quarta-feira, 13 de abril de 2022

Esquerda alckmista esconde a história pra defender o 'Temer do Lula'


Não é menos inconsistente a argumentação do professor Gilberto Maringoni, do PSOL, para defender Alckmin vice do Lula do que todas as demais argumentações neste mesmo sentido que tenho lido e ouvido na internet. Na verdade, o professor Maringoni repete o modelo predominante de discurso, que consiste em: 1 - superestimar a força do bolsonarismo; e 2 - apagar da história o golpe de 2016. Maringoni abre o seu texto dizendo: "Juro que não consigo entender a carga pesada que alguns ativistas de esquerda - gente de valor - fazem contra a chapa Lula-Alckmin". Pois eu juro que não consigo acreditar que ele não entenda. A menos que ele esteja acometido de uma amnésia histórica seletiva. Porque não há de ser por desinformação que omite fatos de tamanha relevância, vividos tão recente e intensamente por toda a nação. Como ele não é o único a fazê-lo, suponho estar havendo um surto dessa amnésia seletiva na esquerda brasileira. Seletiva porque da memória só some o que não convém à tese apregoada por seus padecentes. Ou supostos padecentes, se a amnésia for simulada.

Reproduzo o texto de Maringoni ao fim deste post e quem o ler há de constatar que nenhuma menção é feita ao golpe de 2016. Não posso afirmar que é intencional essa omissão, pode ser mesmo efeito de amnésia. Mas posso dizer seguramente que ela muito convém à defesa da tese do autor. Porque realmente, para defender com eficácia essa aliança que Lula está fazendo, tem que se fazer mesmo o que Maringoni faz no seu texto e o que todos os defensores dessa aliança, a começar pelo próprio Lula, têm feito o tempo todo: apagar uma parte importante da história, esquecer que houve um golpe de Estado e esquecer que este golpe foi liderado por Alckmin e a centro direita e não por Bolsonaro e a extrema direita. 

É preciso além disso esquecer, para defender essa aliança, que a Lava Jato só se tornou o monstro destruidor que virou por causa do apoio de Alckmin e da centro direita e não pelo apoio de Bolsonaro e da extrema direita. E é preciso também ignorar que em 7 de setembro de 21, quando Bolsonaro tentou um golpe de Estado, simplesmente fracassou. Ou seja, Alckmin foi líder de um golpe exitoso enquanto Bolsonaro foi líder de um golpe que sequer aconteceu. Quem é então a maior ameaça à democracia? Já disse minha opinião no texto Bolsonaro não tem força para um golpe. Centro-direita é perigo maior, publicado neste blog.

Aí está o padrão da retórica alckmista nas hostes da esquerda: superestimar a força do bolsonarismo e apagar da história o golpe de 16. Pois só assim se pode dar crédito a Alckmin e usar Bolsonaro como bode expiatório por tudo que aconteceu desde a deposição de Dilma, sobretudo nas áreas econômica e social, e ainda por cima sustentar que a maior ameaça à democracia é Bolsonaro e não Alckmin. 

Mas Maringoni vale-se de um recurso retórico adicional, que é identificar Alckmin com alguns dos nomeados nos governos petistas para ministérios ou indicados naquele tempo para o Supremo. A lógica implícita nessa comparação é a de que se erramos naquelas nomeações e indicações devemos insistir no erro e não nos corrigirmos. Ele diz que é "um purismo infantilóide que descortina oportunismo cru" todo o esforço que se tem feito para não errar de novo. 

Aliás, é bom lembrar que num governo, os ministros podem ser substituídos, mas o vice-presidente, assim como os juízes do Supremo, não. De modo que não há como corrigir a escolha errada de um vice. Por isso é tão séria essa decisão que está sendo tomada. Que os militantes inexperientes e desinformados a banalizem, é compreensível. Mas é imperdoável que os mais experientes e bem informados o façam, induzindo os demais ao erro, à ilusão de estarem no melhor caminho. A decepção e a derrota os esperam, se não mudarmos de rumo.

Por fim, quero destacar uma pergunta do professor Maringoni que é a expressão mais viva da sua amnésia histórica seletiva. Ele indaga: "Alckmin seria mais conservador que José Eduardo Cardozo"? Minha resposta: provavelmente não. Mas Alckmin liderou o golpe, apoiado por Bolsonaro, enquanto José Eduardo Cardozo lutava contra o golpe, ao lado de Dilma, eles estavam em lados opostos, José Eduardo na trincheira da democracia e Alckmin na trincheira do golpismo. Mas o professor esqueceu ou finge que esqueceu o que aconteceu naqueles dias não tão distantes.

O que Maringoni classifica como "a única tentativa viável de nos tirar do abismo e de recolocar o Brasil no rumo da democracia" é na verdade o caminho mais seguro para uma derrota efetiva, depois de uma vitória ilusória. Com Alckmin vice de Lula, os bilionários e a centro direita instalam a terceira via, que tantos dão como morta, dentro da primeira, de forma definitiva. Com isso deixam Lula com duas alternativas: ou ele preserva o legado do golpe, a Ponte Para o Futuro, ou sofre um golpe de Estado. E se isso acontecer, a esquerda, assim como em 2016, não será capaz de resistir porque será pega de surpresa e não estará preparada para dar a resposta necessária. Os que, como eu, se opõem a essa aliança estão tentando evitar que a esquerda caia nessa cilada. Porque se esse plano foi concebido por Alckmin, eu digo que é genial. Mas se a ideia foi de Lula, eu considero um desastre, uma autossabotagem, que eu espero mesmo que não prospere.

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SEGUE O TEXTO COMENTADO

"A OPOSIÇÃO À CHAPA LULA ALCKMIN ULTRAPASSOU OS LIMITES DO RAZOÁVEL. 

CORRE O RISCO DE CAIR NA SABOTAGEM ABERTA

Juro que não consigo entender a carga pesada que alguns ativistas de esquerda - gente de valor - fazem contra a chapa Lula-Alckmin. Os resultados desastrosos do primeiro turno francês batem na nossa cara, depois dos quatro candidatos progressistas sequer terem se sentado para traçar uma tática comum, que poderia ter levado Jean-Luc Melénchon à segunda volta.

Tenho duas impressões sobre a tentativa de torpedear a chapa progressista brasileira, que unifica vários partidos.

A PRIMEIRA é a sensação que os que a atacam são insensíveis não apenas a fascitização do governo Bolsonaro e seus apoiadores, mas à gosma social que o sustenta. Os últimos sete anos, com três governos que investiram pesado na desconstrução de regras e parâmetros públicos de convivência, geraram monstros sociais incontroláveis. As Forças Armadas viraram um lumpesinato fardado, as polícias estão incontroláveis, diversos bandos milicianos fortemente armadas estão prontos para botar fogo no circo nos próximos meses, entre outras coisas. Diante disso, os detratores da chapa Lula-Alckmin atuam como se estivéssemos na Suíça, com as condições normais de temperatura e pressão garantidas até outubro;

A SEGUNDA IMPRESSÃO vem de um purismo infantilóde que descortina oportunismo cru. Alguém acha, siceramente, que Alckmin tem posições mais neoliberais do que Antonio Palocci e Henrique Meirelles - que elevaram a selic a 26,5% em 2003 e o superávit primário para 4,8% do PIB em 2005 (índice sequer tentado nos anos FHC)? Ou que a fé mercadista do governador suplanta a de Dilma Rousseff, que dobrou o desemprego em 15 meses e chegou a dizer - ao jornal belga Le Soir, em junho de 2015 - que não havia outro caminho a não ser o alucinado ajuste fiscal que arrebentou nossa economia? Alckmin seria mais conservador que José Eduardo Cardozo, que ofereceu ao ex-governador a Força Nacional para reprimir os protestos de 2013? Seria um direitista mais extremado que Dias Tóffoli, Luís Fux, Luís Roberto Barroso, Edson Facchin e outros juristas de confiança do PT? 

Pela composição de forças, a chapa Lula-Alckmin não parece ser nem melhor e nem pior do que as administrações do período 2003-16. Assim como aqueles governos, a chapa não tem em seu horizonte qualquer perspectiva de transformação social. 

Ocorre que a política gira e a Luzitana roda. Hoje, mesmo um governo mediano e tímido é preferível à barbárie em curso. As oposições de esquerda ao longo dos 13 anos petistas foram incapazes de gerar um programa de desenvolvimento factível e realista. Não adianta brigar pelas aparências agora.

Assim, repito: investir contra a chapa Lula-Alckmin não apeas atrapalha, mas objetivamente sabota a única tentativa viável de nos tirar do abismo e de recolocar o Brasil no rumo da democracia."

https://disparada.com.br/oposicao-chapa-lula-alckmin/

Se a esquerda resolver ser Ulisses, que alternativa o povo terá?


Quem derrubou Dilma e botou Lula na cadeia pra tirá-lo da eleição de 2018 não foram Bolsonaro e a extrema direita, foram Alckmin e a centro direita, chamada "direita democrática" pelo sociólogo Celso Rocha de Barros, no artigo que reproduzo ao fim deste comentário. 

Pergunto ao Celso e aos que me leem:

Democrata dá golpe de Estado? Democrata cassa direitos políticos de adversários com base em fraudes judiciais? 

Será inocência julgar a confiabilidade dos agentes políticos e a conveniência e segurança de alianças com eles de acordo com a sua trajetória? 

Ou será que a história só vale quando serve pra justificar os nossos desatinos? 

Quando a esquerda topar ser o Ulisses ela deixará de ser esquerda, porque o Ulisses sempre foi de direita e de todas as articulações que fez nasceu um governo de direita, contra o qual o PT se opôs apresentando-se como alternativa. 

Se a esquerda topar ser o Ulisses, que alternativa o povo terá? 

Alckmin já disse através do presidente do seu novo partido que não quer programa de esquerda, quando se sabe que só um programa de esquerda pode atender às necessidades do povo. 

O que Alckmin quer é a continuidade da Ponte Para o Futuro. Se Lula não topar, nós vamos ter um novo golpe de Estado. 

A esquerda está induzindo o povo brasileiro a confiar nos seus maiores inimigos e montando uma verdadeira cilada para si mesma, da qual dificilmente vai poder escapar, logo ali na frente, quando o governo Lula estiver sendo sabotado, quando por causa dessa sabotagem instalarem-se as primeiras crises e a impaciência do povo começar a se manifestar nas ruas, pela ausência das mudanças que o povo espera. Quem não aprende com os próprios erros tende a repeti-los. Alckmin é o Temer de Lula.

11/4/2022

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ARTIGO COMENTADO

Lula com Alckmin, Bolsonaro com Ustra

Celso Rocha de Barros - Servidor federal, é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra).

Nos últimos 15 dias, os dois candidatos que lideram as pesquisas eleitorais deixaram claro suas diferenças.

Em um movimento em direção ao centro, Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que quer como seu companheiro de chapa Geraldo Alckmin, outro constituinte de 1988, superando uma disputa política de 20 anos.

Por sua vez, Bolsonaro lançou-se candidato elogiando o torturador Brilhante Ustra. Seus apoiadores celebraram o aniversário do golpe de 1964 e Eduardo Bolsonaro fez piada com a tortura de uma jornalista.

A turma de Lula tirou dezenas de milhões de brasileiros da miséria e colocou alguns milhões de pobres e negros na universidade.

A turma de Alckmin derrotou a hiperinflação que paralisou o Brasil por 15 anos e regulamentou os medicamentos genéricos.

A turma de Bolsonaro deixou morrer centenas de milhares de brasileiros sem vacina e sem uma única palavra de consolo do presidente. Montou um esquema de orçamento paralelo de R$ 16 bilhões. Ameaça diariamente a democracia. Para eles, a eleição é um plebiscito sobre o golpe.

Mesmo assim, deve haver empresários, religiosos e outros conservadores pensando: bom, eu até votaria nessa chapa, mas só se o Alckmin fosse o candidato a presidente. Bom, meu amigo, em 2018 ele era. Você votou em quem?

Garanto que se todo mundo aí do lado de vocês tivesse apoiado Alckmin em 2018, ele teria ido para o segundo turno. Teria, sem sombra de dúvida, recebido apoio do PT contra Bolsonaro. Nos anos seguintes, Lula e Alckmin teriam brigado por inúmeros motivos, mas não sobre vacina. Hoje haveria, no mínimo dos mínimos, 100 mil brasileiros a mais no mundo.

A questão é essa. A diferença entre quem acha que o superávit primário deve ser um pouco maior ou um pouco menor é muito menos importante do que a diferença entre quem defende vacina e quem defende a morte, entre quem defende Ulysses Guimarães e quem defende Brilhante Ustra.

Alguns petistas respeitáveis, como Rui Falcão e José Genoino, manifestaram posição contrária à chapa Lula/Alckmin. Respeito suas posições, mas discordo delas.

O PT está em processo de reorganização após a crise de 2016. Está se reconectando com suas bases, voltando a debater suas ideias, fazendo tudo que um partido que volta para a oposição deve fazer. Se estivesse disputando contra democratas de direita, o PT teria todo direito de passar quanto tempo quisesse arriscando perder eleição para reafirmar suas posições.

Mas disputará contra Bolsonaro, em campanha de reeleição, disposto a usar a máquina do Estado brasileiro como usou o WhatsApp na eleição passada: consultando avidamente o Código Penal para saber se ainda falta cometer algum crime.

Para derrotá-lo, e, sobretudo, para governar em caso de vitória, o PT terá que conquistar apoios nos estados e municípios. O PT não venceu as últimas eleições na maioria deles. Alckmin na chapa sinaliza para esses aliados, e para seus eleitores, que o PT está falando sério quando diz que quer conversar.

A esquerda não tem a opção de voltar para inocência dos anos 80. Naquela época, entre a esquerda e o fascismo havia a turma do Ulysses, que fez os acordos que teve que fazer. Em 2022, se a esquerda não topar ser o Ulysses, ninguém vai ser.

terça-feira, 12 de abril de 2022

O bode expiatório, a esquerda Branca de Neve e o genial Chuchu Envenenado

Alguns comentários que publiquei no Facebook


4/2

Tem gente dizendo que "a estratégia de Lula de anunciar por antecipação um vice do tal 'centro' (Alckmin) está sendo vista pela classe política como 'genial' e um golpe mortal na 'terceira via'". Só não dizem que classe política é essa. Com certeza é a turma neoliberal golpista da terceira via. Porque, do ponto de vista dessa turma, a estratégia é genial mesmo! Afinal, a terceira via está entrando dentro da primeira e logo no primeiro ou segundo ano de governo vai poder assumir a presidência sem precisar de nenhum voto! Espetacular!!!! Um blogueiro meio sem noção fez uma postagem com o título "Chapa Lula-Alckmin ARRASOU 'terceira via'. Pois eu digo que a terceira via é que está ARRASANDO. Prova disso é a felicidade com que o mercado financeiro recebe as notícias dessa aliança.


9/2

O Alckmin é malandro demais. Tá enganando o Lula e dando uma rasteira nos outros concorrentes da direita. Pega carona como vice na chapa do candidato favorito e vai conquistar a presidência sem precisar de nenhum voto, só vai ter que esperar pelo golpe e quando o golpe vier a presidência cai no seu colo, como caiu no colo do Temer. E tem gente achando que o Lula é gênio. Gênio é o Alckmin, pô! O cara é craque, foi derrotado pelo rival Dória no PSDB, mas trabalhou discretamente pra se reposicionar na disputa política e agora tá com o jogo na mão. Conseguiu embarcar num cavalo de troia, a candidatura do Lula, e a bordo desse cavalo de troia vai chegar à presidência, seu maior objetivo, pra dar continuidade à obra nefasta de Temer e Bolsonaro, que ele sempre apoiou.

15/2

Alckmin vice é AUTOSSABOTAGEM de Lula.

9/4

Lula sabe o que faz? Como Deus?

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Alckmin vice de Lula é a esperança dos defensores da Ponte Para o Futuro.


10/4

Os bilionários e a centro direita plantaram definitivamente a terceira via dentro da primeira. Com isso, deixam Lula com duas alternativas: ou preserva a Ponte Para o Futuro ou toma um golpe nas fuças.

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A volta da fome é resultado da política econômica implementada por Temer e Bolsonaro com o apoio do Alckmin, que ainda defende a continuidade dessa política.

A esquerda está sendo envenenada por essa aliança absurda, que cria todas as condições para o governo Lula ser sabotado e derrubado pela direita em pouquíssimo tempo. Omitir-se não é uma opção para nenhum militante de esquerda que esteja consciente do grave erro que se está cometendo.

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Os bilionários estão imitando a Rainha Má e a maioria dos petistas tá parecendo a ingênua Branca de Neve. A diferença é que ao invés de maçã, os bilionários usam chuchu. Chuchu envenenado. E a rapaziada comendo com gosto.

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E na categoria Bode Expiatório, o vencedor é... Bolsonaro! Melhor, impossível.

11/4

Quem contestou o resultado da eleição de 2014 não foram Bolsonaro e a extrema direita, foram Aécio, Alckmin, o PSDB e a centro direita. E foram estes mesmos, e não Bolsonaro, que derrubaram Dilma e botaram Lula na cadeia para aumentarem as chances de vitória do seu candidato na eleição de 2018, que era quem? Geraldo Alckmin! A ruptura da ordem constitucional no Brasil não começou com Bolsonaro e a extrema direita, que nem têm poder para tanto. Começou com Alckmin e sua turma da centro direita, patrocinados pelos bilionários brasileiros e estrangeiros. que foram os beneficiários únicos do programa Ponte Para o Futuro, implementado a partir do golpe. A fome que voltou é resultado desse programa que Alckmin sempre defendeu e pretende impor ao governo Lula. Se Lula resistir, será derrubado, como Dilma, e Alckmin assumirá a presidência, como Temer.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

VÍDEO: Alckmin é o CANDIDATO do GOLPE, disse Haddad em 2018

Em 19 de agosto de 2018, o programa Canal Livre, da TV Band, entrevistava o então candidato a vice-presidente na chapa de Lula, Fernando Haddad, enquanto o ex-presidente chegava ao 137º dia de sua prisão ilegal e injusta, mantida pela coalizão golpista de direita, liderada por políticos como Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Eduardo Cunha e Michel Temer. Essa coalizão golpista se dividira entre várias candidaturas na eleição presidencial daquele ano, mas a quase totalidade dos seus partidos - PSDB, PP, PTB, PSD, PRB, PR, DEM, Solidariedade e PPS - formou a coligação "Para Unir o Brasil" e lançou a candidatura do tucano Geraldo Alckmin. Só que a candidatura de Alckmin não decolava. 

Três dias depois dessa entrevista de Haddad, o Datafolha confirmava o favoritismo de Lula, mesmo estando preso, com 39% das intenções de voto contra 19% de intenções de voto em Bolsonaro, que vinha em segundo lugar. Marina Silva tinha 8% e Alckmin apenas 6%. Na apuração dos votos do primeiro turno, Alckmin acabou com 5% dos votos válidos, um verdadeiro fiasco, provando mais uma vez que amplitude de coalização não garante eleição. A coligação de Lula e Fernando Haddad, chamada "O Povo Feliz de Novo", tinha apenas três partidos, PT, PCdoB e PROS, e mesmo assim Haddad chegou ao segundo turno, com menos de um mês para fazer sua campanha, depois que assumiu a candidatura a presidente após o TSE ter julgado Lula inelegível. 

Alckmin ia, portanto, àquela altura, muito mal nas pesquisas. Mas a alta burguesia e a centro-direita neoliberal ainda acreditavam num milagre. Pois se não acontecesse esse milagre teriam que apoiar o neoliberal fascista Bolsonaro contra o inaceitável antineoliberal Fernando Haddad, o que acabaram fazendo mesmo. Alckmin e os partidos da sua coligação ajudaram a eleger Bolsonaro no segundo turno e passaram a integrar o ministério do seu governo e a sua base de apoio no Congresso Nacional. Segundo o site Congresso em Foco, o PSDB, de Geraldo Alckmin, votou com o governo em mais de 80% das votações da Câmara e do Senado desde que Bolsonaro assumiu a presidência. 

Hoje Lula defende com espantosa naturalidade a indicação de Geraldo Alckmin como vice de sua chapa. Mas naquela entrevista ao Canal Livre de 2018, perguntado se apoiaria Alckmin numa eventual disputa de segundo turno contra Bolsonaro, Fernando Haddad não hesitou em dizer que não apoiaria e justificou: "Se nós somos oposição ao Temer, como é que nós vamos apoiar um candidato que subscreve o que o Temer tá fazendo, do ponto de vista econômico?". 

Considerando-se o fato de que o cargo de vice-presidente foi criado para abrigar o substituto do presidente nas suas ausências, como estabelecido no artigo 79 da constituição brasileira - "substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente" - e considerando-se o fato de que o presidente é eleito pelo povo por causa dos compromissos que assume na campanha, é um dever de qualquer candidato a presidente indicar um substituto que tenha os mesmos compromissos que ele porque se não o fizer estará traindo a confiança do povo e submetendo o povo ao risco de ser governado por um presidente que afrontará à sua vontade, manifestada através do voto nas urnas. 

Hoje Lula impõe ao povo um presidente substituto que há apenas quatro anos Haddad considerava um presidente inaceitável, mesmo numa disputa de segundo turno contra Bolsonaro. Veja o vídeo e leia o trecho da entrevista em que Haddad assume a posição que Lula deveria ter hoje. 

Trecho da Entrevista de Fernando Haddad ao Canal Livre

Mônica Bergamo - A gente sabe que essa questão de formação de maiorias muitas vezes ela começa já no segundo turno, quando sobram dois candidatos e você começa a conversar com alguns partidos sobre formação do futuro governo. Então eu queria saber como seria o diálogo, por exemplo... o Fernando Henrique Cardozo foi questionado e ele disse 'se ficar Haddad e Bolsonaro, eu não me oporia a uma conversa com o Haddad'. Eu queria saber: 1) se a recíproca é verdadeira, se vocês apoiariam o PSDB, ou se o senhor defenderia um apoio do PT ao Alckmin, caso fique esse quadro de Bolsonaro versus Alckmin. Bem objetiva a pergunta.

Fernando Haddad - Nessa eleição eu acho muito difícil que Bolsonaro e Alckmin possam ir para um segundo turno, eu acho impossível, pra ser bem honesto. Porque o Alckmin só cresce às custas duma queda do Bolsonaro, não tem como ele crescer sem o Bolsonaro cair.

Mônica Bergamo - Sim, mas o Fernando Henrique admitiu uma hipótese de diálogo, é um pouco isso...

Fernando Haddad - Segundo ponto. Diálogo: diálogo é o que?

Mônica Bergamo - Diálogo é apoio.

Fernando Haddad - Vamu lá: diálogo é o que? O Alckmin está disposto a abrir mão do plano econômico do Temer? Porque hoje o maior representante do Temer na eleição é o Alckmin. Isso dito pelo Temer, não sou eu que tô dizendo. Quando perguntado...

Eduardo Oinegue - O Temer lançou o Henrique Meirelles, candidato.

Fernando Haddad - Bom, a imprensa divulgou: quem é o candidato do governo? Ele falou "é o Alckmin, né".

Mônica Bergamo - "Parece que é".

Fernando Haddad - "Parece que é o Alckmin, né". Por que? Porque toda a base de apoio dele toda a base, com exceção do MDB, que hoje não tem um candidato com expressão, com viabilidade, está apoiando Alckmin. E o Alckmin, se você ler o plano de governo dele, o plano de governo dele é o plano Temer, é a Ponte Pro Futuro. Se nós somos oposição ao Temer, como é que nós vamos apoiar um candidato que subscreve o que o Temer tá fazendo, do ponto de vista econômico?

Ricardo Boechat - Tá dada a resposta à nossa Mônica Bergamo.

Fernando Haddad - Agora, ele vai voltar atrás, vai dizer "não, nós vamos tratar os trabalhadores com dignidade, não dá pra ter teto de gastos dessa maneira, vamos pensar em outra..." Ele tá disposto? Eu acho que não.

***

No dia 21 de agosto de 2018, o Partido dos Trabalhadores publicava uma parte do trecho dessa entrevista aqui destacado em sua página oficial no Facebook, sob o título "Alckmin é Temer!". Confira.

https://web.facebook.com/pt.brasil/videos/266508817293145

Pois Haddad e o PT estavam certos. Porque até hoje, Geraldo Alckmin nunca mostrou arrependimento pelo golpe que liderou e nunca deu nenhuma declaração indicando que tenha deixado de apoiar o programa neoliberal Ponte Para o Futuro, de Michel Temer e Bolsonaro. Alckmin era e continua sendo o candidato do golpe. E mesmo assim dá-se como certo que ele será substituto de Lula na Presidência da República. Se assim for, o Brasil estará caminhando para mais um desastre. O mercado financeiro festeja, porque seu candidato a presidente será vice de Lula e isso já é meio caminho andado para um novo golpe de Estado. O mercado financeiro quer Alckmin presidente e fará de tudo para que isso se torne realidade. Um novo golpe virá. E Alckmin será o Temer de Lula.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Alckmin é inaceitável

Depois da entrevista de Lula à rádio CBN do Vale do Ribeira, em 26 de janeiro, ficou muito claro que ele quer mesmo ter Alckmin como seu vice. Não resta mais nenhuma dúvida de que ele já está decidido e que vai impor o nome de Alckmin ao PT, ao conjunto da esquerda e à classe trabalhadora. Lula bota realmente a mão no fogo por esse homem, que foi uma das principais lideranças do neoliberalismo no Brasil durante as últimas três décadas e um dos principais líderes do golpe de Estado neoliberal de 2016, e o indica para ser seu substituto, como presidente da república, em suas eventuais ausências temporárias, como viagens ou licenças médicas curtas, ou numa eventual ausência sua permanente, em razão de impeachment, doença grave ou morte. Deduz-se, do que ele tem dito, que Alckmin rompeu com o mercado financeiro, que por tanto tempo representou, e deixou de acreditar no neoliberalismo, que defendeu por mais de 30 anos. Na outra entrevista de grande repercussão que deu, em 19 de janeiro, ele já havia falado em mudanças radicais de postura política já vistas na história, sugerindo que Alckmin poderia ser mais um desses casos. Como não acredito em conversões radicais súbitas, duvido muito e creio que infelizmente a vice-presidência será mesmo o calcanhar de aquiles do futuro governo da esquerda. O mandato de Lula, tendo como vice alguém com os antecedentes de Alckmin, pode não durar nada, pode acabar muito prematuramente, frustrando as expectativas da esquerda e do povo. 

Não me convence mesmo a estória da carochinha da conversão do Alckmin e tampouco me convence a absurda tese de que os antineoliberais precisam aliar-se aos neoliberais que os golpearam para derrotar um outro neoliberal que não consegue dar golpe nenhum, mas é julgado mais perigoso do que os outros apenas por sua retórica fascista. Ora, um golpista fascista com poderes limitados não representa risco maior para as liberdades democráticas do que um golpista liberal dotado de superpoderes, proporcionados por patrões muito ricos. Se o fascismo realmente ameaça, os liberais já cometeram, repito, já cometeram a violência inominável de um golpe de Estado e a violência inominável da perseguição estatal a adversários políticos, primeiro no Mensalão e depois na Lava Jato. Como podem então ser considerados democratas e inofensivos? É preciso ignorar completamente a história recente do país para sustentar esse juízo. Aliar-se a eles é um erro grave que mais grave ainda se tornará com a entrega da vice-presidência de Lula a um homem com a trajetória de Geraldo Alckmin. 

Nunca me passou pela cabeça que Lula fosse capaz de cometer um erro assim tão primário. Estava certo de que ele não aceitaria essa proposta por não ser irresponsável, nem burro, nem louco. Mas pelo visto eu estava errado, superestimei o nosso líder. Se fecharem mesmo a chapa de Lula com Alckmin de vice, eu e os demais petistas que nos opusemos a essa ideia teremos sido obviamente derrotados, o que não significa que estejamos errados. Continuo achando que errado está Lula e errados estão os que apoiam esta sua escolha infeliz. Vou votar mesmo assim no Lula, por considerá-lo a melhor opção para os trabalhadores, farei campanha para elegê-lo, mas vou manter também minha crítica a essa aliança desnecessária, danosa e extremamente perigosa que terão feito e vou continuar repudiando Geraldo Alckmin e alertando para o risco de tê-lo na vice-presidência. Lula e o PT poderão contar comigo para ajudar a eleger o nosso novo presidente da república. Mas não contém comigo para enganar os trabalhadores apagando o passado infame deste que tanto mal lhes fez e induzindo-os a confiar em quem sempre os tratou como inimigos. Se Alckmin é inaceitável para os petistas como presidente, então os petistas também não podem aceitá-lo como vice, porque vice é presidente reserva e a qualquer momento pode substituir o titular. 

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

O PT e a governabilidade segundo Maquiavel


Lições de Maquiavel

Diz Maquiavel em sua obra clássica "O príncipe": 

“As tropas com que um príncipe defende o seu estado são ou próprias ou mercenárias ou auxiliares ou, ainda, mistas. As mercenárias e auxiliares são inúteis e perigosas. Se alguém toma por sustentáculo as tropas mercenárias, nunca terá tranquilidade nem segurança, porque elas são desunidas, ambiciosas, sem disciplina, infiéis, corajosas diante dos amigos, covardes diante dos inimigos, e sem temor de Deus. Com semelhantes tropas, um príncipe só poderá evitar a própria ruína enquanto puder evitar um ataque contra si. Será pilhado por elas em tempo de paz, e pelo inimigo em tempo de guerra. A causa disso é que tais tropas não têm outro sentimento nem outro motivo que as faça lutar a não ser um pequeno estipêndio, e este não basta para lhes incutir a vontade de morrer por quem lho paga. Querem ser soldados do seu patrão quando ele não faz a guerra; mas, ao romper esta, querem fugir ou desligar-se do seu compromisso.

(...)

As tropas auxiliares, o outro tipo de armas inúteis, são as que um príncipe pede emprestadas a outro poderoso para o virem ajudar e defender. (...)  Semelhantes tropas podem ser úteis e boas para os seus chefes, mas são sempre perniciosas para quem as chama, porque, se forem derrotadas, ele também o será, e se vitoriosas, tê-lo-ão à sua mercê. (...)  Por conseguinte, só quem não quer vencer pode pensar em servir-se de tais tropas, muito mais perigosas do que as mercenárias. É que, pelo fato de estarem unidas e de obedecerem a outrem, elas nos trazem inevitavelmente a ruína. Já as mercenárias, não constituindo um corpo só e tendo sido, além disso, procuradas e pagas por quem as emprega, precisam, após a vitória, de mais tempo e oportunidade para se volverem contra ele; e o próprio chefe que, por incumbência do príncipe, as comanda, não pode adquirir logo autoridade suficiente para o prejudicar. Em suma, nas tropas mercenárias o mais perigoso é a covardia, nas auxiliares o valor [virtú][[a lealdade ao seu senhor]]. Todos os príncipes ajuizados sempre evitaram tropas desta espécie, recorrendo às próprias e preferindo perder com estas a vencer com as alheias. Nunca se lhes afigurou verdadeiro triunfo o conquistado com as armas de outrem. (...)  A realidade é que as armas alheias ou nos caem das mãos ou pesam sobre os nossos ombros ou nos apertam.

(...)

Do exposto concluo que, sem possuir exércitos próprios, nenhum principado está seguro e, ao contrário, fica dependente do destino, por não ter quem o defenda na adversidade. Recordemos aqui que a opinião e sentença dos homens atilados sempre foi “que nada há tão débil e instável como a fama do poder que não assenta em força própria” ["quod nihil sit tam infirmum aut instable, quam fama potentiae nun sua vi nixa", Tácito, Anais XIII, 19]. As armas próprias são as formadas ou por súditos ou por servidores do príncipe. Todas as outras são mercenárias ou auxiliares."

O PT e suas forças próprias, auxiliares e mercenárias

A forças próprias do Partido dos Trabalhadores são aquelas de onde ele surgiu e de onde vem cada vez mais se distanciando: os trabalhadores organizados em suas entidades e intervindo no processo político através das suas variadas formas de luta e manifestação. A burguesia sempre fez um enorme esforço para convencer a classe trabalhadora de que as eleições eram o único espaço legítimo para o exercício da sua cidadania. Pois, nós, do PT, nascidos da contestação a essa mentira, acabamos por engoli-la e, com nossa nova atitude, fazemos coro com a burguesia induzindo o povo a manter-se dócil e passivo na condição de mero espectador da democracia falsa que a burguesia comanda.

A opção por uma atuação exclusivamente institucional é a causa maior dos maiores problemas do Partido dos Trabalhadores. A aliança com os movimentos sociais foi abandonada em detrimento da aliança com partidos burgueses, de direita, corruptos e fisiológicos, que são as tais forças mercenárias e auxiliares de que fala Maquiavel em O Príncipe. Pois se rompemos com os movimentos sociais, que são nossas forças próprias e entramos no jogo da política institucional inteiramente desarmados, acabamos reféns de uma situação em que, se não compramos o apoio da bandidagem ou fazemos acordo com partidos inimigos, ficamos impossibilitados de vencer eleições, menos ainda, de governar. É assim que aparecem as alianças esdrúxulas, os escândalos de corrupção e essa imensa confusão ideológica e crise de identidade por que estamos passando.

O PT abre mão de investir nas mobilizações populares de onde poderia e deveria retirar a energia transformadora capaz de impulsionar o seu projeto e, ao invés disso, alia-se a forças políticas que, historicamente, sempre se opuseram a esse projeto que ele defende, um projeto que é a razão de ser da sua existência, e com isso confunde o povo e a sua própria militância, que não conseguem mais entender quem é quem. Daí o quadro de evidente despolitização dentro do partido e na classe trabalhadora, que faz com que, ao invés de ideias, se discutam nomes de pessoas e partidos para as eleições, sem nenhuma clareza do que realmente representam. Porque, afinal, tudo acaba, mesmo, parecendo a mesma coisa.

Vitória eleitoral e vitória política

Vitórias eleitorais nem sempre são vitórias políticas. Quando, para vencer uma eleição e governar sem sobressaltos, um partido abre mão do seu projeto original e passa a usar métodos que antes repudiava, o que se tem não é avanço, é retrocesso. Vitória política é avançar na realização de um programa de governo apoiando-se em forças próprias, sem fazer concessões que desfigurem esse programa e a ética original do partido, admitindo o emprego de expedientes antes considerados escusos, desses a que estão habituados os partidos tradicionais da burguesia.

A direita e a burguesia terão sempre razão para comemorar toda vez que o PT admitir dividir com elas palanques e governos. Tudo o que elas querem é a diluição da imagem pública do partido de esquerda dos trabalhadores, que quer transformações na sociedade, na água suja e fétida em que se banham os partidos conservadores. Desaparecendo o marco divisório entre as ideologias e as classes no plano da representação política, tudo fica igual, todos são iguais, ninguém é de direita, ninguém é de esquerda, tudo é centro, “todos os gatos são pardos”. 

O PT erra ao permitir, com sua conduta, que os trabalhadores o vejam como apenas uma carta a mais no baralho da democracia burguesa. A confusão que isso gera beneficia aos conservadores porque desarma politicamente a classe trabalhadora frente à burguesia. A maior parte da militância petista ainda não está se dando conta desse equívoco gravíssimo das suas direções e segue encantada por essa limitada democracia sem povo na rua, que se estabeleceu no país, como se a simples eleição de bons representantes fosse capaz de garantir as mudanças que deseja. 

Estamos nos iludindo e iludindo ao povo brasileiro. Porque é preciso muito mais do que bons parlamentares e bons governantes para transformar esse país e torná-lo uma nação realmente soberana, próspera, democrática e socialmente justa. Só o poder popular pode fazer essa transformação e o poder popular não se constrói nos gabinetes dos parlamentos e governos, só se constrói nas ruas.

Ignorando essa lição da História, a maioria dos petistas entrega-se com sofreguidão às eleições, fazendo delas o evento único para o exercício da cidadania, como querem, sempre quiseram, os ricaços da burguesia. A maioria de nós, petistas, confunde vitória eleitoral com vitória política. Não percebe que, dependendo do preço que o PT tenha que pagar à direita e à burguesia, em termos de concessões éticas e programáticas, qualquer vitória eleitoral pode representar, na realidade, uma derrota política. Isto sem falar no risco enorme de traição e golpes de Estado que essas alianças sempre acarretam. 

Forças políticas próprias dos governos de esquerda são apenas as organizações populares de esquerda - partidos e movimentos sociais -, por isso são elas as únicas forças políticas realmente confiáveis para darem sustentação aos governos da esquerda. Organizações de direita, todas elas, por mais que se prontifiquem a colaborar e prometam lealdade, jamais serão confiáveis, por representarem interesses incompatíveis com os interesses que a esquerda representa, por isso alianças com elas devem ser evitadas. Não é possível governar para o povo governando com os inimigos do povo. Só é possível governar para o povo governando com o povo. É isso que precisa ser entendido pelos dirigentes e pela militância do Partido dos Trabalhadores.

Silvio Melgarejo

Julho/2008

(Texto que postei no Orkut em julho de 2008, com o título "Lições de Maquiavel". Revisado e publicado neste blog em 12/08/2016 e em 25/01/2021)