e bêbados, prontos para o trabalho, mas que preferem ficar sem fazer nada. Suas falas pesam inclusive sobre sua própria origem e história de vida. Nascida em Natal, capital do Rio Grande do Norte, mas criada no Rio, ela defende o retorno de pessoas que vivem de mendicância para sua terra natal. “Eu, com 16 anos, tomava três ônibus para trabalhar. Mas tinha uma base boa. Minha família tinha condições, mas perdemos tudo. Fomos à luta. Não fomos para a rua”, compara.

Leila critica programas populares

Apesar de dizer que defende uma política social e o retorno do projeto da Fazenda Modelo — casas de vivências mantidas pelo município —, para abrigar quem vive na rua, a vereadora escorrega de novo no preconceito para justificar como o problema de moradores de rua surgiu na cidade: 
“Aumentou a mendicância no Rio devido a esses programas de R$ 1. Faltou também controlar crescimento de moradias nas áreas verdes. A população achava que vir para o Rio era só para invadir. O comerciante que paga impostos, gera emprego, tem que competir com o mercado que surge na porta dele”.

Proposta de plano de ação para o 1º Diretório Zonal


No dia seguinte, 5, publiquei o seguinte comentário:
"Minha gente, não vamos perder de vista que este fato, como outros semelhantes, se deu no âmbito da jurisdição do 1º Diretório Zonal do PT. Portanto, essa é uma briga nossa, não é possível que não se deem conta disso. 

Existe uma forte cultura de apartheid racial e social e de desrespeito a direitos humanos na zona sul do Rio de Janeiro, que tem inclusive uma expressão política muito atuante na institucionalidade, que é a vereadora Leila do Flamengo, do PMDB, como se pode ver no link que postei acima. Essa cultura, companheiros, precisa ser dura e permanentemente combatida por nós. 

O 1º Diretório Zonal não pode deixar de se manifestar publicamente, sobre fatos como este que foi noticiado, mas também sobre declarações como a da vereadora Leila do Flamengo, que já expressava claramente, no fim do ano passado, as disposições hostis de setores da classe media da região contra a população de rua. 

O 1º Diretório Zonal não pode se omitir, deve assumir a defesa intransigente dos direitos humanos e civis dessa parcela da classe trabalhadora que o querido padre Júlio Lancelotti costuma chamar de Povo da Rua. 

Essa briga é nossa, companheiros, do 1º Diretório Zonal do Partido dos Trabalhadores contra a direita que está atuando de forma cada vez mais organizada na zona sul do Rio de Janeiro, especialmente no Flamengo. Notem que a vereadora Leila e a gangue de linchadores estão sediados neste mesmo bairro e comungam dos mesmos valores e disposições."
O companheiro Sebastian, da base do 1º Diretório, comentou:
"Já aconteceram outras tantas e poucos se deram conta!"
Eu retruquei:
"Quer dizer que se depender de você..."
Sebastian:
"Já interpelei o partido por diversas vezes e o próprio ministério público!"
O companheiro Edsel, também da base, publicou relato de um morador do Flamengo sobre a ação violenta de crianças e adolescentes moradores de rua. Disse-lhe:
"É evidente que tá faltando policiamento. Nós temos que cobrar. Mas não dá prá admitir que se espalhe aqui uma cultura de Ku Klux Klan."
Sebastian prosseguiu:
"Como assim, se ainda estão em período de festas! Tivemos 22 pessoas torturadas na Rocinha. Tivemos agressões policiais na Babilônia e o setorial de DH ou SP não se pronunciaram.

Só uma pergunta: qual será sua ação concreta o caso?

Por falar se depender hoje temos ações em algumas áreas precarizadas, provavelmente vc. esteja em todas Silvio Melgarejo."
Respondi-lhe no mesmo dia, 5:
"Acho engraçado que, na lista de emails, a Eugênia me acusa de querer 'aplicar soluções individuais', e aqui você, ao contrário, me cobra uma ação individual. Eu sempre propus e continuo propondo ações coletivas ou institucionais. 

E acho que, neste caso, a primeira ação tem que ser institucional. O diretório zonal tem que lançar uma nota à imprensa se posicionando em relação ao episódio em questão, fazendo a vinculação dele com a declaração da vereadora Leila do Flamengo, e cobrando do governo do estado punição dos linchadores e mais policiamento para o bairro do Flamengo. 

A outra medida seria a seguinte. Quando eu criei esta comunidade, criei também uma página aberta com o mesmo nome, que está em desuso. O que eu proponho é que o 1º Diretório Zonal assuma também esta página, para seu uso exclusivo em manifestações oficiais dirigidas à sociedade. Através desta página, o diretório poderia se posicionar oficialmente sobre este caso.

Ações institucionais como estas podem ser executadas imediatamente, não estamos tratando de uma questão polêmica no partido, até eu e você concordamos. Não precisamos esperar pela festa do dia 14 para lançar uma nota à imprensa. O diretório tem toda legitimidade para fazer isso.

No mais, qualquer ação física e coletiva exige planejamento e organização, algo que ainda nos falta. Por exemplo, a mesma nota divulgada pela imprensa e pelo Facebook, poderia ser impressa e panfletada nas ruas do Flamengo. Mas para isso precisaríamos mobilizar recursos humanos e financeiros.
Estes recursos, a meu ver, deveriam ser procurados no próprio bairro do Flamengo, entre os filiados do PT ali residentes, como forma de estimular a organização partidária por bairro, de que ainda somos tão carentes. Os filiados residentes em outros bairros poderiam participar como forças auxiliares.

Agora, o diretório não pode ficar esperando que a base venha até ele. Tem que ir até à base, prá fazer o trabalho político e organizativo. Senão nada acontece, como vimos nos últimos quatro anos."
No dia seguinte, 6, Sebastian falou:
"Eu não lhe cobrei uma ação individual! Lhe cobrei uma ação!"
Ao que eu lhe respondi:
"Que ação? Se não é uma ação individual que me cobra, deve ser a participação em alguma ação partidária física e coletiva que esteja ocorrendo e da qual você, certamente, deve estar participando. Que ação é esta?

Não há ação nenhuma. Enquanto isso o caso ganha repercussão nacional, a direita deita e rola e o 1º Diretório Zonal do Rio, em cuja jurisdição os fatos se deram simplesmente silencia, não dialoga com a sociedade, não contradiz a direita local, não cobra nada do estado."


Quem é o menino de 15 anos, vítima da Ku Klux Klan do Flamengo


No dia 6, postei o link da seguinte reportagem da revista Veja:

Jovem preso a poste por ‘justiceiros’ perambula há dois anos pelas ruas do Rio 

Proibido de voltar para casa por ter furtado uma furadeira, adolescente de 15 anos conta ter sido perseguido por cerca de 30 ‘playboys’ na madrugada de sábado, acusado de roubar bicicletas e cometer assaltos. 

Pai foi assassinado na guerra do tráfico. 

Avó foi localizada, mas recusa-se a ficar com o neto

A história de vida do jovem encontrado amarrado a um poste no Rio de Janeiro, com o pescoço preso a uma tranca de bicicleta, é uma coleção de tragédias da infância. O adolescente cuja imagem ganhou as redes sociais no último domingo prestou depoimento à delegada Monique Vidal, na 9ª DP (Catete) na noite desta quarta-feira, e revelou os detalhes da madrugada de horrores vivida na calçada da Avenida Rui Barbosa, um endereço nobre do Rio.
O rapaz afirmou que tem condições de reconhecer alguns dos agressores, e disse, desta vez, que cerca de 30 jovens o perseguiram - ele não sabe precisar quantos efetivamente o agrediram. A delegada também ficou sabendo a verdadeira idade da vítima: 15 anos, não 17, como acreditava a Polícia Civil até então.

Ele tem mãe e dois irmãos, de 12 e 9 anos, mas atualmente pouco sabe da família. O pai morreu há tempos, assassinado por ter envolvimento com o tráfico de drogas. Morador de uma favela do bairro de Campo Grande, na Zona oeste, até dois anos atrás, o menor passou a perambular pelas ruas depois que ficou marcado em sua região, por furtar uma furadeira elétrica de um vizinho. Sem poder voltar para casa, ele perambula pelas ruas da Zona Sul, tendo passado cinco vezes por abrigos da prefeitura desde novembro.
O rapaz negou ser usuário de drogas e admitiu ter participado "uma vez" de um furto, de uma motocicleta - sem dar detalhes do caso. Assistentes sociais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social conseguiram localizar a avó paterna do garoto, em um morro da cidade. Ela, no entanto, recusou-se a receber ou abrigar o neto.

O adolescente detalhou, em depoimento, seus passos na noite de sexta-feira. Contou que seguia para Copacabana com três amigos, também moradores de rua, para tomar "banho de mar". Depois de passar pelo local onde funciona uma academia ao ar livre, no Aterro do Flamengo, o grupo foi perseguido pelos cerca de 30 jovens que estavam no local, alguns deles motociclistas, segundo conta.
Um dos homens estava armado com uma pistola, disse. Dois dos amigos moradores de rua escaparam. Com o rapaz que não conseguiu fugir, ele passou a ser agredido e ameaçado. Em dado momento, o outro jovem também escapou, e passou a ser ele o único em poder do grupo. Os homens o acusavam de roubar bicicletas e praticar assaltos naquela região.

Os agressores aplicaram uma "banda" e ele foi ao chão. Começaram, então, agressões com capacetes, pontapés e várias humilhações. Acusado de roubos, ele acreditava que seria morto pelos jovens que descreveu como "brancos e fortes" e "playboys" - apenas um deles era "pardo", segundo contou o rapaz a um funcionário da Secretaria Municipal de Desenvolvimento social. O pardo, segundo conta, pediu desculpas.

Depois do fim da sessão de agressões, ele foi atado ao poste, e passou a sentir medo de ser assassinado por um dos jovens agressores, que poderiam retornar para terminar o "serviço". O rapaz foi localizado e socorrido por alguns moradores do Flamengo - entre eles a artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, fundadora da ONG Projeto Uerê, de educação infantil. Depois de medicado, ele se desvencilhou e procurou ajuda em um abrigo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social no Centro, onde estava desde então, sem ser identificado. Outro dos quatro perseguidos também ficou no abrigo, anonimamente.

Na tarde desta quarta-feira, segundo contou, a diretora do abrigo o reconheceu, e comunicou o caso à Secretaria, que auxiliou o rapaz a prestar depoimento. A delegada Monique Vidal apresentou a ele fotografias dos 14 detidos na noite da última segunda-feira, em um tumulto no Flamengo, no qual dois menores disseram ter sido ameaçados. O jovem não reconheceu nenhum deles, o que, por ora, descarta a suspeita de que os casos estejam conectados e que sejam grupos de agressores com integrantes em comum.

A delegada Monique Vidal tenta, agora, encontrar imagens das cenas de perseguição, tortura e humilhações ocorridas entre a noite de sexta-feira e madrugada de sábado, para tentar chegar aos agressores. A Polícia Civil informou que o adolescente tem uma passagem pela Delegacia Especial de Proteção à Criação e ao Adolescente, que cuida de crimes cometidos por menores, mas não detalhou que delito foi atribuído a ele.

Funcionários da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social descreveram o jovem como um menino calado, pacato e muito querido pelas assistentes sociais. Ao ser identificado pela diretora do abrigo, ele chorou compulsivamente.

Quem são os agressores


Na mesma data, compartilhei o link da reportagem a seguir, do Diário do Centro do Mundo:

Rapaz que ficou preso a poste narra as agressões que sofreu


O adolescente de 15 anos torturado e preso pelo pescoço a um poste do Aterro do Flamengo com uma tranca de bicicleta, na sexta-feira, 31, estava desde sábado em um abrigo da prefeitura no centro do Rio. Ele já conhecia a diretora dessa unidade e aguardou a funcionária voltar de férias, ontem, para narrar as agressões que sofreu.

Após conversar com a diretora, o adolescente prestou depoimento à Polícia Civil e, nesta quarta-feira, 5, à noite, seria conduzido a abrigo que a prefeitura não vai divulgar onde fica, por segurança.

Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, responsável pelo abrigo onde o adolescente estava, ele foi para a unidade logo após fugir do Hospital Souza Aguiar, no centro, onde foi atendido após ser libertado por bombeiros do poste em que ficou preso. O menor já foi apreendido duas vezes pela polícia por furto e agressão.

Para a diretora da unidade, o adolescente contou que estava com três amigos na avenida Rui Barbosa, seguindo para a praia de Copacabana, na sexta à noite, quando foi abordado por cerca de 30 pessoas em 15 motos.

O quarteto tentou fugir, mas ele e outro menino pararam ao ver um dos homens armado com pistola 9 mm. A arma não chegou a ser usada, mas os dois adolescentes foram agredidos a socos. Um deles conseguiu fugir depois de apanhar, mas o outro foi deixado nu e preso a um poste. Os agressores fugiram.

O morador do Flamengo de 22 anos que admitiu em depoimento 'patrulhar o Aterro em busca de autores de delitos' publicou no Twitter, no dia 9 de janeiro, o 'novo esporte' que tinha começado a praticar com os amigos: “caçar vagabundo roubando para meter a porrada”. Lucas Correia Pinto Felício afirmou que estava com “vontade de comprar uma arma e dar tic tac nesses vagabundos todos”.

Em seu perfil no Twitter, ele também publicou a seguinte mensagem: 'Vou caçar mais de um milhão de vagabundo (sic) por aí, eu só quero bater em você e quando acordar vou te matar rs'. Nenhum dos 220 seguidores de Felício comentou ou replicou as postagens."