quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Coerência, universalidade e atemporalidade: atributos da verdadeira Lei de Deus.

Por Silvio Melgarejo -  Algo que a história das religiões cristãs demonstra à exaustão é que o sentido essencial e os objetivos originais do Cristianismo de Jesus foram, desde muito cedo, substituídos por outros que lhe eram absolutamente estranhos. Esmagado sob o peso da farta produção doutrinária de alguns apóstolos e dos criativos teólogos das religiões institucionalizadas, o verdadeiro Cristianismo é como uma jazida de metal precioso coberta por grossas e numerosas camadas de cascalho e pedra. Até hoje, a maior parte dos que se dizem cristãos toma pedra e cascalho por metal precioso. Não é de se estranhar que tanto mal se faça e se haja feito em nome de Deus.

Os evangelistas narram que certa vez Jesus foi abordado por um fariseu que lhe perguntou:
- Qual é o maior mandamento da lei?
Jesus respondeu-lhe:
- Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu espírito (Deutoronômio, capítulo 6, versículo 5). Este é o maior e o primeiro mandamento.
E, deixando claro que só este não bastava, acrescentou:
- E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Levítico, capítulo 19, versículo 18).
Finalizando a resposta, Jesus decretou algo que boa  parte da comunidade cristã insiste, ainda hoje, em ignorar. Ele disse:
- Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas. (Evangelho de Mateus, capítulo 22, versículos 34 a 40)
No evangelho de Marcos, capítulo 12, versículos 28 a 31, a conclusão do diálogo é ainda mais explícita. Ali, Ele afirma:
- Outro mandamento maior do que estes não existe.
É preciso que se entenda, de uma vez por todas, que o verdadeiro Cristianismo não é igual ao Mosaísmo, não é igual ao Paulinismo, tampouco constitui-se dos dogmas, liturgias e exegeses com os quais o verdadeiro Cristianismo acabou sendo ao longo do tempo corrompido e embrulhado pelos teólogos das diversas religiões. O verdadeiro Cristianismo é, nada mais, nada menos, do que aquela proposta ética resumida numa única frase, dita por Jesus ao fariseu provocador, no episódio contado pelos evangelistas: amar ao próximo como a si mesmo. Este é que é o  verdadeiro Cristianismo.

A resposta de Jesus ao fariseu, deixa muito claro que, no que diz respeito à relação do homem com os outros homens, “amar ao próximo como a si mesmo” é o maior mandamento da lei de Deus, não há nenhum outro que lhe esteja acima. É, portanto, como cláusula pétrea da constituição divina revelada à humanidade. Todo o resto são leis ordinárias que, se não decorrem dela ou para ela não convergem, não podem nunca ser admitidas como procedentes de Deus.

Se a Lei de Deus é, como Deus, perfeita e imutável, tem-se, por lógico, que não tenha contradições, porque Deus, sendo perfeito, não pode se contradizer. Quem lê, no entanto, a Bíblia, tida pelos religiosos fundamentalistas como livro sagrado inspirado pelo próprio Deus, vê-se diante de uma quantidade imensa de contradições e incoerências. Através de Moisés, Deus teria ensinado, por exemplo, a Lei de Talião, do “olho por olho, dente por dente”. Através de Jesus, ensinou o perdão das ofensas que revoga a lei anterior. Ora, se Deus é contraditório e incoerente, então não é perfeito.

Uma lei perfeita não pode ter incoerências e contradições. No caso da Bíblia, atribuir a Deus tudo o que ela contém significa negar a perfeição de Deus. Admitir, por outro lado, que uma possível ou provável inspiração divina possa ter sofrido nocivas interferências por parte de seus receptores e divulgadores humanos – os profetas, evangelistas, tradutores e teólogos – que teriam corrompido a mensagem original da divindade com a deformação de alguns conceitos e a adição de outros estranhos a ela, permite que se adote em relação à Bíblia uma atitude mais cautelosa e construtiva, no que diz respeito à busca e ao resgate do que haja efetivamente, dentro dela, que possa ser considerado parte de uma Lei perfeita e imutável como se supõe ser o próprio Deus.

Jesus veio ao mundo para separar o joio do trigo, a lei dos homens da Lei de Deus, para dar a Moisés o que é de Moisés e a Deus o que é de Deus. São Paulo, infelizmente, tratou de refazer essa mistura. Os livros sagrados do judaísmo de então, incorporados pelo catolicismo e pelo protestantismo, trazem misturados os mandamentos de Moisés com os mandamentos de Deus, como se fizessem parte de um mesmo conjunto indivisível. Ora, Moisés foi, além de líder espiritual, líder político e legislador de seu povo, o povo hebreu. Tudo o que disse tinha, é fácil de se constatar pela leitura dos textos, um destinatário único e certo que era o povo hebreu governado por ele naquele contexto histórico e cultural.

Jesus, ao contrário de Moisés, era apenas líder espiritual, só que de um povo muito mais numeroso. Quase tudo o que disse, e que pode ser registrado pelos evangelistas, tinha como destinatária a humanidade inteira de todos os tempos vindouros. Por isso, enquanto a maior parte da lei mosaica carece de aplicabilidade nos tempos modernos, por estar completamente vinculada ao momento histórico e ao espaço geográfico em que foi concebida, a lei cristã mantem até hoje o seu valor para indivíduos e sociedades, exatamente por ter um caráter inteiramente atemporal e universal.

A moral que recomenda o amor ao próximo como a si mesmo vale hoje, para o mundo todo, como valia há dois mil anos em Jerusalém. E continuará valendo. Não por sua suposta procedência divina, mas pelo seu valor intrínseco, como meio para que os indivíduos alcancem o equilíbrio psíquico e para que as sociedades alcancem a justiça e a paz em suas relações internas e externas, nas relações interpessoais e intergrupos dentro de um povo, e nas relações de um povo com os outros povos.

A corrupção do Cristianismo de Jesus começa quando Paulo, fariseu convertido, avoca para si o título de apóstolo, apropria-se do legado do Cristo e o dilui na farta teologia própria que produz, sob nítida influência dos livros sagrados do judaísmo. Assim como Moisés, Paulo atribuiu a Deus incontáveis preceitos de procedência humana, que, sobre os preceitos de procedência realmente divina, acabaram prevalecendo. Houve, por assim dizer, uma fraude do Cristianismo e da própria Lei de Deus, cujas versões corrompidas acabaram sendo aceitas como verdadeiras e válidas pela comunidade cristã nascente, no momento mesmo em que ela se expandia e se universalizava.  Todo mal cometido pela Igreja Católica ao longo de séculos de história adveio da corrupção precoce do Cristianismo de Jesus, por aquele mesmo que viria a ser o seu maior divulgador: São Paulo. Esta é a tese que pretendo sustentar a partir de agora.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Jesus Histórico, por Mário Sérgio Cortella (programa Canal Livre - Band - 23/12/2010) VÍDEO


Sinopse do Programa Canal Livre, da Band, de 23/12/2010, constante do site da emissora.

23/12/2010  

Jesus Histórico é o tema do Canal Livre

O personagem mais fascinante da história da humanidade. Quem foi e como viveu Jesus de Nazaré. O que a história e a arqueologia podem nos dizer sobre seu tempo. O Jesus Histórico é o tema do Canal Livre, que recebe o filósofo Mário Sergio Cortella. Domingo, 23h30.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Cristianismo e Socialismo.

Por Silvio Melgarejo -  Socialismo é o sistema econômico-social que estabelece o mínimo de concentração da riqueza, para que haja o máximo de igualdade na divisão da riqueza.

Democracia é o regime político que estabelece o mínimo de concentração do poder, para que haja o máximo de igualdade na divisão do poder.

Socialismo Democrático é o sistema politico-econômico-social que estabelece o mínimo de concentração da riqueza, com o mínimo de concentração do poder, para que haja o máximo de igualdade na divisão da riqueza, com o máximo de igualdade na divisão do poder.

Há dois tipos de socialismo. O que é imposto ao povo e o que é imposto pelo povo. Um é o socialismo autoritário, já experimentado, que não deixou boas lembranças. O outro é o Socialismo Democrático, que ainda está por vir, no qual depositam suas esperanças os que têm a igualdade com liberdade como utopia. Eu sou um destes últimos e acredito que o Cristianismo é o mais poderoso aliado desse generoso ideal de organização social que é o Socialismo Democrático.

Quando falo em Cristianismo, não me refiro, evidentemente, às grandes religiões institucionalizadas que se reivindicam cristãs. Estas religiões não são e nunca foram fiéis ao Cristianismo genuíno. Refiro-me, isto sim, à proposta ética enunciada pelo próprio Jesus Cristo, conforme o relato dos evangelistas Mateus, Lucas e Marcos, que transcrevo abaixo. Peço a atenção dos que me leem. O Cristianismo não é uma igreja e não é uma religião; é uma proposta ética. É isso o que pretendo demonstrar a seguir.


Cristianismo segundo Jesus

Evangelho de Mateus, capítulo 22, versículos 34 a 40 
"Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se, e um deles, doutor da lei, fêz-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: '- Mestre, qual é o maior mandamento da lei?' Respondeu Jesus: '- Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu espírito (Deutoronômio, capítulo 6, versículo 5). Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo , semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Levítico, capítulo 19, versículo 18). Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.'"
 Evangelho de Mateus, capítulo 7, versículo 12 (Sermão da Montanha)
"Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas."
Evangelho de Marcos, capítulo 12, versículos 28 a 31
"Achegou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, vendo que lhes respondera bem, indagou dele: '- Qual é o primeiro de todos os mandamentos?' Jesus respondeu-lhe: '- O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis, aqui, o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.* Outro mandamento maior do que estes não existe.'" * (Citação de Deutoronômio, capítulo 6, versículos 4 e 5; e Levítico, capítulo 19, versículo 18)
Evangelho de Lucas, capítulo 10, versículos 25 a 37
"Levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à prova, perguntou: '- Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?' Disse-lhe Jesus: '- Que está escrito na lei? Como é que lês?' Respondeu ele: '- Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Deutoronômio, capítulo 6, versículo 5); e a teu próximo como a ti mesmo (Levítico, capítulo 19, versículo 18).' Falou-lhe Jesus: '- Respondeste bem; faze isso, e viverás.'"
Evangelho de Lucas, capítulo 6, versículo 31 
"Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem."


Quem são os cristãos


Cristãos não são os que se dizem cristãos. São os que lutam para atingir um ideal de conduta baseado no modelo de Jesus Cristo; os que, imperfeitos, perseguem a perfeição, segundo esse modelo. Cristãos são seres que vivem, diariamente, a tensão entre o ideal e o possível, entre a aspiração pela transcendência e a miserável condição humana. Não são anjos, não são os que não pecam. São os que, pecando, reconhecem seus erros e lutam consigo mesmos para não reincidir. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é a máxima que tomam por diretriz de suas vidas. O cristão é um revolucionário, dentro de si mesmo, lutando sem descanso, na intimidade de seu próprio ser, contra a tirania do orgulho e do egoísmo, que ainda lhe governam a alma e que identifica como razões maiores de sua desdita. O cristão acredita que a transformação do mundo começa com a transformação de si mesmo em algo próximo do que espera de seus semelhantes. Suas lutas, suas vitórias e suas derrotas, suas feridas abertas e suas cicatrizes, ninguém vê; ninguém senão ele mesmo sabe da dor e do gozo experimentados nessas batalhas. O cristão é, como todo ser humano, um guerreiro solitário em seu mundo íntimo. A diferença é que ele tem a seu favor a fé, que consola e encoraja, e a ética, que orienta e lhe aponta o rumo certo.


Fé cristã e ética cristã


O Cristianismo tem duas dimensões que são perfeitamente traduzidas pelos dois mandamentos citados por Jesus, como síntese de sua doutrina, conforme relatam os evangelistas. O Cristianismo tem uma dimensão religiosa e uma outra dimensão, que é a dimensão ética. Amar a Deus sobre todas as coisas, é o fundamento da fé cristã. Amar ao próximo como a si mesmo, é o fundamento da ética cristã. Não importa o que digam ou façam os que se dizem seguidores de Jesus. Eles não têm mais autoridade do que o próprio Cristo para dizer o que é o Cristianismo. E o que o Cristo disse foi que os maiores mandamentos da Lei de Deus são amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Isso é o Cristianismo. O resto é o resto.

O indivíduo que ama ao seu semelhante realmente não precisa da fé cristã para seguir a ética cristã. Só precisa ouvir à própria consciência. Mas o indivíduo que ainda não sabe amar, precisa mesmo da fé cristã para seguir a ética cristã. Nesse caso, mesmo sem saber amar, ele agirá como se soubesse. Seus atos de amor não brotarão do amor genuíno pelo próximo, mas da obediência à vontade de Deus. A fé cristã fortalece o homem para que ele resista às dores da vida sem se curvar a elas. Já a ética cristã dá ao homem uma diretriz segura de bem proceder, para bem viver consigo mesmo e com os outros homens na sociedade. A ética e a fé cristãs não dependem, de fato, uma da outra, mas, também, de fato, o que se observa é que alimentam-se mutuamente e se robustecem quando presentes numa mesma pessoa.


O que é o Cristianismo


O Cristianismo é, portanto, o modelo de fé e de ética defendido por Jesus. Esse modelo de fé e de ética nada têm a ver com a produção teológica e com os atos condenáveis dos que O antecederam e O sucederam, apresentando-se como emissários de Deus. Jesus ensinou que o maior mandamento de Deus, no que se refere à relação do ser humano com seu semelhante, é que cada um ame a seu próximo como a si mesmo. Disse que nenhum outro mandamento, exceto o que recomenda o amor incondicional a Deus, é mais importante do que este. Amar a Deus é fazer a Sua vontade. E a vontade de Deus, segundo Jesus, é que todo indivíduo ame a seu próximo como a si mesmo. Portanto, este mandamento – amar ao próximo como a si mesmo – é a síntese perfeita do Cristianismo, apresentada por Aquele mesmo que todos os cristãos dizem ter como mestre. 


Cristianismo e Socialismo Democrático


O Cristianismo nada mais é do que a ética da solidariedade por empatia, ensinada por Jesus. Essa ética é a única capaz de servir de base cultural para a construção de um Socialismo Democrático, que não precise valer-se da repressão estatal às ambições de milhões de indivíduos egoístas, para promover e manter a ordem social igualitária. O Socialismo Democrático é aquele em que a igualdade não é imposta ao povo, e sim por ele desejada e buscada; é aquele em que a ordem igualitária não é só a realização do projeto de um partido, mas a realização da vontade soberana de um povo livre, inspirado pelo sentimento de solidariedade. 

A ética cristã não é realmente a melhor amiga das propostas revolucionárias autoritárias, idealizadas por vanguardas descoladas do povo, decididas a impor ao povo, pela força, o socialismo. Mas a ética cristã será a maior e a melhor aliada da revolução socialista democrática, aquela que será feita pelas próprias massas trabalhadoras, às quais há de servir de inspiração para a construção do mundo novo, justo e fraterno, no qual poderá viver feliz e em paz a humanidade.

O Reino dos Céus na Terra, cujo modo de ser construído foi ensinado por Jesus, começa na alma dos homens e se estende ao ambiente em que eles vivem. O homem capaz de amar a seu próximo como a si mesmo é naturalmente, mesmo que não saiba, um cidadão socialista, pronto para conviver feliz com os limites à concentração da propriedade privada, próprios da ordem igualitária. Um povo de egoístas jamais será feliz no socialismo. O egoísta pobre pode ser infeliz no capitalismo, mas se consola com a promessa capitalista de que ele um dia pode vir a ser rico. Essa promessa o socialismo não lhe faz, essa esperança o socialismo não lhe dá.

O egoísta não acha injusta a exploração do homem pelo homem, nem a distribuição desigual da riqueza; acha injusto, isto sim, que ele mesmo seja explorado e não explorador, e que a riqueza esteja concentrada em outras mãos que não as suas. Pouco lhe importa a condição miserável de milhões de semelhantes. Importa-lhe salvar a própria pele e ascender socialmente tanto quanto lhe seja possível, para gozar dos privilégios dos ricos, que não condena, antes inveja. Só à custa de uma brutal repressão estatal o socialismo pode ser imposto a esse tipo de gente que, a meu ver, continua a ser maioria na sociedade. E socialismo, imposto à maioria, não é socialismo democrático, é ditadura.

Socialismo é igualdade na divisão da riqueza. Democracia é igualdade na divisão do poder. Socialismo Democrático é a combinação desses dois conceitos, sendo a igualdade na divisão do poder, a condição fundamental para a conquista e manutenção da igualdade na divisão da riqueza. O Socialismo Democrático é aquele que é construído pelo próprio povo, e não por alguém em seu nome e à sua revelia.


Ética cristã e ética socialista


Todo sistema econômico se baseia em relações sociais regidas por algum tipo de ética. A ética do capitalismo é a da desigualdade, da competição e da indiferença pelo outro. A do socialismo é o inverso disso. A ética do socialismo é a ética da igualdade, da cooperação e da solidariedade. Ora, não é essa a mesma proposta ética do Cristianismo? Amar ao próximo como a si mesmo é querer o bem do outro em medida igual à que se quer o próprio bem. E não é esta uma clara exortação a que se estabeleçam relações sociais de cooperação e solidariedade para a promoção da igualdade entre os indivíduos?

São Paulo não é a minha maior referência em se tratando de Cristianismo; prefiro Jesus. Mas todas as religiões que se reivindicam cristãs o têm como referência até maior do que o próprio Cristo. Vejam o que diz o Apóstolo dos Gentios, na Segunda Epístola aos Coríntios, capítulo 8, versículos 12 a 15.
“Quando se dá de bom coração segundo as posses (evidentemente, não do que não se tem), sempre se é bem recebido. Não se trata de aliviar os outros fazendo-vos sofrer penúria, mas sim, que haja igualdade entre vós. Nas atuais circunstâncias, vossa abundância supra a indigência daqueles, para que, a seu turno, a abundância deles venha a suprir a vossa indigência. Assim reinará a igualdade. Como está escrito: ‘O que colheu muito não teve sobra, e o que pouco colheu não teve falta’ (Êxodo 16, 18)."
O discurso de São Paulo guarda notável sintonia com o ideal comunista proclamado por Marx, em sua ‘Crítica ao programa de Ghota’, de 1875, onde ele diz: 
“De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”.
Como se vê, a ética cristã, mesmo quando vocalizada por São Paulo e não pelo Cristo, é absolutamente idêntica à ética socialista. Igualdade, cooperação e solidariedade são os fundamentos de ambas. Por isso, todo discurso e toda prática genuinamente cristãos ferem profundamente o capitalismo em sua base cultural de sustentação – que é a ética da desigualdade, da competição e da indiferença pelo outro – e, portanto, são discursos e práticas essencialmente anticapitalistas e pró-socialistas.

Dir-se-á que o pacifismo cristão é um óbice à revolução socialista. Ora, revoluções não se fazem só com fuzis. Uma revolução socialista é algo muito mais complexo do que um simples golpe de Estado. Golpes de Estado só vingam quando o governo ou o próprio Estado estão debilitados. Mais poderosa que as ações de milícias revolucionárias é a mobilização pacífica das massas, desarmadas, para a desobediência civil, dentro e fora do Estado burguês. Esse tipo de mobilização é a forma mais eficiente de desarticular o Estado e esvaziar sua autoridade perante as massas, abrindo caminho, aí sim, para um golpe de Estado exitoso e virtuoso, porque democrático, já que realmente respaldado pelo povo em seus propósitos.


O nome político do amor é Socialismo


Quando a ética cristã e socialista da solidariedade for melhor compreendida e quando, afinal, for aceita pelas massas, como valor humano essencial e como padrão de conduta a ser seguido, não haverá mais como o capitalismo se sustentar. O chumbo dos pés do gigante terá virado barro, bastando um só golpe de martelo para pô-lo abaixo.

Só o Cristianismo com sua ética solidária, pode fazer com que os homens não se sintam coagidos a dividir suas posses, mas que, ao contrário disso, sendo livres, sintam-se movidos, pela própria consciência, a voluntariamente repartirem o que possuem e o que poderiam vir a possuir um dia. 

Só quem ama a seu próximo como a si mesmo é capaz de repartir o que tem, suas posses e seus sonhos, sem se sentir roubado. 

Só um povo constituído por indivíduos generosos, dotados da capacidade de amar seu semelhante, será capaz de viver feliz no socialismo. Porque só quem ama é capaz de ser feliz renunciando ao que tem em favor do outro.

O ódio pode derrubar governos e até mover revoluções. Mas não é capaz de construir o Socialismo Democrático. Quem constrói o Socialismo Democrático é a solidariedade. E a solidariedade nada mais é que o amor em ação. Por isso, concordo com Frei Betto quando ele diz, numa frase lapidar, que “o nome político do amor não é outro senão Socialismo”.

O socialismo é, sem dúvida nenhuma, o sistema econômico-social mais coerente com a ética cristã. Eu diria até, sem medo de errar, que o Socialismo Democrático, que estabelece a igualdade preservando a liberdade, será mesmo uma consequência natural da compreensão e da vivência da genuína ética cristã pela maioria dos indivíduos. Para mim, o Reino dos Céus na Terra, anunciado por Jesus, será de fato uma sociedade socialista e democrática.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Em pronunciamento, Dilma anuncia redução de 18% na tarifa de energia elétrica.

Presidenta destaca os avanços do país em seu mandato e nos dois mandatos de Lula e critica má vontade e previsões erradas da Globo e dos partidos de oposição.

"(...) Aliás, neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás, pois nosso país avança sem retrocessos, em meio a um mundo cheio de dificuldades. Hoje, podemos ver como erraram feio, no passado, os que não acreditavam que era possível crescer e distribuir renda. Os que pensavam ser impossível que dezenas de milhões de pessoas saíssem da miséria. Os que não acreditavam que o Brasil virasse um país de classe média. Estamos vendo como erraram os que diziam, meses atrás, que não iríamos conseguir baixar os juros nem o custo da energia, e que tentavam amedrontar nosso povo, entre outras coisas, com a queda do emprego e a perda do poder de compra do salário. Os juros caíram como nunca, o emprego aumentou, os brasileiros estão podendo e sabendo consumir e poupar. Não faltou comida na mesa, nem trabalho. E nos últimos dois anos, mais 19 milhões e 500 mil pessoas, brasileiros e brasileiras, saíram da extrema pobreza.

O Brasil está cada vez maior e imune a ser atingido por previsões alarmistas. Nos últimos anos, o time vencedor tem sido o dos que têm fé e apostam no Brasil. Por termos vencido o pessimismo e os pessimistas, estamos vivendo um dos melhores momentos da nossa história. E a maioria dos brasileiros sente e expressa esse sentimento. Vamos viver um tempo ainda melhor, quando todos os brasileiros, sem exceção, trabalharem para unir e construir. Jamais para desunir ou destruir. Porque somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no Brasil acima dos nossos interesses políticos ou pessoais." (Presidenta Dilma Rousseff, 23/01/2013)



Blog do Planalto -  A presidenta Dilma Rousseff afirmou, em pronunciamento, que, a partir desta quinta-feira (24), passará a vigorar a redução de 18% na tarifa de energia para os consumidores residenciais. Para o comércio e a indústria, a diminuição será de até 32%. O corte é ainda maior do que o anunciado pela presidenta em setembro de 2012: 16,2% para residências e até 28% para a indústria. Dilma também disse que o Brasil é um dos poucos países que ao mesmo tempo reduz a tarifa de luz e aumenta a produção de energia.
“Esse movimento simultâneo nos deixa em situação privilegiada no mundo. Isso significa que o Brasil vai ter energia cada vez melhor e mais barata, significa que o Brasil tem e terá energia mais que suficiente para o presente e para o futuro, sem nenhum risco de racionamento ou de qualquer tipo de estrangulamento no curto, no médio ou no longo prazo”, afirmou Dilma.
Dilma ressaltou que os investimentos permitirão dobrar, em 15 anos, a capacidade instalada de energia elétrica. A presidenta disse ainda que a redução vai permitir a ampliação do investimento, aumentando o emprego e garantindo mais crescimento para o país e bem-estar para os brasileiros.
“Temos baixado juros, reduzido impostos, facilitado o crédito e aberto, como nunca, as portas da casa própria para os pobres e para a classe média. Ao mesmo tempo, estamos ampliando o investimento na infraestrutura, na educação e na saúde e nos aproximando do dia em que a miséria estará superada no nosso Brasil”.
A presidenta esclareceu que todos os brasileiros serão beneficiados pela medida, mesmo os atendidos pelas concessionárias que não aderiram ao esforço feito pelo governo federal para a redução da tarifa.
“Neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás, pois nosso país avança sem retrocessos, em meio a um mundo cheio de dificuldades. (…) Porque somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no Brasil acima dos nossos interesses políticos ou pessoais”, finalizou.
Fonte: Blog do Planalto.

Pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff

23 de janeiro de 2013

"Queridas brasileiras e queridos brasileiros, 
Acabo de assinar o ato que coloca em vigor, a partir de amanhã, uma forte redução na conta de luz de todos os brasileiros. Além de estarmos antecipando a entrada em vigor das novas tarifas, estamos dando um índice de redução maior do que o previsto e já anunciado. A partir de agora, a conta de luz das famílias brasileiras vai ficar 18% mais barata.
É a primeira vez que isso ocorre no Brasil, mas não é a primeira vez que o nosso governo toma medidas para baixar o custo, ampliar o investimento, aumentar o emprego e garantir mais crescimento para o país e bem-estar para os brasileiros. Temos baixado juros, reduzido impostos, facilitado o crédito e aberto, como nunca, as portas da casa própria para os pobres e para a classe média. Ao mesmo tempo, estamos ampliando o investimento na infraestrutura, na educação e na saúde e nos aproximando do dia em que a miséria estará superada no nosso Brasil.
No caso da energia elétrica, as perspectivas são as melhores possíveis. Com essa redução de tarifa, o Brasil, que já é uma potência energética, passa a viver uma situação ainda mais especial no setor elétrico. Somos agora um dos poucos países que está, ao mesmo tempo, baixando o custo da energia e aumentando sua produção elétrica. Explico com números: como acabei de dizer, a conta de luz, neste ano de 2013, vai baixar 18% para o consumidor doméstico e até 32% para a indústria, a agricultura, o comércio e serviços. Ao mesmo tempo, com a entrada em operação de novas usinas e linhas de transmissão, vamos aumentar em mais de 7% nossa produção de energia, e ela irá crescer ainda mais nos próximos anos.
Esse movimento simultâneo nos deixa em situação privilegiada no mundo. Isso significa que o Brasil vai ter energia cada vez melhor e mais barata, significa que o Brasil tem e terá energia mais que suficiente para o presente e para o futuro, sem nenhum risco de racionamento ou de qualquer tipo de estrangulamento no curto, no médio ou no longo prazo. No ano passado, colocamos em operação 4 mil megawatts e 2.780 quilômetros de linhas de transmissão.
Este ano, vamos colocar mais 8.500 megawatts de energia e 7.540 quilômetros de novas linhas. Temos uma grande quantidade de outras usinas e linhas de transmissão em construção ou projetadas. Elas vão nos permitir dobrar, em 15 anos, nossa capacidade instalada de energia elétrica, que hoje é de 121 mil megawatts. Ou seja, temos contratada toda a energia que o Brasil precisa para crescer, e bem, neste e nos próximos anos.
Minhas amigas e meus amigos,
O Brasil vive uma situação segura na área de energia desde que corrigiu, em 2004, as grandes distorções que havia no setor elétrico e voltou a investir fortemente na geração e na transmissão de energia. Nosso sistema é hoje um dos mais seguros do mundo porque, entre outras coisas, temos fontes diversas de produção de energia, o que não ocorre, aliás, na maioria dos países.
Temos usinas hidrelétricas, nucleares, térmicas e eólicas, e nosso parque térmico, que utiliza gás, diesel, carvão e biomassa foi concebido com a capacidade de compensar os períodos de nível baixo de água nos reservatórios das hidrelétricas. Praticamente todos os anos as térmicas são acionadas, com menor ou maior exigência, e garantem, com tranquilidade, o suprimento. Isso é usual, normal, seguro e correto. Não há maiores riscos ou inquietações.
Surpreende que, desde o mês passado, algumas pessoas, por precipitação, desinformação ou algum outro motivo, tenham feito previsões sem fundamento, quando os níveis dos reservatórios baixaram e as térmicas foram normalmente acionadas. Como era de se esperar, essas previsões fracassaram. O Brasil não deixou de produzir um único kilowatt que precisava, e agora, com a volta das chuvas, as térmicas voltarão a ser menos exigidas.
Cometeram o mesmo erro de previsão os que diziam, primeiro, que o governo não conseguiria baixar a conta de luz. Depois, passaram a dizer que a redução iria tardar. Por último, que ela seria menor do que o índice que havíamos anunciado.
Hoje, além de garantir a redução, estamos ampliando seu alcance e antecipando sua vigência. Isso significa menos despesas para cada um de vocês e para toda a economia do país. Vamos reduzir os custos do setor produtivo, e isso significa mais investimento, mais produção e mais emprego. Todos, sem exceção, vão sair ganhando.
Aproveito para esclarecer que os cidadãos atendidos pelas concessionárias que não aderiram ao nosso esforço terão, ainda assim, sua conta de luz reduzida, como todos os brasileiros. Espero que, em breve, até mesmo aqueles que foram contrários à redução da tarifa venham a concordar com o que eu estou dizendo.
Aliás, neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás, pois nosso país avança sem retrocessos, em meio a um mundo cheio de dificuldades. Hoje, podemos ver como erraram feio, no passado, os que não acreditavam que era possível crescer e distribuir renda. Os que pensavam ser impossível que dezenas de milhões de pessoas saíssem da miséria. Os que não acreditavam que o Brasil virasse um país de classe média. Estamos vendo como erraram os que diziam, meses atrás, que não iríamos conseguir baixar os juros nem o custo da energia, e que tentavam amedrontar nosso povo, entre outras coisas, com a queda do emprego e a perda do poder de compra do salário. Os juros caíram como nunca, o emprego aumentou, os brasileiros estão podendo e sabendo consumir e poupar. Não faltou comida na mesa, nem trabalho. E nos últimos dois anos, mais 19 milhões e 500 mil pessoas, brasileiros e brasileiras, saíram da extrema pobreza.
O Brasil está cada vez maior e imune a ser atingido por previsões alarmistas. Nos últimos anos, o time vencedor tem sido o dos que têm fé e apostam no Brasil. Por termos vencido o pessimismo e os pessimistas, estamos vivendo um dos melhores momentos da nossa história. E a maioria dos brasileiros sente e expressa esse sentimento. Vamos viver um tempo ainda melhor, quando todos os brasileiros, sem exceção, trabalharem para unir e construir. Jamais para desunir ou destruir. Porque somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no Brasil acima dos nossos interesses políticos ou pessoais.
Muito obrigada e boa noite."

Fonte: Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Não se faz justiça condenando inocentes.

Há provas robustas e irrefutáveis nos autos da AP-470 de que não houve o desvio de recursos públicos de que são acusados os condenados.

Essas provas foram intencionalmente desprezadas pelo procurador Gurgel e pela maioria dos ministros do STF.

Além disso, o próprio delegado da PF responsável pela investigação do caso, afirma categoricamente que não é possível, a partir dos documentos e depoimentos colhidos, deduzir que houve a compra de votos alegada pela acusação.

Ou seja, os réus foram condenados por crimes que não existiram, e que só passaram a ser admitidos como fatos, por parte da opinião pública, por obra da propaganda da Globo que se aproveita da péssima reputação dos políticos profissionais, de um modo geral.

Ora, não se faz justiça condenando inocentes.

Não é assim que se acaba com a impunidade.

O cidadão sinceramente interessado na justiça não quer a punição de inocentes, quer a punição dos que tenham suas culpas realmente comprovadas.

E não foi isso o que aconteceu no julgamento do mensalão.

Como tenho dito, esse julgamento foi um golpe político porcamente maquiado de legalidade.

E isso é tão flagrante, que não são só os petistas que se mostram perplexos e indignados.

Juristas, como Dalmo Dallari, e jornalistas, como Paulo Moreira Leite e Jânio de Freitas, engrossam o enorme coro de descontentes com o desempenho de nossa Suprema Corte.

Não são vozes de petistas de carteirinha, as desses críticos.

São vozes de cidadãos realmente comprometidos com a democracia no país, que enxergaram nesse julgamento do mensalão irregularidades gravíssimas que colocam a nossa Suprema Corte em pé de igualdade com as cortes supremas de países como Honduras e Paraguai.

Nesses países, como aqui, juntaram-se as grandes empresas de comunicação com os judiciários locais para derrubarem os governos legal e democraticamente constituídos.

Aqui, os derrotados nas urnas, sem perspectivas de retorno pelo voto, apostam nessa nova receita de golpe em que os agentes ao invés de fardas usam togas.

O julgamento do mensalão foi apenas um primeiro ensaio para o grande ato que se pretende levar a efeito assim que seja possível: derrubar o governo petista.

Antes disso, serve para alimentar a propaganda antipetista, tentando desgastar a imagem do partido perante a sociedade afim de enfraquecê-lo para os próximos pleitos.

A mídia oligopolizada liderada pela Globo, e o STF, dominado por juízes golpistas, são ameaças reais à democracia brasileira.

Por isso o PT encerra esse ano convocando sua militância para retornar às ruas em 2013 em defesa da democracia e dos avanços econômicos e sociais alcançados em seus três governos.

A militância petista está preparada para enfrentar qualquer debate público sobre o julgamento do mensalão e demonstrar aos cidadãos brasileiros honestamente preocupados com a justiça, que justiça ali não se fez, que ali se afrontou a Constituição por razões declaradamente políticas, inaugurando no país uma era de insegurança jurídica para todos os cidadãos, na medida em que, pelo novo padrão adotado, direitos podem ser relativizados conforme a conveniência pessoal ou a preferência politico-partidária dos juízes de plantão.

Estamos na ante-sala de um golpe de Estado.

A mesma Globo que agora aplaude Joaquim Barbosa, aplaudiu o golpe de 1964 que depôs João Goulart.

O próprio ministro Marco Aurélio Collor de Mello, do STF, chegou a declarar, durante o julgamento, sem nenhum pudor, que aquele golpe e a ditadura que a ele se seguiu, fora um mal necessário.

Talvez faça o mesmo juízo do golpe que agora dão contra a democracia.

A ameça petista, hoje, substitui a ameaça comunista de 64, como justificativa torpe para pôr freio ao avanço das forças populares no campo da política.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Debate com Marcelo Monteiro sobre o julgamento do mensalão.

Ao longo deste mês de dezembro de 2012, debati com um conhecido meu chamado Marcelo Monteiro, no Facebook, a partir de mensagens publicadas por ele, favoráveis à criminalização do PT. Seu primeiro post foi em 2 de dezembro. Era uma imagem do jornalista Joelmir Betting, com a seguinte inscrição de uma declaração atribuída a ele:
"O PT é, de fato, um partido interessante. Começou com presos políticos e vai terminar com políticos presos. (Joelmir Betting)"
No dia seguinte, 3 de dezembro, comentei este post:
"Olá, Marcelo. Agora você tocou num tema que você deve lembrar que me é caro: a política, neste caso, o mensalão.

Minha opinião: se foram condenados sem provas num julgamento orientado por critérios e objetivos claramente políticos, então serão presos políticos.

O Joelmir Betting sempre foi um 'pau mandado' do oligopólio das comunicações.

Foi, durante anos, um fiel servidor da família Marinho, da Globo, e depois da família Saad, da Bandeirantes.

Membro destacado entre os diversos porta-vozes das posições políticas de seus patrões, Joelmir traduz na frase que você acima cita, o sonho dos Saad, dos Marinho, dos Frias, dos Mesquita e dos Civita: que o PT 'termine'.

Desde 2003 não medem esforços para que isso aconteça.

E tem sido seguidamente derrotados pelo partido que odeiam.

Quanto mais batem, mais o PT cresce.

Joelmir, intrigado, diz na frase que acha o PT interessante.

No fundo ele, como seus colegas de colunismo militante, procura disfarçar a própria perplexidade diante da força e da resistência desse partido que 90% do tempo apresentam na mídia com imagem negativa.

Nem se o julgamento do mensalão tivesse sido justo, Marcelo, o PT 'terminaria', porque o PT é um partido de mais de um milhão e meio de filiados e obteve o maior número de votos nas últimas eleições municipais.

Nos doze anos em que tem ocupado a presidência da república, com Lula e Dilma, ergueu 40 milhões de pessoas da pobreza em que viviam a uma condição de classe media, e conduziu o Brasil da estagnação econômica e da submissão aos interesses americanos, a uma posição de inéditas credibilidade, respeitabilidade e influência no cenário internacional.

Não são gratuitos, portanto, os índices recordes de aprovação aos nossos governos, que as pesquisas seguidamente registram.

Como pode, então, um julgamento que sofre criticas severas de observadores independentes dos meios jurídico e jornalístico, gente que nunca demonstrou sequer simpatia pelo PT, abalar um partido que tanto fez e ainda tem feito pela nação?

Nossos companheiros não tiveram um julgamento justo, foram condenados sem provas, por juízes que fizeram do tribunal palanque político, expressando juízos de valor sobre o partido ao qual os réus são filiados, como se isso fosse a razão para condená-los.

Toda vez que encontro, Marcelo, alguém festejando a condenação dos petistas, peço permissão, como agora faço, para lançar um desafio:

Digam-me senhoras e senhores:

Onde estão as provas de que houve desvio de dinheiro público?

Onde estão as provas de que houve compra de votos?

E toda vez que lanço essas peguntas, elas ficam sem resposta.

Porque não há provas da culpa dos condenados.

O que há nos autos do processo são provas de suas inocências, provas que foram criminosamente ignoradas pelo procurador geral da república e pela maioria dos ministros dos STF.

Abraço, Marcelo."
Em 12 de dezembro, Marcelo publicou mais uma imagem, desta vez com a seguinte inscrição:
"Eu, como cidadão brasileiro, voto pela perda imediata do mandato de todos os mensaleiros condenados. Ficar preso e continuar eleito é um absurdo, nossa constituição é uma piada. O povo tem que se manifestar. Vamos mostrar nossa vontade, eleitores. Rumo a 1 milhão de compartilhamentos."
No dia seguinte, 13 de dezembro, respondi:
"Todo ato de desrespeito à Constituição é um golpe contra a democracia. 

É isso que você está propondo, Marcelo? 

Que os ministros do Supremo atropelem mais uma vez a constituição do país? 

Sob pressão da mídia já condenaram sem provas. 

Agora você quer que eles usurpem a prerrogativa constitucional do parlamento cassar mandatos? 

Que demonstração é essa de desapreço ao Estado Democrático de Direito? 

Que vocação para o golpismo é essa que vejo saltar do teu discurso? 

Eu, como cidadão brasileiro, exijo que todos os agentes públicos respeitem a Constituição, porque prezo a democracia e a democracia tem por um de seus fundamentos exatamente o respeito e o zelo pela vontade do povo inscrita na Carta Magna do país. 

A ruptura do compromisso de respeitar as regras do jogo político por uma das partes, dá à outra parte o direito legítimo de também atuar segundo suas próprias regras. 

E é assim que nascem as guerras civis. 

Custo a acreditar que você realmente queira ver o Brasil mergulhado numa guerra civil. 

Pois acredite, você, ou não, é para uma guerra civil que vamos caminhar se permitirmos a banalização da violação de direitos e prerrogativas constitucionais."
Em 14 de dezembro, Marcelo se manifestou sobre o meu comentário:
"Grande Silvio, ainda não pude com calma colocar em palavras o que penso. 

Como o amigo sabe não sou advogado mas todos os demais envolvidos o são. 

Duvido muito caro amigo que toda a procuradoria geral da união não tenha competencia para conduzir um processo como o amigo alega 'Sem Provas' para condenar homens de bem, também não creio que o Ministro Joaquim barbosa que analisou o processo durante um ano solicitasse a condenação de homens que se dedicaram ao serviço publico do pais igualmente sem 'provas', igualmente seus pares no STF o condenassem sem 'provas'. 

Perdoe me a comparação, mas como te disse não sou advogado e muito menos maria vai com as outras, quando o medico diz que existe uma doença e precisa ser extirpado o mal eu posso acatar ou não o mesmo vale para o processo do mensalão acato e entendo que Juizes, procuradores, delegados federais não podem todos estar errados, em algum momento estes homens acusados se perderam e a legalidade esta sendo feita. 

É assim que seu amigo pensa. 

abraço. 

Marcelo Monteiro"
Ao que eu lhe respondi na mesma data:
"Peraí, Marcelo, que são duas questões sobre as quais temos desacordo. 

Uma é essa de que você trata agora, que é 'se há ou não provas' - de que houve desvio de dinheiro público para compra de votos - que justifiquem a condenação dos réus petistas da AP-470. 

Aqui você se exime da responsabilidade cidadã de julgar os atos dos agentes públicos, inclusive do judiciário, sob a alegação de que reconhece sua ignorância e acata o parecer dos especialistas, por princípio. 

Cita, então, o exemplo do médico. 

Pois agora, Marcelo, sou em quem duvido de que você, recebendo de um médico a indicação de uma cirurgia de alto risco, não vá buscar a opinião de outros médicos prá confirmar o parecer do primeiro. 

Pois eu ouvi, Marcelo, a opinião de advogados, juízes, professores de direito e jornalistas, de várias tendências e procedências, durante todo o julgamento do mensalão, com a mesma atenção com que ouvi os principais lances do debate entre os ministros da Suprema Corte. 

E foram muitas as críticas que ouvi, desses especialistas, à maneira como foi conduzido esse julgamento. 

Não é nem na autoridade profissional desses críticos que me apoio para dizer o que tenho dito. 

Apoio-me na lógica dos raciocínios que eles externam. 

Médicos não são deuses. 

Tampouco o são os juízes. 

Se há erros médicos que causam mutilações físicas e até a morte de pacientes, há erros judiciários gravíssimos que roubam a liberdade e destroem as vidas de réus condenados injustamente. 

Esse me parece o caso do julgamento da AP-470. 

Lavar as mãos, como Poncio Pilatos, no julgamento de Jesus, é atitude cômoda que revela desprezo pela verdadeira justiça, que deve punir os que devem à lei, na medida de suas culpas, e absolver os inocentes. 

Pois estes réus petistas a que me refiro, foram condenados injustamente, já que não se apresentaram provas sequer da materialidade dos crimes que lhes foram imputados. 

Tenho como sustentar isso, baseado na opinião abalizada de especialistas, alguns dos quais diretamente envolvidos na investigação e no julgamento do caso, como o delegado Luiz Flávio Zampronha, da Divisão de Combate a Crimes Financeiros da Polícia Federal, e o próprio ministro revisor, do Supremo, Ricardo Levandowski. 

Você, Marcelo, é mais um que encontro a admitir que não é capaz de citar uma prova sequer de que tenha havido desvio de dinheiro público e compra de votos. 

Não cita provas, mas ainda assim diz acreditar na existência delas porque acredita na infalibilidade dos juízes. 

Eu não acredito, Marcelo. 

Prá mim, eles são tão humanos e falíveis quanto eu e você. 

Não são, portanto, isentos de interesses, medos e vaidades, como ficou evidente para quem viu o espetáculo que deram pela TV Justiça. 

Ao contrário de você, não tenho vocação para Poncio Pilatos. 

Não lavo as mãos diante da injustiça, ainda mais quando ela me parece flagrante e escandalosa. 

Como cidadão, sinto-me responsável. 

Por isso me manifesto. 

Só prá dar um exemplo de uma informação que a mídia oposicionista esconde mas que existe, está nos autos do processo e foi ignorada pelos juízes, cito trecho do relatório assinado pelo delegado Zampronha, da PF, responsável pela investigação do caso. Ele diz: 
'Esta sobreposição diz respeito apenas a questões pontuais sobre a metodologia de captação e distribuição dos valores manipulados por Marcos Valério e seus sócios, não podendo a presente investigação, de forma alguma, apresentar inferências quanto ao esquema de compra de apoio político de parlamentares da base de sustentação do governo federal'. 
Procure se informar, Marcelo. 

Não lave as mãos como Pilatos diante de uma injustiça. 

Se não ouviu da boca dos acusadores as provas da culpa dos acusados, dê uma chance a si mesmo de ouvir da boca dos defensores e dos que têm compromisso unicamente com a justiça. as provas da inocência dos réus condenados. 

Elas são muitas, consistentes, gritantes, embora tenham sido escandalosamente ignoradas pela maioria dos ministros do Supremo. 

A nossa outra discordância, Marcelo, é quanto à mensagem publicada por você aqui nesse post. 

Você diz que a Constituição é uma piada e que o povo deve pressionar os ministros do Supremo a desobedece-la. 

Isso é uma proposta de golpe contra a democracia. 

Eu sou contra."
A esta argumentação, Marcelo Monteiro respondeu de forma evasiva, em 15 de dezembro:
"Neste ponto eu penso diferente do querido amigo."
Eu insisti, na mesma data:
"'(...) não podendo a presente investigação, de forma alguma, apresentar inferências quanto ao esquema de compra de apoio político de parlamentares da base de sustentação do governo federal'.” (trecho do relatório do delegado Luiz Flávio Zampronha, da Divisão de Combate a Crimes Financeiros da Polícia Federal, responsável pela investigação do caso do mensalão)
Gostaria de saber o que você pensa dessa afirmação que o delegado Zampronha faz em seu relatório."
Em 17 de dezembro, ele deu sua interpretação:
"'apresentar inferências'. Entendi da seguinte forma: Ele não deu sua opinião na investigação. Deixou a quem de direito interpreta-las, ao meu ver a procuradoria e TSJ."
Respondi-lhe no dia seguinte, 18:
"Ele não tinha mesmo que dar opinião, porque não é pago prá isso, não é comentarista, é delegado. 

E o papel do delegado de polícia é exatamente apurar a materialidade e a autoria dos crimes de cuja investigação esteja encarregado. 

Ele não tem que dar opinião. 

Tem que deduzir (inferir) a partir dos dados colhidos no processo de apuração: 
1) se houve crime; 
2) que crime foi cometido; e 
3) quem cometeu o crime. 
Pois foi isso mesmo que o delegado Zampronha, da PF, fez. 

Colheu documentos, ouviu testemunhos e concluiu, ao final, que esse material comprovava a materialidade de vários crimes. 

Mas que não comprovava a compra de votos de que são acusados os réus petistas."
Em 21/12/2012, Marcelo Monteiro publicou nova imagem, desta vez com a inscrição:
"Gurgel pede ao STF prisão imediata de condenados do mensalão."
Acima da imagem, o seguinte comentário:
"Que seja rápido..."
No diz seguinte, 22/12/2012, eu comentei:
"É, Marcelo, parece que, diante da reação firme do presidente da Câmara, Barbosa, o golpista do STF, amarelou, ficou com medo de ter que encarar sozinho a crise institucional que está criando, ao usurpar a prerrogativa constitucional exclusiva do parlamento de cassar mandatos de senadores e deputados. 

O prevaricador geral da república, Roberto Gurgel, que você tem em tão alta conta, protegeu o bicheiro Carlos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres, bloqueando durante três anos uma investigação que a Polícia Federal fazia sobre eles. 

Tenta ser útil à Globo, na esperança de poder contar com a sua proteção. 

E, de fato, por estar sendo útil à Globo, ele por ela tem sido protegido. 

Quanto à rapidez da prisão dos réus petistas da AP-470, mais uma vez, Marcelo, você defende um golpe, uma violação do que determina a Carta Magna, que diz que ninguém, salvo em condições excepcionais, pode ser preso antes de sua condenação ter transitado em julgado. 

Você e o prevaricador geral da república querem afrontar mais esse principio constitucional. 

Se continuarem por esse caminho, Marcelo, de desrespeito à lei e à Constituição, às regras básicas consensualmente aprovadas em 1988 para o ordenamento social e politico do país, é bom que se prepare, porque a luta política vai fatalmente ter que ser levada para as ruas. 

Vocês são irresponsáveis. 

Ressentidos pelas derrotas políticas sucessivas que sofrem, querem incendiar o país. 

Pois saiba que nós, do PT, não nos intimidaremos diante do recrudescimento das práticas golpistas contra o nosso partido e contra o nosso governo. 

Somos bons bons de voto, mas também de rua. 

Já os derrotamos nas urnas. 

E vamos derrotá-los também nas ruas, com a ajuda do povo brasileiro, se continuarem a atentar, como tem feito, contra a democracia no Brasil."
Marcelo, mais uma vez, foi evasivo, não contra-argumentou:
"Como disse para vc, prezado amigo, vejo diferente esta questão."
Ante a sua atitude de fuga ao debate, disse-lhe, finalizando:
"Contra fatos, não há argumentos. 

E se não são os fatos, apreciados à luz da razão, que fundamentam os posicionamentos políticos, o que há de os fundamentar? 

O interesse? 

O preconceito? 

Ou o simples hábito de vestir antolhos e seguir, dócil, o berrante 'global' sem questionar prá onde se é conduzido?"

sábado, 24 de novembro de 2012

Como não se apaixonar por esta guerrilheira?

A nova imagem pública das FARCS é a imagem de uma mulher holandesa: Tanja Nijmeijer. Linda, inteligente e corajosa, ela saiu este mês das profundezas da selva colombiana, onde nos últimos dez anos tem enfrentado, de fuzil na mão, a dura luta pela sobrevivência em meio à guerra, para atuar no campo diplomático. Tanja, cujo nome político é Alexandra Nariño, faz parte da delegação que representa as FARCS na mesa de negociações com o governo colombiano, que está se dando presentemente em Cuba, onde se pretende chegar a um acordo de paz. 

Tanja - ou Alexandra - é uma mulher especial. Num tempo como o nosso, em que o interesse pragmático subjuga com frequência o idealismo, a paixão revolucionária desta holandesa só pode ser recebida, quando revelada pela imprensa internacional, com um misto de espanto, admiração e desconfiança. Sua imagem seria facilmente admitida pelos senso comum como a imagem de uma modelo de moda ou publicidade. Mas ela não é modelo. É guerrilheira. E linda, linda demais. É tão difícil para quem não é idealista entender o que passa na cabeça de Tanja, quanto para um idealista não se apaixonar por ela. Eu me apaixonei por Tanja Nijmeijer, me apaixonei por Alexandra Nariño.

Em 21 de novembro de 2012, o site G1 publicou reportagem sobre a musa da guerrilha colombiana, com algumas belas fotos da gata guerreira. Um colírio.

A guerrilheira holandesa das Farc, Tanja Nijmeijer, posa em 15 de novembro em Havana (Foto: Adalberto Roque/AFP)

A rebelde holandesa das Farc, Tanja Nijmeijer, chega para negociar em 19 de novembro (Foto: AFP)

Tanja Nijmeijer (à direita) aparece em acampamento das Farc na selva colombiana, em fotos não-datadas (Foto: AFP)

Tanja, cujo nome de guerra é Alexandra, uniu-se voluntariamente à guerrilha, em 2002 segundo sua família. Ela nasceu em 1978 e sua história foi revelada pela imprensa colombiana em 2007 (Foto: AFP)