(Comentário publicado na página do Facebook de uma ex-companheira do PT)
Por que a surpresa, Geisy? A polícia sempre agiu assim com os pobres. Quando atinge a classe media...
Criaram um clima de guerra, de convulsão social. na cidade. Depredaram, queimaram, picharam e roubaram patrimônio público e privado. Tentaram invadir prédios públicos, destruíram lojas, agências bancárias, cabines da PM, postes, placas de sinalização, tocaram o terror.
Em qualquer lugar do mundo civilizado a polícia agiria da forma como a nossa agiu. A polícia é sempre mais truculenta em situações críticas do que em situações ordinárias. E, nesses dias, houve vários momentos críticos, em que a polícia foi chamada, pela própria classe media, a restabelecer a ordem perturbada.
Considerando os problemas que tem a nossa polícia, que todos bem conhecemos, é até uma surpresa, isto sim, que não ela tenha agido de modo pior. É possível haver algo pior do que o exibido em vídeos como este postado por você? Sim, é possível. Um clima como o que foi criado ontem, associado ao despreparo de policiais, já deu ensejo a eventos trágicos, como o massacre do Eldorado de Carajás.
Aqui o que se fez foram ações de dispersão. No meu tempo, não havia gás de pimenta nem bala de borracha, mas tinha gás lacrimogênio e bomba de efeito moral. Usava-se mais o cacetete do que tenho visto. Tudo isso incomoda e machuca. Quem não tá acostumado se assusta. E a maioria de nós não esta acostumada, mesmo, com isso, e nem poderia estar. Afinal, não é todo dia que o Rio tem convulsão social. Uma menina palestina tiraria isso aqui de letra e 'inda daria risada.
Não dava prá esperar nada melhor do que vimos, da polícia. Pior, sim, e, felizmente, não aconteceu.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Unidade das esquerdas prá lutar. Pelo direito de protestar e outras causas.
(Mensagem enviada à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web em 20 de junho de 2013 com os números 13219 e 13220)
Rio, 20 de junho de 2013.
Prezad@s Companheir@s.
Ninguém neste país pode, honestamente, afirmar que previa os protestos da última semana, na dimensão em que ocorreram. Nem os que o convocaram através da internet tinham ideia do tamanho da adesão que haveria. Muito menos os partidos da esquerda oposicionista, PSOL e PSTU. Os observadores mais experientes e atentos da política e dos movimentos sociais foram igualmente pegos de surpresa. O país está perplexo diante de um fenômeno novo que desafia partidos, parlamentos e governos a interpretá-lo e a dar-lhe respostas. Três dias após o ápice dos protestos, que a essa altura já acumulam vitórias importantes, algumas observações podem ser feitas com relativa segurança.
Em primeiro lugar, a de que trata-se de um movimento de caráter nacional, pacífico e apartidário, composto majoritariamente por jovens de classe media e caracterizado pela ausência de pauta e direção unificadas, mesmo em suas expressões locais.
A segunda observação que pode ser feita é sobre a evolução do movimento. E é aí que, talvez, se possa explicar a proporção que ele tomou. As manifestações começam como expressão de uma demanda local contra o aumento das tarifas de ônibus, em São Paulo, e se expandem para todo o país, depois da violenta repressão policial, numa onda nacional e incontrolável de solidariedade aos manifestantes paulistas.
A liberdade de expressão e o direito cidadão de protestar em via pública foram alvos de bombas e tiros de balas de borracha, produzindo imagens que chocaram e revoltaram, pela brutalidade e pela gratuidade dos ataques. Aos olhos da juventude brasileira, a democracia, em São Paulo, sofrera uma grave e covarde agressão. Era preciso reagir para defendê-la. E a reação não tardou. Veio, com a força de todas as revoltas represadas, à feição de um tsunami súbito e devastador, para afrontar polícias violentas e ocupar e garantir o espaço da cidadania.
Foi a violência do Estado, portanto, a meu ver, o fermento das manifestações desse conturbado junho. A polícia bateu e a massa cresceu, porque os ingredientes do bolo da insatisfação, em verdade, também já estavam lá, não poderiam deixar de estar. Porque, se muito foi feito, e muito se avançou na última década, muito ainda resta a fazer, ninguém o nega. O impulso inicial de solidariedade às vítimas da repressão, acabou dando vazão à expressão de um conjunto de anseios populares que as instituições tradicionais da política não tiveram sensibilidade para escutar, entender e atender. Rompendo a inércia de décadas de paralisia, a juventude se mobilizou, tomou as ruas e se fez notar.
Na segunda, 17 de junho, o país ouviu um coro gigantesco de vozes que, certamente, não gritavam e cantavam em uníssono. Mas o feixe de notas entoadas resultava, indiscutivelmente, num acorde, cuja fundamental era a antiga e bem conhecida demanda por mais e melhores serviços públicos, uma demanda nunca antes expressada com tamanha intensidade. O que se viu foi, acima de tudo, um ato de desobediência civil frente a um Estado autoritário, que ainda não se adaptou completamente à democracia. Ou, como alguém já disse, um vigoroso protesto pelo direito de protestar.
A questão de fundo, colocada pelos protestos, portanto, não é a pauta, em si, dos problemas mencionados nas palavras de ordem, e sim a demanda não declarada por mais democracia, num contexto de crise de representatividade das instituições políticas. O alto grau de desconfiança e rejeição a todos os partidos decorre da percepção, alimentada pela mídia, de que são todos máfias que, ou se locupletam para saquear o erário, ou disputam cargos na administração pública com este mesmo fim.
Sem reconhecer representantes confiáveis no interior das instituições do Estado, a classe media jovem invadiu as ruas e praças para dali dirigir sua mensagem diretamente aos governos e parlamentos de todo o país. Quer transporte, saúde, educação e segurança gratuitos e de qualidade, para todos os brasileiros. A novidade não é essa pauta, nem a forma como ela tem sido vocalizada, mas o meio pelo qual as manifestações foram convocadas – pela internet – e a ausência de uma organização capaz de dar direção e consequência ao movimento.
O pequeno e frágil MPL (Movimento Passe Livre) foi engolido pelo gigantismo das ações desencadeadas, ações cuja condução passou a ser disputada pela direita, com sua conhecida pauta da criminalização do PT e do impeachment de Dilma. O MPL, manteve-se fiel à sua pauta original, mas não pode evitar que ela fosse diluída na pauta difusa das ruas, reforçada pela poderosa mídia golpista.
A força das recentes mobilizações não se traduzirá em conquistas maiores do que a revogação do aumento das tarifas de transportes, simplesmente porque esta foi a única reivindicação objetiva apresentada aos governos, a única que tinha interlocutores para negociar com as autoridades, a única que tinha possibilidade de obter uma resposta imediata. Tudo mais foi desabafo coletivo, protesto sem proposta concreta, negação de tudo e demonstração de força para a afirmação de nada.
Sem direcionamento, a energia da revolta, por maior que seja, se dissipa, se esgota, e não produz resultados compatíveis com o seu potencial transformador. As passagens baixaram. Mas aquela multidão poderia e ainda pode obter muito mais. Há nas ruas um exército disposto a lutar. O problema é que ainda está sem comando.
A rebelião da juventude sacudiu o país e deixou já uma lição para todos. Se não houver unidade de ação das esquerdas no movimento de massas, a direita ocupa o espaço, impõe a sua pauta e assume a direção. O PT sabe disso e o PCO emitiu nota ontem expressando esse mesmo entendimento. Espera-se que PSOL e PSTU vençam o sectarismo e colaborem na construção de uma direção unificada das esquerdas para a condução das grandes mobilizações deste que aparenta ser o início de um novo período de ascenso do movimento de massas do país.
Quero terminar dizendo algumas palavras sobre o MPL. A luta contra o aumento das passagens projetou nacionalmente o Movimento Passe Livre, sua causa e suas lideranças. Politicamente, são eles os maiores vitoriosos dessa empreitada. Não só pela conquista da revogação dos aumentos das passagens, mas, sobretudo, por terem conseguido elevar os temas do transporte público e da mobilidade urbana, aos quais a anos se dedicam, para o topo da pauta da cidadania – ao lado de saúde, educação e segurança –, bem como pela enorme publicidade dada à sua luta pelo transporte público gratuito. A “tarifa zero” entrou definitivamente na pauta do debate público. Essa foi a grande vitória dos meninos.
Silvio Melgarejo
Rio, 20 de junho de 2013.
Prezad@s Companheir@s.
Ninguém neste país pode, honestamente, afirmar que previa os protestos da última semana, na dimensão em que ocorreram. Nem os que o convocaram através da internet tinham ideia do tamanho da adesão que haveria. Muito menos os partidos da esquerda oposicionista, PSOL e PSTU. Os observadores mais experientes e atentos da política e dos movimentos sociais foram igualmente pegos de surpresa. O país está perplexo diante de um fenômeno novo que desafia partidos, parlamentos e governos a interpretá-lo e a dar-lhe respostas. Três dias após o ápice dos protestos, que a essa altura já acumulam vitórias importantes, algumas observações podem ser feitas com relativa segurança.
Em primeiro lugar, a de que trata-se de um movimento de caráter nacional, pacífico e apartidário, composto majoritariamente por jovens de classe media e caracterizado pela ausência de pauta e direção unificadas, mesmo em suas expressões locais.
A segunda observação que pode ser feita é sobre a evolução do movimento. E é aí que, talvez, se possa explicar a proporção que ele tomou. As manifestações começam como expressão de uma demanda local contra o aumento das tarifas de ônibus, em São Paulo, e se expandem para todo o país, depois da violenta repressão policial, numa onda nacional e incontrolável de solidariedade aos manifestantes paulistas.
A liberdade de expressão e o direito cidadão de protestar em via pública foram alvos de bombas e tiros de balas de borracha, produzindo imagens que chocaram e revoltaram, pela brutalidade e pela gratuidade dos ataques. Aos olhos da juventude brasileira, a democracia, em São Paulo, sofrera uma grave e covarde agressão. Era preciso reagir para defendê-la. E a reação não tardou. Veio, com a força de todas as revoltas represadas, à feição de um tsunami súbito e devastador, para afrontar polícias violentas e ocupar e garantir o espaço da cidadania.
Foi a violência do Estado, portanto, a meu ver, o fermento das manifestações desse conturbado junho. A polícia bateu e a massa cresceu, porque os ingredientes do bolo da insatisfação, em verdade, também já estavam lá, não poderiam deixar de estar. Porque, se muito foi feito, e muito se avançou na última década, muito ainda resta a fazer, ninguém o nega. O impulso inicial de solidariedade às vítimas da repressão, acabou dando vazão à expressão de um conjunto de anseios populares que as instituições tradicionais da política não tiveram sensibilidade para escutar, entender e atender. Rompendo a inércia de décadas de paralisia, a juventude se mobilizou, tomou as ruas e se fez notar.
Na segunda, 17 de junho, o país ouviu um coro gigantesco de vozes que, certamente, não gritavam e cantavam em uníssono. Mas o feixe de notas entoadas resultava, indiscutivelmente, num acorde, cuja fundamental era a antiga e bem conhecida demanda por mais e melhores serviços públicos, uma demanda nunca antes expressada com tamanha intensidade. O que se viu foi, acima de tudo, um ato de desobediência civil frente a um Estado autoritário, que ainda não se adaptou completamente à democracia. Ou, como alguém já disse, um vigoroso protesto pelo direito de protestar.
A questão de fundo, colocada pelos protestos, portanto, não é a pauta, em si, dos problemas mencionados nas palavras de ordem, e sim a demanda não declarada por mais democracia, num contexto de crise de representatividade das instituições políticas. O alto grau de desconfiança e rejeição a todos os partidos decorre da percepção, alimentada pela mídia, de que são todos máfias que, ou se locupletam para saquear o erário, ou disputam cargos na administração pública com este mesmo fim.
Sem reconhecer representantes confiáveis no interior das instituições do Estado, a classe media jovem invadiu as ruas e praças para dali dirigir sua mensagem diretamente aos governos e parlamentos de todo o país. Quer transporte, saúde, educação e segurança gratuitos e de qualidade, para todos os brasileiros. A novidade não é essa pauta, nem a forma como ela tem sido vocalizada, mas o meio pelo qual as manifestações foram convocadas – pela internet – e a ausência de uma organização capaz de dar direção e consequência ao movimento.
O pequeno e frágil MPL (Movimento Passe Livre) foi engolido pelo gigantismo das ações desencadeadas, ações cuja condução passou a ser disputada pela direita, com sua conhecida pauta da criminalização do PT e do impeachment de Dilma. O MPL, manteve-se fiel à sua pauta original, mas não pode evitar que ela fosse diluída na pauta difusa das ruas, reforçada pela poderosa mídia golpista.
A força das recentes mobilizações não se traduzirá em conquistas maiores do que a revogação do aumento das tarifas de transportes, simplesmente porque esta foi a única reivindicação objetiva apresentada aos governos, a única que tinha interlocutores para negociar com as autoridades, a única que tinha possibilidade de obter uma resposta imediata. Tudo mais foi desabafo coletivo, protesto sem proposta concreta, negação de tudo e demonstração de força para a afirmação de nada.
Sem direcionamento, a energia da revolta, por maior que seja, se dissipa, se esgota, e não produz resultados compatíveis com o seu potencial transformador. As passagens baixaram. Mas aquela multidão poderia e ainda pode obter muito mais. Há nas ruas um exército disposto a lutar. O problema é que ainda está sem comando.
A rebelião da juventude sacudiu o país e deixou já uma lição para todos. Se não houver unidade de ação das esquerdas no movimento de massas, a direita ocupa o espaço, impõe a sua pauta e assume a direção. O PT sabe disso e o PCO emitiu nota ontem expressando esse mesmo entendimento. Espera-se que PSOL e PSTU vençam o sectarismo e colaborem na construção de uma direção unificada das esquerdas para a condução das grandes mobilizações deste que aparenta ser o início de um novo período de ascenso do movimento de massas do país.
Quero terminar dizendo algumas palavras sobre o MPL. A luta contra o aumento das passagens projetou nacionalmente o Movimento Passe Livre, sua causa e suas lideranças. Politicamente, são eles os maiores vitoriosos dessa empreitada. Não só pela conquista da revogação dos aumentos das passagens, mas, sobretudo, por terem conseguido elevar os temas do transporte público e da mobilidade urbana, aos quais a anos se dedicam, para o topo da pauta da cidadania – ao lado de saúde, educação e segurança –, bem como pela enorme publicidade dada à sua luta pelo transporte público gratuito. A “tarifa zero” entrou definitivamente na pauta do debate público. Essa foi a grande vitória dos meninos.
Silvio Melgarejo
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segunda-feira, 17 de junho de 2013
A correlação de forças que o esquerdismo brasileiro desconsidera.
De um total de 513 deputados federais, o PT tem 89 (17,3%). De um total de 81 senadores, o PT tem 12 (14,8%). É esta, apenas, a força que o PT tem no Congresso. E em política não se faz milagre.
Para conseguir a diminuição da pobreza, da desigualdade social e étnica no país - o que não é pouca coisa -, o PT teve que fazer alianças e concessões. Não abandonou bandeira nenhuma, ao contrário do que alguns dizem, isso é uma bobagem. Não faltou vontade, o que faltou foi força política no parlamento e na sociedade para transformar em realidade, no governo, aquelas suas bandeiras históricas de luta. A esquerda no país é minoria, a sociedade é majoritariamente conservadora, despolitizada e desorganizada. O que fazer?
"Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado", dizia Marx em seu 18 Brumário.
E Lenin, em seu "Esquerdismo: a doença infantil do comunismo", assevera: "O bolchevismo fez sua e continuou a luta contra o partido que mais fielmente representava as tendências do revolucionarismo pequeno-burguês (isto é, o partido dos 'socialistas revolucionários') em três pontos principais. Em primeiro lugar, esse partido, que repudiava o marxismo, obstinava-se em não querer compreender (talvez fosse mais justo dizer que não podia. compreender) a necessidade de levar em conta, com estrita objetividade, as forças de classe e suas relações mútuas antes de empreender qualquer ação política".
O PT não escolheu as condições em teria que fazer o seu governo. A correlação de forças lhe favorece para realizar algumas coisas, outras, não. O que o PT deveria fazer? Ignorar que é minoria e que não tem força para fazer tudo o que quer? Aonde isso nos levaria? Suponho que a uma derrota histórica da esquerda e a um dramático retrocesso em relação aos passos que se tem podido dar.
Aos padecentes do esquerdismo, a "doença infantil" descrita e combatida por Lenin, isso não importa. Vale para eles mais o prazer de um aventura inconsequente e a possível glória de um martírio inútil na derrota procurada, que a real melhoria das condições de vida das massas e o avanço da consciência dos trabalhadores quanto aos seus interesses de classe e quanto às formas de defendê-los.
As revoluções são produtos da história. E a história não é escrita apenas por partidos. O projeto de um partido socialista e democrático só pode se realizar efetivamente se corresponder ao desejo das massas.
Ímpeto e retórica revolucionária nunca fizeram revoluções. Os partidos não criam as condições para as revoluções. Eles apenas as reconhecem e aproveitam, ou não. Se há condições, dá-se o passo. Se não, espera-se mantendo o diálogo com as massas.
O importante é caminhar junto com a classe trabalhadora, no ritmo dos seus passos, um pouco à frente, mas sempre próximo. Ser vanguarda demais distancia alguns partidos de esquerda do povão que não os entende e não se identifica com eles. Descolam-se tanto que chega-se ao ponto de a vanguarda acabar sendo ouvida apenas pela própria vanguarda. É o caso do PSOL e do PSTU. Não é o caso do PT.
Para conseguir a diminuição da pobreza, da desigualdade social e étnica no país - o que não é pouca coisa -, o PT teve que fazer alianças e concessões. Não abandonou bandeira nenhuma, ao contrário do que alguns dizem, isso é uma bobagem. Não faltou vontade, o que faltou foi força política no parlamento e na sociedade para transformar em realidade, no governo, aquelas suas bandeiras históricas de luta. A esquerda no país é minoria, a sociedade é majoritariamente conservadora, despolitizada e desorganizada. O que fazer?
"Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado", dizia Marx em seu 18 Brumário.
E Lenin, em seu "Esquerdismo: a doença infantil do comunismo", assevera: "O bolchevismo fez sua e continuou a luta contra o partido que mais fielmente representava as tendências do revolucionarismo pequeno-burguês (isto é, o partido dos 'socialistas revolucionários') em três pontos principais. Em primeiro lugar, esse partido, que repudiava o marxismo, obstinava-se em não querer compreender (talvez fosse mais justo dizer que não podia. compreender) a necessidade de levar em conta, com estrita objetividade, as forças de classe e suas relações mútuas antes de empreender qualquer ação política".
O PT não escolheu as condições em teria que fazer o seu governo. A correlação de forças lhe favorece para realizar algumas coisas, outras, não. O que o PT deveria fazer? Ignorar que é minoria e que não tem força para fazer tudo o que quer? Aonde isso nos levaria? Suponho que a uma derrota histórica da esquerda e a um dramático retrocesso em relação aos passos que se tem podido dar.
Aos padecentes do esquerdismo, a "doença infantil" descrita e combatida por Lenin, isso não importa. Vale para eles mais o prazer de um aventura inconsequente e a possível glória de um martírio inútil na derrota procurada, que a real melhoria das condições de vida das massas e o avanço da consciência dos trabalhadores quanto aos seus interesses de classe e quanto às formas de defendê-los.
As revoluções são produtos da história. E a história não é escrita apenas por partidos. O projeto de um partido socialista e democrático só pode se realizar efetivamente se corresponder ao desejo das massas.
Ímpeto e retórica revolucionária nunca fizeram revoluções. Os partidos não criam as condições para as revoluções. Eles apenas as reconhecem e aproveitam, ou não. Se há condições, dá-se o passo. Se não, espera-se mantendo o diálogo com as massas.
O importante é caminhar junto com a classe trabalhadora, no ritmo dos seus passos, um pouco à frente, mas sempre próximo. Ser vanguarda demais distancia alguns partidos de esquerda do povão que não os entende e não se identifica com eles. Descolam-se tanto que chega-se ao ponto de a vanguarda acabar sendo ouvida apenas pela própria vanguarda. É o caso do PSOL e do PSTU. Não é o caso do PT.
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quinta-feira, 30 de maio de 2013
Ninguém pela educação. (sobre a omissão da sociedade civil ante o PL-5500/13)
Por Silvio Melgarejo (30/5/2013) - No pronunciamento que fez à nação, por ocasião do 1º de Maio, a presidenta Dilma disse, claramente, que depende da aprovação do PL-5500/13 para fazer a revolução que precisa ser feita na educação do país. Por isso, pediu que os cidadãos e cidadãs brasileiras pressionassem os parlamentares para que o aprovem.
Ouvindo-a, julguei estar vendo o início de uma grande mobilização nacional. Mas, passados 30 dias, percebo que estava enganado. Há, ao invés disso, uma indiferença generalizada da opinião pública e da cidadania pela lei que destina os recursos do petróleo para a educação. Desapontado, preocupado, mas, sobretudo, intrigado, é como me sinto.
Por que, afinal, será, que ninguém, nem os que apoiam diariamente o governo Dilma, nas redes sociais, têm atendido ao apelo histórico feito pela presidenta à sociedade?
Onde foi parar aquela multidão de defensores da educação, que se especializou em exigir mais verbas do governo para o setor, sem nunca apontar fontes de recursos? Pois, logo agora que o governo petista pede apoio para a aprovação de uma lei que pode atender plenamente ao que eles sempre reivindicaram, logo agora somem todos do mapa?
Será que é só aparente o compromisso alardeado por gregos e troianos com a melhoria da educação no país? Ou será que confiamos todos no compromisso do Congresso com a educação, a ponto até de acharmos que o PL-5500/13 será aprovado com facilidade, sem necessidade de mobilização popular? Por que, então, teria Dilma pedido, no 1º de Maio, que a cidadania pressionasse os deputados e senadores? Não será esse um indício de que ela própria não confia na boa vontade do Congresso?
A omissão da sociedade civil frente a um projeto de lei de tamanha importância, mostra que a preocupação com a educação e o compromisso com a sua efetiva melhoria não passam de retórica. Daqui a exatos 17 dias, a Câmara Federal e, em seguida, o Senado, vão fazer o que bem entenderem com o PL-5500/13. Podem aprová-lo na íntegra, mudá-lo para melhor ou deformarem-no tanto que o desfigurem por completo. Podem até enterrá-lo de vez, na cara dura, para atender aos que querem dar outros destinos aos recursos do petróleo. Aí, certamente, aparecerão os defensores da educação, posando de indignados e acusando o governo pelo fracasso.
A sociedade brasileira está lavando as mãos ante o PL-5500/13, e deixando o Congresso livre para sepultar, se lhe aprouver, a mais importante iniciativa legislativa já vista no país, para o setor da educação. Essa constatação, que me deixa absolutamente perplexo, leva-me também a crer que, em sendo aprovada a nova lei do petróleo para a educação, todos os créditos devam ser dados e todos os aplausos devam ser dirigidos ao governo federal e ao Congresso. Porque a sociedade civil o que fez foi virar as costas para a educação no Brasil, num momento decisivo para a educação, pondo em risco, com essa sua omissão, o futuro do país como um todo e a felicidade das gerações vindouras. Não me conformo com o que estou vendo acontecer.
Ouvindo-a, julguei estar vendo o início de uma grande mobilização nacional. Mas, passados 30 dias, percebo que estava enganado. Há, ao invés disso, uma indiferença generalizada da opinião pública e da cidadania pela lei que destina os recursos do petróleo para a educação. Desapontado, preocupado, mas, sobretudo, intrigado, é como me sinto.
Por que, afinal, será, que ninguém, nem os que apoiam diariamente o governo Dilma, nas redes sociais, têm atendido ao apelo histórico feito pela presidenta à sociedade?
Onde foi parar aquela multidão de defensores da educação, que se especializou em exigir mais verbas do governo para o setor, sem nunca apontar fontes de recursos? Pois, logo agora que o governo petista pede apoio para a aprovação de uma lei que pode atender plenamente ao que eles sempre reivindicaram, logo agora somem todos do mapa?
Será que é só aparente o compromisso alardeado por gregos e troianos com a melhoria da educação no país? Ou será que confiamos todos no compromisso do Congresso com a educação, a ponto até de acharmos que o PL-5500/13 será aprovado com facilidade, sem necessidade de mobilização popular? Por que, então, teria Dilma pedido, no 1º de Maio, que a cidadania pressionasse os deputados e senadores? Não será esse um indício de que ela própria não confia na boa vontade do Congresso?
A omissão da sociedade civil frente a um projeto de lei de tamanha importância, mostra que a preocupação com a educação e o compromisso com a sua efetiva melhoria não passam de retórica. Daqui a exatos 17 dias, a Câmara Federal e, em seguida, o Senado, vão fazer o que bem entenderem com o PL-5500/13. Podem aprová-lo na íntegra, mudá-lo para melhor ou deformarem-no tanto que o desfigurem por completo. Podem até enterrá-lo de vez, na cara dura, para atender aos que querem dar outros destinos aos recursos do petróleo. Aí, certamente, aparecerão os defensores da educação, posando de indignados e acusando o governo pelo fracasso.
A sociedade brasileira está lavando as mãos ante o PL-5500/13, e deixando o Congresso livre para sepultar, se lhe aprouver, a mais importante iniciativa legislativa já vista no país, para o setor da educação. Essa constatação, que me deixa absolutamente perplexo, leva-me também a crer que, em sendo aprovada a nova lei do petróleo para a educação, todos os créditos devam ser dados e todos os aplausos devam ser dirigidos ao governo federal e ao Congresso. Porque a sociedade civil o que fez foi virar as costas para a educação no Brasil, num momento decisivo para a educação, pondo em risco, com essa sua omissão, o futuro do país como um todo e a felicidade das gerações vindouras. Não me conformo com o que estou vendo acontecer.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Re: Para avançar mais é preciso mais democracia. (3)
(Mensagem enviada à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web em 24 de maio de 2013, com o número 12962. Trata-se de resposta ao comentário de uma companheira)
Eugênia,
Em primeiro lugar, eu não faço questão de ser diferente. Defendo o que acho certo.
Novo, eu só sou nessa lista de emails. Na política, não sou nenhum catedrático, mas já passei do tempo de calouro.
Eu não disse que preciso ser ganho para as propostas do partido. Se já não estivesse ganho não as estaria aqui defendendo. Me referia ao filiado-eleitor que permanece à margem do partido, sem nenhum acúmulo de discussão política. Infelizmente, eles ainda são maioria, no partido. Mas, a julgar pela sua resposta, os filados integrados a núcleos de base, não estão em situação muito melhor.
Não vou repetir o que já disse nas minhas mensagens anteriores. Quero apenas fazer duas ponderações sobre as campanhas que você exclui da pauta de prioridades do partido para este ano.
A Globo é a maior, mais poderosa e mais feroz inimiga do Partido do Trabalhadores e das causas democráticas e populares que ele representa. A maior derrota que o PT sofreu em sua história foi o julgamento do mensalão. Suponho que você concorde com a tese de que, naquele julgamento, foi a Globo quem moveu as mãos dos que bateram o martelo, e que a força para fazê-lo advém da brutal concentração que mantém dos meios de comunicação.
Derrotamos nas urnas o DEM e o PSDB. Mas ainda temos diante de nós, como ameaça permanente à democracia e aos avanços sociais conquistados pelo país nos governos Lula e Dilma, esse poderoso e implacável Partido da Imprensa Golpista, que tem como núcleo as Organizações Globo.
A direção nacional do PT demonstra que entende a importância estratégica da Lei Popular da Mídia Democrática em sua resolução sobre o tema, aprovada no início de março. Vou reproduzir o que já publiquei em minha mensagem anterior. A resolução do Diretório Nacional diz o seguinte:
Releia este trecho: "(...) conclamando a militância do Partido dos Trabalhadores a se juntar decididamente a essa campanha; (...)". O que esta frase quer dizer, para você, Eugênia? Ela não é suficientemente clara? É ou não é uma conclamação? E o que é uma conclamação?
Quanto ao PL-5500/13, eu não inventei essa campanha, como você diz. Questiono exatamente o fato de a campanha não existir, apesar de haver um aparente consenso nacional sobre a importância da educação para o desenvolvimento econômico do país e para o avanço da democracia, e apesar de a presidenta da república ter enviado ao Congresso o PL-5500/13 e convocado uma campanha de apoio, em rede nacional, nos seguintes termos, que já citei na mensagem anterior, mas repito, para enfatizar:
Dilma diz, claramente, que seu governo - que é também nosso - depende da aprovação do PL-5500/13 para poder fazer a revolução que precisa ser feita na educação do país, pedindo que os cidadãos e cidadãs brasileiras pressionem os parlamentares para que o aprovem. Não seria natural que o PT atendesse ao apelo da presidenta, iniciando a campanha de apoio pedida por ela, no curto prazo de tempo de tramitação do projeto? Será que é só aparente o compromisso do partido com a educação? Ou será que confiamos no compromisso do Congresso, e por isso achamos que o PL-5500/13 será aprovado com facilidade, sem necessidade de mobilização popular? Por que, então, Dilma pediu, no 1º de maio, que a cidadania pressionasse os deputados e senadores? Não será esse um indício de que ela própria não confia na boa vontade do Congresso?
Não faço parte de nenhum grupo de pressão ao DN, ao DR, etc, Eugênia. Você está tão envolvida na disputa interna do partido que enxerga inimigos onde não há, fazendo uma leitura incorreta dos textos publicados. Desarme o espírito, companheira, e permita-se ler com mais calma e atenção o que escrevo. Sou um filiado de base que não pertence - ainda, quem sabe um dia... - a nenhuma tendência, mas que está ansioso para investir um pouco do seu tempo disponível no trabalho político voluntário de construção do partido. Defendo, aqui, que a 1ª zonal abrace uma causa proposta pela nossa presidenta da república, e outras duas causas respaldadas por resoluções recentes do Diretório Nacional do partido. Considero a crítica aos dirigentes um direito inalienável de todo filiado. Assim como considero um direito de todo filiado, criticar o discurso e a conduta de outro filiado. Por isso, reconheço a legitimidade da sua crítica à intervenção que aqui tenho feito, embora a considere equivocada e injusta. Vamos seguir, conversando.
Silvio Melgarejo
Eugênia,
Em primeiro lugar, eu não faço questão de ser diferente. Defendo o que acho certo.
Novo, eu só sou nessa lista de emails. Na política, não sou nenhum catedrático, mas já passei do tempo de calouro.
Eu não disse que preciso ser ganho para as propostas do partido. Se já não estivesse ganho não as estaria aqui defendendo. Me referia ao filiado-eleitor que permanece à margem do partido, sem nenhum acúmulo de discussão política. Infelizmente, eles ainda são maioria, no partido. Mas, a julgar pela sua resposta, os filados integrados a núcleos de base, não estão em situação muito melhor.
Não vou repetir o que já disse nas minhas mensagens anteriores. Quero apenas fazer duas ponderações sobre as campanhas que você exclui da pauta de prioridades do partido para este ano.
A Globo é a maior, mais poderosa e mais feroz inimiga do Partido do Trabalhadores e das causas democráticas e populares que ele representa. A maior derrota que o PT sofreu em sua história foi o julgamento do mensalão. Suponho que você concorde com a tese de que, naquele julgamento, foi a Globo quem moveu as mãos dos que bateram o martelo, e que a força para fazê-lo advém da brutal concentração que mantém dos meios de comunicação.
Derrotamos nas urnas o DEM e o PSDB. Mas ainda temos diante de nós, como ameaça permanente à democracia e aos avanços sociais conquistados pelo país nos governos Lula e Dilma, esse poderoso e implacável Partido da Imprensa Golpista, que tem como núcleo as Organizações Globo.
A direção nacional do PT demonstra que entende a importância estratégica da Lei Popular da Mídia Democrática em sua resolução sobre o tema, aprovada no início de março. Vou reproduzir o que já publiquei em minha mensagem anterior. A resolução do Diretório Nacional diz o seguinte:
"O Diretório Nacional do PT, reunido em Fortaleza nos dias 1 e 2/3/2013, (...) RESOLVE: (...) III. Apoiar a iniciativa de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulatório das comunicações, proposto pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), pela CUT e outras entidades, conclamando a militância do Partido dos Trabalhadores a se juntar decididamente a essa campanha; (...)"
Releia este trecho: "(...) conclamando a militância do Partido dos Trabalhadores a se juntar decididamente a essa campanha; (...)". O que esta frase quer dizer, para você, Eugênia? Ela não é suficientemente clara? É ou não é uma conclamação? E o que é uma conclamação?
Quanto ao PL-5500/13, eu não inventei essa campanha, como você diz. Questiono exatamente o fato de a campanha não existir, apesar de haver um aparente consenso nacional sobre a importância da educação para o desenvolvimento econômico do país e para o avanço da democracia, e apesar de a presidenta da república ter enviado ao Congresso o PL-5500/13 e convocado uma campanha de apoio, em rede nacional, nos seguintes termos, que já citei na mensagem anterior, mas repito, para enfatizar:
"(...) Mas um governo só pode cumprir bem o seu papel se tiver vontade política e se contar com verba suficiente. Por isso, é importante que o Congresso Nacional aprove nossa proposta de destinar os recursos do petróleo para a educação. Peço a vocês que incentivem o seu deputado e o seu senador para que eles apoiem esta iniciativa. (...)".
Dilma diz, claramente, que seu governo - que é também nosso - depende da aprovação do PL-5500/13 para poder fazer a revolução que precisa ser feita na educação do país, pedindo que os cidadãos e cidadãs brasileiras pressionem os parlamentares para que o aprovem. Não seria natural que o PT atendesse ao apelo da presidenta, iniciando a campanha de apoio pedida por ela, no curto prazo de tempo de tramitação do projeto? Será que é só aparente o compromisso do partido com a educação? Ou será que confiamos no compromisso do Congresso, e por isso achamos que o PL-5500/13 será aprovado com facilidade, sem necessidade de mobilização popular? Por que, então, Dilma pediu, no 1º de maio, que a cidadania pressionasse os deputados e senadores? Não será esse um indício de que ela própria não confia na boa vontade do Congresso?
Não faço parte de nenhum grupo de pressão ao DN, ao DR, etc, Eugênia. Você está tão envolvida na disputa interna do partido que enxerga inimigos onde não há, fazendo uma leitura incorreta dos textos publicados. Desarme o espírito, companheira, e permita-se ler com mais calma e atenção o que escrevo. Sou um filiado de base que não pertence - ainda, quem sabe um dia... - a nenhuma tendência, mas que está ansioso para investir um pouco do seu tempo disponível no trabalho político voluntário de construção do partido. Defendo, aqui, que a 1ª zonal abrace uma causa proposta pela nossa presidenta da república, e outras duas causas respaldadas por resoluções recentes do Diretório Nacional do partido. Considero a crítica aos dirigentes um direito inalienável de todo filiado. Assim como considero um direito de todo filiado, criticar o discurso e a conduta de outro filiado. Por isso, reconheço a legitimidade da sua crítica à intervenção que aqui tenho feito, embora a considere equivocada e injusta. Vamos seguir, conversando.
Silvio Melgarejo
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Re: Para avançar mais é preciso mais democracia. (2)
(Mensagem enviada à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web em 24 de maio de 2013 com o número 12948. Trata-se de resposta ao comentário de uma companheira)
Eugênia,
A minha proposta não é "fixar objetivos". É assumir os objetivos já estabelecidos pela direção nacional do partido como objetivos da 1ª zonal. Você menciona a Reforma Política, mas esquece do Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Democratização da Mídia e do Projeto de Lei 5500/13, que destina todos os royalties, participações especiais do petróleo e recursos do pré-sal exclusivamente para a educação.
Numa resolução do diretório nacional, de 1 de março deste ano, lê-se:
O apelo da nossa presidenta não tem sido atendido sequer pelos militantes do seu partido. Não vi, desde o pronunciamento da Dilma, nenhuma mobilização sequer na sociedade pela aprovação desse projeto de lei. Onde está, afinal, aquela multidão de defensores da educação, que se especializou em exigir mais verbas do governo para o setor, sem nunca apontar fontes de recursos? Pois, logo agora que o governo petista pede apoio para a aprovação de uma lei que pode atender plenamente ao que eles sempre reivindicaram, logo agora somem todos do mapa?
E nós, do PT? Por que, nem nas redes sociais, nem nas ruas, se vê qualquer menção à Lei do Petróleo Para a Educação? Quem pode me explicar tamanho silêncio, tamanho desinteresse?
Chamo a atenção dos companheiros, de um modo especial, para o PL-5500/13, porque ele tem um prazo curtíssimo de tramitação no Congresso. Mas tanto ele quanto as Leis Populares da Mídia Democrática e da Reforma Política, fazem parte do conjunto de bandeiras de luta que a direção nacional do partido trata como prioritárias para o avanço do nosso governo. Agora, eu te pergunto: o que estamos esperando para tomarmos nas mãos essas bandeiras e levá-las para as ruas? Acaso há alguém que se oponha a elas ou a que sejam encaradas como prioritárias? Ou será que o problema é a priorização do PED?
Não acredito que se possa desenvolver uma campanha, muito menos três simultâneas, menos ainda que se possa construir um partido, apenas com reuniões mensais ou quinzenais. Isso só se faz com trabalho sistemático e permanente. Com que mão de obra? Bem, é preciso recrutar filiados que tenham disposição e disponibilidade para o trabalho político voluntário. Dentre estes voluntários, há que se eleger uma comissão coordenadora das atividades, que esteja submetida à direção da zonal, e que toque o trabalho diário de construção partidária e de desenvolvimento das campanhas. A comissão coordenadora faz o levantamento dos problemas de organização da zonal, elabora um plano de ações para a construção partidária e para o desenvolvimento das campanhas, e os apresenta aos voluntários. Estes dizem que tarefa preferem e quanto tempo podem dispor. E a coordenação monta as escalas de trabalho e distribui as "ordens de serviço". É isso o que eu acho que deveríamos fazer.
Outra coisa em que não acredito, é que se possa construir um partido de trabalhadores simplesmente tentando atrair os filiados para reuniões periódicas. Para mim, o que o partido tem que fazer, isto sim, é tentar manter uma relação permanente com os filiados, onde quer que eles estejam, seja através de encontros presenciais, seja através da internet, estabelecendo com eles vínculos de parceria, confiança e camaradagem para o desenvolvimento de reflexões e ações coletivas, coerentes com os valores e causas petistas. Ou seja, prá mim, não é o filiado quem tem que ir ao partido; é o partido quem tem que ir até o filiado, através de seus militantes, que são os filiados que fazem o trabalho político voluntário. O filiado espera ser procurado, pode ter certeza disso.
Quanto ao PED, eu penso que a disputa democrática interna não deve ser vinculada a nenhuma das atividades que exigem do partido unidade de ação na sociedade. São processos distintos. O PED ressalta o que nos divide. Já a ação partidária na sociedade só tem chance de ter êxito se botarmos o foco no que nos une, deixando dentro do partido diferenças e conflitos. Por isso eu creio ser mais prudente tratar do PED de forma paralela, e não combinada com a ação política que o partido está se propondo a desenvolver na sociedade neste ano de 2013.
Silvio Melgarejo
Eugênia,
A minha proposta não é "fixar objetivos". É assumir os objetivos já estabelecidos pela direção nacional do partido como objetivos da 1ª zonal. Você menciona a Reforma Política, mas esquece do Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Democratização da Mídia e do Projeto de Lei 5500/13, que destina todos os royalties, participações especiais do petróleo e recursos do pré-sal exclusivamente para a educação.
Numa resolução do diretório nacional, de 1 de março deste ano, lê-se:
"O Diretório Nacional do PT, reunido em Fortaleza nos dias 1 e 2/3/2013, (...) RESOLVE: (...) III. Apoiar a iniciativa de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulatório das comunicações, proposto pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), pela CUT e outras entidades, conclamando a militância do Partido dos Trabalhadores a se juntar decididamente a essa campanha; (...)".Em seu pronunciamento, no Dia do Trabalhador, Dilma anunciou o envio ao Congresso do PL-5500/13, dizendo o seguinte:
"(...) Mas um governo só pode cumprir bem o seu papel se tiver vontade política e se contar com verba suficiente. Por isso, é importante que o Congresso Nacional aprove nossa proposta de destinar os recursos do petróleo para a educação. Peço a vocês que incentivem o seu deputado e o seu senador para que eles apoiem esta iniciativa".Cabe lembrar que o PL-5500/13 foi enviado ao Congresso no dia 2 de maio, em regime de Urgência Constitucional, com prazo de 45 dias para ser votado na Câmara e mais 45 dias para ser votado no Senado. Pois bem, já se passaram 22 dias do prazo para votação na Câmara, que se esgota em 16 de junho. Estamos a exatos 23 dias do fim do prazo e eu pergunto a você, Eugênia, e aos demais companheiros: o que temos feito pela aprovação do PL-5500/13? Nada.
O apelo da nossa presidenta não tem sido atendido sequer pelos militantes do seu partido. Não vi, desde o pronunciamento da Dilma, nenhuma mobilização sequer na sociedade pela aprovação desse projeto de lei. Onde está, afinal, aquela multidão de defensores da educação, que se especializou em exigir mais verbas do governo para o setor, sem nunca apontar fontes de recursos? Pois, logo agora que o governo petista pede apoio para a aprovação de uma lei que pode atender plenamente ao que eles sempre reivindicaram, logo agora somem todos do mapa?
E nós, do PT? Por que, nem nas redes sociais, nem nas ruas, se vê qualquer menção à Lei do Petróleo Para a Educação? Quem pode me explicar tamanho silêncio, tamanho desinteresse?
Chamo a atenção dos companheiros, de um modo especial, para o PL-5500/13, porque ele tem um prazo curtíssimo de tramitação no Congresso. Mas tanto ele quanto as Leis Populares da Mídia Democrática e da Reforma Política, fazem parte do conjunto de bandeiras de luta que a direção nacional do partido trata como prioritárias para o avanço do nosso governo. Agora, eu te pergunto: o que estamos esperando para tomarmos nas mãos essas bandeiras e levá-las para as ruas? Acaso há alguém que se oponha a elas ou a que sejam encaradas como prioritárias? Ou será que o problema é a priorização do PED?
Não acredito que se possa desenvolver uma campanha, muito menos três simultâneas, menos ainda que se possa construir um partido, apenas com reuniões mensais ou quinzenais. Isso só se faz com trabalho sistemático e permanente. Com que mão de obra? Bem, é preciso recrutar filiados que tenham disposição e disponibilidade para o trabalho político voluntário. Dentre estes voluntários, há que se eleger uma comissão coordenadora das atividades, que esteja submetida à direção da zonal, e que toque o trabalho diário de construção partidária e de desenvolvimento das campanhas. A comissão coordenadora faz o levantamento dos problemas de organização da zonal, elabora um plano de ações para a construção partidária e para o desenvolvimento das campanhas, e os apresenta aos voluntários. Estes dizem que tarefa preferem e quanto tempo podem dispor. E a coordenação monta as escalas de trabalho e distribui as "ordens de serviço". É isso o que eu acho que deveríamos fazer.
Outra coisa em que não acredito, é que se possa construir um partido de trabalhadores simplesmente tentando atrair os filiados para reuniões periódicas. Para mim, o que o partido tem que fazer, isto sim, é tentar manter uma relação permanente com os filiados, onde quer que eles estejam, seja através de encontros presenciais, seja através da internet, estabelecendo com eles vínculos de parceria, confiança e camaradagem para o desenvolvimento de reflexões e ações coletivas, coerentes com os valores e causas petistas. Ou seja, prá mim, não é o filiado quem tem que ir ao partido; é o partido quem tem que ir até o filiado, através de seus militantes, que são os filiados que fazem o trabalho político voluntário. O filiado espera ser procurado, pode ter certeza disso.
Quanto ao PED, eu penso que a disputa democrática interna não deve ser vinculada a nenhuma das atividades que exigem do partido unidade de ação na sociedade. São processos distintos. O PED ressalta o que nos divide. Já a ação partidária na sociedade só tem chance de ter êxito se botarmos o foco no que nos une, deixando dentro do partido diferenças e conflitos. Por isso eu creio ser mais prudente tratar do PED de forma paralela, e não combinada com a ação política que o partido está se propondo a desenvolver na sociedade neste ano de 2013.
Silvio Melgarejo
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
Re: Para avançar mais é preciso mais democracia. (1)
(Mensagem enviada à lista de e-mails do 1º Diretório Zonal e publicada em sua página na web em 23 de maio de 2013, com o número 12934. Trata-se de resposta ao comentário de uma companheira)
O problema, Regina, é que, a julgar pelas mensagens que circulam em nossa lista, a direção nacional do partido não está conseguindo se comunicar com a base de filiados. Há uma completa falta de sintonia. Parece que a direção tem uma pauta e a base tem outra.
Estamos diante da primeira chance, em muitos anos, de aumentar o número de filiados-militantes do partido, e corremos o risco de perder essa chance, caso não tenhamos a capacidade de interpretar corretamente a presente conjuntura política e entender o significado do movimento que está sendo proposto pela direção nacional do PT aos seus filiados.
A conjuntura está mudando e obrigando o partido a mudar. Ou a 1º zonal acompanha essa mudança, a meu ver, positiva que está sendo proposta, construindo efetivamente o partido como força política coesa e atuante na região, ou vai continuar sendo o campo de batalhas inúteis e desgastantes de um punhado de filiados-eleitores numa lista de emails em que nem 1/4 dos filiados das zonas centro e sul está inscrito.
Por isso, nós, direção e base, temos uma tarefa importantíssima para desenvolver nos próximos dias, semanas e meses, que é a de criar uma eficiente rede de comunicação interna que envolva todos os filiados da zonal. A zonal da lista de emails, por enquanto, tem cerca de trezentos inscritos.
Se não me falha a memória, há pouco tempo, o presidente Ricardo Quiroga, me disse que a zonal tem cerca de três mil filiados (peço a ele que me corrija, se eu estiver errado). De qualquer modo, o fato é que apenas uma minoria ínfima está inscrita na nossa lista de emails. Se queremos construir um partido realmente forte, temos que ir ao encontro de todos os filiados que ainda estão de fora, e incorporá-los em nossas fileiras. É essa a discussão que proponho às companheiras e companheiros.
Silvio Melgarejo
O problema, Regina, é que, a julgar pelas mensagens que circulam em nossa lista, a direção nacional do partido não está conseguindo se comunicar com a base de filiados. Há uma completa falta de sintonia. Parece que a direção tem uma pauta e a base tem outra.
Estamos diante da primeira chance, em muitos anos, de aumentar o número de filiados-militantes do partido, e corremos o risco de perder essa chance, caso não tenhamos a capacidade de interpretar corretamente a presente conjuntura política e entender o significado do movimento que está sendo proposto pela direção nacional do PT aos seus filiados.
A conjuntura está mudando e obrigando o partido a mudar. Ou a 1º zonal acompanha essa mudança, a meu ver, positiva que está sendo proposta, construindo efetivamente o partido como força política coesa e atuante na região, ou vai continuar sendo o campo de batalhas inúteis e desgastantes de um punhado de filiados-eleitores numa lista de emails em que nem 1/4 dos filiados das zonas centro e sul está inscrito.
Por isso, nós, direção e base, temos uma tarefa importantíssima para desenvolver nos próximos dias, semanas e meses, que é a de criar uma eficiente rede de comunicação interna que envolva todos os filiados da zonal. A zonal da lista de emails, por enquanto, tem cerca de trezentos inscritos.
Se não me falha a memória, há pouco tempo, o presidente Ricardo Quiroga, me disse que a zonal tem cerca de três mil filiados (peço a ele que me corrija, se eu estiver errado). De qualquer modo, o fato é que apenas uma minoria ínfima está inscrita na nossa lista de emails. Se queremos construir um partido realmente forte, temos que ir ao encontro de todos os filiados que ainda estão de fora, e incorporá-los em nossas fileiras. É essa a discussão que proponho às companheiras e companheiros.
Silvio Melgarejo
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