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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Estilingue x Canhão

Direito de resposta da Dilma obriga o ofendido a se defender com estilingue, quando os ataques que ele sofre da mídia vão de canhão a bombardeio aéreo. É ou não é uma tremenda sacanagem?


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/estilingue-x-canh%C3%A3o/1159363007410430

Veto de Dilma impede Lula de responder aos que lhe caluniam na tribuna do Jornal Nacional. A Globo está em festa.

A mídia golpista está em festa, companheiros, porque Dilma garantiu que Lula nunca ocupará a tribuna do Jornal Nacional para afrontar suas mentiras, falando diretamente ao povo, com a credibilidade que ele, mais do que ninguém, consegue sempre inspirar.

Notinhas lidas por um William Bonner irônico ou entediado, por melhores que sejam os textos, nunca terão o mesmo efeito devastador da infâmia que teria a presença indignada do próprio Lula, falando ele mesmo, de viva voz, olhos nos olhos do povo brasileiro, dizendo "isto é mentira, a verdade é esta que vos falo".

Era disso que a Globo tinha medo, da presença impactante de Lula na tela do vídeo, vociferando contra os caluniadores e desmascarando-os. Mas Dilma tratou de tranquiliza-la.

Continuaremos vendo Lula ser atacado em superproduções de audiovisual e tendo que responder apenas através de notinhas burocraticamente lidas por William Bonner, sem um sinal sequer da emoção que o próprio Lula transmitiria se ele mesmo fizesse sua defesa.

Dilma preservou com seu veto o privilégio da Globo de falar sozinha e com isso controlar corações e mentes da sociedade brasileira.

Porque o texto do direito de resposta terá sempre que passar pelo filtro da interpretação de quem vai lê-lo e isto basta para a Globo conseguir anular o seu efeito.

"O meio é a mensagem", já disse um sociólogo.

A mensagem de Lula é o próprio Lula.

A opinião do Lula, lida pelo Bonner, será apenas a mensagem da Globo referindo-se a Lula.

Não será a mensagem do Lula, por isso não alcançará o coração do povo como alcançariam as palavras ditas pelo próprio ex-presidente.

No afã de defender Dilma, muitos de vocês não estão conseguindo enxergar isto.

Minimizam o que nem os tucanos e a Globo minimizaram.

Eles consideram o veto de Dilma uma vitória.

E vocês fazem de tudo para se convencerem de que também são vitoriosos. Não são. Nós fomos derrotados, companheiros. A democracia foi derrotada, porque podia ter dado um passo à frente e foi impedida pela nossa presidenta.

Lula continuará sendo atacado com taco de beisebol pela Globo e  não terá mais do que um mata moscas para se defender (a analogia é de Roberto Requião). Como podem considerar isto uma vitória? Isto é uma derrota, companheiros. Uma derrota que abre caminho para muitas outras derrotas porque nos mantém completamente desarmados perante a mídia da direita. Se não fosse assim a Globo não estaria festejando tanto este veto da Dilma. A Globo festeja porque sente-se aliviada, livre de uma ameaça real ao seu monumental poder.

O veto da Dilma é, portanto, uma importante vitória da Globo e uma derrota para o PT e para a democracia brasileira. Porque a Globo conseguiu preservar intacto o controle absoluto que sempre teve das emoções do povo.

Graças a esta desastrada intervenção de Dilma, a Globo vai poder continuar massacrando impiedosamente Lula, os petistas e seu partido, sem jamais poder ser contestada em igualdade de condições pelas vítimas de suas calúnias.

E há petistas que ainda conseguem ver nisto uma vitória. Festejam até junto com a Globo e os tucanos. Será que não desconfiam desta inusitada concordância?

Acreditam mesmo que Globo e tucanos aprovariam um direito de resposta que protegesse realmente Lula e o PT dos seus ataques?

Não veem que eles festejam o veto exatamente porque vão poder continuar nos atacando impunemente?

Silvio Melgarejo

13/11/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/veto-de-dilma-impede-lula-de-responder-aos-que-lhe-caluniam-na-tribuna-do-jornal/1159324480747616

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sem noção do perigo.

A confiança de Lula em Dilma e a confiança de ambos nas instituições do Estado burguês são assustadoras. Beiram à insanidade.

Silvio Melgarejo

06/11/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/sem-no%C3%A7%C3%A3o-do-perigo/1155892461090818


Uma esperança para Serra e Chevron.

Apesar da enorme repercussão que teve, até agora, a declaração do ministro Joaquim Levy de que o governo poderia mudar o regime de exploração do pré sal ainda não foi contestada pela presidenta Dilma Rousseff.

Silvio Melgarejo

06/11/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/uma-esperan%C3%A7a-para-serra-e-chevron/1155891394424258


sábado, 31 de outubro de 2015

Ilusão de alto risco.

Lula e o PT estão tranquilos. Por incrível que pareça, ainda confiam nas instituições do Estado burguês.

Silvio Melgarejo

31/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/ilus%C3%A3o-de-alto-risco/1153354578011273


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Quem confia na burguesia...

Mensalão, Lava Jato e Zelotes. O PT está pagando um elevado preço pela confiança irrestrita que tem alimentado, ao longo de mais de um década, nas instituições do Estado burguês. É pedir prá levar porrada. E tá levando. Mas, pelo visto, nem Lula, nem o partido estão aprendendo nada com a surra que estão levando. Continuam acreditando no republicanismo e na democracia da burguesia. Então... segue a sova.

Silvio Melgarejo

29/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/quem-confia-na-burguesia/1152101794803218


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Enquanto miram Lula, PIG, MP e Judiciário blindam Santander, Bradesco, Safra, Gerdau e a Globo do Rio Grande do Sul, na Zelotes.

( Transcrição de trechos do pedido de prisões preventivas e temporárias, buscas e apreensões e sequestro de bens e valores, feito pela Polícia Federal, em 30 de janeiro de 2015 )

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL

DIRETORIA DE INVESTIGAÇÃO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO

COORDENAÇÃO-GERAL DE POLÍCIA FAZENDÁRIA

DIVISÃO DE REPRESSÃO A CRIMES FAZENDÁRIOS

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL 

DA 10ª VARA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA/DF.

O Departamento de Polícia Federal, por seu Delegado de Polícia Federal signatário, no uso de suas atribuições constitucionais e legais, vem, mui respeitosamente, perante Vossa Excelência, representar por:

PRISÕES PREVENTIVAS e TEMPORÁRIAS, BUSCAS E APREENSÕES E SEQUESTRO DE BENS E VALORES

(...)

Como já mencionado anteriormente, a presente operação policial denominada “OPERAÇÃO ZELOTES”, tem como objetivo apurar o suposto esquema de Tráfico de Influência, Corrupção Ativa e Passiva, Advocacia Administrativa Fazendária e Lavagem de Dinheiro, tudo dentro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, promovido por alguns Conselheiros e particulares que atuam paralelamente em escritórios de assessoria e consultoria jurídica.

O modus operandi dos criminosos também foi comprovado por meio desta investigação e consiste justamente no que havia sido descrito na notícia criminal, os Conselheiros se valendo de informações privilegiadas de dentro do CARF, captam clientes através de “escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia” em São Paulo e outras localidades para que esses ofereçam seus serviços e facilidades promovendo tráfico de influência ou corrompendo conselheiros em julgamentos de recursos a autos de infrações tributárias, manipulando o andamento normal do processo (venda de pedidos de vista) ou alteração de pauta para atendimento dos interesses deles próprios ou dos seus clientes, em resumo, interferem na lisura da condução dos processos administrativos em julgamento no CARF. Evidente, de plano, é o intenso tráfico de influência que permeia o órgão e compromete princípios de isenção e imparcialidade, tão necessários em seus julgamentos.

Assim, a medida de interceptação telefônica se mostrou deveras importante e eficaz na comprovação dos crimes acima ventilados, vez que a equipe de investigação conseguiu identificar um número considerável de ligações telefônicas de grande relevância e que corroboraram as impressões iniciais anteriormente já historiadas ao longo desta representação.

O monitoramento telefônico pôde evidenciar a ação de grupos em vários eventos criminosos que ameaçam ou lesam o interesse e patrimônio público da União, sendo que os casos que citaremos logo abaixo, podem gerar um prejuízo de pelo menos R$ 14.800.000.000,00 (catorze bilhões e oitocentos milhões de reais), somente com o processo administrativos da J.S. (Banco Safra) (avaliado em R$ 1,8 bilhões), Banco Santander (de 5 bilhões), GERDAU AÇOMINAS (de quase 4 bilhões), e o Banco Bradesco (3 bilhões), isto sem mencionar os demais processos que os investigados vêm tratando, nem os demais processos que os investigados trataram no passado ou vêm tratando, como os de participação do Ex-Presidente do CARF e sua filha.

(...)


RBS - Afiliada da Globo


De acordo com a informação bancária repassada pelo banco Bradesco a conta corrente 64408 da Agência 2837 de titularidade da SGR COLSULTORIA EMPRESARIAL recebeu 04 (quatro) depósitos da conta nº 2620934006, Agência 100 do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A., de titularidade da empresa RBS ADM E COBRANCAS LTDA (CNPJ nº 94995693000143) cada um deles no valor de R$ 2.992.641,87 (dois milhões novecentos e noventa e dois mil seiscentos e quarenta e um reais e oitenta e sete centavos), ocorridos em 30/09/2011, 01/11/2011, 05/12/2011 e 12/01/2012, perfazendo, portanto, o montante de R$ 11.970.567,48 (onze milhões novecentos e setenta mil quinhentos e sessenta e sete reais e quarenta e oito centavos). Esses valores constam do Ajuste de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica SGR CONSULTORIA EMPRESARIAL, como “Tributo / Descrição: 1708 / IRRF - REMUNER SERV PRESTADOS POR PJ”, tanto no ano de 2011 (Setembro, Outubro e Dezembro), como no ano de 2012 (Janeiro).

Feita consulta no site do CARF encontramos o Processo nº 11080.010647/2005-36, em que a citada empresa RBS ADM E COBRANCAS LTDA (CNPJ nº 94995693000143) era devedora e que o JOSÉ RICARDO DA SILVA era um dos conselheiros até o final de 2009 quando se declarou impedido de participar do julgamento.

Posteriormente, em junho de 2013 o processo foi julgado com provimento de recurso para a empresa. O relator do processo foi o conselheiro VALMIR SANDRI.

Vale destacar que a empresa RBS ADM E COBRANCAS LTDA (CNPJ nº 94995693000143) foi citada como tendo sido beneficiada com venda de decisão favorável pelo esquema do CARF, mas em que pese ainda não tenhamos prova cabal que houve corrupção, o fato do JOSÉ RICARDO se declarar impedido somado com as transferências de dinheiro para as contas da SGR CONSULTORIA EMPRESARIAL acaba dando provas de que o mesmo defendia interesse privado da RBS junto ao CARF órgão em que exercia a função de Conselheiro e, portanto, de funcionário público, o que se subsume ao Crime de Advocacia Administrativa Fazendária, previsto no Art. 3º, Inciso III da Lei nº 8137/1990.

(...)

Brasília/DF, 30 de Janeiro de 2015.

MARLON OLIVEIRA CAJADO DOS SANTOS

Delegado de Polícia Federal – 1ª Classe

Matrícula n° 10.891

***

Fonte: 

http://www.ocafezinho.com/2015/10/26/bomba-os-documentos-secretos-da-operacao-zelotes/

http://pt.slideshare.net/MiguelRosario/os-documentos-da-zelotes


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/enquanto-miram-lula-pig-mp-e-judici%C3%A1rio-blindam-santander-bradesco-safra-gerdau-/1151302088216522

O que alimenta o pessimismo da militância petista: Comentário sobre status de Rui Falcão, no Facebook. (26/10/2015)

Quem está incutindo pessimismo na militância é a presidenta Dilma com sua política econômica e o próprio PT com o apoio incondicional que tem dado a ela. 

Não é possível combater seriamente uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar incondicionalmente o governo que concebe e implementa esta política.

Dilma já disse que mantém Levy porque concorda com a política dele e que a opinião do PT não a influencia.

Campanhas de convencimento não vão fazê-la mudar de ideia.

Insistir nisto só vai prolongar o desgaste que o partido está tendo junto à sua base social.

Nem a Globo, nem a Lava Jato, conseguem abalar tanto a confiança e a disposição de luta da militância petista, quanto esta combinação que temos entre a política neoliberal adotada por Dilma e a reação fraca do PT ante essa quebra de compromisso da presidenta com seus eleitores.

Silvio Melgarejo

26/10/2015


https://www.facebook.com/rfalcao13/posts/914527238630083?comment_id=914546538628153&comment_tracking=%7B%22tn%22%3A%22R9%22%7D


E quanto ao funcionamento do partido


SETE PROPOSTAS de MEDIDAS e UMA CONDIÇÃO BÁSICA para GARANTIR o FUNCIONAMENTO PLENO e REGULAR dos DIRETÓRIOS do PT

http://silviomelgarejo.blogspot.com.br/2015/08/sete-propostas-de-medidas-e-uma.html

Status de Rui Falcão



"O Diretório Nacional reúne-se esta semana, com a participação de presidentes estaduais, deputados, senadores, ministros petistas, para uma avaliação da conjuntura mais recente e para iniciar o debate sobre as eleições de 2016.

Desde já, é preciso que a militância afaste o clima de pessimismo que muita gente procura incutir em nossas cabeças. Não é verdade que o PT vai ser varrido do mapa, ou que vamos sofrer uma derrota avassaladora. Só quem perde antecipadamente é quem se recusa a lutar – e esta não é a tradição petista.

É fato, porém, que vamos enfrentar uma disputa difícil. Não só pela campanha de intolerância e ódio contra o partido, mas também porque as dificuldades econômicas (que esperamos superar com o fim do ajuste e mudanças na atual política) tendem a repercutir negativamente nas eleições.

Mais que nunca, a próxima campanha vai exigir de nós mais capacidade de articulação, mais unidade e mais organização. O resultado dependerá, também, de iniciativas que precisam ser adotadas no curto prazo. Por isso, é urgente criar condições políticas nas cidades para definir candidaturas, proporcionais e majoritárias, estabelecer alianças com os partidos que apoiam Dilma, priorizando as prefeituras que governamos.

Nossas campanhas terão de ser pautadas, obrigatoriamente, pela defesa do PT, do legado dos governos Lula/Dilma, do nosso projeto político e do modo petista de governar/legislar. A construção do programa do governo deve envolver o diálogo com a população, com os movimentos sociais e com aliados nos municípios.

Por fim, no novo modelo de campanha que esperamos seja sem financiamento empresarial, nada melhor do que usar o verbo e gastar muita sola de sapato…

Rui Falcão,

presidente nacional do Partido dos Trabalhadores

26/10/2015"

https://www.facebook.com/rfalcao13/posts/914527238630083

https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-que-alimenta-o-pessimismo-da-milit%C3%A2ncia-petista-coment%C3%A1rio-sobre-status-de-rui/1151138254899572


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O problema é a incondicionalidade do apoio.

Diálogo que tive ontem com o companheiro Val Carvalho, do PT do Rio/RJ.

Status de Val Carvalho

"O militante petista muitas vezes perde a paciência com Dilma porque acha que ela deve simplesmente mudar a política econômica – o que também defendo. Mas entendo que a presidenta fica sopesando, avaliando frequentemente as pressões do poder econômico e do poder popular. O primeiro se mede pelo percentual do PIB que controla. O segundo pelo grau de unidade e mobilização popular. Por enquanto a primeira pressão, do poder econômico, é de longe a mais forte, o que faz Dilma ser bastante cautelosa e ir tocando o barco como pode.
Temos de fortalecer o poder popular, reforçando a sua unidade na Frente Brasil Popular e elevando a capacidade de mobilização dos trabalhadores e da juventude como também a informação independente do povo. Sem isso não conseguiremos fazer com que Dilma mude, nem que seja parcialmente, essa política econômica antipopular quem vem dando tanto gás para os golpistas." (Val Carvalho, 22/10/2015)
https://www.facebook.com/val.carvalho.31/posts/948053135274549

Meu comentário


Val Carvalho. O poder econômico é mais forte agora, depois que a presidenta dividiu e desmobilizou a base social construída ao longo da campanha eleitoral, com a decepcionante política econômica que resolveu adotar. Para esta política, ela realmente só tem apoio da Globo e do conjunto da burguesia. Mas para o cumprimento do programa econômico que defendeu durante a campanha, ela teria o apoio decidido do conjunto das centrais sindicais, movimentos populares e partidos e militantes de esquerda e progressistas, que hoje se opõem às suas medidas.

Aécio e Marina anunciaram os nomes dos seus ministros da fazenda, caso eleitos, durante a campanha eleitoral. Armínio Fraga, o de Aécio; André Lara Resende, o de Marina. Dois neoliberais notórios. Dilma fez mistério, recusou-se a antecipar o seu. Mas apenas um mês depois do pleito, que venceu com 54 milhões de votos, anunciou Joaquim Levy, cujo perfil não difere dos ministros dos seus concorrentes, o que já desapontou boa parte do seu eleitorado. Que pressões a teriam obrigado a fazer esta escolha? Afinal, o poder econômico é que foi derrotado nas urnas pela unidade e mobilização popular em torno do programa econômico antineoliberal defendido por Dilma. E o que fez a presidenta? Resolveu adotar o programa dos derrotados.

Dilma não vai mudar a atual política econômica. Sabe por que? Em primeiro lugar, porque acredita nesta política, como declarou recentemente. E depois, porque não perde nada mantendo-a, já que o apoio que tem do PT e da Frente Brasil Popular é incondicional. Ela pode continuar desempregando e arrochando salários até o final do mandato, que o partido e sua frente vão continuar empenhados em lhe dar sustentação política no parlamento e na sociedade. Não é por outra razão que parte da esquerda que ajudou a elegê-la resolveu criar uma outra frente, a Frente Povo Sem Medo, do MTST.

A política econômica de Dilma dividiu e desmobilizou a esquerda e os movimentos sociais. E a política adotada pelo PT em relação ao governo tem contribuído para a manutenção desta divisão e desmobilização, que enfraquecem ainda mais a esquerda e os movimentos sociais. Não é possível combater seriamente uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar incondicionalmente o governo que a concebe e implementa. Porque o apoio incondicional ao governo limita e mantém a pressão por mudanças num nível muito baixo, sempre insuficiente para fazer frente à pressão do poder econômico, que não tem limites.

Enquanto o PT mantiver apoio incondicional ao governo Dilma, será, a despeito do discurso crítico à política econômica, um agente desmobilizador dos trabalhadores e da juventude, que contribuirá permanentemente para a manutenção da divisão da esquerda e da anemia do poder popular.

Silvio Melgarejo

23/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-problema-%C3%A9-a-incondicionalidade-do-apoio/1149210915092306

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Quem não deve, não paga.

Sobre a dívida pública, que leva quase metade do orçamento da União e que aumenta extraordinariamente a cada nova elevação da taxa de juros Selic, é preciso, mais que nunca, questionar: Ela é totalmente legítima? Ou é, em parte, produto de fraude? Será que o povo deve mesmo isso tudo que lhe cobram? Ou será que está pagando o que não deve? Isso tem que ser investigado.

AUDITORIA  DA  DÍVIDA  PÚBLICA  JÁ!

Silvio Melgarejo

22/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/quem-n%C3%A3o-deve-n%C3%A3o-paga/1148963851783679


O medo paralisa, faz ceder e recuar.

A esquerda brasileira está presentemente articulando-se em duas frentes. A Frente Povo Sem Medo e a Frente Povo Com... epa... Frente Brasil Popular.

Silvio Melgarejo

22/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-medo-paralisa-faz-ceder-e-recuar/1145828815430516


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Contra seu partido, Dilma mantém ministro e política econômica da Globo. E agora, PT?


Palavra da Presidenta sobre o PT


Durante a campanha eleitoral

“Nós, do PT, somos a grande força política inovadora do Brasil.” (Trecho do discurso proferido no lançamento de sua pré-candidatura à reeleição, em 2/5/2014, no 14° Encontro Nacional do PT)

E logo depois de reeleita

"Eu não represento o PT. Eu represento a Presidência. A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia.” (Folha, 6/11/2014)

***

Sobre a política econômica


Palavra da Globo

“Deixa o homem trabalhar. A escolha de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda foi um alento. Agora, a presidenta Dilma precisa dar a ele liberdade para agir.” (Época - Edição 861 - 28/11/2014)

Palavra do PT

"É importante mudar a política econômica. É preciso que se libere crédito para investimentos, para consumo. É uma forma de fazer a economia rodar. Da mesma maneira, é insustentável manter a atual taxa de juros. (...)  Acho que ela [Dilma] vai determinar a liberação de crédito com responsabilidade. Há mecanismo para isso, desde crédito consignado, eventualmente mexer com o compulsório dos bancos para que os bancos privados possam liberar crédito. Mas é impressão minha, ela não disse isso. Se Levy não quiser seguir a orientação da presidente, deve ser substituído. Se ele não quiser, caso ela determine.”  (Rui Falcão, presidente do PT, Folha, 18/10/2015)

Palavra da Presidenta

"O ministro Levy fica. E se ele fica é porque concordamos com a política econômica dele." (Dilma Rousseff, Folha, 18/10/2015)


E agora, PT? O que farás?


A Globo pediu, em nome de banqueiros e especuladores do mercado financeiro: “Deixe Levy trabalhar”. E Dilma está deixando.

O PT pediu: “Mude a política econômica, presidenta”. E Dilma disse não, que não vai mudar porque concorda com o que está sendo feito.

E agora, PT?  O que farás?

Vais continuar dando suporte político para a realização do programa econômico neoliberal, desde sempre defendido pela Globo e tucanos?

E é assim que pretendes mobilizar as massas contra o golpe e em defesa da democracia?

É assim que pretendes ter o apoio dos trabalhadores para preservar as conquistas sociais da última década, avançar mais e fazer as reformas estruturais, no rumo do socialismo democrático?

E é assim que pretendes ter o apoio do povo para resistir aos ataques do fascismo e eleger Lula em 2018?

E agora, PT?

O que será de ti, qual o teu futuro, amarrado como estás, voluntariamente, a um governo em que a presidenta, a despeito de ser tua filiada, te despreza, não te ouve e trai os mais importantes compromissos assumidos, que avalizaste perante as massas, na última campanha eleitoral?

E agora, PT?

Se Dilma te nega e renega e faz de ti mero instrumento da aplicação de uma política tucana, que fere os interesses dos trabalhadores, o que fazes ainda neste governo? Por que negas aos trabalhadores a tua liderança, como único partido de massas da esquerda, para o necessário e urgente combate à poderosa ditadura do bancos, da qual Dilma, à tua revelia, resolveu se fazer competente e abnegada gestora?

E agora, PT?

Como fica o teu projeto, aquele para o qual foste criado e que ainda alimenta as esperanças de milhões de brasileiros? Por que transformar tanta esperança em revolta e desencanto, mantendo fidelidade a um governo onde não tens mais influência, um governo que caminha na contramão dos teus objetivos e que se fez e faz de ti antagonista da classe trabalhadora, única aliada estratégica possível para a realização do teu ideal socialista e democrático?

E agora, PT?

O que fazer nesta encruzilhada em que te encontras, trazido pelas circunstâncias e por teus próprios movimentos? Chegamos a um momento em que já não é mais possível servir bem aos trabalhadores e ao mesmo tempo à burguesia, em que já não é mais possível avançar sem luta, conciliando interesses e fazendo acordos satisfatórios para todos. A crise mundial do capitalismo não permite mais que se sustente a ilusão, no período de fartura, alimentada, de  não haver neste país luta de classes. A crise e a ganância dos burgueses hoje empurram as massas para o abismo da pobreza e da miséria. Lutar pela parte que lhes cabe numa justa partilha das riquezas produzidas, é a única chance que os trabalhadores têm de escapar deste destino. Sem luta e resistência, a derrota é mais que certa.

É hora, PT, de ter coragem prá fazer escolhas que atestem perante as massas a seriedade dos teus compromissos e de ousar tomar decisões importantes que podem definir o teu futuro e o futuro do Brasil. Se o governo já não serve, ao contrário, compromete o teu projeto, nada mais pode prender-te a ele, é hora de se desligar. Porque só se justifica a permanência de um partido no governo quando, governando, consegue este partido fazer avançar o seu projeto.

E então, PT? De que lado ficas? O lado de Dilma, Levy, da Globo e da burguesia, banqueiros à frente? Ou o lado dos trabalhadores, com os militantes e partidos de esquerda e progressistas, as centrais sindicais e os movimentos populares? Teu compromisso hoje é com o projeto pessoal da presidenta ou é com o projeto que afirmas ter para o país? Decida logo, PT. Porque, assim como estás, com um pé em cada canoa, não tardarás a cair e afundar nas águas turvas e cada vez mais revoltas da luta de classes.

Silvio Melgarejo

21/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/contra-seu-partido-dilma-mant%C3%A9m-ministro-e-pol%C3%ADtica-econ%C3%B4mica-da-globo-e-agora-p/1147501211929943

domingo, 18 de outubro de 2015

“O ministro Levy fica. E se ele fica, é porque concordamos com a política econômica dele", diz Dilma, em resposta a Rui Falcão.

"Opinião do presidente do PT não é a do governo, Levy fica", diz Dilma.


A presidente Dilma Rousseff afirmou neste domingo (18) que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fica no cargo e disse discordar do discurso do presidente do PT, Rui Falcão, sobre uma possível saída dele do governo.

"Eu acho que o presidente do PT pode ter a opinião que quiser, mas não é a opinião do governo. A gente respeita a opinião do presidente do PT, mas isso não significa que seja a opinião do governo", afirmou a presidente, em entrevista coletiva em Estocolmo, na Suécia.

Questionada então pela Folha sobre as chances de Levy deixar o governo, Dilma respondeu: "Se eu lhe disse que não é opinião do governo [a de Rui Falcão], o ministro Levy fica". E a presidente continuou: "Se ele fica, é porque concordamos com a política econômica dele".

Em entrevista à Folha, publicada neste domingo, o presidente do PT defendeu mudanças na política econômica e afirmou ainda que, nesse cenário, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deveria sair do governo se não concordar.

“O ministro Levy fica.

E se ele fica,

é porque concordamos

com a política econômica dele.”

(Dilma Rousseff)


Dilma negou ainda que tenha discutido com Levy sua demissão em reunião na sexta-feira (16) antes de embarcar para a Suécia.

"Vou falar uma coisa para vocês: há um nível de invenção de conversas que não é verdade. É absurdo dizer que nós tratamos disso na reunião. O que nós conversamos foi fundamentalmente sobre quais são os próximos passos e qual é a nossa estratégia no sentido de garantir que se aprove as principais medidas que vão levar ao equilíbrio fiscal. Nem tocou nesse assunto [saída], não tinha insatisfação nenhuma dele, até porque essa entrevista [de Rui Falcão] não tinha ocorrido, não sei como saem essas informações, que são danosas, porque de repente aparece uma informação que não é verdadeira", afirmou.

Dilma negou ainda que o ex-presidente Lula tenha feito a ela qualquer pedido para trocar o ministro da Fazenda. "Ele nunca me pediu nada. O presidente Lula quando quer alguma coisa não tem o menor constrangimento de falar comigo", disse.


http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/10/1695429-opiniao-do-presidente-do-pt-nao-e-a-do-governo-levy-fica-diz-dilma.shtml


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/o-ministro-levy-fica-e-se-ele-fica-%C3%A9-porque-concordamos-com-a-pol%C3%ADtica-econ%C3%B4mica/1147005878646143

Entrevista do presidente do PT, Rui Falcão, publicada na Folha de hoje.

“É importante mudar a política econômica.
É preciso que se libere crédito para investimentos, para consumo.
É uma forma de fazer a economia rodar.
Da mesma maneira, 
é insustentável manter a atual taxa de juros.” 
(Rui Falcão)




ENTREVISTA


Folha - Joaquim Levy é o ministro do crescimento?

Rui Falcão - É importante mudar a política econômica. É preciso que se libere crédito para investimentos, para consumo. É uma forma de fazer a economia rodar. Da mesma maneira, é insustentável manter a atual taxa de juros.

Folha - O ministro da fazenda descarta a liberação de crédito agora.

Rui Falcão -  É a opinião dele. Pensamos diferente. Não estamos sozinhos. Muitos economistas e especialistas estão falando na mesma direção, em relação à taxa de juros e ao crédito. Está errada a política de contenção exagerada do crédito. Precisamos devolver esperança para a população.

Folha - Lula quer mesmo o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles na Fazenda?

Rui Falcão - Sei que precisamos mudar vários pontos da política econômica.

Folha - Inclusive o ministro?

Rui Falcão - A política... Quem nomeia e substitui é a presidente.

Folha - O sr. gaguejou... Joaquim Levy é capaz de conduzir essa política econômica que o sr. defende?

Rui Falcão - Um ministro da Fazenda não pode ficar na berlinda porque isso provoca consequências na economia. Se a presidente tiver a decisão de amanhã ou depois substituí-lo, isso não se anuncia previamente nem serei eu que sairei pedindo a substituição.

Folha - Mas o sr. defende mudanças e Levy pensa diferente.

Rui Falcão - A lógica do regime presidencialista é que os ministros devem seguir a orientação do presidente da república. Se ela entender que essa política que está sendo realizada deve ter correções, no todo ou em parte, ela determina isso.

Folha - E a presidente concorda com tudo o que Joaquim Levy diz?

Rui Falcão - Ela está preocupada com a crise política. Quer estabilidade para fazer o país voltar a crescer. E a preocupação dela é com emprego, manutenção dos ganhos de renda...

Folha - Em relação ao crédito?

Rui Falcão - Acho que ela vai determinar a liberação de crédito com responsabilidade. Há mecanismo para isso, desde crédito consignado, eventualmente mexer com o compulsório dos bancos para que os bancos privados possam liberar crédito. Mas é impressão minha, ela não disse isso. Se Levy não quiser seguir a orientação da presidente, deve ser substituído. Se ele não quiser, caso ela determine.

“Acho que ela [Dilma] vai determinar a liberação de crédito com responsabilidade.

Há mecanismo para isso, desde crédito consignado, 

eventualmente mexer com o compulsório dos bancos

para que os bancos privados possam liberar crédito.

Mas é impressão minha, ela não disse isso.

Se Levy não quiser seguir a orientação da presidente,

deve ser substituído.

Se ele não quiser, caso ela determine.” 

(Rui Falcão)


Folha - O PT vive hoje sua pior crise desde sua criação. É hostilizado. O partido se perdeu?

Rui Falcão - É inadmissível que a gente conviva com esse clima de ódio e intolerância, sendo seu ápice durante o velório do José Eduardo Dutra, em Belo Horizonte, onde esses fascistas panfletaram, num desrespeito à família, dizendo que "petista bom é petista morto".

Folha - O sr. já foi hostilizado?

Rui Falcão - Veja o Twitter diariamente. Tem baixaria contra todo mundo. Na rua, há olhares e uma pessoa passou correndo, xingou e foi embora.

Folha - Os petistas falam de intolerância mas não existe autocrítica.

Rui Falcão - Com ou sem autocrítica, nada justifica o ódio e a intolerância. Temos feito autocrítica, sim. O PT não deveria ter enveredado pelo financiamento empresarial, porque nos igualamos aos outros partidos. Não podemos ficar exclusivamente na disputa eleitoral. Ninguém combateu a corrupção como nós.

Folha - O ex-tesoureiro do PT e o ex-ministro José Dirceu estão presos, mas seguem filiados.

Rui Falcão - Nenhum deles foi condenado [em última instância]. Não há prova contra Vaccari. A não ser delações.

Folha - Se forem condenados, Dirceu e Vaccari sairão do partido?

Rui Falcão - Espero que, se isso ocorrer, tomem essa decisão.

Folha - Mas e a desfiliação?

Rui Falcão - O Vaccari não tem acusação de desvio ético. Nada se comprovou contra ele.

Folha -  E Dirceu?

Rui Falcão - Estamos esperando a defesa dele. Há acusações nessa direção. Ele deve avaliar se existe essa possibilidade de deixar unilateralmente o partido. A decisão de desfiliação é pessoal. A decisão de desfiliar é do partido.

Folha - Na sua opinião, há diferença entre Vaccari e José Dirceu?

Rui Falcão - Vaccari estava no exercício da secretaria de finanças. As tarefas exigiam que captasse recursos junto às empresas. Mas ele nunca usou qualquer contato para se beneficiar.

“O PT não deveria ter enveredado pelo financiamento empresarial,

porque nos igualamos aos outros partidos.

Não podemos ficar exclusivamente na disputa eleitoral.” 

(Rui Falcão)


Folha - Há um acordão entre o governo e o deputado Eduardo Cunha para protegê-lo?

Rui Falcão - Quem tem acordo declarado com ele, fotografado e reconhecido, é a oposição. Que tipo de acordo poderíamos ter, se Cunha pode, a qualquer momento, acolher o pedido de impeachment e ele não sabe como vamos nos posicionar no Conselho de Ética? Ele é o presidente da Câmara até segunda ordem. Tem que haver uma relação institucional. Isso não significa blindar investigação.

Folha - Documentos comprovam que ele tem contas na Suíça.

Rui Falcão - Com a documentação apresentada pela Procuradoria, a situação de Cunha está cada vez mais insustentável.


http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/10/1695359-levy-deve-sair-se-nao-quiser-mudar-a-politica-economica.shtml


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/entrevista-do-presidente-do-pt-rui-falc%C3%A3o-publicada-na-folha-de-hoje/1146910775322320

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Mais um enigma.

Qual o significado da expressão "partido político", para a militância petista?

Silvio Melgarejo

15/10/2015

https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/mais-um-enigma/1145827312097333

terça-feira, 13 de outubro de 2015

PT, o maratonista anêmico.

O PT tem problemas externos cuja solução depende, antes de tudo, da solução dos seus problemas internos. E, no entanto, por razões que desconheço, recusam-se os petistas a tratar destes problemas internos, enquanto debatem avidamente os externos, que dependem da superação daqueles.

Imagine um anêmico que não se trata querendo disputar uma maratona. Pois é assim mesmo que se comporta o PT. Propõe-se grandes desafios, mas despreza a própria cura, o que torna remota a chance de vitória.

Silvio Melgarejo

13/10/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/pt-o-maratonista-an%C3%AAmico/1144700088876722

domingo, 4 de outubro de 2015

Governo petista? Cadê?

Governo petista? Cadê? Verdade que há petistas - se assim os considerarmos apenas por serem filiados ao PT - no governo Dilma. A própria presidenta o é, pelo menos assim, formalmente. Mas, petismo, não vejo. E o que é o petismo? Petismo é lutar, até a última gota de suor e sangue, para defender os interesses dos trabalhadores contra a ditadura da burguesia, que enriquece à custa do empobrecimento das massas. E o que tem-se visto no governo Dilma é exatamente o oposto disso. Vê-se rendição sem luta e uma colaboração sem limites com a burguesia - especialmente financeira - contra os interesses da classe trabalhadora. Isso é governo petista? Prá mim, não.

Lembro uma vez mais que, assim que reeleita, a presidenta Dilma, questionada sobre uma resolução política do PT, afirmou:
- “Eu não represento o PT. Eu represento a Presidência. A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia. Eu represento o país, não sou presidente do PT, sou presidente dos brasileiros.”
Ora, se não é a presidenta da república, filiada ao PT, a representante do partido na coalizão governista, quem será? O petista que votou em Dilma o fez exatamente para que ela cumprisse este papel, para que ela fosse o PT dentro da coalizão. Mas o que se vê é que ela não só repudiou este papel, negando terminantemente a influência do PT, como resolveu acolher, sem resistência, às influências dos barões do sistema financeiro.

Ou seja, Dilma negou firmemente o petismo para abraçar gostosamente o neoliberalismo. E, diante disso, o que faz o PT? Tenta o impossível, que é apoiar a presidenta e ao mesmo tempo combater a política que ela mesma escolheu, quando o preteriu e abandonou o programa defendido na campanha.

Penso, portanto, que iludem-se os que acreditam que, por serem Dilma e alguns dos seus ministros filiados ao PT, temos uma presidenta da república e um governo petistas. Não temos. A política econômica que temos hoje no país é uma versão apenas um pouco mais branda daquela mesma política econômica defendida por Aécio e Marina, que foi duramente contestada pela própria Dilma, na campanha de 2014.

Joaquim Levy, por sua vez, é um economista cujo perfil nada difere dos perfis de Armínio Fraga e André Lara Resende, então anunciados, respectivamente, por Aécio e Marina, como seus ministros da fazenda, caso fossem eleitos. Certamente, não foi por acaso que teve seu nome ocultado pela candidata Dilma durante a campanha. Levantaria, se anunciado, no mínimo, enormes suspeitas de que o segundo mandato da presidenta poderia não corresponder ao discurso antineoliberal que ela fazia e que acabou lhe garantindo efetivamente a vitória.

Exatamente um mês depois do 2º turno da eleição presidencial, Dilma anunciou que Joaquim Levy seria o seu ministro da fazenda. E o impacto negativo na confiança do seu eleitorado foi grande, exatamente pela expectativa da adoção de uma política econômica que correspondesse ao perfil conhecido do novo ministro, o que acabou se confirmando com o anúncio do ajuste fiscal, que tem abalado a base de apoio da presidenta na sociedade.

A combinação das medidas do ajuste com a manutenção da política de juros altos, inevitavelmente provocaria recessão, desemprego e arrocho salarial. Tudo isso foi previsto, logo de início, pelos economistas do campo progressista e tem se confirmado ao longo do ano. Criou-se então uma raríssima unanimidade no movimento sindical e popular contrária à política econômica do governo Dilma, em seu conjunto. Há, de fato, quem ainda veja semelhanças entre esta política e a dos ministros Palloci e Meirelles, no tempo de Lula e que, pensando nos resultados daquele governo, acredite que possa dar certo o que tem sido feito agora. Mas esquecem estes de um detalhe: as circunstâncias em que se dão os dois governos são muito distintas.

Se as circunstâncias econômicas e políticas que cercavam os dois mandatos de Lula permitiram que ele assumisse e honrasse compromissos tanto com a burguesia, quanto com a classe trabalhadora, as circunstâncias econômicas e políticas atuais não dão a Dilma esta mesma possibilidade. Ao contrário, impõem-lhe a escolha de um lado para defender e um lado para confrontar, como condição para não ser tragada por um ambiente de insatisfação geral, onde lhe falte base de sustentação social e política para governar. Dilma fez a pior escolha possível, que é tentar atender ao mesmo tempo à burguesia e à classe trabalhadora, algo que a conjuntura econômica hoje não permite. Insatisfeitos, os dois lados retiram cada vez mais os seus apoios e deixam a presidenta pendurada no fio tênue do compromisso das instituições do Estado burguês com a legalidade.

Atribuir, como fazem muitos, a presente crise do governo Dilma apenas à campanha da oposição golpista é o mesmo que responsabilizar apenas os vírus e bactérias pelo quadro patológico de um organismo, sem considerar o papel que deveria desempenhar o seu sistema imunológico. Pois o “sistema imunológico” do governo Dilma, que seria constituído por sua base social de 54 milhões de eleitores, foi inteiramente desmobilizado pela própria presidenta, quando ela abandonou o programa que defendera em sua campanha, revertendo subitamente todas as expectativas alimentadas. No momento em que rompe unilateralmente os compromissos assumidos com seus eleitores, ela isola-se politicamente e debilita-se, favorecendo ao avanço não só do golpismo, mas também do fisiologismo de setores da própria coalizão, que acabaram assumindo o controle efetivo do governo.

Por isso digo que, embora haja petistas no governo, como a presidenta, não há mais governo petista neste segundo mandato de Dilma. Porque não é petista o programa econômico implementado e porque o PT realmente já não tem mais nenhuma influência sobre as decisões cruciais que são tomadas. O PT hoje é um mero apoiador do governo neoliberal hegemonizado por Dilma e pelo PMDB. Suas críticas à política econômica, sem apontar qualquer perspectiva de ruptura, ante à intransigência da presidenta, não o tornam menos cúmplice da aplicação desta política e não diminuem a sua responsabilidade pelo estrago social provocado. E a classe trabalhadora logo há de lhe apresentar a conta. Como tenho dito a meses, quem fere com ajuste fiscal, com ajuste político será ferido.

Silvio Melgarejo

04/10/2015

https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/governo-petista-cad%C3%AA/1138747212805343

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Juiz politiqueiro.

Gilmar Mendes deveria ser processado por danos morais ao STF.

Silvio Melgarejo

29/09/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/juiz-politiqueiro/1138317702848294

Enigma.

Se a essência de um governo é a sua política econômica, como combater uma política econômica e ao mesmo tempo apoiar o governo que a concebe e implementa?

Silvio Melgarejo

29/09/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/enigma/1138311746182223

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Divórcio condenado e traições consentidas.

Essa fúria toda, que tenho visto, contra o deputado Molon, vindo de tanta gente que silenciou ante o apoio do PT do Rio à concessão da Medalha Tiradentes a Eduard0 Cunha, e ante o estarrecedor anúncio, pelo presidente do diretório regional do partido, Washington Quaquá, de que o PT apoiará o candidato do PMDB, Pedro Paulo, na eleição para prefeito do Rio, me parece absolutamente desproporcional e incoerente.

E mais desproporcional e incoerente, ainda, me parece, quando lembro que o próprio Molon não sofreu a menor crítica quando, equivocadamente, votou, junto com a quase totalidade da bancada petista na Câmara Federal, a favor das MPs 664 e 665, do ajuste fiscal de Dilma, que eram desaprovadas pelo conjunto das centrais sindicais e movimentos populares. É esta a ajuda que esperavam que o deputado continuasse dando à presidenta?

Dizem que Molon foi para um partido de direita, por isso é um traidor. Mas que diferença há entre servir ao neoliberalismo de Marina - como supõem, os críticos, que Molon fará - e servir ao neoliberalismo de Dilma - como o deputado já vinha fazendo, com a aprovação da maioria destes que agora o condenam? Marina, pelo menos, não enganou ninguém, disse na campanha que faria o que Dilma hoje faz, tendo jurado que não faria. E, no entanto, Dilma é que é boa, traíra é Marina?

Ora, meus amigos, vamos ser razoáveis. Ajudar Marina, hoje, não é pior do que ajudar Dilma, porque há uma enorme semelhança entre a política implementada pela presidenta e a política defendida por sua adversária na campanha. Mais que isso, há uma enorme semelhança também entre as políticas de ambas e a então defendida pelo concorrente tucano, Aécio Neves. Tanto que a própria direita neoliberal - Globo à frente - tem cobrado coerência de Aécio e do PSDB, quando eles tentam sabotar o governo Dilma, na aplicação de sua política econômica.

Chamo atenção para o fato de que os dois concorrentes de Dilma na eleição presidencial, anunciaram ainda durante a campanha, os nomes dos seus ministros da fazenda, caso fossem eleitos. O de Aécio Neves, era Armínio Fraga. O de Marina Silva, André Lara Resende. E o de Dilma? O de Dilma ninguém soube, porque a presidenta omitiu, tendo anunciado apenas depois de reeleita, que seria Joaquim Levy. E que diferença há entre os economistas Levy, Lara Resende e Fraga? Nenhuma. Por isso o nome de Levy foi ocultado por Dilma dos seus eleitores. Não era conveniente que eles soubessem. O que dizer desse tipo de manobra?

Dizem os críticos de Molon que, assim como Marta Suplicy, ele desrespeitou a vontade dos seus eleitores, levando o mandato conquistado para outra legenda. Mas a verdade é que Dilma também desrespeita a vontade dos seus eleitores, quando governa com o programa de Aécio e Marina; que a bancada petista na Câmara Federal desrespeitou a vontade dos seus eleitores, quando votou a favor das MPs 664 e 665, do ajuste fiscal; que a bancada petista na Alerj também desrespeitou a vontade dos seus eleitores, quando votou a favor de uma homenagem especial a Eduardo Cunha; e que Washington Quaquá, presidente do diretório regional, desrespeita a base de filiados do PT do Rio, quando decreta que o partido apoiará o candidato do PMDB à prefeitura, na eleição do ano que vem. E quanto a isso tudo, todos estes críticos de Molon se calam.

Não consigo ver traição maior na mudança inesperada de partido do deputado Molon, do que na também inesperada mudança de política econômica de Dilma e nas posições mencionadas, do diretório regional do PT do Rio e das bancadas do partido na Alerj e na Câmara Federal. A ida de Molon para a Rede me parece menos absurda e menos prejudicial ao PT e aos trabalhadores do que estes outros fatos, contra os quais não se levanta uma voz sequer, destas tantas que ora se mostram indignadas. “Por que será?”, me pergunto. “Por que será?”, lhes pergunto.

Onde a coerência dos críticos de Molon? Por que combatem com tanto vigor a suposta traição do deputado - afinal, divórcio não é traição - e ao mesmo tempo convivem pacificamente com tantas inequívocas traições, sem esboçar a menor reação e, em alguns casos, até premiando o adultério com homenagens e expressões de incondicional apoio? Me perdoem, mas penso que falha o discernimento dos que assim procedem. Protestar contra um filiado que se desliga e contra os erros dos outros partidos e fazer, ao mesmo tempo, vista grossa para os erros do próprio PT, que provocam a maioria das defecções que ele sofre, não vai fazer do PT um partido melhor do que os outros, aos olhos da classe trabalhadora.

Erros, não se corrige sem críticas. Molon pode até ter errado, mas não foi o único e agora está fora do PT. Críticas a ele, não mais contribuem para a identificação e correção dos erros do partido e seu governo. Há traições, inúmeras, que tem sido consentidas pela maioria da militância petista, que podem custar muito mais caro ao PT e à classe trabalhadora do que esta suposta traição do deputado, que tanta revolta, inexplicavelmente, tem gerado.

Os atos de Molon, desde que saiu do partido, já não dizem mais respeito à militância petista. Já os atos do PT e do governo Dilma, estes sim é que nos dizem respeito e é com eles que devemos nos ocupar, exercitando a nossa aptidão crítica, para aperfeiçoar o desempenho de ambos. A omissão fará desta militância cúmplice de todas as traições cometidas contra a classe trabalhadora pelos dirigentes, parlamentares e governantes do PT, inclusive Dilma. Não nos omitamos, portanto, companheiros. Reajamos. Molon poderia até ser considerado parte do nosso problema quando estava no partido. Mas ele já saiu e os problemas continuam, tão graves quanto antes. Tratemos, então, de resolve-los que isto, sim, é que pode tornar o PT mais forte e mais capacitado para atingir os seus reais objetivos, que espero não terem sido esquecidos pela militância petista.

Silvio Melgarejo

28/09/2015


https://www.facebook.com/notes/silvio-melgarejo/div%C3%B3rcio-condenado-e-trai%C3%A7%C3%B5es-consentidas/1137463612933703