Menos de um mês depois de ter sido reeleito com o apoio do PT, o "melhor gerente de prefeitura que esse pais já teve", segundo Lula, enviou para a Câmara Municipal do Rio um projeto de lei aumentando a carga horária de trabalho dos professores sem um correspondente aumento dos seus salários.
Alguma surpresa?
Nenhuma.
É um prefeito de direita governando como um prefeito de direita.
O problema é que esse prefeito de direita foi eleito com o apoio do maior partido de esquerda do país, que pretende participar da sua próxima gestão, como já participa da atual, e por isso torna-se responsável perante o povo por cada medida direitista que ele adote.
Eduardo Paes foi eleito com a ajuda de Lula e do PT e agora ataca os professores.
Os professores vão se defender.
Existe um conflito.
De que lado Lula e o PT vão ficar?
Os petistas querem acabar de vez com o PT do Rio?
Já vi gente do partido lançando candidatura ao senado e até para a próxima gestão da prefeitura.
Será que esperam ter os votos dos professores que estão sendo atacados, dos que lhes são solidários e dos verdadeiros defensores da educação pública?
Eu, petista, se tivesse votado e feito campanha para o Eduardo Paes, estaria morrendo de vergonha.
Mas não basta ter vergonha.
Tem que ter a dignidade de corrigir o erro.
É um escândalo que o PT do Rio não seja oposição ao prefeito tucano Eduardo Paes.
É incompreensível que o partido de um presidente da república que diz que a educação é a sua prioridade faça parte de uma prefeitura que trata os professores dessa forma canalha.
O PT do Rio tem que romper imediatamente com o prefeito Eduardo Paes e juntar-se ao sindicato dos professores para mobilizar o Rio de Janeiro todo contra a aprovação na Câmara do Projeto de Lei Complementar nº 186/2024.
O PT do Rio tem que pedir desculpas aos professores por ter ajudado a eleger Eduardo Paes e mostrar de que lado realmente está, rompendo com o prefeito e passando à oposição, para defender os interesses dos professores, dos demais servidores públicos e de toda a classe trabalhadora dessa cidade.
Filiado ao PT, no Rio Janeiro, pela primeira vez na vida não votei em candidatos do partido. Foram duas decisões dolorosas, mas muito fáceis de serem tomadas porque as razões que as justificam eram por demais evidentes e não me davam outra alternativa. Votei em Tarcísio Mota, do PSOL, para vereador, para impedir que o PT alcançasse um coeficiente partidário que permitisse a eleição de dois candidatos que suspeito serem ligados a milícias e ao mesmo tempo ajudar a aumentar a bancada de esquerda na câmara municipal. E votei em Marcelo Freixo para garantir a presença de um candidato de esquerda no segundo turno da eleição para prefeito e ao mesmo tempo derrotar o PMDB de Pedro Paulo.
As razões da minha decisão de não votar em nenhum candidato do PT na eleição para vereador estão no texto "Voto petista não pode mais eleger milicianos", postado neste blog em 29 de setembro. Exatamente como eu previa, os candidatos do PT Elton Babu e Edson Zanata ficaram nas mesmas posições que alcançaram na eleição de 2012, como 3º e 4º colocados na lista de candidatos inscritos pelo partido. Só não foram reeleitos porque o coeficiente partidário do PT, que em 2012 garantiu 4 cadeiras na câmara, caiu pela metade e desta vez só deu direito a 2. De modo que o PT foi salvo pelo próprio encolhimento e me apraz saber que muito, mas muito modestamente mesmo, contribui para isso. Porque é evidente que o PT não encolheu apenas pela falta do meu mísero voto, encolheu pela política errada que adotou ao longo de anos.
Sobre o meu voto para prefeito, a história é um pouco mais longa. Ele veio amadurecendo desde janeiro deste ano, quando publiquei neste blog o texto "PT deve apoiar Marcelo Freixo (PSOL) para prefeito do Rio. Aliança com PMDB é formação de quadrilha que hoje só serve ao retrocesso". Mas só tomei a decisão mesmo na manhã do dia da eleição. As últimas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas na véspera, quando, por dever de fidelidade partidária, eu ainda tinha intenção de votar em Jandira, apontavam, numa estimativa que só considerava os votos válidos (descartados brancos, nulos e indecisos), empate no 2º lugar, dentro da margem de erro, entre Freixo e Pedro Paulo. Pelo Datafolha, os dois teriam 14% das intenções de voto e pelo Ibope, entre 12 e 14%. Estaria se dando, portanto, segundo estes dois institutos, uma acirrada disputa pela segunda vaga do 2º turno contra Marcelo Crivella, entre Freixo e Pedro Paulo, enquanto Jandira ficava pra trás, em 7º lugar, pelo Datafolha, com entre 5 e 9% das intenções de voto, e em 6º lugar, pelo Ibope, com entre 4 e 10%. Se a estimativa mais otimista para Jandira era esta do Ibope que dizia ser possível ela alcançar até 10% dos votos válidos - pelo Datafolha, 9% -, no limite máximo da margem de erro da pesquisa, para Freixo a estimativa mais otimista era de que ele poderia alcançar até 18% dos votos válidos, segundo o Datafolha, e até 16%, segundo o Ibope. Pelo Datafolha, o índice de rejeição a Jandira seria de 24% e o de Freixo, 12%, enquanto o Ibope indicava 37% de rejeição a Jandira contra 20% a Freixo. Eram mais do que evidentes a superioridade do potencial de votação do candidato do PSOL e a fragilidade da nossa candidatura.
Vi-me, então, ante o seguinte dilema: dar ou não dar crédito a estas pesquisas? Optei por acreditar, porque elas correspondiam exatamente à percepção e às expectativas que eu tinha desde o início do ano. Por isso votei em Marcelo Freixo. E, vendo o resultado da eleição, não tenho dúvida de que fizemos, eu e muitos outros petistas que aderiram na última hora ao chamado "voto útil', a melhor escolha possível. Porque as pesquisas estavam certas. O candidato do PSOL derrotou o do PMDB por uma diferença mínima, de apenas 2,14% dos votos válidos, um resultado bastante apertado. Freixo teve 18,26% dos votos e Pedro Paulo, 16,12%. O candidato do PMDB teve 2,12% a mais de votos do que o previsto tanto pelo Datafolha, quanto pelo Ibope, como limites máximos das suas respectivas margens de erro, enquanto o do PSOL teve 0,26% a mais do que o previsto como limite máximo para sua votação pelo Datafolha e 1,26% a mais do que o estimado pelo Ibope. Aparentemente, esquerda e direita praticaram o "voto útil'. E, felizmente, a esquerda levou a melhor. Agora, é juntar forças para ganhar o 2º turno e conquistar o direito de governar a Cidade Maravilhosa, derrotando o candidato da burguesia e da direita corrupta e obscurantista e elegendo o candidato dos trabalhadores e de toda esquerda não contaminada pelo mal do sectarismo, do qual, não obstante, ainda padece o próprio PSOL. Sectarismo não se combate com mais sectarismo. Sou PT e fecho com Freixo.
O maior obstáculo para a unidade da esquerda hoje é a intolerância mútua entre importantes setores das vanguardas do PT e do PSOL. Mas, com o abandono da estratégia de conciliação de classes pelo PT, imposto ao partido pelo desastre da primeira metade do mandato de Dilma, pela tentativa de golpe ainda em curso e pelo consenso nacional já estabelecido quanto à falência do presidencialismo de coalizão, a tendência é que esta intolerância, mais conhecida como sectarismo, vá se arrefecendo e que haja uma natural aproximação entre os dois partidos.
Pensando exclusivamente no potencial de cada um, não como candidato, mas como chefe de poder executivo, acredito que Marcelo Freixo, pela natureza das pautas a que se dedica e pelas posições que expressa, poderia fazer uma gestão renovadora e de grande impacto na segurança pública do Estado, como governador, com repercussões positivas em todo país.
Pela mesma razão, acredito que Jandira teria o seu melhor desempenho como prefeita, especialmente na área da saúde, cuja maior parcela de responsabilidade pela gestão é atribuída, pela legislação do SUS, aos municípios.
O ideal seria que houvesse um acordo entre PT e PSOL para apoiarem juntos a candidatura de Jandira na eleição municipal deste ano e depois a de Marcelo Freixo para governador, em 2018. Mas acho isso pouquíssimo provável, em razão da força que o sectarismo ainda mantém nas vanguardas dos dois partidos.
Eu diria que um acordo assim, que unificasse a esquerda, é desejável e possível mas, no momento, prematuro. Vamos de Jandira. Quem sabe durante a campanha, a própria relação entre os candidatos nos debates - eles já fizeram um pacto de apoio ao que chegar no segundo turno - já não contribua para começar a desarmar os espíritos e arrefecer as mágoas e desconfianças mútuas das suas respectivas militâncias.
Tenho absoluta convicção de que a mudança de estratégia política do PT quebrará as resistências da maior parte dos psolistas quanto a um projeto de aliança com o PT. A maioria dos militantes de esquerda quer a unidade da esquerda. Mas é um processo e não se pode prever exatamente o tempo que será preciso para se chegar a bom termo. Tenho um palpite de que será menor do que se supõe.
Vá lá, que talvez nem palpite seja, talvez seja torcida. Eu torço mesmo, admito, pela reconciliação entre o PT e sua costela rebelde, o PSOL, e que esta reconciliação seja rápida, para que a esquerda ganhe logo o vigor necessário para enfrentar e derrotar a direita em todas as disputas.
Os atos de hoje pelo Brasil foram um sucesso indiscutível. Gol da esquerda democrática, no momento certo. Conseguiu mostrar prá direita, quando a direita acabava de dar uma demonstração de força, que o golpe não vai ser barato, que vai ter resistência forte, o que aumenta o risco de insucesso. Mas a guerra ainda não está ganha. E a próxima batalha já está marcada. A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo programaram um Dia Nacional de Luta unificado para 31 de março. E é preciso desde já trabalhar para garantir que esta próxima mobilização seja ainda maior do que a de hoje. Cada dia, cada hora e cada minuto, daqui até lá, devem ser investidos pela militância do PT, prioritariamente, no trabalho de base junto aos filiados do partido, para que a militância petista possa multiplicar o seu efetivo, aumentando o seu poder de ação nos bairros e nos locais de estudo e trabalho, para uma divulgação ampla e eficaz desta atividade na sociedade.
Em nota conjunta, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo assim anunciaram a decisão de realizar esta ação unificada.
31/03 - Dia Nacional de Mobilização Nota sobre a mobilização nacional de 31/3 As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem dezenas de entidades do movimento social brasileiro, decidiram promover conjuntamente o Dia Nacional de Mobilização no próximo 31 de março, com uma Marcha a Brasília, além de manifestações em várias cidades brasileiras. Os eixos da mobilização unitária são os seguintes: As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem dezenas de entidades do movimento social brasileiro, decidiram promover conjuntamente o Dia Nacional de Mobilização no próximo 31 de março, com uma Marcha a Brasília, além de manifestações em várias cidades brasileiras. Os eixos da mobilização unitária são os seguintes:
- CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA - CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRÁS - EM DEFESA DO PRÉ-SAL - NÃO A LEI ANTI-TERRORISMO - CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS - NÃO AO AJUSTE FISCAL E AOS CORTES NOS INVESTIMENTOS SOCIAIS - EM DEFESA DO EMPREGO E DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES - FORA CUNHA! - CONTRA O IMPEACHMENT
Frente Povo Sem Medo Frente Brasil Popular
Abaixo, a convocatória unificada da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo para o Dia Nacional de Luta, de 31 de março.
Todos para o Dia Nacional de Mobilização em 31 de Março! Convocamos o povo brasileiro a defender nossos direitos duramente conquistados em séculos de lutas, entre eles a Previdência Pública, contra a proposta de uma Reforma que estabeleça idade mínima para aposentadoria e ataque direitos dos trabalhadores. Convocamos o povo brasileiro a se somar na luta em defesa da soberania energética e das estatais ameaçadas pela privatização - como no caso da CELG - que piora e encarece os serviços. Neste mesmo sentido combateremos o PLS 555 (que impõe regras de mercado às estatais) e o PLS 131 (que revê o modelo de partilha do pré-sal). Convocamos o povo brasileiro a lutar contra o PLC 30 da Terceirização e a defender o direito ao Emprego com trabalho digno, exigindo a mudança imediata da política econômica de juros altos e recessão aplicada pelo Governo. E a combater este Ajuste Fiscal que cobra, de quem não deve, os custos da crise do capitalismo. Que se cobre dos sonegadores os bilhões roubados dos cofres públicos e desviados de forma criminosa para paraísos fiscais! Que se taxe grandes fortunas, lucros e dividendos! Os ricos devem pagar a conta da crise. Não admitimos e continuaremos enfrentando, nas ruas, cortes nos investimentos sociais como educação, saúde, moradia e reforma agrária. No caso da Educação enfrentamos não apenas os cortes de investimentos, mas também as sinistras políticas de privatização e militarização do ensino público. Os setores mais conservadores querem matar o pensamento crítico e fazer de nossas escolas um laboratório para o fascismo. Não passarão! Vamos às ruas contra as intenções golpistas de quem quer impor um impeachment ilegítimo como atalho para chegar ao poder. Eduardo Cunha abriu o processo de impeachment de Dilma numa tentativa de chantagem a céu aberto. Tenta subordinar os destinos do país à salvação de seu mandato. Mesmo com as tentativas da mídia golpista de legitimar o Impeachment, não há nenhuma comprovação de crime por parte da Presidenta Dilma e o impeachment sem base jurídica, motivado pelas razões oportunistas e revanchistas de Cunha, é golpe. Não aceitamos golpes à democracia, seja como atalho eleitoral, seja como ataques ao direito democrático de manifestação. Neste sentido, somos contra a vergonhosa Lei anti-terrorrismo, enviada ao Congresso pelo Governo Federal, que ameaça criminalizar as lutas populares. A saída para o povo brasileiro é a ampliação de direitos, o aprofundamento da democracia com a democratização dos meios de comunicação e as reformas populares, assim como a defesa das liberdades, enfrentando o machismo, a LGBTfobia e o racismo, que atualmente encontra sua maior expressão no genocídio da juventude negra. Conclamamos todos e todas que querem um Brasil justo e solidário, a saírem às ruas dia 31 de Março, numa Grande Marcha em Brasília e nas manifestações em várias cidades do país. Ninguém fará pelo povo o que ao povo cabe fazer!
- CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA - CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRÁS - EM DEFESA DO PRÉ-SAL - NÃO A LEI ANTI-TERRORISMO - CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS - NÃO AO AJUSTE FISCAL E AOS CORTES NOS INVESTIMENTOS SOCIAIS - EM DEFESA DO EMPREGO E DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES - FORA CUNHA! - CONTRA O IMPEACHMENT
Frente Brasil Popular Frente Povo Sem Medo
Os atos de hoje foram um sucesso. Mas no dia 31 de março temos que botar o dobro de gente nas ruas! E para conseguir isso é preciso que adotemos, desde já, um estado de mobilização permanente para duplicarmos o nosso contingente militante e duplicarmos a presença da nossa propaganda nos bairros e nos locais de estudo e trabalho. A luta continua. E o trabalho de base nos espera.
Prezado companheiro, prezada companheira do Partido dos Trabalhadores.
O Brasil vive hoje um momento crítico da sua história, de gravidade comparável à das grandes crises enfrentadas pelo país no passado, que tiveram desfecho quase sempre trágico e desfavorável aos interesses da classe trabalhadora. O projeto de país iniciado no primeiro mandato de Lula, em 2003, está sob forte ameaça de ser inteiramente inviabilizado pela combinação da crise econômica internacional com os equívocos econômicos e políticos do governo Dilma, os efeitos econômicos e políticos da Operação Lava Jato e a intensa e permanente campanha de sabotagem e desestabilização do governo mantida pela oposição de direita desde que saíram os resultados da eleição presidencial de 2014.
O projeto petista, por seu conteúdo, precisa de cada vez mais democracia para avançar e a democracia que temos, ainda tão limitada, embora conquistada a duras penas pelo esforço e sacrifício de tantos, está sob o cerco de forças políticas autoritárias interessadas em interrompê-lo. A campanha de criminalização do PT iniciada em 2005, com o escândalo do Mensalão, por falta de uma resposta mais firme do próprio partido e dos seus dois presidentes da república, acabou conseguindo disseminar na sociedade a ideia de que o PT é um partido corrupto. Movida pela oposição de direita, com a colaboração de setores da oposição de esquerda, como o PSOL e o PSTU, esta campanha, já em estado avançado, não esconde mais, até proclama, o seu propósito de promover um golpe de Estado, levar Lula à prisão e cassar o registro do Partido dos Trabalhadores.
A escalada dos ataques aos direitos e à honra de vários membros dirigentes do PT, culminou no dia 4 de março, último, com o sequestro do nosso ex-presidente da república pelos capangas do juiz Sérgio Moro. Naquele mesmo dia, a Frente Brasil Popular, formada por cerca de 60 entidades, entre partidos de esquerda, como o PT, o PCdoB e o PCO, e movimentos sociais, como a CUT, o MST e a UNE, lançou uma nota pública dizendo o seguinte:
“As entidades que compõem a Frente Brasil Popular, reunidas em São Paulo em 4 de Março, vêm a público manifestar seu repúdio à operação político-midiática da 'condução coercitiva' do ex-presidente Lula por agentes da 'Operação Lava-jato' ocorrida no dia de hoje. Este ataque a Lula, feito de forma seletiva e ilegal, visa na verdade atacar um símbolo da luta do povo brasileiro; atingir as organizações sindicais e populares que atuam por igualdade, democracia e pela soberania em nosso país.
Por isso afirmamos que esse ataque a Lula é um ataque a todos e todas nós. Além de repudiar essa ação feita sob medida para tentar desmoralizar a liderança popular que é Lula, ação que configura um 'Estado de exceção', que desrespeita garantias legais individuais e coletivas, queremos convocar os trabalhadores da cidade e do campo, a juventude, todos e todas que defendem a democracia a somarem forças numa jornada nacional de lutas que iniciamos hoje com manifestações nos quatro cantos do país. Jornada de lutas que vai se desdobrar no 8 de Março – Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora – que será reforçado com a defesa da democracia, contra o golpe e a defesa do companheiro Lula. Em 18 de março propomos a realização de atos de massa em todas as capitais e cidades de grande porte do país, com os eixos acima. Por fim, mantemos a proposta de Dia Nacional de Luta no 31 de março, conforme nossa convocatória.
Desde já nos colocamos em estado de alerta e mobilização permanente em defesa da democracia, contra o golpe, e em defesa de nossas conquistas e direitos ameaçados.”
Hoje, portanto, dia 18 de março, é dia da militância petista tomar as ruas e praças de todo o país prá dizer “não ao golpe” e “tirem as mãos do Lula”, mas para dizer também “Dilma, mude a política econômica, porque ela é o maior fator de enfraquecimento político do seu governo perante a oposição golpista, na medida que fere profunda, injusta e desnecessariamente os interesses dos trabalhadores que te reelegeram”. O governo se enfraquece porque perde apoio popular com esta política econômica. E é exatamente esta fragilidade do governo o que tem encorajado o golpismo a avançar com iniciativas cada vez mais audaciosas. Por isso mesmo é que a Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou, em sua reunião do dia 26 de janeiro de 2016, uma resolução em que diz:
“Para liquidar esta ofensiva [golpista] o governo e o PT precisam recompor laços políticos e sociais com nosso bloco histórico de sustentação, formado centralmente pelos trabalhadores do campo e da cidade, setores médios da sociedade, empresários em contradição com o grande capital, a intelectualidade progressista e a juventude. A resistência antigolpista e uma ação ofensiva, portanto, estão diretamente associadas à abertura de uma nova etapa da política econômica, que tenha como eixo a recuperação do mercado interno de massas e a retomada do desenvolvimento, a partir de medidas destinadas à ampliação do investimento público, à oferta de crédito produtivo, à elevação da renda do trabalho e à geração de empregos – prioridade esta que deve concentrar a atenção do governo. (...) O caminho para o necessário equilíbrio fiscal não pode ser pavimentado por sacrifícios do povo trabalhador, mas por mudanças que aumentem a participação das camadas mais ricas na arrecadação tributária e reduzam a transferência de recursos financeiros do Estado para grandes corporações e fundos privados. O Partido dos Trabalhadores somente apoiará soluções que sejam negociadas e pactuadas com o sindicalismo, as organizações populares e os movimentos sociais. O fórum quadripartite para a discussão da reforma previdenciária, formado por representantes de trabalhadores, aposentados, empresários e do governo, é bom exemplo do único caminho aceitável para a construção de uma agenda mínima nacional. (...) A Comissão Executiva Nacional, nestas condições, determina que se mantenha o estado de mobilização permanente da militância petista e orienta sua atividade para fortalecer a unidade de ação com as demais forças progressistas, em particular com os movimentos, partidos e entidades que constroem a Frente Brasil Popular.”
Pois no dia 15 de março, a Frente Brasil Popular, da qual faz parte o PT, lançou o seguinte comunicado:
“Nota da Frente Brasil Popular
Defender a democracia contra o golpe
Os movimentos sociais organizados na Frente Brasil Popular irão mais uma vez às ruas no dia 18 de março (sexta-feira), em centenas de cidades brasileiras, manifestar-se pela mudança na política econômica, em defesa da democracia e contra o golpe.
Os acontecimentos dos últimos dias são preocupantes e devem mobilizar todos e todas que valorizam a conquista da democracia como um patrimônio do país. O conservadorismo da direita, aliado ao uso político de instituições de Estado, tem produzido uma profunda instabilidade econômica, social e política, além de fomentar o ódio e a intolerância, a exemplos das iniciativas desnecessárias e ilegais contra o ex-presidente Lula.
Não admitiremos o retrocesso nos direitos do povo brasileiro. Iremos às ruas em defesa das conquistas políticas e sociais, da democracia, da liberdade e contra a tentativa de golpe em curso.
* Em defesa da democracia, contra o impeachment.
* Em defesa dos direitos sociais, pela mudança da política econômica.
* Não vai ter golpe.
São Paulo, 15 de Março de 2016”
Chegou a hora. Hoje, daqui a pouco, aqui no Rio de Janeiro, a Frente Brasil Popular vai realizar uma grande manifestação, a partir das 16:00, na Praça XV (Centro). Convido todos os companheiros e companheiras a atenderem à convocação da Frente Brasil Popular e contribuírem com suas presenças para o sucesso deste ato, que deve servir também como uma celebração das esperanças renovadas de todos nós quanto ao futuro do país, com a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil do governo Dilma.
Esta sexta-feira, 18, em que estamos, portanto, é dia de festa, mas sobretudo, dia de luta. O Rio vermelho vai tomar a praça, em massa, e dizer bem alto para toda a cidade, todo o país e todo o mundo ouvir:
Não ao golpe!
Respeitem a democracia!
Tirem as mãos do Lula!
E, Dilma, mude a política econômica!
O Rio vermelho é coração valente e não tem medo da direita.
O Brasil vive hoje um momento crítico da sua história, de gravidade comparável à das grandes crises enfrentadas pelo país no passado, que tiveram desfecho quase sempre trágico e desfavorável aos interesses da classe trabalhadora. O projeto de país iniciado no primeiro mandato de Lula, em 2003, está sob forte ameaça de ser inteiramente inviabilizado pela combinação da crise econômica internacional com os equívocos econômicos e políticos do governo Dilma, os efeitos econômicos e políticos da Operação Lava Jato e a intensa e permanente campanha de sabotagem e desestabilização do governo mantida pela oposição de direita desde que saíram os resultados da eleição presidencial de 2014.
O projeto petista, por seu conteúdo, precisa de cada vez mais democracia para avançar e a democracia que temos, ainda tão limitada, embora conquistada a duras penas pelo esforço e sacrifício de tantos, está sob o cerco de forças políticas autoritárias interessadas em interrompê-lo. A campanha de criminalização do PT iniciada em 2005, com o escândalo do Mensalão, por falta de uma resposta mais firme do próprio partido e dos seus dois presidentes da república, acabou conseguindo disseminar na sociedade a ideia de que o PT é um partido corrupto. Movida pela oposição de direita, com a colaboração de setores da oposição de esquerda, como o PSOL e o PSTU, esta campanha, já em estado avançado, não esconde mais, até proclama, o seu propósito de promover um golpe de Estado, levar Lula à prisão e cassar o registro do Partido dos Trabalhadores.
A escalada dos ataques aos direitos e à honra de vários membros dirigentes do PT, culminou no dia 4 de março, último, com o sequestro do nosso ex-presidente da república pelos capangas do juiz Sérgio Moro. Naquele mesmo dia, a Frente Brasil Popular, formada por cerca de 60 entidades, entre partidos de esquerda, como o PT, o PCdoB e o PCO, e movimentos sociais, como a CUT, o MST e a UNE, lançou uma nota pública dizendo o seguinte:
“As entidades que compõem a Frente Brasil Popular, reunidas em São Paulo em 4 de Março, vêm a público manifestar seu repúdio à operação político-midiática da 'condução coercitiva' do ex-presidente Lula por agentes da 'Operação Lava-jato' ocorrida no dia de hoje. Este ataque a Lula, feito de forma seletiva e ilegal, visa na verdade atacar um símbolo da luta do povo brasileiro; atingir as organizações sindicais e populares que atuam por igualdade, democracia e pela soberania em nosso país Por isso afirmamos que esse ataque a Lula é um ataque a todos e todas nós. Além de repudiar essa ação feita sob medida para tentar desmoralizar a liderança popular que é Lula, ação que configura um 'Estado de exceção', que desrespeita garantias legais individuais e coletivas, queremos convocar os trabalhadores da cidade e do campo, a juventude, todos e todas que defendem a democracia a somarem forças numa jornada nacional de lutas que iniciamos hoje com manifestações nos quatro cantos do país. Jornada de lutas que vai se desdobrar no 8 de Março – Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora – que será reforçado com a defesa da democracia, contra o golpe e a defesa do companheiro Lula. Em 18 de março propomos a realização de atos de massa em todas as capitais e cidades de grande porte do país, com os eixos acima. Por fim, mantemos a proposta de Dia Nacional de Luta no 31 de março, conforme nossa convocatória. Desde já nos colocamos em estado de alerta e mobilização permanente em defesa da democracia, contra o golpe, e em defesa de nossas conquistas e direitos ameaçados.”
Sexta feira, 18 de março, é, portanto, dia da militância petista tomar as ruas e praças de todo o país para dizer “não ao golpe” e “tirem as mãos do Lula”, mas para dizer também “Dilma, mude a política econômica, porque ela é o maior fator de enfraquecimento político do seu governo perante a oposição golpista, na medida que fere profunda, injusta e desnecessariamente os interesses dos trabalhadores que te reelegeram”. O governo se enfraquece porque perde apoio popular com esta política econômica. E é exatamente esta fragilidade do governo o que tem encorajado o golpismo a avançar com iniciativas cada vez mais audaciosas. Por isso, a Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou, em sua reunião do dia 26 de janeiro de 2016, uma resolução em que diz:
“Para liquidar esta ofensiva [golpista] o governo e o PT precisam recompor laços políticos e sociais com nosso bloco histórico de sustentação, formado centralmente pelos trabalhadores do campo e da cidade, setores médios da sociedade, empresários em contradição com o grande capital, a intelectualidade progressista e a juventude.
A resistência antigolpista e uma ação ofensiva, portanto, estão diretamente associadas à abertura de uma nova etapa da política econômica, que tenha como eixo a recuperação do mercado interno de massas e a retomada do desenvolvimento, a partir de medidas destinadas à ampliação do investimento público, à oferta de crédito produtivo, à elevação da renda do trabalho e à geração de empregos – prioridade esta que deve concentrar a atenção do governo.
(...)
O caminho para o necessário equilíbrio fiscal não pode ser pavimentado por sacrifícios do povo trabalhador, mas por mudanças que aumentem a participação das camadas mais ricas na arrecadação tributária e reduzam a transferência de recursos financeiros do Estado para grandes corporações e fundos privados.
O Partido dos Trabalhadores somente apoiará soluções que sejam negociadas e pactuadas com o sindicalismo, as organizações populares e os movimentos sociais. O fórum quadripartite para a discussão da reforma previdenciária, formado por representantes de trabalhadores, aposentados, empresários e do governo, é bom exemplo do único caminho aceitável para a construção de uma agenda mínima nacional.
(...)
A Comissão Executiva Nacional, nestas condições, determina que se mantenha o estado de mobilização permanente da militância petista e orienta sua atividade para fortalecer a unidade de ação com as demais forças progressistas, em particular com os movimentos, partidos e entidades que constroem a Frente Brasil Popular.”
Pois ontem, a Frente Brasil Popular, da qual faz parte o PT, lançou o seguinte comunicado:
“Nota da Frente Brasil Popular
Defender a democracia contra o golpe
Os movimentos sociais organizados na Frente Brasil Popular irão mais uma vez às ruas no dia 18 de março (sexta-feira), em centenas de cidades brasileiras, manifestar-se pela mudança na política econômica, em defesa da democracia e contra o golpe. Os acontecimentos dos últimos dias são preocupantes e devem mobilizar todos e todas que valorizam a conquista da democracia como um patrimônio do país. O conservadorismo da direita, aliado ao uso político de instituições de Estado, tem produzido uma profunda instabilidade econômica, social e política, além de fomentar o ódio e a intolerância, a exemplos das iniciativas desnecessárias e ilegais contra o ex-presidente Lula. Não admitiremos o retrocesso nos direitos do povo brasileiro. Iremos às ruas em defesa das conquistas políticas e sociais, da democracia, da liberdade e contra a tentativa de golpe em curso.
* Em defesa da democracia, contra o impeachment. * Em defesa dos direitos sociais, pela mudança da política econômica. * Não vai ter golpe.
São Paulo, 15 de Março de 2016”
Aqui no Rio de Janeiro, a Frente Brasil Popular vai realizar uma grande manifestação na sexta-feira, dia 18 de março, a partir das 16:00, na Praça XV. Filiado ao PT e morador de Botafogo, que sou, convido todos os companheiros e companheiras residentes neste bairro e nos bairros de Humaitá e Urca a atenderem à convocação da Frente Brasil Popular e contribuírem com suas presenças para o sucesso deste ato, que deve servir também como uma celebração das esperanças renovadas de todos nós quanto ao futuro do país, com a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil do governo Dilma. Sexta-feira, 18, é, portanto, dia de festa e dia de luta. Todos à Praça XV, a partir das 16:00.
Prezados companheiros e companheiras do PT do Rio de Janeiro.
Antes de ler a mensagem que lhes envio, peço que assistam com atenção os quatro vídeos abaixo, da série “O Rio na lama”, da TV Record, produzida pelo jornalista Luiz Carlos Azenha. Eles justificam a segunda assertiva do título desta nota.
Jorge Picciani, Rei da Brita, o homem que está comprando o PT do Rio
Passo, então, ao que tenho a dizer.
O que acontece, companheiros, quando uma pessoa intoxicada decide, movida pelo vício, continuar fazendo uso da substância que lhe devasta a saúde? Pode até morrer, penso eu. Pois, lendo a ata da reunião do 1º Diretório Zonal do dia 16 de novembro último, foi exatamente esta a imagem que me ocorreu. A de um partido, o PT, gravemente intoxicado pelo fisiologismo e burocratismo típicos dos partidos burgueses mais tradicionais e decidido a continuar se envenenando.
Reproduzindo o modo de agir da direção nacional do partido, nossas direções regional, municipal e zonal iniciam a implementação da tática eleitoral para 2016 sem mostrar a menor preocupação em saber se a base do partido concorda. Já tomaram a decisão. O candidato do PT para prefeito do Rio de Janeiro é Pedro do Paulo, do PMDB, e está acabado. Esta reunião que fizeram teve como único e evidente objetivo fazer na zonal um primeiro movimento para tentar o impossível, que é convencer a base do partido a abraçar esta candidatura que não tem a menor identificação com o ideário petista e que por isso mesmo já causa constrangimento e repulsa na nossa militância.
O segundo movimento conhecido desta campanha interna pró PMDB foi uma verdadeira aberração. O presidente estadual do partido transformou uma plenária para novos filiados de Bangu num encontro com o candidato Pedro Paulo, fato denunciado em nota pelo núcleo Largo do Machado e comprovado pela foto abaixo, onde se vê o presidente do Diretório Estadual, Washington Quaquá - de pé com o microfone -, e o presidente do Diretório Municipal, Bob Calazans - sentado no canto, à direita -. E vejam quem está na mesa da plenária para novos filiados do PT de Bangu. Ali, de branco, sentado à esquerda, o convidado de honra, Pedro Paulo, do PMDB.
Plenária para novos filiados do PT de Bangu. Sentado à esquerda de branco, o candidato do PMDB, Pedro Paulo. De pé, ao centro, com o microfone, o presidente do Diretório Estadual, Washington Quaquá. E, no canto direito da mesa, sentado, o presidente do Diretório Municipal, Bob Calazans
Fisiologismo: Tudo por um mandato ou um cargo
Fisiologismo é um tipo de relação de poder político em que ações políticas e decisões são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros benefícios a interesses privados, em detrimento do bem comum. É um fenômeno que ocorre freqüentemente em Parlamentos, mas também no Executivo, e está estreitamente associado à corrupção política, uma vez que os partidos políticos fisiologistas apoiam qualquer governo - independentemente da coerência entre as ideologias ou planos programáticos - apenas para conseguir concessões deste em negociações delicadas.(Wikipédia)
“... hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito...” (Lula)
O acordo feito com o PMDB, pelo que foi dito na reunião da 1ª zonal e pelas notícias que se vê na imprensa, não se deu em torno de um programa coerente com o projeto estratégico do PT. Deu-se como resultado da barganha por mandatos e cargos, sem a menor transparência, às ocultas, como de costume nas transações interpartidárias da cultura política que hoje a maioria dos petistas e da classe trabalhadora repudia. Foi esse tipo de método de construção de acordos eleitorais que expôs o PT à ação oportunista dos seus inimigos da direita. E foi esse tipo de método de construção de acordos pela governabilidade que corrompeu a identidade do PT e o tornou refém de chantagistas. Destaco três trechos do texto da ata da reunião de 16 de novembro do 1º Diretório Zonal do Rio de Janeiro/RJ:
1º - "Informou ainda, que pelas informações que havia recebido, a aliança com o PMDB já havia sido acertada pela direção municipal com a cessão de 2 secretarias ao nosso Partido, (...)"
2º - "Informou que houve reunião com o peemedebista Pedro Paulo e o mesmo deve trazer 15 candidatos para o nosso Partido com votos suficientes para ajudar ao PT alcançar o coeficiente eleitoral, (...)"
3º - "(...) que temos no atual Governo 3 secretarias e uma fundação."
O presidente do diretório municipal do PT do Rio, Bob Calazans, não disse, mas o acordo envolve também a volta do PT ao governo estadual, do qual o partido havia se desvinculado quando lançou a candidatura de Lindbergh na eleição passada. Duas secretarias, ainda não se sabe de que, devem ter titulares petistas a partir deste início de ano, é o que informa o jornal O Dia nas reportagens que reproduzo abaixo, dos dias 25 de março e 5 de setembro de 2015.
***
25/03/2015
PT volta ao governo Pezão e ganhará duas secretarias
Acordo entre Quaquá e Picciani prevê cargos para Benedita e Rosângela Zeidan
EDUARDO MIRANDA
Rio - Afastados há mais um ano, PT e PMDB do Rio de Janeiro estão reatando a aliança desfeita em 2014, antes do lançamento da candidatura de Lindbergh Farias (PT) ao governo do estado. Nos próximos dias, o presidente regional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, anunciará que os partidos fizeram as pazes. As conversas entre ele e o presidente do PMDB-RJ, deputado Jorge Picciani, caminham para que o PT tenha duas secretarias no governo de Luiz Fernando Pezão.
A deputada estadual Rosângela Zeidan (PT), mulher de Quaquá, assumiria a Secretaria de Assistência Social, e a deputada federal Benedita da Silva (PT), a de Cultura. Quaquá não comenta o assunto publicamente, já que a volta ao governo peemedebista só deve ser em junho, para esperar o avanço das investigações da operação Lava Jato e o congresso nacional do PT. O prefeito quer usar o evento para recompor as bases e determinar os motivos da volta a um governo fluminense do PMDB.
Entre os argumentos de Quaquá está o esforço pela aliança nacional entre os partidos, para manter a governabilidade da presidenta Dilma Rousseff, e rechaçar os fantasmas da chapa ‘Aezão’ (Aécio e Pezão, na eleição passada). O acordo inclui o apoio do PT à candidatura do deputado federal Pedro Paulo (PMDB-RJ) à Prefeitura do Rio. E o do PMDB ao PT, em 2016, em Maricá.
A escolha de Rosângela para uma das secretarias de Pezão abrirá vaga na Assembleia Legislativa para o suplente Gilberto Palmares, secretário de Administração de Maricá e aliado de Quaquá. Já Benedita seria substituída na Câmara dos Deputados por Wadih Damous. Ela já foi secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do ex-governador Sergio Cabral (PMDB).
Partido aposta que novos prováveis secretários serão os deputados estaduais Zaqueu Teixeira e Zeidan
FERNANDO MOLICA
Rio - O PT dá como certa a ida do partido, em janeiro, para o governo Pezão. Os prováveis novos secretários são os deputados estaduais Zaqueu Teixeira e Zeidan, que representam as duas alas petistas na Assembleia Legislativa. Zaqueu tem boas relações com o PMDB; Zeidan é casada com o presidente regional do partido, Washington Quaquá.
É provável que eles fiquem com as secretarias de Cultura e Assistência Social: como não são ocupadas por políticos, fica mais fácil mudar seus titulares sem gerar problemas.
Fora do jogo
A ida do PT para o governo deverá implodir a candidatura de Zaqueu à Prefeitura de Queimados. Quaquá articula o apoio do partido ao PMDB.
Em paz com Paes
Depois de uma conversa com Eduardo Paes, Quaquá voltou atrás na intenção de, em 2016, não apoiar o candidato do PMDB à Prefeitura do Rio caso seu partido fique sem a vaga de vice.
Diz que a decisão tem a ver com a necessidade de garantir a governabilidade de Dilma Rousseff — alega que Jorge Picciani, presidente do PMDB-RJ, virou interlocutor importante da presidenta.
Lula reconhece fisiologismo do PT e lança um desafio aos dirigentes
Lula, na Conferência Novos Caminhos da Democracia, promovida pelo Instituto Lula, em 23 de junho de 2015
"Nós temos que definir
se nós queremos salvar
a nossa pele e os nossos cargos
ou queremos salvar
o nosso projeto."
(Lula)
E agora peço que leiam os trechos abaixo de uma palestra que Lula deu no seu instituto em agosto do ano passado. Disse o ex-presidente:
“Eu acho que o PT perdeu um pouco a utopia. Tá? Eu lembro como é que a gente acreditava nos sonhos, como é que a gente chorava quando a gente mesmo falava. Nós chorava de nós mesmos, ou seja... tal era a crença. Hoje, nós precisamos [re]construir isso, porque hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito, ninguém hoje trabalha mais de graça... Antigamente esse partido ia fazer qualquer coisa na rua, colocava 2, 3 mil pessoas na rua, cada um vestido com a camisa do partido, cada um carregando a bandeira do partido... Hoje, se os candidatos [parlamentares] não liberarem as pessoas do gabinete dele, ninguém vai, porque as pessoas agora só querem ir ganhando. É o vício do partido que cresceu e que chegou ao poder. Ou seja, o PT precisa, nesse novo momento, o PT precisa construir uma nova utopia. Eu estive esta semana numa reunião, 5ª feira, com um pessoal, com um grupo de católicos da periferia de São Paulo. Todos, todos, sem distinção, ajudaram a fundar o PT em 1980. Então, um deles disse o seguinte: 'como é que a gente pode falar em renovação, se não tem nenhum novo aqui, só nós mesmos?'. Ou seja, nós não conseguimos criar um jovem sequer prá vir no nosso lugar. Então eu acho que o PT, que já foi um partido que tinha uma maioria com menos de 30 anos de idade participando, hoje eu acho que o PT deve ter bem menos, deve ter aí, quem sabe uns 15 ou 20 por cento, o PT precisa, urgentemente, voltar a falar prá juventude tomar conta do PT. O PT tá velho... olha, eu, que sou a figura proeminente do PT, tenho 69, já tô cansado, já tô falando as mesmas coisas que eu falava em 80... Então, eu fico pensando se não tá na hora da gente fazer uma revolução nesse partido, uma revolução interna, e colocar gente nova, gente que pensa diferente, gente mais ousada, gente com mais coragem do que a gente. Nós temos que definir se nós queremos salvar a nossa pele e os nossos cargos ou queremos salvar o nosso projeto. E eu acho que nós precisamos, no fundo, no fundo, criar um novo projeto de organização partidária nesse país.” (Trecho da palestra de Lula, na Conferência Novos Caminhos da Democracia, promovida pelo Instituto Lula, em 23 de junho de 2015) Notícia do Jornal da Bandhttp://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/06/22/lula-diz-que-pt-perdeu-parte-do-sonho-e-da-utopia.htm Palestra completahttps://soundcloud.com/institutolula/lula-faz-a-fala-de-encerramento-do-encontro-novos-desafios-da-democracia
Destaco a seguinte afirmação de Lula:
"Nós temos que definir se nós queremos salvar a nossa pele e os nossos cargos ou queremos salvar o nosso projeto." (Lula)
E pergunto aos companheiros:
O que vamos salvar com esta política de alianças que insistimos em manter nacionalmente e em especial aqui no Rio de Janeiro? E ainda mais com estes critérios e métodos tão contrários aos nossos mais caros princípios?A quem esta política realmente tem servido e a quem servirá se continuarmos com ela?
Recuperação da confiança dos trabalhadores e luta pelas reformas estruturais
A salvação do projeto petista, iniciado em 2003 com o governo Lula, depende hoje, indiscutivelmente, de duas condições:
1º - A recuperação da confiança dos trabalhadores na integridade ética do PT, abalada pela sistemática exploração juridicomidiática de fatos ocorridos na relação nada transparente que o PT se permitiu manter com empresas e partidos burgueses; e
2º - A realização de reformas estruturais que permitam a consolidação das atuais políticas públicas e um avanço mais célere e consistente no processo de democratização social e política do país.
Para a realização destes dois objetivos, o PMDB é o pior aliado que o PT pode ter. Porque além de ser um partido essencialmente corrupto, viciado nas mais condenáveis práticas da cultura política dos partidos burgueses, é um partido que se opõe radicalmente a todas as reformas estruturais que o PT propõe. Em maio de 2014, o PT realizou o seu 14º Encontro Nacional, onde aprovou uma resolução intitulada “Diretrizes de Programa de Governo”, em que diz:
“Para continuar democratizando o país, ampliando o bem-estar social e trilhando um caminho democrático-popular de desenvolvimento sustentável, defendemos um conjunto de mudanças estruturais, entre as quais a reforma agrária e a reforma urbana, a reforma política e a democratização dos meios de comunicação, a reforma tributária e a ampliação dos direitos públicos universais, aprofundar a soberania nacional, a integração latino-americana e caribenha e nossa participação nos BRICS como parte da construção de uma nova ordem mundial. No segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, portanto, é chegada a hora das reformas democráticas e populares, para consolidar as políticas bem sucedidas que empreendemos e para deslanchar novas políticas de democratização da renda, da riqueza e do poder.”
No mesmo encontro, o PT aprovou a “Resolução sobre tática eleitoral e política de alianças”, do qual vale a pena destacar os seguintes trechos:
“A continuidade – e, sobretudo, o avanço – do nosso projeto está vinculada à nossa capacidade de fortalecer um bloco de esquerda e progressista, amparado nos movimento sociais, na intelectualidade e em todos os setores comprometidos com o processo de transformações econômicas, políticas, sociais e culturais implementadas pelos governos Lula e Dilma. A existência deste bloco democrático e popular é fundamental para agregar outras forças políticas e sociais de centro, numa ampla frente que apoie a eleição e o segundo mandato da presidenta Dilma. (…) As manifestações de junho de 2013 demonstraram e o amplo processo de discussões que o PT vem promovendo confirmaram que há um sentimento de urgência em favor de mudanças mais profundas e rápidas. O fato é que, após mais de uma década de melhorias sociais relevantes, a população reivindica reformas, todas contidas em nosso programa, como é o caso exemplar da reforma política, a democratização da comunicação, a reforma agrária, a reforma urbana e a reforma tributária.”
Aliança com o PMDB: governabilidade para o retrocesso
Ora, companheiros, se o PT reconhece o anseio popular por mudanças mais céleres, mais amplas e mais profundas, e se sabe que só será possível corresponder a este anseio dando início às reformas estruturais do seu programa, para consolidar as atuais políticas públicas e avançar no seu projeto de transformações do país, como pode manter-se aliado a um partido como o PMDB que é um opositor ferrenho destas reformas?
Alega-se que a aliança com o PMDB é importante para garantir a governabilidade. Mas, que governabilidade? Governabilidade para realizar qual programa? Foi importante a coalizão com o PMDB para viabilizar a implantação de algumas de nossas políticas públicas? Sim, foi importante. Mas o próprio PT já reconhece, nesta resolução do 14º Encontro, que elas já não bastam, que os trabalhadores querem mais.
E vê-se agora que mesmo estas políticas públicas estão sob grave ameaça de serem extintas, exatamente pela falta das reformas estruturais. Portanto, o PMDB, que antes contribuiu para a implantação das nossas políticas públicas, hoje, pela oposição que faz às reformas, representa, para a continuidade delas, um obstáculo.
Só é possível ao PT manter aliança com o PMDB renunciando às reformas estruturais e limitando sua atuação, no governo, à implementação cada vez mais precária – exatamente pela falta das reformas – de políticas públicas que tentam amenizar os efeitos sociais dos problemas econômicos, sem nunca chegar a atacar suas raízes. A aliança com o PMDB hoje só é capaz de garantir um único tipo de governabilidade: a governabilidade para o retrocesso. E isto o PT não pode aceitar mais.
O PT precisa romper imediatamente com o PMDB e construir uma nova coalizão partidária que seja realmente vocacionada para a garantia das mudanças que a classe trabalhadora exige. E uma coalizão assim só poderá ter como critério para a seleção dos seus membros o compromisso com a realização das reformas estruturais que o PT tem no seu programa, acrescido de algo que já fez parte da plataforma do partido no passado e que precisa ser urgentemente resgatado que é a defesa de uma auditoria da dívida pública.
Aliança com o PMDB é formação de quadrilha
Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Jorge Picciani
Mas, mais do que isto. O PT precisa romper com o PMDB porque não é possível reconquistar a confiança dos trabalhadores no seu compromisso ético, mantendo-se associado a um partido político com o histórico e a reputação do PMDB.
É preciso que se admita de uma vez por todas que a estratégia de colaboração de classes, adotada na última década, impôs ao PT um afrouxamento ético e programático tão grande que permitiu a contaminação do partido pela cultura política dos partidos burgueses. E esta contaminação é visível nas articulações que se tem visto agora para as eleições municipais de 2016.
Não é possível associar-se a um partido burguês sem admitir a incorporação dos seus objetivos imediatos e dos seus métodos de ação. Esta é uma das mais importantes lições que se pode tirar da experiência de uma década com a estratégia de colaboração de classes e de governo de coalizão com a burguesia.
E de que natureza tem sido os objetivos imediatos e os métodos de ação do PMDB, demonstrados fartamente por investigações policiais e jornalísticas? São objetivos e métodos criminosos. E a objetivos e métodos assim o PT não pode mais admitir estar associado, como tem estado, se não quiser contribuir para uma disseminação ainda maior, junto à classe trabalhadora, da ideia propagada pela mídia de que ele é um partido bandido.
Pelas informações que já se tem hoje, não é possível mais haver dúvida de que o PMDB, sim, é que um partido bandido. Por isso, uma aliança do PT com o PMDB nas eleições deste ano, principalmente aqui no Rio de Janeiro, teria tudo para ser considerada pelos trabalhadores como uma verdadeira formação de quadrilha.
Aliança com o PSOL: Fortalecimento da esquerda e governabilidade para o avanço
Repito o que disse num parágrafo anterior. A salvação do projeto petista, iniciado em 2003, com o governo Lula, depende hoje da recuperação da confiança dos trabalhadores na integridade ética do PT e da realização de reformas estruturais que permitam a consolidação das atuais políticas públicas e um avanço mais célere e consistente no processo de democratização social e política do país. Para a realização destes dois objetivos, o PMDB é o pior aliado que o PT pode ter. Porque é um partido notoriamente corrupto e porque se opõe às reformas estruturais que o PT propõe.
Mas, então, que aliados o PT deverá buscar para, como diz Lula, salvar o seu projeto? O 14º Encontro Nacional do PT, de 2014, responde em uma de suas resoluções, em que diz:
“A continuidade – e, sobretudo, o avanço – do nosso projeto está vinculada à nossa capacidade de fortalecer um bloco de esquerda e progressista, amparado nos movimentos sociais, na intelectualidade e em todos os setores comprometidos com o processo de transformações econômicas, políticas, sociais e culturais implementadas pelos governos Lula e Dilma.”
Isto exclui, obviamente, o PMDB e demais partidos de direita, que hoje servem ao retrocesso. Mas dá margem de sobra, indiscutivelmente, para que se cogite uma aproximação com o PSOL, que é um partido de esquerda cujo objetivo estratégico é o mesmo do PT, o socialismo democrático, estando por ora na oposição apenas por divergir do PT quanto aos meios para se alcançar este objetivo.
Pois bem. A estratégia de colaboração de classes esgotou-se, companheiros, não é possível mais dar um passo sequer para a frente com ela. Desta estratégia hoje só se pode esperar o retrocesso. É preciso que os petistas compreendam isto e não insistam mais neste caminho porque ele só pode nos conduzir à inviabilização total do projeto do PT. A partir de agora só será possível avançar tendo como aliados os partidos, movimentos sociais e intelectuais de esquerda e progressistas, lutando juntos contra a burguesia nas ruas, nas urnas, nos governos e parlamentos, pelas necessárias reformas estruturais. E para esta nova estratégia o PSOL pode, sim, vir a ser um importante aliado, pela identidade ideológica e programática que tem com o PT e pela presença que tem nos movimentos sociais e culturais do país.
A cultura política do PSOL, seus princípios, objetivos e métodos de ação, não difere em nada da cultura política petista original, corrompida em sua dimensão prática pela associação do PT com os partidos burgueses, mas ainda presente e íntegra nas resoluções dos seus congressos e encontros nacionais, assim como nas aspirações de amplos setores da militância de base petista descontentes com os vícios políticos adquiridos por seus dirigentes e pelos parlamentares e governantes filiados ao partido.
O psolismo nada mais é do que o petismo original que perdeu espaço no PT com a estratégia de colaboração de classes e saiu para formar outro partido. Se o PT muda de estratégia agora abre-se a possibilidade de uma reconciliação não só com o seu próprio petismo voluntariamente reprimido, mas também com este petismo que saiu e está lá no PSOL.
Não pelo tamanho das bancadas, nem pela quantidade de membros, mas pelo real compromisso que demonstra ter com a luta por avanços sociais e democráticos, o PSOL é para mim hoje o melhor novo aliado que PT pode pretender conquistar.
PT deve apoiar de graça a candidatura de Marcelo Freixo
A formação de um bloco de esquerda constituído por PT, PCdoB e PSOL seria quase que uma reedição daquela extraordinária Frente Brasil Popular que por muito pouco não venceu a eleição presidencial de 1989.
O PSOL é hoje uma força política claramente emergente no Rio de janeiro, sendo Marcelo Freixo a candidatura com maior potencial no campo da esquerda para as próximas eleições municipais.
Se a salvação do projeto petista da derrocada que já se vislumbra e o avanço das transformações iniciadas com Lula em 2003 dependem do fortalecimento da esquerda no Brasil, o PT não pode deixar de apoiar no Rio a candidatura de esquerda mais consistente e promissora na eleição municipal que é a candidatura de Marcelo Freixo.
É bom lembrar que o apoio do PSOL foi decisivo para a vitória de Dilma no segundo turno da eleição presidencial e que o primeiro psolista a manifestar apoio à nossa candidata foi o deputado Marcelo Freixo. Ali o sectarismo foi vencido. E o apoio foi de graça.
Há, de fato, três importantes obstáculos a serem superados para que esta nova versão daquela velha Frente Brasil Popular de 89 se materialize aqui no Rio, constituída agora por PT, PCdoB e PSOL. Em primeiro lugar, a insistência da direção nacional do PT em manter esta suicida estratégia de colaboração de classes e a aliança com o PMDB, fazendo do PT do Rio, como sempre, moeda de troca na barganha por apoios. Em segundo lugar, o fisiologismo das direções partidárias petistas do Rio de Janeiro, sempre famintas por cargos em secretarias e órgãos governamentais. E, por último, o sectarismo de setores tanto do PSOL, quanto do próprio PT.
Sectarismo - 1. Estreito espírito de seita. 2. Espírito ou atitude sectária; intolerância.
Entre a vergonha e o orgulho de ser petista
Presidente do Diretório Estadual, Washington Quaquá, com o governador Pezão
Mas, pergunto-lhes, companheiros:
Quantos petistas vocês acham que se animariam a votar e fazer campanha para um candidato do PMDB, seja ele Pedro Paulo, um dos filhos de Cabral e Picianni ou algum pau mandado que eles tirem da cartola?
Quantos petistas vocês acham que se animariam a votar e fazer campanha para um candidato qualquer do próprio PT, se Bob Calazans, Quaquá e Rui Falcão deram continuidade à devastação do PT do Rio, iniciada por seus antecessores, transformando o partido nesta terra política arrasada que só produz mediocridade e carreirismo?
E, finalmente, pergunto-lhes, companheiros, quantos petistas vocês acham que se animariam a votar e fazer campanha para um candidato do PSOL, como Marcelo Freixo?
Penso, respondendo de minha parte a estas perguntas, que fazer campanha para um candidato do PMDB hoje envergonharia e enojaria a maioria dos petistas; que fazer campanha para um candidato do próprio PT os constrangeria e desanimaria; e que apenas uma candidatura como esta, de Marcelo Freixo, do PSOL, poderia empolgar e encher de orgulho e esperança a nossa militância, por ser uma candidatura genuinamente de esquerda. Por isso e pelas razões que anteriormente expus é que defendo o apoio do PT à candidatura de Marcelo Freixo.
A alternativa muitas vezes citada de uma possível candidatura de Jandira Feghali não me parece ideal por três razões. Primeiro, porque retardaria a aproximação do PT com o PSOL, que eu considero fundamental para o fortalecimento da esquerda; depois, porque Jandira tem potencial eleitoral menor do que o de Marcelo Freixo; e, por fim, porque a deputada tem desempenhado um papel extraordinário no Congresso e não há nenhum parlamentar que possa substituí-la hoje, atuando com a mesma eficácia.
A ruptura com o PMDB, a renúncia ao fisiologismo e a construção da aliança com o PSOL para a eleição municipal em bases puramente programáticas, sem exigência de cargos, seria o melhor caminho para a redenção do PT do Rio, hoje prisioneiro dos piores vícios políticos, adquiridos na convivência promíscua com seus aliados de direita.
PMDB se opõe às reformas estruturais que o PT defende. PSOL apoia
“Somos um Partido dos Trabalhadores, não um partido para iludir os trabalhadores”, diz o Manifesto de Fundação do PT. É mais do que oportuno que lembremos isso hoje. Mas para não iludir os trabalhadores, é preciso que antes o próprio PT não se iluda.
Sem mobilização social e confrontação política com a burguesia e seus partidos, o projeto do PT será irrealizável.
Alianças com partidos burgueses foram úteis até meados do primeiro mandato de Dilma para a implantação de algumas políticas públicas.
Mas agora, a consolidação destas políticas e o avanço das transformações iniciadas no país exigem reformas estruturais que ferem os interesses da burguesia e seus partidos e por isso tem deles radical oposição.
Na luta por estas reformas o PT só poderá ter como aliados a classe trabalhadora e os partidos de esquerda com ela comprometidos.
Não bastarão mais as ações no parlamento e nos governos, será preciso mobilização de massas, intensa e prolongada, nas ruas e praças de todo o país.
O princípio da independência de classe, que justificou a criação do PT e que orientou a política de alianças de suas duas primeiras décadas de existência, terá que ser resgatado e alçado àquele mesmo grau de importância que teve naquele tempo.
Porque as reformas necessárias para o avanço do projeto petista não terão nunca o apoio dos partidos burgueses.
O PMDB opõe-se radicalmente a elas.
Mas o PSOL as apoia firmemente.
Que dúvida pode haver de que, objetivamente, o PMDB é inimigo e o PSOL aliado do PT na luta pelas reformas estruturais?
Que sentido faz, então, insistir nesta aliança com o PMDB e negar o necessário diálogo para o entendimento com o PSOL?
Até quando vamos permitir que o fisiologismo e o sectarismo nos mantenham ligados a quem tem objetivos opostos aos nossos e apartados de quem tem objetivos iguais?
O PT não precisa hoje de aliados como PMDB, para conciliar com a burguesia e fazer um governo como estes de direita, de que tem participado, comandados por Dilma, Pezão e Eduardo Paes.
O PT precisa hoje é de aliados como o PSOL para lutar contra a burguesia pela implementação do seu programa de esquerda, apoiado na mobilização dos trabalhadores.
Aos dirigentes do PT
Presidente do Diretório Estadual, Washington Quaquá: o homem que está vendendo o PT do Rio
Quero, por fim, mandar um recado ao presidente do diretório municipal, Bob Calazans, e ao presidente do diretório estadual, Washington Quaquá:
A base de filiados do PT do Rio não quer secretarias e cargos.
A base quer uma candidatura com a qual se identifique e que possa ter orgulho de defender na sociedade.
E esta candidatura de Pedro Paulo, do PMDB, é uma vergonha para a militância petista.
Por isso, se insistirem com ela, podem estar certos, o PT vai para a eleição deste ano, no Rio de Janeiro, rachado e vocês vão ficar sozinhos com seus cabos eleitorais pagos apoiando esta quadrilha a que resolveram se associar.
Nenhum petista de verdade vai votar e fazer campanha prá partido bandido e candidato espancador de mulheres.
Aos filiados de base
E à base de filiados apelo: vamos resistir, companheiros, não vamos permitir que o PT do Rio continue sendo aviltado da forma como tem sido por seus dirigentes.
Não admitamos mais que eles sigam mantendo esta simbiose obscena do PT com o PMDB, com o PT sempre subordinado aos interesses criminosos e às perversões políticas do PMDB.
É hora de criar um forte movimento de oposição ao entreguismo nos diretórios, mas sobretudo na base de filiados que tem sido mantida propositalmente à margem deles.
Não vamos cair nesta mentira dos dirigentes petistas fisiológicos de que o mandato de Dilma ainda corre risco, que depende da boa vontade do PMDB do Rio e que por isso o PT é obrigado a se associar a esta quadrilha. Nada disso é verdade, isto não passa de um ardil para enganar a militância.
A verdade que estes dirigentes querem ocultar, é que o impeachment já foi derrotado, porque seus defensores são corruptos notórios, sem autoridade moral nenhuma para propô-lo, e porque não há nenhuma suspeita sequer pesando sobre a conduta da presidenta Dilma, razão pela qual a sociedade civil repudiou o golpe e impôs respeito ao Estado de Direito.
Não existe mais ameaça de impeachment e todos os que o defendiam estão hoje completamente desmoralizados perante a sociedade.
O PT, portanto, não tem a menor necessidade de prestar favores ao PMDB do Rio porque não deve nada ao PMDB do Rio. Deve, isto sim, aos filiados e simpatizantes do próprio PT e a todos os cidadãos e cidadãs deste país que ergueram suas vozes contra a tentativa de golpe de Estado, mesmo desaprovando o governo Dilma e mesmo sendo antipetistas.
O maior desafio dos petistas hoje é transformar o PT num partido que seja realmente capaz de seguir transformando a sociedade. E para isso, vai ser necessário unir forças para vencer o império da Construindo Um Novo Brasil (CNB), tendência que tem sido majoritária nos diretórios nacional, estadual e municipal.
É preciso construir alternativas de direção para o PT nestes três níveis e desde já mobilizar todos os filiados para lutar pela mudança da atual política de alianças do partido, derrotando no Rio este absurdo projeto dos dirigentes estadual e municipal de manterem o PT atrelado à quadrilha de Picianni, Cabral, Pezão e Eduardo Paes.
“Então, eu fico pensando
se não tá na hora da gente fazer
uma revolução nesse partido,
uma revolução interna,
e colocar [na direção] gente nova,
gente que pensa diferente,
gente mais ousada,
gente com mais coragem
do que a gente.”
(Lula)
E aos companheiros da Articulação de Esquerda
Companheiros da Articulação de Esquerda. Cadê vocês? Nós não vamos conseguir ganhar essa briga fazendo disputa só nos diretórios. A maior parte dos filiados está fora deles e este contingente é que pode ser decisivo para derrotarmos os aliados do PMDB na convenção do partido que vai decidir sobre a posição do PT na eleição municipal.
A maioria excluída tem que ser chamada a entrar nesse jogo, que até agora só tem sido jogado pelo presidente do diretório estadual, Washington Quaquá. Dentro e fora do PT, ele já está em plena campanha para eleger o candidato do PMDB, Pedro Paulo, e não se pode admitir que siga procedendo desta forma, sem contestação de ninguém, antes da convenção municipal aprovar uma posição definitiva.
É hora de entrar em ação já, para derrotar o fisiologismo que tem governado o PT do Rio e evitar que aconteça efetivamente o vexame e o desastre político de se ter o partido rachado ou até pulverizado na eleição municipal deste ano.
A campanha eleitoral antecipada de Washington Quaquá em favor do candidato Pedro Paulo, do PMDB, precisa ser contestada publicamente desde já pelo conjunto dos filiados do PT do Rio. E para a mobilização destes filiados é fundamental o empenho das tendências minoritárias que se opõem à atual política de alianças, como a Articulação de Esquerda.
"A pergunta que não quer calar. Por que a Direção do Partido não convoca plenárias para discutir com a militância os rumos do PT no Rio de Janeiro?
Um dia um ex-parlamentar defende aliança com Freixo, noutro dia, no Jornal O Dia, outra liderança do partido, o vice-prefeito, diz que o líder dele é o Prefeito Eduardo Paes e que seguirá sua orientação. Então...
Só posso pensar uma coisa, essa direção tem medo do debate com sua militância. Acorda Direção!!!
Saudações Petistas, Náustria"
MEU COMENTÁRIO:
Me perdoe, Náustria, mas acho mais apropriado dizer: Acorda, base!!!
Fazer plenária com que militância, companheira? O PT não tem mais militante, só tem cabo eleitoral; não tem mais diretório, só comitê de campanha.
A imensa maioria dos filiados está fora do partido, excluída de todo debate interno e de toda decisão.
Meia dúzia de candidatos e seus cabos eleitorais discutem e resolvem tudo.
Não há democracia interna no PT, porque os diretórios não funcionam, não cumprem com obrigações organizativas básicas que o estatuto do PT lhes atribui.
E os diretórios não funcionam porque os PEDs não elegem dirigentes partidários, elegem chefes de comitês eleitorais.
O PT está inteiramente dominado pelo eleitoralismo e pelo carreirismo político.
E isto se reflete tanto nas manifestações de filiados de base na internet, quanto em declarações como esta abaixo, dada pelo vice-prefeito do Rio, Adilson Pires, ao jornal O Dia. Nada me chamou mais atenção em sua entrevista do que este trecho:
"[O partido tem] um problema de comunicação com a sociedade. Faltou entender que aquela estratégia do PT de 30 anos atrás, de panfleto na porta da fábrica, não cabe mais." (Adilson Pires)
Ou seja, militância cotidiana, trabalho político de base, são práticas ultrapassadas que não cabem no PT "moderno" de Adilson Pires.
Pode parecer que não, mas isto tem tudo a haver com o fato de o 1º Diretório Zonal - e, certamente, a maioria dos demais diretórios do partido - ser, na prática, um diretório fantasma.
Quando uma liderança regional importante de um partido que se define como socialista sente-se à vontade prá defender publicamente uma posição destas, é porque esse partido já atingiu, realmente, um grau elevado de degeneração da sua cultura política.
Ou a base do PT se insurge contra a concepção de partido que está implícita nesta declaração de Adilson Pires, e que lamentavelmente conta, como ele diz na entrevista, com maioria folgada nos atuais diretórios, ou o PT, como projeto de partido socialista e democrático, de massas e de quadros, militante e dirigente, em pouco tempo será inviabilizado.
O Estatuto do PT ainda define o nosso partido da seguinte forma, em seu Artigo 1º:
"O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma associação voluntária de cidadãos e cidadãs que se propõem a lutar por democracia, pluralidade, solidariedade, transformações políticas, sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais, destinadas a eliminar a exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria, com o objetivo de construir o socialismo democrático."
Em 1987, o 5º Encontro Nacional aprovou a seguinte resolução sobre concepção de partido, que nunca foi invalidada por nenhuma resolução de nenhum outro encontro ou congresso nacional posterior do PT. Diz a resolução do 5º Encontro:
"Se queremos um partido capaz de dirigir a luta pelo socialismo (...) precisamos de um partido organizado e militante, o que implica a necessidade de quadros organizadores. Um partido que seja de massas porque organizará milhares, centenas de milhares ou até milhões de trabalhadores ativos nos movimentos sociais, e porque será uma referência para os trabalhadores e a maioria do povo. Nossa concepção, portanto, é a de construir o PT como um partido de classe dos trabalhadores, democrático, de massas e socialista, que tenha militância organizada e seja capaz de dirigir a luta social." (5º Encontro Nacional, 1987)
O que Adilson Pires faz é vocalizar a convicção do grupo que domina os diretórios - um grupo que certamente não é composto por uma só tendência - de que, na prática, esta resolução do 5º Encontro já foi derrogada.
Aos que discordam, como eu, desta avaliação do vice-prefeito, que representaria o fim do PT como partido socialista e democrático, alerto:
O PT está em perigo e só quem pode salva-lo é a base excluída dos diretórios, que constitui a imensa maioria dos filiados e que tem sido há décadas marginalizada dos debates internos e dos processos decisórios do partido.
Ou vamos ao encontro dessa base excluída para nela buscar os recursos necessários para uma profunda renovação das direções, dos compromissos, dos valores e das práticas do PT, ou este partido não precisará de meia década para deixar definitivamente de ser um partido socialista e democrático dos trabalhadores e se transformar em mais um PMDB, com todos os seus repugnantes vícios.
O problema não é o PT fazer alianças táticas com o PMDB, como tem feito. O problema é o PT estar adotando a cultura política do PMDB.
Há filiados e tendências petistas que se revoltam com a aliança tática do PT com o PMDB, mas convivem tranquilamente com a cultura política pe-eme-debista da qual o PT há anos se deixou impregnar. Este é o maior escândalo, o maior dos males, e no entanto com isso ninguém se importa.
A corrupção da cultura política petista começou quando o PT, dois anos depois de fundado, mergulhou na luta política institucional sem criar mecanismos internos de defesa contra a contaminação pela cultura política predominante nas instituições burguesas.
E o que é mais grave é que estes mecanismos de defesa da integridade ideológica do partido até hoje inexistem.
Ou seja, o partido era e continua sendo um organismo inteiramente desprovido de sistema imunológico atuando num ambiente de extrema insalubridade para um partido socialista, que é a institucionalidade burguesa, e por isso ao invés de refratário, foi e está sendo permeável à cultura política de partidos como o PMDB.
O sistema imunológico do partido só pode ser construído a partir da disciplina coletiva do estudo sistemático das resoluções de seus congressos e encontros nacionais, da disciplina coletiva do debate democrático interno permanente e da disciplina coletiva do trabalho constante de propaganda e agitação política dos seus valores e projetos na sociedade.
E disciplina coletiva só se consegue quando há organização e comando.
Para isso existem no partido os diretórios, para organizar e comandar as ações dos filiados em seus respectivos territórios.
Se os diretórios não funcionam, é impossível haver disciplina coletiva para o exercício daquelas atividades que podem imunizar o partido contra o contágio de valores e práticas estranhos ao seu ideário e incompatíveis com os seus objetivos.
Por isso é que há tempos venho propondo um pacto entre todos os filiados e tendências do PT pela construção do partido e pelo funcionamento pleno e regular dos seus diretórios, afim de incorporar a massa petista ainda não filiada e garantir o uso racional das contribuições financeiras, conhecimentos e habilidades dos antigos e novos filiados na manutenção do funcionamento de uma democracia partidária de verdade e na realização de ações políticas coletivas capazes de influenciar efetivamente o processo político do país.
A sobrevivência do PT como partido socialista e democrático não depende do candidato que ele vai apoiar nas próximas eleições municipais, depende do resgate urgente da cultura política petista, corrompida ao longo de décadas pelo descaso com o funcionamento das instâncias responsáveis pela formação e informação política da base de filiados, pela garantia do funcionamento da democracia partidária e da disciplina do trabalho político cotidiano desta base junto à classe trabalhadora, que são exercícios indispensáveis para o amadurecimento político da militância e para a preservação e fortalecimento de suas convicções.
Não importa a eleição, não importa o cargo, não importa a aliança, não importa o candidato.
Importa a saúde do partido que se degenera perigosamente em consequência dos maus hábitos políticos internos adquiridos ao longo do tempo e que precisam ser abolidos para que ele se recupere.
O partido está tão mal que ainda pode sobreviver a uma eventual derrota eleitoral.
Mas não sobreviverá a um avanço maior da deformação do seu caráter.
Se o Brasil, para avançar, precisa de uma Reforma Política, é preciso que se diga que, com a mesma urgência, o PT também.
O país, com ou sem reforma, não acaba. O partido sim, corre esse risco.